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Raízen Energia aprova pedido para entrar na B3 e abre caminho para dividir a Raízen em duas

Assembleia de 9 de outubro decidiu por unanimidade pedir a negociação de ações ordinárias, preferenciais e units no segmento Nível 2 da bolsa.

Destilaria de etanol e tanques da usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP)
Torre da destilaria se ergue ao lado dos tanques de etanol da usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP), em imagem de 2008.Foto: Mariordo Mario Roberto Duran Ortiz / Wikimedia Commons · CC BY-SA 3.0

A Raízen Energia, controlada pela Raízen, aprovou nesta sexta-feira (9) o pedido para ter ações negociadas na B3, segundo ata enviada à CVM. É a etapa que permite separar a produção de energia da distribuição de combustíveis e entregar os novos papéis a quem tem ações da Raízen.

A assembleia reuniu todo o capital da empresa e decidiu por unanimidade levar à bolsa os pedidos de listagem e de entrada no Nível 2. Nesse segmento da B3, as ações preferenciais têm direito ao mesmo preço pago ao controlador numa venda do controle. O pedido abrange ações ordinárias, preferenciais e units, certificados que reúnem ações de tipos diferentes.

Para quem tem ações RAIZ4, a mudança é direta. A Raízen propõe reduzir seu capital em até R$ 35 bilhões e pagar essa redução com os papéis da Raízen Energia, segundo o edital da assembleia. Cada acionista recebe na mesma espécie, classe e proporção das ações que já tem.

“As atividades de energia e de distribuição de combustíveis passarão a ser conduzidas por duas companhias abertas independentes e listadas”, afirma a proposta da administração enviada à CVM.

Pela proposta, a Raízen, que opera os postos com a bandeira Shell no país, fica com os combustíveis e deixa de ter um diretor de operações de açúcar e etanol. A Raízen Energia fica com a atividade de energia.

A separação faz parte do plano de recuperação extrajudicial, homologado em 30 de julho pela 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Segundo a empresa, o plano teve adesão de 81,6% dos credores financeiros e reperfila cerca de R$ 61,4 bilhões em dívidas com bancos e investidores.

Pelo plano, 45% das dívidas renegociadas viram participação na Raízen, em units a R$ 0,50 cada, e o restante é trocado por novos títulos. A Shell aporta R$ 3,5 bilhões em dinheiro, e a Aguassanta, da família de Rubens Ometto, pode colocar mais R$ 500 milhões. Para emitir as ações desse aumento de capital, os acionistas vão votar um limite de até 200 bilhões de ações no capital autorizado.

A proposta traz um dado que pesa para o pequeno investidor. O valor patrimonial das ações da Raízen é negativo, e por isso o reembolso a quem pedisse para deixar a empresa seria de R$ 0,00 por ação, diz o documento. A administração afirma ainda que a mudança no objeto social não dá direito de retirada.

A recuperação extrajudicial trata só das dívidas financeiras, segundo o fato relevante de 5 de junho. Contratos com clientes, fornecedores e donos de postos seguem valendo. O motorista que abastece na rede não precisa fazer nada. O valor do litro em cada estado aparece no preço da gasolina e do diesel. Ele também muda com o corte de tributos federais sobre a gasolina anunciado na sexta.

A reestruturação da Raízen
  • 11 de março de 2026Raízen pede recuperação extrajudicial à Justiça de São Paulo
  • 5 de junho de 2026Empresa apresenta plano para R$ 64,7 bilhões em dívidas, com 75,45% de adesão
  • 30 de julho de 2026Justiça homologa o plano, com adesão de 81,6% dos credores financeiros
  • 29 de setembro de 2026Conselho aprova medidas do plano, e as assembleias são convocadas no dia seguinte
  • 9 de outubro de 2026Raízen Energia aprova pedido de listagem na B3
  • 30 de outubro de 2026Assembleia da Raízen vota redução de capital e novo conselho

A entrega dos papéis ainda depende de várias etapas. A B3 precisa aprovar a listagem, e a Raízen Energia tem de passar para a categoria A de registro na CVM. Depois da votação, ainda corre um prazo de 60 dias para a oposição de credores, previsto na Lei das S.A. A Shell e o comitê de transição também precisam aceitar o plano de separação.

A assembleia geral extraordinária da Raízen será em 30 de outubro, às 11h, só em formato digital. Quem tem ações pode votar a distância pelo boletim de voto, que precisa chegar até 26 de outubro, segundo o edital. O novo conselho terá 7 membros titulares, com mandato de três anos.

#Raízen#B3#CVM#Shell#RecuperaçãoExtrajudicial

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