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Inhotim reúne mais de 900 obras de arte entre jardins e mata em Brumadinho

A 60 km de Belo Horizonte, o instituto abre de quarta a domingo e nos feriados, e o ingresso inteiro de um dia custa R$ 65.

Lago cercado de palmeiras e mata no Instituto Inhotim, em Brumadinho
Lago cercado de palmeiras e mata reflete o céu no Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais.Foto: cmonk66007 / Pixabay · licença Pixabay

O Inhotim completa 20 anos em 2026 com mais de 900 obras de 50 artistas expostas em 140 hectares, segundo o próprio instituto. Em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte, arte contemporânea e um jardim botânico com mais de mil espécies dividem o mesmo passeio.

O instituto se apresenta como o maior museu a céu aberto da América Latina e como um dos maiores do mundo. As obras ficam ao ar livre e em galerias espalhadas pela mata, entre lagos e jardins. Na prática, a visita é uma caminhada longa, e quem planeja bem consegue ver muito mais.

140 hectares

é a área aberta à visitação, além de uma reserva particular de 250 hectares protegida pelo instituto

Fonte: Instituto Inhotim, 2026

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A ideia começou nos anos 1980, quando o empresário mineiro Bernardo de Mello Paz passou a reunir arte e plantas numa fazenda da região, conta o instituto. Os jardins tiveram o olhar do paisagista Pedro Nehring, e Luiz Carlos Orsini desenhou 25 hectares entre 2000 e 2004.

As primeiras galerias, a Mata e a Fonte, abriram em 2002, e o museu foi inaugurado para o público em 2006. Desde então, ganhou pavilhões dedicados a um só artista, como Tunga, Adriana Varejão, Claudia Andujar e, mais recentemente, Yayoi Kusama.

O Inhotim é uma organização sem fins lucrativos, mantida por doações, pelas leis federal e estadual de incentivo à cultura, pela bilheteria e por eventos. Na missão oficial, o instituto diz que busca experiências que transformem o visitante ao juntar arte e natureza.

Duas décadas de Inhotim
  • anos 1980Começam a ser construídos os jardins na fazenda de Brumadinho
  • 2002Abrem as galerias Mata, Fonte e True Rouge, esta com obra de Tunga
  • 2006Inauguração do museu para o público e da Galeria Lago
  • 2008Abrem a galeria de Adriana Varejão e a obra Beam Drop, de Chris Burden
  • 2010Inhotim é reconhecido como jardim botânico e abre a Galeria Cosmococa
  • 2015Abre a Galeria Claudia Andujar, com mais de 400 obras sobre os Yanomami
  • 2023Inauguração da Galeria Yayoi Kusama, com 1.436,97 m²
  • 2024Primeiro jardim botânico do Brasil certificado pela rede internacional BGCI

As obras que não dá para perder

O parque é dividido em três eixos de visitação, identificados por cores: laranja, rosa e amarelo. A Galeria Praça, perto da Recepção, fica no cruzamento deles e funciona como ponto de encontro. O mapa interativo do aplicativo gratuito do Inhotim mostra onde está cada obra.

Na própria Galeria Praça está Forty Part Motet, de Janet Cardiff. São 40 caixas de som dispostas em semicírculo, cada uma com a voz de um cantor do coro da Catedral de Salisbury, na Inglaterra. A peça dura 14 minutos, e vale caminhar entre as caixas para ouvir as vozes separadas.

A Galeria True Rouge guarda a instalação de mesmo nome de Tunga. Inaugurada em 2002, foi a primeira do Inhotim a expor um único artista de forma permanente. Redes, vidro soprado e tinta vermelha compõem a instalação, que lembra um laboratório.

Do mesmo artista, a Galeria Psicoativa Tunga, aberta em 2012, é uma das maiores do instituto, uma caixa de vidro no meio da mata com um panorama da obra do artista pernambucano. Ela fecha dez minutos antes do horário geral.

A Galeria Adriana Varejão não revela por fora o que guarda por dentro. O prédio de 2008, do arquiteto Rodrigo Cerviño, é uma caixa de concreto suspensa sobre um espelho d’água. Lá dentro, a obra Panacea Phantastica reúne azulejos com 50 plantas alucinógenas de várias partes do mundo.

Na Galeria Cosmococa, de Hélio Oiticica e Neville D’Almeida, cinco salas criadas em 1973 convidam a deitar em redes e a pisar em espuma e em areia. Na sala CC4, dá para entrar numa piscina iluminada, onde o banho é permitido.

Vizinha da Cosmococa e do Jardim Veredas, a Galeria Yayoi Kusama abriu em 2023 com 1.436,97 m². Abriga duas instalações da artista japonesa: uma sala de estar tomada por pontos coloridos sob luz negra e um ambiente de espelhos e lanternas.

Do lado de fora, no alto do Centro de Educação e Cultura Burle Marx, o Narcissus Garden, de Kusama, espalha 750 esferas de aço sobre um espelho d’água.

No Sonic Pavilion, de Doug Aitken, um pavilhão de vidro com vista para vales e montanhas guarda microfones instalados num poço de 202 metros de profundidade. O que se ouve, ao vivo e amplificado, é o som da própria terra.

Beam Drop Inhotim, de Chris Burden, nasceu de uma performance. Em 2008, ao longo de 12 horas, 71 vigas recolhidas em ferros-velhos foram soltas de um guindaste a 45 metros de altura sobre concreto fresco. A obra recria uma peça de 1984, destruída nos Estados Unidos.

Em Invenção da Cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe, de Hélio Oiticica, paredes coloridas de 1977, restauradas em 2021, formam uma praça para atravessar a pé. O gramado em volta vira palco do show de 20 anos, em 18 de outubro.

Piscina, de Jorge Macchi, é para usar. A peça de 2009, de 12 por 12 metros, imita uma agenda telefônica, com as letras do alfabeto nos degraus, e o banho é liberado.

A Galeria Claudia Andujar, num prédio de 2015, reúne mais de 400 obras da fotógrafa suíça radicada no Brasil sobre o povo Yanomami, que vive no norte da Amazônia.

Inmensa, de Cildo Meireles, é uma escultura de aço corten com 8 metros de altura e brinca com o latim: in mensa quer dizer “sobre a mesa”.

Contraplano, de Lais Myrrha, é uma obra inédita de 2026. Ela abre as comemorações dos 20 anos e ocupa cerca de 250 m² num dos pontos mais altos do parque, no eixo laranja.

Parte do acervo está em manutenção, segundo a página do instituto nesta segunda-feira (12). Estão fechadas as galerias Cildo Meireles, Galpão e Rivane Neuenschwander, a obra Vegetation Room, de Cristina Iglesias, e o Meliponário, espaço das abelhas sem ferrão. Quem quer ver Desvio para o vermelho, de Cildo Meireles, deve conferir a reabertura antes de viajar.

A natureza divide o protagonismo com a arte.

O Inhotim fica numa área de encontro entre a Mata Atlântica e o Cerrado, dois dos biomas mais ricos do planeta. É reconhecido como jardim botânico desde 2010 pela Comissão Nacional de Jardins Botânicos. Em 2024, virou o primeiro do Brasil com o selo de jardim botânico certificado da rede internacional BGCI, informa o instituto.

Os jardins temáticos ajudam a montar o passeio. São seis: Jardim de Todos os Sentidos, de Transição, Desértico, Pictórico, Sombra e Água Fresca e Veredas. A coleção prioriza plantas raras, endêmicas ou ameaçadas, e o instituto é sede da Sociedade Brasileira de Palmeiras desde 2023.

Além dos 140 hectares abertos, o Inhotim protege 250 hectares numa Reserva Particular do Patrimônio Natural. Os animais vivem soltos, e o manual de visita pede distância e proíbe alimentá-los.

Para montar o roteiro, a regra é escolher. Com um dia só, chegue na abertura, às 9h30, e escolha um eixo. Uma sugestão é começar pela Galeria Praça e pelo Forty Part Motet, seguir para o eixo laranja e reservar a manhã para a Cosmococa, a Galeria Yayoi Kusama e a Piscina. Leve roupa de banho se quiser entrar na água.

Depois do almoço, a tarde pode ficar com a Galeria Adriana Varejão, o Narcissus Garden e a Psicoativa Tunga. Termine no Magic Square, de Hélio Oiticica. O instituto pede que o visitante esteja na Recepção no horário de fechamento, e algumas galerias fecham dez minutos antes.

Com dois dias, o passaporte permite dividir o parque sem pressa. No primeiro, faça o roteiro acima.

No segundo, suba ao Sonic Pavilion, veja o Beam Drop, a Galeria Claudia Andujar e o Contraplano, e reserve tempo para os jardins temáticos e para as exposições de longa duração. O terceiro dia, no passaporte maior, serve para repetir o que mais gostou e ver as galerias que ficaram para trás.

Se o tempo for curto ou houver idosos e crianças pequenas no grupo, o carrinho elétrico em rotas ajuda a vencer as subidas. O manual do visitante recomenda o serviço para quem está com criança de colo ou com pessoas idosas.

Ingressos, horários e dias de graça

A tabela abaixo é a da página oficial de ingressos do Inhotim, atualizada em agosto de 2026. A venda é feita pela Sympla, que é a bilheteria on-line oficial, e na bilheteria da Recepção.

IngressoInteiraMeia
1 diaR$ 65,00R$ 32,50
Passaporte de 2 diasR$ 114,00R$ 57,00
Passaporte de 3 diasR$ 150,00R$ 75,00

Fonte: Instituto Inhotim, agosto de 2026

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  • HorárioDe quarta a sexta, das 9h30 às 16h30; sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30
  • Janeiro e julhoAbre também às terças, das 9h30 às 16h30
  • GrátisTodas as quartas e o último domingo do mês, com retirada prévia na Sympla
  • Também grátisCrianças de até 5 anos e moradores de Brumadinho do programa Nosso Inhotim
  • Meia-entradaEstudantes, pessoas com 60 anos ou mais, de 6 a 18 anos, pessoas com deficiência e acompanhante, professores das redes pública e privada
  • Desconto10% no ingresso individual comprado pelo aplicativo do Inhotim, sem valer para os passaportes
  • Troca de dataSó cancelando a compra e escolhendo nova data na própria Sympla

O museu abre nos feriados, inclusive quando caem na segunda-feira, como neste 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida. No calendário de feriados de 2026, os próximos são 2 de novembro (segunda-feira), 15 de novembro (domingo) e 20 de novembro (sexta-feira).

Uma família de quatro pessoas, com dois adultos e dois filhos de 8 e 12 anos, paga R$ 195 num dia comum: R$ 130 das inteiras e R$ 65 das duas meias. Na quarta-feira, a entrada sai de graça, e o estacionamento tem 50% de desconto.

O Inhotim fica na Rua B, número 20, em Brumadinho, no Vale do Paraopeba, a 60 km de Belo Horizonte. De carro, o instituto indica dois caminhos a partir da capital: a BR-381 ou a BR-040, neste caso passando por Piedade do Paraopeba ou pelo Topo do Mundo.

  • MotoR$ 20 de estacionamento
  • CarroR$ 35
  • Van, micro-ônibus e motorhomeR$ 130
  • ÔnibusR$ 170
  • ReservaPelo site ou pelo aplicativo Zul+, com pagamento na entrada ou na saída

Desde 1º de setembro de 2026, o estacionamento é administrado pela Estapar, e quartas e últimos domingos do mês têm metade do preço, informa o instituto.

Sem carro, há dois serviços de transfer saindo de Belo Horizonte, segundo o Inhotim. A agência oficial do instituto, a Belvitur, atende pelo WhatsApp (31) 3195-9090. Quem chega de avião desembarca na Grande Belo Horizonte e segue de carro ou de transfer; o guia do que fazer em Belo Horizonte ajuda a completar a viagem.

Onde ficar, com crianças e regras da visita

Quem quer dormir perto tem opções em Brumadinho e nas cidades vizinhas, segundo a lista de hospedagem do próprio instituto. O Clara Arte Resort fica ao lado da portaria. A até 5 km estão hospedagens como a Pousada Alta Vista, a Verde Villas e a Ville de Montagne, e há hotéis-fazenda a 10, 13 e 20 km, este último em Igarapé.

Em Mário Campos, a 14 km, também há hospedagem. Quem prefere a estrutura da capital se hospeda em bairros como Savassi, Lourdes e Funcionários, a partir de 55 km do Inhotim. Para quem fica em Belo Horizonte, o passaporte de dois dias costuma pedir duas idas e voltas, então vale comparar com uma noite em Brumadinho.

Para comer, há oito pontos de alimentação. A Comedoria Oiticica serve comida mineira a quilo, por R$ 122 o quilo às quartas, R$ 138 às terças, quintas e sextas e R$ 148 nos fins de semana. Há também prato feito, pizza em fatias, hambúrguer, cafés com pão de queijo recheado, sucos e lanches.

Levar o próprio lanche é permitido, mas churrasqueira, cooler, isopor e cadeiras ficam do lado de fora.

Com crianças, o passeio rende mais com pausas. As duas obras com piscina, a Cosmococa e a Piscina, pedem um adulto para cada três menores de 18 anos na água. Menores de 16 anos precisam estar com um responsável e levar documento de identificação, diz o manual da pessoa visitante.

Grupos escolares agendam pela Belvitur, e as visitas mediadas pelos educadores do instituto são gratuitas.

Em outubro, mês das crianças, o Ateliê Circulante leva oficinas de arte e natureza para vários espaços do parque. A programação inclui a Primeira Mostra de Crianças Artistas do Inhotim, em edição especial de Dia das Crianças.

Na acessibilidade, o instituto avisa que há pisos variados e desníveis, e que algumas galerias têm acesso limitado. Há empréstimo de cadeira de rodas, e o carrinho em rotas é gratuito para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e um acompanhante, com credenciamento na Recepção.

Para quem paga, o carrinho em rotas custa R$ 45 por pessoa e roda das 10h às 16h nos dias úteis e até as 17h nos fins de semana e feriados.

O que levar é simples: roupa leve, calçado confortável, protetor solar, água e o aplicativo do Inhotim baixado no celular. Em dia de chuva, o manual pede abrigo longe das árvores, e o transporte interno pode ser suspenso; capas de chuva são vendidas na loja perto da Recepção.

As regras valem para todos. Não entram animais de estimação, exceto cão-guia, nem bicicletas, patinetes, skates, patins e instrumentos musicais. Fotos e vídeos são liberados para uso pessoal, mas flash e tripé são proibidos dentro das galerias, e drones só voam com autorização prévia.

“O Inhotim é um museu a céu aberto que promove experiências imersivas e transformadoras ao integrar arte e natureza.”

Missão oficial do Instituto Inhotim, publicada no site da instituição

O passeio também ajuda Brumadinho. Cerca de 80% dos funcionários do Inhotim moram na cidade, e muitos tiveram ali o primeiro emprego, informa o instituto.

Desde o rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em 2019, o turismo é uma das apostas de renda do município. A iniciativa Céu de Montanhas reúne 37 empreendimentos e comunidades com gastronomia, artesanato, cerâmica e música para quem quer esticar a viagem.


A festa dos 20 anos tem show de João Gomes no domingo, 18 de outubro, às 15h, no gramado do Magic Square, com ingressos esgotados. Nesse dia, as galerias fecham às 14h30 e o carrinho em rotas para às 14h.

A partir de sexta-feira (16), um bar escondido no parque abre de sexta a domingo, das 12h às 16h, só para maiores de 18 anos; outros eventos estão na agenda de shows no Brasil.

A Central de Atendimento do Inhotim responde pelo telefone (31) 3571-9700, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h30.

Como citar: Ouviram (12 out. 2026). «Inhotim reúne mais de 900 obras de arte entre jardins e mata em Brumadinho». ouviram.com.br/turismo/inhotim-brumadinho-guia-completo

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para ver o Inhotim inteiro

Os 140 hectares de visitação não cabem num dia só. Com um dia, dá para ver as galerias principais de um ou dois eixos; para percorrer os três com calma, o passaporte de dois ou três dias é o mais indicado.

Tem guarda-volumes no Inhotim

Sim. O serviço de guarda-volumes é pedido no balcão da Recepção, segundo o instituto.

Precisa comprar o ingresso do Inhotim antes

Não é obrigatório nos dias pagos, porque a bilheteria da Recepção vende na hora. Nos dias gratuitos, o ingresso precisa ser retirado antes na Sympla.

O que fazer se perdi um objeto no Inhotim

Os objetos achados ficam guardados por até 30 dias. O contato é pela Central de Atendimento, no telefone (31) 3571-9700 ou no e-mail [email protected].

Dá para ir ao Inhotim de ônibus saindo de Belo Horizonte

Sim. O instituto informa que há dois serviços de transfer saindo de Belo Horizonte. A agência oficial, a Belvitur, atende pelo WhatsApp (31) 3195-9090.

#LugaresParaConhecer#Inhotim#Brumadinho#MinasGerais#HélioOiticica

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  1. 1. Em que ano o Inhotim foi aberto ao público

  2. 2. Quantas esferas de aço formam o Narcissus Garden, de Yayoi Kusama

  3. 3. Qual é a profundidade do poço do Sonic Pavilion, de Doug Aitken

  4. 4. Quais biomas se encontram na região do Inhotim

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