Juros e inflaçãoGuia

Inflação 2026 acumulada: IPCA soma 3,95% de janeiro a setembro, mês a mês

Em 12 meses, os preços subiram 4,58% e passaram do teto de 4,5% da meta; o mercado espera 5,22% no fechamento de dezembro, segundo o Banco Central.

Abobrinha, batata-doce e chuchu com placas de preço em reais em banca de supermercado
Abobrinha, batata-doce e chuchu expostos com placas de preço em reais em um supermercado, em imagem de 2018.Foto: Senado Federal / Flickr · CC BY 2.0

A inflação oficial do Brasil acumulou 3,95% de janeiro a setembro de 2026, segundo o IBGE. Em 12 meses, o IPCA chegou a 4,58%. Na prática, uma compra de R$ 1.000 em dezembro passado custava, em média, R$ 1.039,50 em setembro.

O ritmo do ano é um pouco mais rápido que o de 2025. No mesmo período do ano passado, de janeiro a setembro, o índice tinha acumulado 3,64%, segundo a série do IBGE. A diferença veio sobretudo de março, com 0,88%, e de setembro, com 0,82%, puxado pela conta de luz.

A tabela abaixo traz a taxa de cada mês, o acumulado desde janeiro e o acumulado em 12 meses, que é o número usado para medir a meta. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) mede o custo de vida de famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos.

Mês de 2026IPCA no mêsAcumulado no anoEm 12 meses
Janeiro0,33%0,33%4,44%
Fevereiro0,70%1,03%3,81%
Março0,88%1,92%4,14%
Abril0,67%2,60%4,39%
Maio0,58%3,20%4,72%
Junho0,16%3,36%4,64%
Julho0,07%3,44%4,44%
Agosto-0,32%3,11%4,22%
Setembro0,82%3,95%4,58%

Fonte: IBGE, 9 de outubro de 2026

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3,95%

é quanto os preços subiram em média de janeiro a setembro, acima dos 3,64% do mesmo período de 2025

Fonte: IBGE, outubro de 2026

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O único mês de queda foi agosto, com deflação de 0,32%. Naquele mês, o Bônus de Itaipu, um crédito descontado nas faturas de energia, baixou a conta de luz, segundo o IBGE. Em setembro, o desconto acabou, e a energia elétrica subiu 7,98%, como mostra a matéria sobre o IPCA de setembro.

Os números do ano ainda são parciais. Faltam outubro, novembro e dezembro, e o resultado fechado de 2026 só sai em janeiro de 2027.

A meta de 3% e o que o Focus prevê para 2026 e 2027

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central. O alvo é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, a inflação em 12 meses é considerada dentro da meta entre 1,5% e 4,5%.

  • Meta3% ao ano, medida pelo IPCA em 12 meses
  • Intervalo de tolerânciaDe 1,5% a 4,5%
  • Quem fixaConselho Monetário Nacional
  • Quem persegueBanco Central, com a taxa Selic
  • Regra desde 2025Meta contínua, conferida todo mês
  • DescumprimentoSeis meses seguidos fora do intervalo

Desde janeiro de 2025, a meta deixou de valer só para o ano fechado e passou a ser acompanhada mês a mês, pelo Decreto 12.079/2024. O texto diz que a meta é descumprida quando a inflação em 12 meses fica fora do intervalo “por seis meses consecutivos”. Nesse caso, o Banco Central tem de explicar as causas em carta aberta ao ministro da Fazenda.

Em 2026, a taxa em 12 meses passou do teto em três meses: maio, com 4,72%, junho, com 4,64%, e setembro, com 4,58%. Como julho e agosto ficaram abaixo de 4,5%, a contagem recomeçou. Já em 2025, o índice ficou acima do teto de janeiro a outubro, segundo a série do IBGE, e fechou o ano em 4,26%, de volta ao intervalo.

A inflação anual voltou ao intervalo da meta em 2025 (IPCA, % ao ano)
20194,31
20204,52
202110,06
20225,79
20234,62
20244,83
20254,26

Fonte: IBGE, série histórica do IPCA, outubro de 2026

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Para o fim do ano, a expectativa é de alta. O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições do mercado financeiro, prevê IPCA de 5,22% em 2026, na mediana de 137 respostas. O relatório saiu nesta segunda-feira (19), com respostas coletadas até a sexta-feira (16). Quatro semanas antes, a mediana estava em 4,92%.

Para 2027, a previsão subiu de 4,30% para 4,32%. Para 2028, caiu de 3,79% para 3,75%, e para 2029 ficou em 3,50%. Só a projeção de 2026 passa do teto de 4,5%. A de 2027 fica dentro do intervalo, mas acima do centro da meta.

O mesmo boletim traz a previsão mês a mês: 0,32% em outubro, 0,34% em novembro e 0,56% em dezembro. Dezembro costuma pesar mais por causa das compras de fim de ano e das passagens aéreas. Para os preços administrados, como energia, combustíveis e tarifas públicas, a estimativa de 2026 é de 4,84%.

“Ao Banco Central do Brasil compete executar as políticas necessárias ao cumprimento da meta fixada.”

Decreto 12.079, de 26 de junho de 2024, artigo 3º

A principal ferramenta para trazer a inflação de volta à meta são os juros. A taxa Selic está em 13,75% ao ano desde a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 16 de setembro, segundo o Banco Central. O Focus prevê 13,25% no fim de 2026 e 12% no fim de 2027. A próxima decisão é em 4 de novembro, como mostra o calendário do Copom.

O que subiu mais no ano e em quais capitais

Nem todos os preços sobem no mesmo ritmo. Dos nove grupos do IPCA, educação foi o que mais encareceu de janeiro a setembro, 5,80%. Quase tudo veio de fevereiro, mês de reajuste das mensalidades, quando o grupo subiu 5,21%. Saúde e cuidados pessoais, com remédios e planos de saúde, veio em seguida, com 4,82%.

Educação e saúde lideram a alta de preços em 2026 (IPCA acumulado de janeiro a setembro, %)
Educação5,80
Saúde e cuidados pessoais4,82
Alimentação e bebidas4,37
Habitação4,35
Despesas pessoais4,24
Transportes2,84
Artigos de residência2,81
Comunicação2,77
Vestuário1,85

Fonte: IBGE, 9 de outubro de 2026

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Para o orçamento da maioria das famílias, os grupos que mais pesam são alimentação e habitação, que inclui aluguel, condomínio, água e energia. A comida subiu 4,37% no ano, e a habitação, 4,35%. Na outra ponta, roupas e calçados encareceram 1,85%, menos da metade do índice geral. O detalhe item por item está no levantamento sobre o que ficou mais caro.

Há também boas notícias na lista. O café moído está 16,19% mais barato em 2026, e o etanol caiu 7,01% no ano, segundo o IBGE. Transportes, que reúnem combustíveis, ônibus e passagens aéreas, subiram 2,84%, abaixo da média.

O IBGE coleta preços em 16 áreas do país, de Belém a Porto Alegre. A inflação muda de uma para outra porque cada cidade tem seus próprios reajustes de ônibus, água e energia, além de preços diferentes de aluguel e comida. Em 2026, Curitiba tem a menor alta acumulada, 2,60%, e São Luís a maior, 4,74%.

ÁreaAcumulado no anoEm 12 meses
São Luís4,74%4,32%
Fortaleza4,52%5,10%
Campo Grande4,45%4,78%
Goiânia4,38%6,08%
Grande Vitória4,28%4,91%
Aracaju4,26%4,74%
São Paulo4,14%4,75%
Recife4,12%4,79%
Rio de Janeiro4,11%4,72%
Brasília3,98%4,91%
Porto Alegre3,93%5,02%
Belo Horizonte3,84%4,16%
Belém3,74%4,01%
Salvador3,55%4,23%
Rio Branco3,34%4,21%
Curitiba2,60%2,72%
Brasil3,95%4,58%

Fonte: IBGE, dados até setembro de 2026

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Por região, o Nordeste concentra as maiores taxas do ano, com São Luís e Fortaleza no topo. No Centro-Oeste, Goiânia tem a maior inflação em 12 meses do país, 6,08%. No Sul, Curitiba segura o índice mais baixo nas duas medidas, e no Norte, Belém e Rio Branco ficam abaixo da média nacional. No Sudeste, São Paulo e Rio andam perto do número do Brasil.

Para pais e estudantes, a alta da educação é a que mais aparece no orçamento. Se você tem filho em escola particular, vale conferir a proposta de 2027 antes de renovar a matrícula. A Lei 9.870/1999 obriga a escola a divulgar o valor e o contrato pelo menos 45 dias antes da data final da matrícula.

INPC, salário mínimo e as próximas datas do IBGE

Ao lado do IPCA, o IBGE calcula o INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que mede a inflação das famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos. Nessas casas, comida e transporte pesam mais no orçamento. Em 2026, o INPC acumula 4,01% até setembro, um pouco acima do IPCA, e 4,29% em 12 meses.

Mês de 2026INPC no mêsAcumulado no anoEm 12 meses
Janeiro0,39%0,39%4,30%
Fevereiro0,56%0,95%3,36%
Março0,91%1,87%3,77%
Abril0,81%2,70%4,11%
Maio0,65%3,36%4,42%
Junho0,14%3,51%4,33%
Julho-0,01%3,50%4,10%
Agosto-0,32%3,17%3,98%
Setembro0,82%4,01%4,29%

Fonte: IBGE, 9 de outubro de 2026

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O INPC é o índice que mexe diretamente com o bolso de quem recebe salário mínimo, aposentadoria ou pensão. Pela Lei 14.663/2023, o reajuste do mínimo soma a inflação pelo INPC acumulada nos 12 meses encerrados em novembro e o crescimento do PIB de dois anos antes.

Entre 2025 e 2030, esse ganho acima da inflação fica na faixa de 0,6% a 2,5% do arcabouço fiscal, pela Lei 15.077/2024. O valor de 2027 depende, portanto, do INPC de outubro e de novembro, que ainda não saíram.

As aposentadorias e pensões do INSS acima do piso também são corrigidas pelo INPC do ano anterior, em janeiro. Se você recebe um benefício de R$ 3.000, por exemplo, e o INPC de 2026 ficar em 4,5%, o valor passaria a R$ 3.135 em 2027. A conta exata só será conhecida depois da divulgação de dezembro, como explica o guia do salário mínimo de 2026 e 2027.

Os próximos números saem em datas já marcadas no calendário do IBGE. Nenhuma delas cai em feriado nacional. Novembro tem três feriados nacionais, todos fora dos dias de divulgação. São Finados (2), a Proclamação da República (15, um domingo) e o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra (20).

  • 23 de outubroIPCA-15 de outubro, a prévia da inflação do mês
  • 12 de novembroIPCA e INPC de outubro
  • 26 de novembroIPCA-15 de novembro
  • 11 de dezembroIPCA e INPC de novembro, base do reajuste do salário mínimo
  • 23 de dezembroIPCA-15 de dezembro
  • 12 de janeiro de 2027IPCA e INPC de dezembro e o resultado fechado de 2026

A última prévia, o IPCA-15 de setembro, ficou em 0,70%, com 3,82% no ano e 4,47% em 12 meses, segundo o IBGE. A de outubro sai na sexta-feira, 23 de outubro, e mostra se a bandeira verde na conta de luz, em vigor neste mês, já aliviou os preços.

Como calculamos. Multiplicamos o IPCA acumulado até setembro, de 3,95%, divulgado pelo IBGE, pelas previsões mensais do Boletim Focus de 16 de outubro para outubro (0,32%), novembro (0,34%) e dezembro (0,56%). O resultado, 5,22%, coincide com a previsão anual do mercado.

Como citar: Ouviram (19 out. 2026). «Inflação 2026 acumulada: IPCA soma 3,95% de janeiro a setembro, mês a mês». ouviram.com.br/economia/inflacao-2026-acumulada-mes-a-mes-ipca

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre IPCA e IGP-M?

O IPCA, do IBGE, mede os preços pagos por famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. O IGP-M é um índice privado que mistura preços no atacado, no varejo e na construção e aparece em muitos contratos de aluguel.

Inflação acima de 4,5% quer dizer que a meta foi descumprida?

Ainda não. Pela regra em vigor desde 2025, a meta só é descumprida depois de seis meses seguidos fora do intervalo de 1,5% a 4,5%. Em 2026, a taxa em 12 meses passou de 4,5% em maio, junho e setembro.

Como calcular a inflação acumulada de vários meses?

Não se somam as taxas: multiplicam-se os fatores. Some 1 a cada taxa em forma decimal (0,33% vira 1,0033), multiplique todos e tire 1 do resultado. A Calculadora do Cidadão do Banco Central faz a conta.

Qual a inflação de 2025 fechada?

O IPCA de 2025 fechou em 4,26%, dentro do intervalo da meta, segundo o IBGE. O INPC, usado no reajuste do salário mínimo, fechou o ano em 3,90%.

A inflação de outubro de 2026 já saiu?

Ainda não. O IBGE divulga o IPCA-15 de outubro, uma prévia, em 23 de outubro, e o IPCA fechado do mês em 12 de novembro de 2026.

Onde ver a inflação da minha cidade?

O IBGE pesquisa preços em 16 áreas: 10 regiões metropolitanas, o Distrito Federal e as cidades de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. Os dados de cada uma saem no site do instituto no dia da divulgação.

#JurosEInflação#IPCA#IBGE#BoletimFocus#INPC

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  2. 2. Qual mês de 2026 teve deflação, com o IPCA negativo?

  3. 3. Qual índice corrige o salário mínimo e as aposentadorias acima do piso?

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