Copom mantém a Selic em 13,75% e interrompe os cortes iniciados em março
O comitê do Banco Central elevou para 5,6% a inflação prevista para 2026 e citou o petróleo mais caro e as expectativas longe da meta.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve nesta quarta-feira (4) a taxa Selic em 13,75% ao ano. Com a pausa, os juros do crediário, do cartão e dos financiamentos ficam sem o alívio de um novo corte na taxa básica.
A decisão foi unânime entre os sete membros do comitê, presidido por Gabriel Galípolo, e interrompe uma série de cinco cortes seguidos de 0,25 ponto. Entre março e setembro, a Selic, a taxa básica de juros da economia, caiu de 15% para 13,75%, segundo o Banco Central.
Parte do mercado esperava mais um corte. Nas expectativas coletadas pelo Banco Central até 30 de outubro, a mediana de 139 instituições apontava a Selic em 13,50% nesta reunião. Entre as 105 que atualizaram a resposta na última semana, a mediana já era de manutenção em 13,75%.
No comunicado, o comitê descreveu um cenário “desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”. O texto diz que o ambiente externo ficou “mais adverso em função do prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, com impactos altistas sobre o preço do petróleo e derivados”.
A inflação acelerou, segundo o comunicado. O IPCA, o índice oficial de preços, acumulou 4,58% em 12 meses até setembro, ante 4,22% em agosto, segundo o IBGE, acima do teto de 4,5% da meta.
As expectativas do mercado também se afastaram do alvo: 5,2% para 2026 e 4,8% para 2027, ante 4,9% e 4,3% em setembro, segundo o Copom.
As projeções do próprio Banco Central subiram: para 2026, de 5,2% para 5,6%. A inflação prevista para o segundo trimestre de 2028, o horizonte que orienta as decisões, foi para 3,5%. Na reunião de setembro, o comitê projetava 3,2% para o primeiro trimestre daquele ano.
| Índice | 2026 | 2027 | 2º trimestre de 2028 |
|---|---|---|---|
| IPCA | 5,6% | 4,7% | 3,5% |
| Preços livres | 5,5% | 4,8% | 3,4% |
| Preços administrados | 6,0% | 4,2% | 3,9% |
Fonte: Banco Central, comunicado da 282ª reunião do Copom, 4 de novembro de 2026
Do lado da economia real, o comitê citou uma “moderação mais acentuada da atividade econômica”, principalmente nos setores mais cíclicos, que variam mais com o ritmo da economia. O mercado de trabalho segue resiliente, mas com sinais de desaquecimento, segundo o comunicado.
Para quem poupa, nada muda na poupança. Com a Selic acima de 8,5%, o rendimento segue em 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), pela Lei 8.177/1991. O Tesouro Selic e os CDBs atrelados ao CDI continuam rendendo perto da taxa básica, como mostra a conta de quanto rendem R$ 1.000 em cada aplicação.
Para quem tem dívida, a Selic é a referência dos juros cobrados pelos bancos, e cada corte leva meses para chegar ao balcão. As taxas médias de hoje estão no guia de juros do cartão e do empréstimo.
A ata da reunião, com os argumentos do comitê, sai na terça-feira (10). Em 12 de novembro, o IBGE divulga o IPCA de outubro, e o histórico do ano está no guia da taxa Selic e do calendário do Copom.
A última reunião do Copom em 2026 será em 8 e 9 de dezembro, com a decisão anunciada no início da noite do segundo dia no site do Banco Central.
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