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Valores a receber do Banco Central: como consultar e sacar o dinheiro esquecido

Quem faz o pedido pelo sistema recebe por Pix em até 12 dias úteis, e 624,8 mil beneficiários têm mais de R$ 1.000 guardados, segundo dados de agosto.

Cédula de 100 reais sobre um leque de notas de 50 reais
Cédulas de 100 e de 50 reais da primeira família do real dispostas em leque, em imagem de 2016.Foto: joelfotos / Pixabay · licença Pixabay

Pessoas e empresas têm R$ 5,8 bilhões esquecidos em bancos, consórcios e cooperativas, segundo o Banco Central, que atualizou o balanço na terça-feira (13). Para saber se parte desse dinheiro é sua, basta o CPF e a data de nascimento no site Valores a Receber, sem pagar nada.

A consulta inicial não pede login e responde só se há ou não algo a receber. Para ver o valor exato, saber de onde ele vem e pedir a devolução, é preciso entrar com a conta gov.br nível prata ou ouro. Quem pede pelo próprio sistema recebe por Pix em até 12 dias úteis, informa o Banco Central.

  • Onde consultarSite Valores a Receber, do Banco Central
  • Para consultarCPF e data de nascimento, ou CNPJ e data de abertura da empresa
  • Para ver o valorConta gov.br prata ou ouro, com verificação em duas etapas
  • Como recebePix em chave CPF, e-mail, telefone ou CNPJ; a aleatória não serve
  • Prazo de pagamentoAté 12 dias úteis, se o pedido for feito pelo sistema
  • CustoNenhum
  • Próxima atualização10 de novembro

A maior parte das pessoas vai encontrar pouco dinheiro, mas há quem tenha uma quantia que faz diferença no orçamento do mês. E os valores mudam: as instituições mandam dados novos ao Banco Central todos os meses.

Do total, R$ 4,31 bilhões pertencem a 23,9 milhões de pessoas físicas, e R$ 1,48 bilhão, a 2,36 milhões de empresas, segundo as estatísticas do Sistema de Valores a Receber (SVR). Os dados vão até agosto.

Na divisão por faixa de valor, 69,4% dos beneficiários têm até R$ 10 a receber, e 19% ficam entre R$ 10,01 e R$ 100. Outros 9,4% têm de R$ 100,01 a R$ 1.000. No topo, há 624,8 mil casos acima de R$ 1.000.

624,8 mil

beneficiários têm mais de R$ 1.000 esquecidos em bancos, consórcios e outras instituições

Fonte: Banco Central, dados de agosto de 2026

Link para este dado

Depois do login, o sistema mostra cada valor separado, com a origem do dinheiro, o nome da instituição que deve pagar e o contato dela, segundo o Banco Central.

Os bancos concentram a maior fatia, mas as administradoras de consórcio vêm logo atrás. Quem pagou um consórcio de carro ou de imóvel e não buscou a sobra do grupo encerrado pode ter algo a receber.

Tipo de instituiçãoValor a devolverBeneficiários
BancosR$ 2,46 bilhões13,1 milhões
Administradoras de consórcioR$ 1,97 bilhão7,5 milhões
Cooperativas de créditoR$ 805,6 milhões1,9 milhão
Instituições de pagamentoR$ 369,6 milhões3,9 milhões
FinanceirasR$ 121 milhões1,4 milhão
Corretoras e distribuidorasR$ 68 milhões62,9 mil

Fonte: Banco Central, estatísticas do SVR, dados de agosto de 2026

Link para este dado

O dinheiro surge no sistema quando a instituição identifica um valor que é do cliente e não foi pago. Segundo o Banco Central, entram contas-correntes ou de poupança encerradas com saldo, cotas de capital e sobras de quem saiu de cooperativas de crédito e recursos não procurados de consórcios encerrados.

Também aparecem contas de pagamento pré-pagas ou pós-pagas, inclusive de cartão de crédito, e contas de corretoras encerradas com saldo.

Desde a criação do sistema, em 2022, já foram devolvidos R$ 16,5 bilhões, segundo o Banco Central. Desse total, R$ 12,1 bilhões voltaram para 39,5 milhões de pessoas físicas, e R$ 4,3 bilhões, para 4,8 milhões de empresas. O detalhamento mês a mês está na reportagem sobre o novo balanço do dinheiro esquecido.

Passo a passo para consultar e pedir o dinheiro

Desde 13 de fevereiro de 2025, o acesso ao sistema exige conta gov.br prata ou ouro com a verificação em duas etapas ligada, segundo o Banco Central. Antes, a dupla checagem só era cobrada para valores acima de R$ 100. Se a sua conta ainda é bronze, veja como subir o nível da conta gov.br antes de começar.

A verificação em duas etapas funciona com um código gerado no aplicativo gov.br, no celular. Sem ele, o login no Valores a Receber não avança.

  1. Entre no site Valores a Receber, do Banco Central, e faça a consulta pública com o CPF e a data de nascimento.
  2. Se houver algo a receber, clique em entrar e faça o login com a conta gov.br.
  3. Digite o código que aparece no aplicativo gov.br, na opção de verificação em duas etapas.
  4. Escolha a opção dos seus próprios valores e aceite o termo de uso.
  5. Confira o valor, a origem do dinheiro e o nome da instituição que deve pagar.
  6. Onde houver o botão de solicitar, escolha uma chave Pix sua que não seja a aleatória e confirme o pedido.
  7. Guarde o comprovante do pedido, que também pode ser consultado depois no próprio sistema.
  8. Se a instituição não aceita o pedido online, anote o telefone ou o e-mail que o sistema mostra e combine a devolução direto com ela.

O pedido pelo sistema depende de a instituição ter aderido ao termo do Banco Central para devolução por Pix. A lista das que aderiram é atualizada toda semana pelo BC. Quando a instituição não está nela, o caminho é o contato direto, e aí não há prazo máximo: tudo depende do que for combinado e da análise da própria instituição.

“O Banco Central NÃO envia links NEM entra em contato com você para tratar sobre valores a receber ou para confirmar seus dados pessoais.”

Banco Central, página de perguntas e respostas do Valores a Receber

Nos pedidos pelo sistema, o prazo é de até 12 dias úteis, segundo o Banco Central. Um pedido feito nesta quarta-feira (14) deve ser pago até 30 de outubro. A partir de quinta-feira (15), a conta já pula o feriado nacional de Finados, em 2 de novembro, e o prazo avança um dia.

Desde maio de 2025, pessoas físicas com chave Pix no CPF podem ligar a solicitação automática. Na página inicial do sistema, você marca a opção de receber valores automaticamente, autoriza o uso da chave e informa telefone e e-mail. No fim, aparece uma página de confirmação.

Com a opção ligada, o dinheiro cai sozinho, sem pedido valor por valor, sempre que a instituição tiver aderido à função. Os valores novos que surgirem também são pagos enquanto a opção estiver ativa, segundo o Banco Central. A função poupa a volta ao site todo mês.

Por exemplo, um aposentado em Recife que tem chave Pix no CPF e liga a função hoje não precisa repetir a consulta quando o banco informar um saldo antigo em novembro. Se o banco tiver aderido à função, o valor chega na conta ligada à chave.

Herança, empresas e o que fica de fora

Herdeiros, testamentários, inventariantes e representantes legais podem consultar o dinheiro esquecido de uma pessoa que morreu. A consulta é feita no mesmo site, sem login, com o CPF e a data de nascimento do falecido, segundo o Banco Central.

No sistema, o caminho é o botão de valores a receber de pessoa falecida. É preciso aceitar um termo de responsabilidade pela consulta a dados de terceiros. O resultado mostra a instituição, o contato dela e a faixa do valor, e não o número exato.

  • Faixa 1De R$ 0,01 a R$ 10
  • Faixa 2De R$ 10,01 a R$ 100
  • Faixa 3De R$ 100,01 a R$ 1.000
  • Faixa 4Acima de R$ 1.000

Nesse caso, não dá para pedir o dinheiro pelo sistema. O herdeiro procura a instituição, apresenta os documentos que provam o vínculo e combina a forma de devolução. O sistema traz uma lista mínima de documentos, mas cada instituição pode pedir outros, e não há prazo definido em norma para o pagamento, informa o Banco Central.

Com as empresas encerradas, a lógica é parecida. O representante legal informa o CNPJ completo e a data de abertura, aceita o termo, vê a instituição e a faixa do valor e faz o pedido direto com ela.

Empresas ativas só entram no sistema com certificado digital: o representante vincula o e-CNPJ à própria conta gov.br e liga a verificação em duas etapas. Sem certificado, o BC orienta procurar direto os bancos com que a empresa teve conta.

O sistema não mostra todo dinheiro parado em nome de alguém. Segundo o Banco Central, ficam de fora:

  • saldo de FGTS e abono salarial do PIS ou do Pasep;
  • correções de planos econômicos e valores em disputa na Justiça;
  • contas abertas que só estão sem movimentação, inclusive poupanças inativas;
  • dinheiro de instituições incorporadas, liquidadas, encerradas ou em falência;
  • contas sem identificação completa que não foram recadastradas até dezembro de 1994;
  • valores que não podem ser ligados a um CPF ou a um CNPJ.

O FGTS tem consulta própria, no aplicativo do fundo, explicada no guia do saque-aniversário e da consulta do FGTS. Para instituições falidas, o Banco Central orienta buscar informações no Poder Judiciário, na Junta Comercial ou na Receita Federal.

Há ainda uma mudança deste ano, que coincide com a queda do saldo em maio. A Medida Provisória 1.355, de 4 de maio de 2026, mandou transferir ao Fundo de Garantia de Operações (FGO) os valores informados ao sistema até 31 de dezembro de 2024.

Pelo texto, o dinheiro ficaria separado para garantir renegociações de dívidas do Novo Desenrola Brasil. Um edital do Ministério da Fazenda daria 30 dias para os titulares contestarem a transferência.

A medida perdeu a vigência em 31 de agosto, sem votação na Câmara e no Senado, segundo o registro do Congresso Nacional. Os parlamentares têm até 30 de outubro para editar um decreto legislativo sobre os efeitos do período em que ela valeu.

Os R$ 5,8 bilhões que aparecem hoje são o saldo que continua disponível aos donos, segundo as estatísticas do Banco Central. O saldo das bets, devolvido nas últimas semanas, também não passa por aqui: é pago pelos bancos das empresas de apostas, como explica o guia sobre o Pix das bets.

Como reconhecer o golpe do dinheiro esquecido

O único endereço para consultar e pedir esses valores é o site Valores a Receber, do Banco Central, e todos os serviços são gratuitos. O BC orienta não fazer nenhum pagamento para ter acesso ao dinheiro. “O serviço do BC é 100% gratuito”, informa o Banco Central em sua página de perguntas e respostas.

O Banco Central não manda links nem liga para falar desses valores ou confirmar dados pessoais. Só a instituição que aparece na sua consulta pode entrar em contato, e ela nunca vai pedir a sua senha. Mensagem por e-mail, SMS, WhatsApp ou Telegram com link para «liberar» dinheiro esquecido é tentativa de golpe.

Pela orientação do BC, os sinais de alerta são a cobrança de qualquer valor para liberar o dinheiro, o pedido de senha e o link recebido por mensagem. Na dúvida, apague a mensagem e faça você mesmo a consulta, digitando o endereço do Banco Central no navegador.

Se você caiu num golpe e fez um Pix, avise o seu banco na hora pelo aplicativo e peça a contestação pelo Mecanismo Especial de Devolução. Depois, registre boletim de ocorrência na delegacia eletrônica do seu estado.


Quem não encontrou nada hoje pode voltar a consultar, porque as instituições enviam valores antigos e novos ao sistema todo mês. As próximas estatísticas do Valores a Receber saem em 10 de novembro, segundo o calendário do Banco Central.

Como citar: Ouviram (14 out. 2026). «Valores a receber do Banco Central: como consultar e sacar o dinheiro esquecido». ouviram.com.br/economia/valores-a-receber-banco-central-como-consultar-e-sacar

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Como consultar valores a receber?

Entre no site Valores a Receber, do Banco Central, e informe o CPF e a data de nascimento, sem login. Para ver o valor exato e pedir o dinheiro, é preciso entrar com a conta gov.br prata ou ouro.

Valores a receber é golpe?

Não. O sistema é do Banco Central e é gratuito. Golpe é a mensagem que chega com link, pede taxa ou senha: o BC informa que não envia links nem procura ninguém para tratar desses valores.

Como sacar dinheiro esquecido no banco?

Se a instituição aceita o pedido pelo sistema, você escolhe uma chave Pix que não seja a aleatória e recebe na conta. Se não aceita, use o telefone ou o e-mail que aparece na consulta e combine a devolução direto com ela.

Valores a receber tem prazo para sacar?

O Banco Central não informa data-limite para os valores que aparecem hoje na consulta. A MP 1.355, de maio de 2026, mandou transferir ao Fundo de Garantia de Operações os valores informados até 31 de dezembro de 2024, e perdeu a vigência em 31 de agosto.

Por que o valor a receber caiu diferente do que aparecia?

Segundo o Banco Central, o valor pago pode mudar por atualização monetária ou por descontos previstos em contrato, em lei ou em norma do sistema financeiro. Para saber o motivo, procure a instituição pelos contatos que aparecem na consulta.

Valores a receber mostra o FGTS e o PIS?

Não. Saldo de FGTS e abono salarial do PIS ou do Pasep ficam fora do sistema, segundo o Banco Central, e têm consulta própria nos canais da Caixa e do governo federal.

#ValoresAReceber#BancoCentral#Pix#GovBr

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