Dinheiro esquecido em bancos sobe para R$ 5,8 bilhões, mostra o Banco Central
São 23,9 milhões de pessoas e 2,4 milhões de empresas com algo a resgatar, e sete em cada dez beneficiários têm até R$ 10, pelos dados de agosto.

Pessoas e empresas têm R$ 5,8 bilhões esquecidos em bancos e outras instituições, informou o Banco Central nesta terça-feira (13). Os dados vão até agosto. Quem quiser saber se tem parte desse dinheiro pode consultar de graça, só com o CPF e a data de nascimento.
Do total, R$ 4,31 bilhões pertencem a 23,9 milhões de pessoas físicas, e R$ 1,48 bilhão, a 2,36 milhões de empresas. O saldo subiu 2,6% em relação a julho, quando estava em R$ 5,65 bilhões, segundo as estatísticas do Sistema de Valores a Receber (SVR).
A maior parte é pouco dinheiro, mas há casos que pesam no orçamento. Na contagem por faixa do BC, 69,4% dos beneficiários têm até R$ 10 a receber, e 19% ficam entre R$ 10,01 e R$ 100. Outros 624,8 mil casos, ou 2,2%, passam de R$ 1.000.
O dinheiro aparece no sistema quando a instituição encontra um valor que é do cliente e não foi pago. Entram contas encerradas com saldo, tarifas cobradas indevidamente, cotas de ex-cooperados de cooperativas de crédito e sobras de grupos de consórcio já encerrados.
Os bancos concentram R$ 2,46 bilhões, segundo o BC. Em seguida vêm as administradoras de consórcio, com R$ 1,97 bilhão, e as cooperativas de crédito, com R$ 805,6 milhões. Se você pagou um consórcio que terminou, teve conta-salário em um emprego antigo ou foi cooperado, vale a consulta.
Fonte: Banco Central, estatísticas do SVR, 13 de outubro de 2026
A queda de maio coincide com o repasse de parte do saldo ao Fundo Garantidor de Operações (FGO). A transferência foi prevista em portaria do Ministério da Fazenda de 5 de maio, para dar garantia a renegociações de dívidas. Depois de nova queda em junho, o saldo voltou a crescer em julho e agosto, com os valores que as instituições informam a cada mês.
Desde a criação do sistema, em 2022, o SVR já devolveu R$ 16,5 bilhões. Desse total, R$ 12,1 bilhões foram para 39,5 milhões de pessoas físicas, e R$ 4,3 bilhões, para 4,8 milhões de empresas, segundo o BC.
A consulta é feita no site Valores a Receber, do Banco Central, sem login. Para ver o valor exato e pedir o resgate, é preciso entrar com a conta gov.br prata ou ouro e a verificação em duas etapas ativada. Quem tem chave Pix no CPF pode ligar a solicitação automática, e os próximos valores caem na conta sem novo pedido.
Herdeiros, testamentários e inventariantes também podem consultar e pedir o dinheiro de pessoas que morreram. Nas empresas encerradas, o pedido cabe ao representante legal.
O serviço é gratuito e não tem intermediário. O BC não envia links nem procura ninguém por WhatsApp, SMS ou e-mail para falar desses valores, e só a instituição que aparece na consulta pode entrar em contato, sem nunca pedir senha. Mensagens fora disso são tentativa de golpe.
A próxima atualização das estatísticas do Valores a Receber está marcada para 10 de novembro, segundo o calendário do Banco Central.
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