Juros e inflação

Focus: Selic esperada para o fim de 2027 sobe de 11,75% para 12,5% com o Copom reunido

Entre as instituições que atualizaram as contas nos últimos cinco dias úteis, a mediana já aponta pausa nos cortes e taxa de 13,75% até dezembro.

Detalhe de uma cédula de 100 reais, com a efígie da República
Detalhe de uma cédula de 100 reais, com a efígie da República, em imagem de 2011.Foto: markhillary / Flickr · CC BY 2.0

O mercado elevou de 11,75% para 12,50% ao ano a Selic esperada para o fim de 2027, segundo o Boletim Focus do Banco Central desta terça (3). A revisão aponta juros mais altos por mais tempo no crediário, no cartão e no financiamento.

Para dezembro de 2026, a mediana subiu de 13,25% para 13,50%. Na prática, a mediana das 143 instituições que responderam passou a indicar só mais um corte de 0,25 ponto, e não dois. A taxa está em 13,75% desde 17 de setembro, e o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia a decisão de novembro nesta quarta-feira (4).

O relatório saiu um dia depois do habitual por causa do feriado de Finados e reúne projeções coletadas até sexta-feira, 30 de outubro.

Entre as 105 instituições que atualizaram as contas nos cinco dias úteis seguintes ao 2º turno, a mediana para a reunião desta semana já é de 13,75%, sem corte. No conjunto das 139 respostas para a reunião, ninguém prevê Selic abaixo de 13,50% na quarta, e a maior projeção é de 14%.

A inflação também mudou de patamar nas contas do mercado. O IPCA esperado para 2026 passou de 5,19% para 5,22%, e o de 2027, de 4,34% para 4,76%, a terceira alta semanal seguida. A meta de inflação, fixada pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com teto de 4,5%. Para 2028, a projeção chegou a 4%.

ProjeçãoHá uma semanaAgora
Selic no fim de 202613,25%13,50%
Selic no fim de 202711,75%12,50%
IPCA de 20265,19%5,22%
IPCA de 20274,34%4,76%
Dólar no fim de 2026R$ 5,05R$ 5,34
PIB de 20261,80%1,76%
PIB de 20271,31%1,20%

Fonte: Banco Central, Boletim Focus de 30 de outubro de 2026

Link para este dado

É esse movimento que o Copom acompanha de perto. No comunicado da reunião de setembro, o comitê escreveu que “monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos”, isto é, o afastamento das projeções em relação à meta. O texto diz ainda que esse afastamento “aumenta o custo de desinflação”.

O dólar previsto para dezembro subiu de R$ 5,05 para R$ 5,34. A Ptax, cotação de referência calculada pelo Banco Central, já está acima disso: fechou a R$ 5,4212 em 30 de outubro, ante R$ 5,0377 em 23 de outubro. Na atividade, a revisão foi para baixo, e o crescimento esperado do PIB caiu pela terceira semana seguida nos dois anos.

Se você tem dívida no cartão ou no cheque especial, ou planeja financiar carro ou imóvel, a Selic é a referência do custo do crédito. Cada mudança, porém, chega aos poucos às taxas dos bancos. As taxas cobradas hoje estão no guia sobre juros do cartão e do empréstimo.

Para quem aplica, o Tesouro Selic e os CDBs atrelados ao CDI acompanham a taxa básica, hoje de 13,75% ao ano, e só passam a render menos quando ela cair. A poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) enquanto a Selic ficar acima de 8,5%. As projeções completas, semana a semana, estão no guia do Boletim Focus.


O Copom divulga a decisão no início da noite desta quarta-feira (4), no site do Banco Central, e a nova taxa vale a partir de quinta (5). O que está em jogo na reunião está na reportagem sobre o Copom de novembro.

Em 12 de novembro, o IBGE divulga o IPCA fechado de outubro. O próximo Boletim Focus sai na segunda-feira, 9 de novembro, a partir das 8h25.

#JurosEInflação#BoletimFocus#BancoCentral#Copom#Selic

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