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Dívida pública do Brasil soma R$ 11,1 trilhões em 2026, e bancos são os maiores credores
Em 12 meses até agosto, o setor público gastou R$ 1,18 trilhão com juros, o equivalente a 8,9% de tudo o que o país produz, segundo o Banco Central.

A dívida bruta do governo brasileiro chegou a R$ 11,05 trilhões em agosto de 2026, o equivalente a 82,9% do PIB, segundo o Banco Central. Dividida pelos 214,2 milhões de habitantes estimados pelo IBGE, a conta dá cerca de R$ 51,6 mil por brasileiro. A maior parte está em títulos comprados por bancos, fundos de investimento e fundos de previdência.
O número cresce todo mês por causa dos juros. Em 12 meses até agosto, o setor público gastou R$ 1,18 trilhão com juros, ou 8,9% do PIB, segundo as estatísticas fiscais do Banco Central. Com a Selic em 13,75% ao ano, mais da metade da dívida federal acompanha a taxa básica.
Há três medidas principais, e cada uma responde a uma pergunta diferente. A ficha abaixo traz os valores de agosto, os últimos divulgados.
- Dívida bruta do governo geralR$ 11,05 trilhões, 82,9% do PIB
- Dívida líquida do setor públicoR$ 9,24 trilhões, 69,3% do PIB
- Dívida pública federal (Tesouro)R$ 9,29 trilhões
- Juros em 12 mesesR$ 1,18 trilhão, 8,9% do PIB
- Taxa média de juros da dívida bruta13,0% ao ano
- Prazo médio da dívida federal4,1 anos
- Dados deAgosto de 2026
82,9%
é o tamanho da dívida bruta do governo em relação a tudo o que o país produz em um ano
Fonte: Banco Central, 30 de setembro de 2026
Em dezembro de 2025, a dívida bruta estava em 78,6% do PIB. A alta de 4,2 pontos em oito meses veio sobretudo dos juros, que somaram 6,5 pontos do PIB no ano. A conta é do Raio X da Dívida, da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, feito com dados do Banco Central e do Tesouro. O crescimento do PIB nominal compensou uma parte, 3,6 pontos.
Dívida bruta, dívida líquida e a dívida do Tesouro
A dívida bruta do governo geral, chamada de DBGG, soma tudo o que a União, os estados e os municípios devem, sem descontar o que têm a receber. Inclui os títulos do Tesouro em mercado e as operações compromissadas do Banco Central, que somavam R$ 1,37 trilhão em agosto.
A dívida líquida do setor público, a DLSP, parte dos mesmos passivos e soma o Banco Central e as estatais, exceto Petrobras e Eletrobras. Depois desconta os ativos, como as reservas internacionais. Por isso é menor: 69,3% do PIB em agosto, ou R$ 9,24 trilhões, segundo o Banco Central.
Um exemplo ajuda a ver a diferença. Imagine uma família que deve R$ 100 mil no financiamento da casa e tem R$ 30 mil aplicados no banco. A dívida bruta dela é de R$ 100 mil. A líquida, depois de descontar a aplicação, é de R$ 70 mil. No caso do governo, a maior “aplicação” são as reservas em dólar, de US$ 372,6 bilhões em agosto.
A terceira medida é a dívida pública federal, a DPF, que o Tesouro Nacional acompanha no Relatório Mensal da Dívida. Ela reúne só os títulos e contratos de responsabilidade do Tesouro em poder do público. Em agosto, eram R$ 9,29 trilhões: R$ 8,94 trilhões em títulos vendidos no Brasil, em reais, e R$ 348,3 bilhões em dívida externa, 3,7% do total.
| Fim de | Dívida bruta (% do PIB) | Dívida líquida (% do PIB) |
|---|---|---|
| 2015 | 65,5% | 35,6% |
| 2016 | 69,8% | 46,1% |
| 2017 | 73,7% | 51,4% |
| 2018 | 75,3% | 52,8% |
| 2019 | 74,4% | 54,7% |
| 2020 | 86,9% | 61,4% |
| 2021 | 77,3% | 55,1% |
| 2022 | 71,7% | 56,1% |
| 2023 | 73,8% | 60,4% |
| 2024 | 76,3% | 61,3% |
| 2025 | 78,6% | 65,2% |
| Agosto de 2026 | 82,9% | 69,3% |
Fonte: Banco Central, estatísticas fiscais, 30 de setembro de 2026
O ponto mais alto da última década foi em outubro de 2020, ano da pandemia, com 87,7% do PIB, segundo o Raio X da Câmara. Em 2021 e 2022, o PIB em reais cresceu mais rápido que a dívida, e a proporção caiu até 71,7%. Desde então, voltou a subir.
Em reais, o salto é maior porque também reflete a inflação. A dívida bruta era de R$ 3,93 trilhões no fim de 2015 e de R$ 10,02 trilhões no fim de 2025, segundo o Banco Central. Por isso, a dívida costuma ser medida em proporção do PIB, que mostra o peso da conta diante da renda que o país gera em um ano.
Há ainda uma quarta conta, a do Fundo Monetário Internacional (FMI), que inclui todos os títulos do Tesouro na carteira do Banco Central. Por esse conceito, a dívida bruta brasileira ficou em 94,5% do PIB em agosto, segundo o Raio X da Dívida da Câmara. É esse número que aparece nas comparações internacionais do FMI, como no ranking das maiores economias do mundo.
Quem são os credores da dívida pública brasileira
Quem empresta dinheiro ao governo compra títulos do Tesouro. Na dívida interna, a parte em reais vendida no Brasil, os maiores credores são as instituições financeiras, com 31,2% do total em agosto, segundo o Relatório Mensal da Dívida do Tesouro Nacional. Em seguida vêm os fundos de previdência, com 22,6%, e os fundos de investimento, com 22,5%.
| Credor | Dezembro de 2025 | Agosto de 2026 |
|---|---|---|
| Instituições financeiras | 32,9% | 31,2% |
| Previdência | 22,8% | 22,6% |
| Fundos de investimento | 20,8% | 22,5% |
| Não residentes (estrangeiros) | 10,3% | 9,9% |
| Outros | 4,3% | 4,8% |
| Seguradoras | 3,5% | 3,3% |
| Tesouro Direto | 2,6% | 3,0% |
| Governo | 2,9% | 2,6% |
Fonte: Tesouro Nacional, Relatório Mensal da Dívida, compilado pela Consultoria de Orçamento da Câmara, setembro de 2026
Por trás de cada linha estão pessoas comuns. Os fundos de previdência reúnem a previdência complementar, como os fundos de pensão de empresas e os planos privados, e os regimes próprios de servidores de estados e municípios. Quando você aplica num fundo de renda fixa ou contribui para um plano de previdência, parte desse dinheiro costuma ir para títulos públicos.
Os fundos de investimento foram os que mais ganharam espaço em 2026, com alta de 1,7 ponto desde dezembro. As instituições financeiras perderam a mesma fatia. Os investidores estrangeiros, chamados de não residentes, tinham R$ 886,3 bilhões em títulos em agosto, 9,9% da dívida interna, e concentram 70,4% da carteira em títulos prefixados.
Fonte: Tesouro Nacional, agosto de 2026
O Tesouro Direto, programa que vende títulos públicos pela internet a pessoas físicas, detém 3,0% da dívida interna. A fatia é pequena, mas foi a que mais cresceu em proporção no ano, de 2,6% para 3,0%. Qualquer pessoa com CPF e conta em banco ou corretora habilitada pode comprar, e o rendimento de cada título está no comparativo de quanto rendem R$ 1.000.
A dívida externa é outra história. São R$ 348,3 bilhões, ou US$ 67,2 bilhões, a maior parte em títulos em dólar vendidos no exterior, segundo o Tesouro. As reservas internacionais do país, de US$ 372,6 bilhões, cobrem 5,5 vezes esse valor. É por isso que a dívida líquida fica tão abaixo da bruta.
Os títulos também mudam conforme o tipo de correção. Em agosto, 52,7% da dívida federal estava em títulos atrelados à Selic, as LFTs, chamadas de Tesouro Selic no Tesouro Direto. Outros 23,2% seguiam a inflação, 20,3% eram prefixados e 3,7% acompanhavam o câmbio, segundo o Tesouro.
Quanto o Brasil paga de juros e o que dizem as projeções
Os juros são o principal motor da dívida. Em 12 meses até agosto, o setor público consolidado, que reúne União, estados, municípios e estatais, teve uma despesa de R$ 1,18 trilhão com juros, segundo o Banco Central. Dividido pela população, é o equivalente a cerca de R$ 5,5 mil por habitante em um ano.
A conta depende da Selic, porque mais da metade dos títulos federais é corrigida por ela. A taxa média de juros sobre a dívida bruta chegou a 13,0% ao ano em agosto, contra 12,0% um ano antes, segundo o Raio X da Câmara. O custo médio da dívida federal, medido pelo Tesouro, ficou em 12,6% ao ano.
Fonte: Banco Central, 30 de setembro de 2026
Para entender o déficit, vale separar duas contas. O resultado primário é a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem contar os juros. Em 12 meses, ficou negativo em 0,6% do PIB. Somado aos juros, forma o resultado nominal, um déficit de 9,5% do PIB, segundo o Banco Central. É esse buraco que precisa ser coberto com a emissão de novos títulos.
A maior parte dos títulos não é paga com dinheiro de impostos, e sim trocada por títulos novos, a chamada rolagem. Nos próximos 12 meses vencem R$ 1,52 trilhão, 16,4% da dívida federal. Para isso, o Tesouro mantém um caixa reservado, o colchão da dívida, de R$ 1,21 trilhão em agosto, suficiente para 7,2 meses de vencimentos, segundo o Raio X da Câmara.
As projeções oficiais e de mercado apontam para alta da dívida nos próximos anos. O Plano Anual de Financiamento de 2026, divulgado em janeiro pelo Tesouro, prevê que a dívida federal termine o ano entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. Em agosto, estava em R$ 9,29 trilhões, abaixo do piso da faixa.
O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições do mercado, prevê dívida líquida de 70,1% do PIB no fim de 2026 e de 74% em 2027. Para 2028, a mediana é de 76,7%, e para 2029, de 79,1%. O mesmo boletim espera déficit primário de 0,48% do PIB em 2026 e Selic de 13,25% no fim do ano, como mostra o guia da Selic e do Copom.
- dezembro de 2015Dívida bruta fecha o ano em 65,5% do PIB, segundo o Banco Central
- outubro de 2020Na pandemia, a dívida bruta chega a 87,7% do PIB, o maior nível da década
- dezembro de 2022Proporção cai para 71,7% do PIB com o crescimento do PIB em reais
- dezembro de 2025Dívida bruta passa de R$ 10 trilhões e fecha em 78,6% do PIB
- agosto de 2026Dívida bruta chega a R$ 11,05 trilhões, 82,9% do PIB
- 16 de outubro de 2026Focus prevê dívida líquida de 70,1% do PIB no fim de 2026
O próximo fator a mexer na conta de juros é a Selic. O Comitê de Política Monetária do Banco Central decide a taxa em 4 de novembro, e cada mudança afeta diretamente os 52,7% da dívida federal corrigidos por ela.
Como citar: Ouviram (19 out. 2026). «Dívida pública do Brasil soma R$ 11,1 trilhões em 2026, e bancos são os maiores credores». ouviram.com.br/economia/divida-publica-do-brasil-2026-quanto-e-quem-sao-os-credores
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Qual país tem a maior dívida pública do mundo?
Em valor absoluto, os Estados Unidos têm a maior dívida pública. Em proporção do PIB, o Japão lidera entre as grandes economias, com dívida bruta acima de 200% do PIB, segundo o FMI.
Quem paga a dívida pública?
A dívida é paga com impostos e com a emissão de novos títulos para substituir os que vencem, a chamada rolagem. O Tesouro Nacional faz leilões semanais de títulos para isso.
A dívida pública pode ser perdoada ou cancelada?
A dívida interna está em títulos que pertencem a fundos, bancos, aposentados de fundos de pensão e pessoas que investem no Tesouro Direto. Cancelar os títulos significaria tirar dinheiro desses investidores.
Como investir no Tesouro Direto?
Basta ter CPF, conta em um banco ou corretora habilitada e cadastro no programa. A compra é feita pelo site ou pelo aplicativo do Tesouro Direto, ou pelo app da instituição financeira.
O que é rolagem da dívida?
É a troca de títulos que vencem por títulos novos. Quando o governo não tem superávit para pagar o que vence, emite novos papéis e adia o pagamento.
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