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Onde investir em novembro de 2026: CDB de 100% do CDI rende 10,3% líquidos em um ano

As contas seguem a trajetória de juros do Boletim Focus, colhida antes do 2º turno, com aplicações de R$ 100 mil, R$ 500 mil e R$ 1 milhão.

Moedas de 1 real enterradas na terra ao lado de um broto verde
Moedas de 1 real enterradas na terra ao lado de um broto, em ensaio fotográfico de 2017.Foto: Pedrosa_picture / Pixabay · licença Pixabay

Quem tem dinheiro aplicado entra em novembro de 2026 com a renda fixa atrelada aos juros ainda na frente. Um CDB que paga 100% do CDI rende 10,3% em um ano, já sem imposto, se a Selic seguir a trajetória prevista no Boletim Focus do Banco Central.

O cenário mudou de tom nesta segunda-feira, 26 de outubro. A Ptax, cotação de referência do dólar calculada pelo Banco Central, subiu 9,19% e fechou a R$ 5,5007.

No Tesouro Direto, os prefixados e os títulos atrelados à inflação ficaram fora da vitrine durante a tarde de segunda e voltaram às 18h, segundo o Tesouro Nacional. E o Comitê de Política Monetária (Copom) decide o novo nível da Selic em 4 de novembro.

Se você tem R$ 100 mil aplicados, a tabela mostra quanto cada opção entrega em quatro prazos, já sem o imposto de renda e a custódia do Tesouro.

Aplicação de R$ 100 mil6 meses1 ano2 anos5 anos
CDB de 100% do CDIR$ 4.877R$ 10.332R$ 21.129R$ 55.873
Tesouro Selic 2031R$ 4.848R$ 10.265R$ 20.976R$ 55.359
LCI ou LCA de 90% do CDI (isenta)R$ 5.681R$ 11.272R$ 22.249R$ 57.924
Poupança (isenta)R$ 3.632R$ 7.396R$ 15.340R$ 42.872
Imposto sobre CDB e Tesouro22,5%17,5%15%15%

Fonte: Banco Central (CDI, Selic, poupança e Boletim Focus de 23 de outubro de 2026), Tesouro Nacional e Lei 11.033/2004; cálculo do Ouviram

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10,3%

é quanto um CDB de 100% do CDI rende em um ano, já sem imposto, no cenário de juros do Focus

Fonte: Banco Central, 23/10/2026

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A LCI e a LCA aparecem na frente porque são isentas de imposto de renda para pessoa física. A taxa de 90% do CDI usada na tabela é um exemplo, porque cada banco paga um percentual.

Para empatar com um CDB de 100% do CDI, a letra precisa pagar 77,5% do CDI em seis meses e 82,5% em um ano. A partir de dois anos, a régua sobe para 85%, pela tabela regressiva da Lei 11.033/2004.

A poupança fica atrás em todos os prazos. Ela paga 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), regra que vale enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano. Na conta com aniversário em 23 de outubro, o rendimento do mês ficou em 0,5964%, segundo o Banco Central, o que dá 7,40% ao ano se a taxa se mantiver.

A Selic de 13,75% e a reunião de 4 de novembro

A Selic, taxa básica de juros da economia, está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro de 2026, segundo o Banco Central. É ela que guia o CDI, a taxa que os bancos usam entre si e que serve de régua para CDB, LCI, LCA e fundos de renda fixa. Em 23 de outubro, o CDI estava em 13,65% ao ano.

O Copom tem duas reuniões até o fim do ano: 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro. No Boletim Focus publicado nesta segunda-feira, 26, a mediana das instituições consultadas pelo Banco Central previa corte de 0,25 ponto em cada uma. A Selic terminaria 2026 em 13,25%.

Há um detalhe que pesa na leitura desses números. As projeções foram colhidas até sexta-feira, 23 de outubro, antes do 2º turno e antes do salto do dólar. O próximo boletim, o primeiro com as estimativas feitas depois da eleição, sai na semana da reunião do Copom, que começa com o feriado de Finados, na segunda-feira, 2 de novembro.

A Selic prevista cai até 10% e para aí (taxa no fim de cada ano, % ao ano)
Hoje13,75
202613,25
202711,75
202810
202910
203010

Fonte: Banco Central, Boletim Focus de 23/10/2026

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O Copom tem deixado em aberto o tamanho total dos cortes. No comunicado de setembro, o comitê pôs entre os riscos de alta da inflação uma “taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”. Em outras palavras, um dólar caro por muito tempo.

“A magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”

Copom, comunicado da 281ª reunião, 16 de setembro de 2026

Mesmo com os cortes, o juro real do Brasil segue alto. A inflação oficial, medida pelo IPCA, somou 4,58% nos 12 meses até setembro, segundo o IBGE. Descontada essa alta de preços, o CDI de 13,65% deixa um ganho real de 8,67% ao ano para quem aplica.

Esse juro alto tem atraído pequenos investidores para os títulos públicos. O Tesouro Direto vendeu R$ 15,0 bilhões em agosto de 2026, o maior valor da série, segundo o balanço do Tesouro Nacional. O Nordeste reunia 15,2% dos investidores ativos do programa em agosto, contra 6,2% em dezembro de 2013.

Para quem aplica valores maiores, a diferença entre as opções vira dinheiro grande. Em cinco anos, R$ 1 milhão numa LCI de 90% do CDI rende R$ 20,5 mil a mais que num CDB de 100% do CDI. A mesma quantia na poupança rende R$ 130 mil a menos que no CDB.

Rendimento líquidoR$ 100 milR$ 500 milR$ 1 milhão
CDB de 100% do CDI, 1 anoR$ 10.332R$ 51.661R$ 103.322
Tesouro Selic, 1 anoR$ 10.265R$ 51.261R$ 102.506
LCI ou LCA de 90% do CDI, 1 anoR$ 11.272R$ 56.358R$ 112.715
Poupança, 1 anoR$ 7.396R$ 36.981R$ 73.963
CDB de 100% do CDI, 5 anosR$ 55.873R$ 279.365R$ 558.729
Tesouro Selic, 5 anosR$ 55.359R$ 276.288R$ 552.450
LCI ou LCA de 90% do CDI, 5 anosR$ 57.924R$ 289.619R$ 579.237
Poupança, 5 anosR$ 42.872R$ 214.359R$ 428.717

Fonte: Banco Central (Boletim Focus de 23/10/2026 e taxas de outubro), Tesouro Nacional e Lei 11.033/2004; cálculo do Ouviram

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O Tesouro Selic fica um pouco atrás do CDB por causa da taxa de custódia cobrada pela B3, a bolsa brasileira. Ela é de 0,20% ao ano e só incide sobre o valor que passar de R$ 10 mil no Tesouro Selic. Em troca, o título é garantido pelo Tesouro Nacional, sem limite de valor, e pode ser vendido em qualquer dia útil.

No CDB, na LCI e na LCA, a proteção vem do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O fundo cobre até R$ 250 mil por CPF em cada instituição financeira, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Por isso, quem aplica R$ 1 milhão em papéis de banco precisa espalhar o dinheiro por pelo menos quatro instituições para ter a cobertura inteira.

Na prática, a escolha entre esses produtos depende de quando você vai precisar do dinheiro. O Tesouro Selic e os CDBs com liquidez diária servem para a reserva de emergência. Já as letras isentas costumam ter carência, um prazo mínimo antes do resgate, que vem escrito no contrato de cada banco.

Para famílias que guardam dinheiro para a faculdade dos filhos, o Tesouro Nacional oferece o Tesouro Educa+, que paga a inflação mais juros em parcelas mensais durante cinco anos. Ele voltou à venda às 18h de segunda-feira, com taxas de inflação mais 7,12% a 7,75% ao ano, conforme o vencimento. As contas detalhadas para R$ 100 mil, prazo a prazo, estão no guia de quanto rendem R$ 100 mil.

Prefixado e IPCA+: a taxa que empata com o CDI

O Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+ ficaram fora de negociação na tarde de 26 de outubro. Na consulta das 16h25 aos dados do Tesouro Nacional, só o Tesouro Selic 2031 e o Tesouro Reserva apareciam para compra. Às 18h, os demais títulos voltaram à vitrine.

Com esses títulos de volta, a pergunta de quem investe é se vale travar a taxa. O prefixado paga uma taxa fixa até o vencimento. O IPCA+ paga a inflação mais um juro real fixo. Os dois ganham do CDI se a Selic cair mais do que o mercado espera e perdem se ela cair menos.

A conta do empate usa a mesma trajetória do Focus. Com ela, um prefixado de dois anos precisa pagar mais de 11,74% ao ano para superar um CDB de 100% do CDI no período. Em cinco anos, a régua cai para 10,63% ao ano, porque a Selic esperada é menor no fim do caminho.

PrazoPrefixado precisa pagarIPCA+ precisa pagar de juro realInflação média prevista no Focus
2 anos11,74% ao ano7,40% ao ano4,05% ao ano
5 anos10,63% ao ano6,67% ao ano3,72% ao ano

Fonte: Banco Central, Boletim Focus de 23/10/2026; cálculo do Ouviram

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As taxas das 18h ficaram acima dessas réguas. O Prefixado 2029, que vence em pouco mais de dois anos, pagava 15,26% ao ano, e o IPCA+ 2032 pagava a inflação mais 7,80%. Na prática, os preços do dia embutem juros futuros mais altos que os da mediana do Focus, colhida antes da eleição.

O risco de ficar só no pós-fixado também tem preço. Imagine um corte mais rápido, com a Selic chegando a 10% no fim de 2027, um ano antes do previsto no Focus. Nesse caso, R$ 1 milhão num CDB de 100% do CDI renderia R$ 16,2 mil a menos em dois anos, já sem imposto. Em cinco anos, a perda chegaria a R$ 21,5 mil.

O caminho inverso também existe. Quem compra um prefixado ou um IPCA+ e precisa vender antes do vencimento recebe o preço do dia, que cai quando as taxas de mercado sobem. Só quem fica com o título até o fim tem a taxa contratada garantida.

O dólar depois do salto de 9,19%

A Ptax de venda fechou a R$ 5,5007 nesta segunda-feira, ante R$ 5,0377 na sexta-feira, segundo o Banco Central. Foi a terceira maior alta diária da série desde 1995. Com ela, o dólar voltou ao nível do fim de 2025, quando a Ptax fechou o ano a R$ 5,5024. Os detalhes do dia estão na cobertura do salto do dólar após a eleição.

O dólar não paga juro. O ganho de quem compra a moeda depende só da cotação na hora de vender. O dólar comprado a R$ 5,50 teria de chegar a cerca de R$ 6,07 em um ano para empatar com um CDB de 100% do CDI já sem imposto. Nessa conta não entram o spread do banco, o IOF e o imposto sobre o ganho.

No Boletim Focus de 23 de outubro, a mediana do mercado previa dólar a R$ 5,05 no fim de 2026. Para o fim de 2027, a previsão era de R$ 5,15, e para o fim de 2028, de R$ 5,20. Essas estimativas também foram feitas antes do 2º turno, e o boletim da semana do Copom vai mostrar se o mercado mudou de ideia.

Quem tem dinheiro no exterior paga 15% de imposto sobre o ganho anual das aplicações, pela Lei 14.754/2023, e a variação do câmbio entra na conta. Para comparar com a renda fixa de um país vizinho, o Ouviram fez as contas de investir no Paraguai, com o efeito do câmbio já em reais. A cotação atualizada do dia fica na página do dólar hoje.


Novembro tem dois feriados nacionais em dias úteis, quando bancos e a B3 não funcionam, e um desconto de imposto nos fundos no último dia do mês.

  • 2 de novembro, segunda-feiraFinados, feriado nacional, sem expediente bancário.
  • 3 e 4 de novembroReunião do Copom, com a decisão sobre a Selic no fim do dia 4.
  • Semana de 3 de novembroPrimeiro Boletim Focus com projeções colhidas depois do 2º turno.
  • 20 de novembro, sexta-feiraDia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, feriado nacional.
  • 30 de novembro, segunda-feiraCome-cotas, a cobrança semestral de imposto dos fundos de renda fixa e multimercado.
  • 8 e 9 de dezembroÚltima reunião do Copom em 2026.

Como calculamos. Projetamos o CDI mês a mês pela mediana do Focus de 23 de outubro para cada reunião do Copom, 0,10 ponto abaixo da meta da Selic. Aplicamos as alíquotas da Lei 11.033/2004 e a custódia do Tesouro Selic. Na poupança, mantivemos a taxa de outubro; como a TR cai junto com a Selic, os valores de dois e cinco anos são um teto.

O Copom divulga a decisão de 4 de novembro no início da noite, no site do Banco Central. A nova Selic passa a valer no dia seguinte, 5 de novembro.

Como citar: Ouviram (26 out. 2026). «Onde investir em novembro de 2026: CDB de 100% do CDI rende 10,3% líquidos em um ano». ouviram.com.br/economia/onde-investir-em-novembro-de-2026-renda-fixa-tesouro-dolar

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Quanto rende 1 milhão por mês na renda fixa?

Com o CDI de 13,65% ao ano de outubro de 2026, R$ 1 milhão rende cerca de R$ 10,7 mil brutos por mês. Descontado o imposto, sobram de R$ 8,3 mil a R$ 9,1 mil, conforme o prazo da aplicação.

LCI e LCA têm garantia do FGC?

Sim. O Fundo Garantidor de Créditos cobre LCI e LCA, assim como CDB e poupança, até R$ 250 mil por CPF em cada instituição, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos.

O que acontece com a poupança se a Selic cair abaixo de 8,5%?

A poupança deixa de pagar 0,5% ao mês e passa a render 70% da Selic mais a TR, pela regra da Lei 12.703/2012. Com a Selic de 13,75%, vale a regra de 0,5% ao mês mais a TR.

Como investir em dólar sem sair do Brasil?

Por fundos cambiais, regulados pela CVM, que acompanham a variação da moeda americana. Aplicações em conta no exterior também são permitidas e pagam 15% de imposto sobre o ganho anual, pela Lei 14.754/2023.

Preciso declarar meus investimentos no Imposto de Renda?

Sim, se você for obrigado a entregar a declaração. O saldo de 31 de dezembro vai na ficha de Bens e Direitos, e os rendimentos entram nas fichas de rendimentos isentos ou de tributação exclusiva.

#Investimentos#BancoCentral#TesouroDireto#Selic#Copom

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  1. 1. Qual alíquota de imposto de renda vale para um CDB resgatado depois de dois anos?

  2. 2. Até quanto o FGC garante por CPF em cada banco?

  3. 3. Quanto a poupança paga com a Selic acima de 8,5% ao ano?

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