Juros e inflação

Inflação sobe 0,82% em setembro, puxada pela conta de luz e pelo tomate

No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 4,58% e voltou a passar do limite de 4,5% da meta, depois da queda de 0,32% registrada em agosto.

Caixas de verduras e legumes sob viaduto na Ceagesp, em São Paulo
Comerciantes vendem verduras e legumes na Ceagesp, o entreposto de alimentos de São Paulo, em imagem de 2009.Foto: Wendy Schotsmans / Flickr · CC BY 2.0

A inflação oficial do Brasil foi de 0,82% em setembro, a maior para um mês de setembro desde 2021, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (9). O índice veio depois de uma queda de 0,32% em agosto e foi puxado pela conta de luz, que ficou 7,98% mais cara.

A energia elétrica residencial respondeu sozinha por 0,32 ponto percentual do índice, quase 40% da alta do mês. Segundo o IBGE, o aumento reflete o fim do Bônus de Itaipu, um crédito que reduziu as faturas emitidas em agosto. A bandeira amarela, que soma R$ 1,885 a cada 100 kWh, continuou valendo em setembro.

Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses subiu de 4,22% para 4,58%. A taxa voltou a ficar acima de 4,5%, o limite de tolerância da meta de 3% fixada pelo Conselho Monetário Nacional. Pela regra em vigor desde 2025, a meta só é considerada descumprida depois de seis meses seguidos fora do intervalo.

A próxima decisão sobre os juros está marcada para 4 de novembro, na reunião do Copom, como mostra o calendário da Selic. Em setembro de 2021, o último setembro com taxa mais alta, o índice chegou a 1,16%, segundo a série do IBGE.

A inflação voltou a subir depois da queda de agosto (IPCA mensal, %)
Janeiro0,33
Fevereiro0,70
Março0,88
Abril0,67
Maio0,58
Junho0,16
Julho0,07
Agosto-0,32
Setembro0,82

Fonte: IBGE, 9 de outubro de 2026

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Na mesa, a alta veio depois de três meses seguidos de queda. O grupo alimentação e bebidas subiu 0,83%, e a comida comprada para casa, 0,96%. O tomate ficou 37,76% mais caro, a batata-inglesa, 24,07%, a cebola, 10,14%, e o arroz, 4,56%. Do outro lado, o frango inteiro caiu 1,96%, e as frutas, 1,12%.

Os transportes subiram 0,89%, com as passagens aéreas 9,66% mais caras. Os combustíveis avançaram 1,41%: o etanol subiu 3,16%, o diesel, 1,69%, e a gasolina, 1,21%. A média da gasolina nos postos é medida toda semana pela ANP.

O corte de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina e o etanol, feito pelo Decreto 13.116, vale até esta sexta-feira (9). Ele reduziu os dois tributos em R$ 0,63 por litro de gasolina e zerou os do etanol. Até as 10h, o portal do Planalto não registrava decreto de prorrogação.

Todas as 16 áreas pesquisadas tiveram alta. Vitória ficou com o maior índice, 1,08%, por causa da energia elétrica, que subiu 10,85% na cidade, e do tomate, 43,19%. A menor taxa foi a de Rio Branco, 0,53%, onde as passagens aéreas caíram 14,13% e o ovo de galinha, 7,40%.

ÁreaSetembroEm 12 meses
Vitória1,08%4,91%
Goiânia1,07%6,08%
Belo Horizonte1,05%4,16%
Porto Alegre0,96%5,02%
Brasília0,89%4,91%
São Paulo0,83%4,75%
São Luís0,82%4,32%
Rio de Janeiro0,77%4,72%
Salvador0,74%4,23%
Recife0,65%4,79%
Campo Grande0,64%4,78%
Curitiba0,63%2,72%
Belém0,62%4,01%
Fortaleza0,57%5,10%
Aracaju0,55%4,74%
Rio Branco0,53%4,21%
Brasil0,82%4,58%

Fonte: IBGE, 9 de outubro de 2026

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A conta de luz também mudou de cidade para cidade por causa de reajustes aprovados pela Aneel. As tarifas subiram 6,63% em Belém, 5,42% em São Luís e 6,89% em Vitória. Em Rio Branco e Fortaleza, caíram 5,20% e 6,65%, respectivamente, desde 26 de agosto.

Para quem ganha menos, o retrato foi parecido. O INPC, que mede a inflação das famílias com renda de um a cinco salários mínimos, também subiu 0,82% em setembro e acumula 4,29% em 12 meses. É esse índice que corrige, em janeiro, as aposentadorias do INSS acima do mínimo, como explica o calendário do INSS.

Nem tudo subiu em 2026. O café moído está 16,19% mais barato no ano, e o etanol, 7,01%, segundo o IBGE. Para outubro, a Aneel definiu bandeira verde, sem o acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 kWh cobrado de maio a setembro.


Os preços de setembro foram coletados de 1º a 29 de setembro e comparados com os de 31 de julho a 31 de agosto. O IBGE divulga o IPCA de outubro em 12 de novembro.

Como calculamos. A comparação com anos anteriores usa a série mensal do IPCA no banco de dados do IBGE. Em setembro, a taxa foi de -0,29% em 2022, 0,26% em 2023, 0,44% em 2024 e 0,48% em 2025.

Como citar: Ouviram (9 out. 2026). «Inflação sobe 0,82% em setembro, puxada pela conta de luz e pelo tomate». ouviram.com.br/economia/ipca-setembro-2026-inflacao-0-82-conta-de-luz-ibge

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

#JurosEInflação#IPCA#IBGE#EnergiaElétrica#Combustíveis

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