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Carteira de identidade substitui o passaporte em nove países da América do Sul
O documento precisa ser físico e ter menos de dez anos de emissão, e quem volta por terra pode trazer até US$ 500 em compras, segundo PF e Receita.

Brasileiros podem entrar em nove países da América do Sul só com a carteira de identidade, segundo a lista da ANAC. A dispensa do passaporte vale para viagens de turismo e tem condições: o documento precisa ser físico, estar bem conservado e ter menos de dez anos de emissão.
Os nove países são Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Chile, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela. Serve o RG antigo. A nova Carteira de Identidade Nacional, a CIN, traz o mesmo código de leitura dos passaportes. Ela é aceita nos países com que o Brasil tem acordo de viagem, como os do Mercosul, segundo o Ministério da Gestão.
Dá para passar as férias em Buenos Aires, Montevidéu ou Santiago sem tirar passaporte. Só não conte com a identidade digital, no celular: os consulados do Brasil na Argentina e no Chile avisam que ela não é aceita na imigração.
A orientação é repetida por Álvaro Augusto Mesquita Hamel, diretor de Identificação Civil e Criminal da Polícia Científica de Santa Catarina. “É comum que as pessoas acreditem que o documento digital seja aceito em todas as situações, mas, para viagens internacionais, o documento físico ainda é indispensável”, afirmou, em nota de fevereiro.
- ValeRG ou CIN em papel ou cartão, ou passaporte
- Não valeCNH, carteira profissional, certidão de nascimento e documento só no celular
- EmissãoHá menos de dez anos, com foto que identifique o titular
- Motivo da viagemSó turismo
Em 2024, os brasileiros fizeram 688 mil viagens internacionais, 11,1% a mais que em 2023, segundo o IBGE. Cada país tem suas exigências, reunidas pelos consulados brasileiros.
| País | Permanência como turista | Atenção |
|---|---|---|
| Argentina | até 90 dias | a imigração pode pedir passagem de saída e comprovante de renda; o consulado aconselha seguro médico |
| Uruguai | até 90 dias, renováveis por mais 90 | passaporte, se usado, deve valer por pelo menos seis meses |
| Paraguai | até 90 dias, prorrogáveis uma vez | certificado de vacina contra a febre amarela |
| Chile | prazo definido na entrada | guarde o comprovante de entrada até a saída |
| Bolívia | até 90 dias, prorrogáveis por mais 90 | guarde o comprovante de entrada; perdê-lo dá multa |
Fonte: consulados do Brasil (Itamaraty) e governo da Argentina, outubro de 2026.
No Paraguai, quem não registra a entrada na Direção Nacional de Migrações ou passa do prazo paga multa de 618.546 guaranis, cerca de R$ 450. O pagamento é feito nos postos de controle migratório das fronteiras e dos aeroportos, informa o Consulado-Geral do Brasil em Assunção.
Criança só embarca com documento e autorização
Menores de 18 anos também podem usar a carteira de identidade nesses países. A certidão de nascimento não serve como documento de viagem, nem para bebês, avisa o Consulado-Geral do Brasil em Santiago. Se o seu filho ainda não tem RG ou CIN, esse é o primeiro passo.
O segundo é a autorização de viagem, exigência brasileira prevista na Resolução 131 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Ela depende de quem acompanha o menor.
- Com pai e mãeNão precisa de autorização
- Com só um dos paisAutorização escrita do outro, com firma reconhecida em cartório
- Com outro adulto ou sozinhoAutorização escrita dos dois pais ou responsáveis
- ValidadeA que for indicada no formulário; sem indicação, dois anos
- ViasDuas por criança, porque uma fica com a Polícia Federal
O formulário padrão está nos sites do CNJ e da Polícia Federal, e os cartórios de notas também emitem a autorização em formato eletrônico. Quem tem passaporte pode pedir que a autorização seja impressa nele na emissão; nesse caso, vale pelo prazo do documento.
Se você viaja nas férias, resolva isso antes de comprar as passagens e confira no calendário escolar quando terminam as aulas no seu estado. Para o Paraguai, o consulado em Assunção pede firma reconhecida por autenticidade, aquela em que os pais assinam na frente do tabelião.
De carro, com seguro e documento impresso
Para dirigir na Argentina, no Uruguai e no Paraguai, o carro com placa brasileira precisa da Carta Verde. É um seguro obrigatório do Mercosul que cobre danos a terceiros. Os limites são de US$ 40 mil por pessoa e de US$ 20 mil por danos materiais a cada terceiro, segundo a Susep.
A Carta Verde não cobre os passageiros, o motorista nem o próprio veículo. Ela é contratada em seguradora brasileira, por prazos de alguns dias até um ano, e é exigida também de motos, reboques e motor homes. O Chile não a aceita: lá, o carro brasileiro precisa do SOAPEX, um seguro de acidentes pessoais vendido pela internet.
- HabilitaçãoCNH válida, em papel ou cartão; a versão digital não é aceita na Argentina e no Paraguai
- Documento do carroCRLV impresso
- SeguroCarta Verde impressa
- Carro de outra pessoaAutorização do dono feita em cartório e apostilada
- Itens na ArgentinaDois triângulos e extintor com carga válida; engate de reboque saliente é proibido
- Itens no ParaguaiDois triângulos, extintor, kit de primeiros socorros, macaco e estepe
A ponte entre Uruguaiana (RS) e Paso de los Libres fica aberta 24 horas, todos os dias, informa o consulado brasileiro na cidade argentina.
No Uruguai, o carro pode ficar até 90 dias, e os pedágios são só eletrônicos, sem pagamento em dinheiro na cabine. O Consulado-Geral em Rivera orienta o turista a cadastrar a placa no sistema Telepeaje antes de cruzar a fronteira. Cada pedágio custava cerca de 183 pesos uruguaios em 2025, perto de R$ 25.
Para a Bolívia, um alerta do Itamaraty de 10 de julho informa que as rodovias foram liberadas depois de semanas de bloqueios, mas que ainda havia dificuldade para abastecer. O ministério recomenda confirmar o transporte com antecedência.
Animais, vacina e compras
Cães e gatos precisam do Certificado Veterinário Internacional (CVI), emitido de graça pelo Vigiagro, o serviço de vigilância agropecuária do Ministério da Agricultura. Para Argentina, Paraguai e Uruguai, ele é eletrônico e vale 60 dias, para a ida ou para a volta.
- Procure um médico veterinário habilitado no portal do governo federal: só ele pode fazer o pedido.
- Confira a vacina antirrábica, exigida de animais com mais de 90 dias de vida. Depois da primeira dose, é preciso esperar 21 dias para viajar.
- Dê o remédio contra parasitas internos e externos até 15 dias antes da emissão do certificado.
- Aguarde a análise, de até 72 horas em cada fase, e imprima o documento.
Para o Uruguai, os cães precisam ainda de microchip e de exame negativo para leishmaniose feito até 60 dias antes do embarque. A regra vale mesmo para quem só atravessa o país de carro.
Na saúde, confira a vacina contra a febre amarela. O consulado em Assunção lista o certificado internacional entre os requisitos de entrada no Paraguai, com a dose tomada pelo menos dez dias antes. O documento sai pelo aplicativo Meu SUS Digital ou pelo portal do governo federal e vale para a vida toda.
A vacina está disponível nos postos do SUS. A Bolívia não oferece assistência médica gratuita a turistas, nem em emergência, e o consulado em Santa Cruz de la Sierra recomenda contratar seguro de viagem.
Na volta, a Receita Federal isenta de imposto as compras de até US$ 500 para quem entra no Brasil por terra, rio ou lago. De avião ou navio, a cota é de US$ 1.000. Livros, revistas e objetos de uso pessoal usados na viagem não entram na conta.
US$ 500
É a cota sem imposto de quem volta por terra, cerca de R$ 2.500 pelo dólar de 7 de outubro
Fonte: Receita Federal e Banco Central, outubro de 2026
| Como você volta | Cota de bagagem | Cota extra em loja franca |
|---|---|---|
| Avião ou navio | US$ 1.000 | US$ 1.000 no aeroporto de chegada |
| Carro, ônibus ou barco (rio ou lago) | US$ 500 | US$ 500 a cada 30 dias na fronteira |
Fonte: Receita Federal, página atualizada em janeiro de 2026.
O que passar da cota paga 50% de imposto. Há limites de quantidade, como 12 litros de bebida alcoólica e dez maços de cigarro por viajante. Por exemplo, quem volta de Ciudad del Este de carro com US$ 800 em eletrônicos paga imposto sobre US$ 300, ou seja, US$ 150.
Para pagar, você preenche a e-DBV, a declaração eletrônica de bens do viajante, e quita o imposto por boleto ou Pix. Passar pelo canal “nada a declarar” com compras acima da cota dá multa de 50% do valor excedente. A conversão usa o câmbio do dia da declaração, e vale acompanhar a cotação do dólar.
Mesmo onde a identidade basta, o passaporte brasileiro é a opção mais segura para quem faz conexão em outro país ou pretende visitar mais de um destino. A recomendação é do Consulado-Geral do Brasil em Santiago.
Dúvidas sobre documentos de embarque em voos internacionais são atendidas pela ANAC no telefone 163, gratuito, todos os dias, das 8h às 20h. Sobre o certificado dos animais, o Vigiagro responde pelo e-mail [email protected].
Como citar: Ouviram (8 out. 2026). «Carteira de identidade substitui o passaporte em nove países da América do Sul». ouviram.com.br/turismo/viagens-para-paises-vizinhos-documentos
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Preciso de passaporte para ir à Guiana, ao Suriname ou à Guiana Francesa?
Leve passaporte. A lista da ANAC de países que aceitam a carteira de identidade no embarque tem nove nomes e não inclui esses três destinos.
Posso trabalhar ou estudar em outro país do Mercosul só com o RG?
Não. A dispensa do passaporte vale para turismo. Em viagens a trabalho, estudo, residência ou tratamento de saúde, o passaporte é obrigatório, informa a Polícia Federal.
Quanto dinheiro em espécie posso levar na viagem?
Não há teto, mas quem sai do Brasil ou chega ao país com mais de US$ 10.000 em espécie, ou o equivalente em outra moeda, precisa declarar o valor na e-DBV, a declaração eletrônica da Receita Federal.
A cota de US$ 500 pode ser somada entre pessoas da mesma família?
Não. A cota é individual e intransferível, mesmo entre familiares, segundo a Receita Federal. E só pode ser usada uma vez a cada 30 dias.
Moro em cidade de fronteira: preciso da Carta Verde para cruzar de carro?
Sim, mas há uma versão própria. A Carta Verde fronteiriça pode ser contratada por um ano por moradores de cidades brasileiras próximas à Argentina, ao Paraguai e ao Uruguai e cobre até 50 km além da fronteira, segundo a Susep.
O que fazer se eu perder a identidade durante a viagem?
Procure o consulado ou a embaixada do Brasil mais próximos. O Consulado do Brasil em Paso de los Libres, na Argentina, recomenda viajar com cópias ou fotos dos documentos pessoais para casos de furto ou extravio.
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1. Qual destes documentos não vale para entrar na Argentina a turismo?
A CNH não é aceita como documento de viagem nos países do Mercosul, seja qual for o motivo da viagem, segundo a Polícia Federal.
2. Qual é a cota de compras sem imposto para quem volta ao Brasil por terra?
A cota é de US$ 500 por terra, rio ou lago e de US$ 1.000 por avião ou navio, segundo a Receita Federal.
3. Qual seguro o Chile exige de carros com placa brasileira?
O Chile não aceita a Carta Verde: o veículo brasileiro precisa do SOAPEX, que pode ser contratado pela internet, segundo a Susep.
4. Por quanto tempo vale o certificado veterinário para levar um cão ao Uruguai?
O Certificado Veterinário Internacional vale 60 dias corridos, para a ida ou o retorno, segundo o Ministério da Agricultura.
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