Belo HorizonteGuia
Onde comer em Belo Horizonte, do Mercado Central de 1929 ao kaol do Café Palhares
A Feira Hippie reúne cerca de 1.800 expositores aos domingos, com três setores de comida, num dia em que o ônibus da capital mineira não cobra passagem.

Para comer bem em Belo Horizonte, comece pelo Mercado Central, no Centro, que reúne 20 bares e restaurantes e abre todos os dias. Depois, prove o kaol no balcão do Café Palhares, almoce comida mineira na Savassi e termine com café especial em Funcionários ou num boteco de Santa Tereza.
A capital mineira tem 2.415.451 moradores, pela estimativa de 2026 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sua cozinha tem o reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Belo Horizonte é Cidade Criativa da Gastronomia desde 2019, segundo a Prefeitura, e integra a rede internacional de cidades criativas.
Este guia reúne só endereços com site oficial no ar ou com informação publicada pela Prefeitura e pela Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur). Horários aparecem quando a própria casa os publica e mudam em feriados. Onde o site não informa preço, o guia não arrisca número.
- Primeira paradaMercado Central, Avenida Augusto de Lima, 744, Centro
- Horário do mercadoSegunda a sábado, das 8h às 18h; domingos e feriados, das 8h às 13h
- Prato da capitalKaol, no Café Palhares, desde 1938
- Comida mineira de raizDona Lucinha, na Savassi, desde 1990
- Domingo de feiraFeira Hippie, das 8h às 14h, na Avenida Afonso Pena
- Café especialAcademia do Café, em Funcionários
- ÔnibusR$ 6,25; grátis aos domingos e feriados, pela Catraca Livre
- 1Mercado Central mercadoAvenida Augusto de Lima, 744, Centroqueijos, doces, cachaças e 20 bares e restaurantes; aberto todos os dias
- 2Café Palhares caféRua dos Tupinambás, 638, Centrobalcão de 1938, criador do kaol; segunda a sábado, das 8h às 17h
- 3Mercado Novo mercadoAvenida Olegário Maciel, 742, Centrobares, cozinhas autorais e lojas de criadores locais
- 4Feira de Artes, Artesanato e Produtores de Variedades feiraAvenida Afonso Pena, CentroFeira Hippie, domingo das 8h às 14h, com três setores de comida
- 5Restaurante Dona Lucinha restauranteRua Padre Odorico, 38, Savassicozinha mineira dos tempos coloniais, desde 1990; segunda a sábado, das 11h às 22h
- 6Café com Letras caféRua Antônio de Albuquerque, 781, Savassicafé, livros e música desde 1996
- 7Academia do Café caféRua Grão Pará, 1024, Funcionáriosescola e cafeteria de café especial
- 8Praça Duque de Caxias vida noturnaSanta Terezacoração do bairro boêmio da Região Leste
Mapa: © colaboradores do OpenStreetMap. Toque num nome da lista para vê-lo no mapa.
Mercado Central e os sabores do Centro
O Mercado Central de Belo Horizonte, inaugurado em 1929 na Avenida Augusto de Lima, 744, no Centro, abre todos os dias, segundo a administração. O horário vai das 8h às 18h de segunda a sábado e das 8h às 13h aos domingos e feriados. É o lugar mais completo da cidade para provar e levar para casa queijo, doce e cachaça de Minas.
O tamanho impressiona. Pela lista de lojas publicada pela administração, o mercado tem 49 lojas de laticínios, queijos e cachaça, 29 de doces, 14 só de cachaças e 20 bares e restaurantes. Há ainda 47 lojas de artesanato, 36 de temperos e 24 de ervas e raízes, num mesmo galpão coberto.
| Tipo de loja | Quantidade |
|---|---|
| Laticínios, queijos e cachaça | 49 |
| Artesanato | 47 |
| Temperos | 36 |
| Doces | 29 |
| Ervas e raízes | 24 |
| Bares e restaurantes | 20 |
| Cachaças | 14 |
Fonte: administração do Mercado Central, outubro de 2026.
Os bares e restaurantes servem do tira-gosto de balcão ao prato feito, e cada loja tem seu próprio cardápio e preço. O estacionamento fica no próprio prédio e aceita dinheiro, cartão de débito e de crédito e Pix nos terminais de autoatendimento, segundo a administração.
Para quem tem filho na escola, o mercado também é sala de aula. O projeto Consumidor do Futuro, mantido desde 2001, recebe turmas em visitas gratuitas de 1h30, de segunda a sexta, às 9h e às 14h. O agendamento, para até duas escolas por dia, é feito pelo telefone (31) 98232-1035, segundo a administração.
A história é mais antiga que o prédio. O Mercado Municipal abriu em 1900 no início da Avenida Afonso Pena, onde hoje fica a rodoviária. Em 7 de setembro de 1929, mudou-se para o antigo campo do América Futebol Clube.
No novo endereço, as barracas de madeira ficavam a céu aberto. Em 1964, os comerciantes formaram uma cooperativa, arremataram o terreno em leilão e ergueram o galpão coberto, segundo a administração, que em 2026 comemora 97 anos no endereço.
O Café Palhares, fundado em 1938 na Rua dos Tupinambás, 638, no Centro, criou o kaol, prato de cachaça, arroz, ovo e linguiça. A casa o apresenta como o primeiro prato típico de Belo Horizonte. Funciona de segunda a sábado e nos feriados, das 8h às 17h, e não abre aos domingos.
O nome do prato junta as iniciais dos ingredientes, com a cachaça escrita com K. Nos primeiros anos, o Palhares funcionava 24 horas e virou reduto de boêmios e de torcedores, segundo a família, que está na terceira geração à frente do balcão. A cozinha fecha 30 minutos antes do horário de saída, e a casa não abre no Carnaval, no Natal e no Ano-Novo.
A poucas quadras dali, com entrada de pedestres na Avenida Olegário Maciel, 742, o Mercado Novo virou o endereço da nova cena gastronômica da cidade. O prédio, no entorno da Praça Raul Soares, reúne bares, cozinhas autorais e lojas de criadores locais nos andares de cima.
O presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel, disse em maio de 2026, em comunicado da Prefeitura, que o Mercado Novo é hoje “um dos espaços mais vibrantes de Belo Horizonte”. Lá, cada bar e cada loja define o próprio horário.
Aos domingos, a comida de rua se muda para a Avenida Afonso Pena. A Feira de Artes, Artesanato e Produtores de Variedades, a Feira Hippie, ocupa o trecho entre a Praça Sete e a Avenida Carandaí, das 8h às 14h. São cerca de 1.800 expositores e público médio de 60 mil pessoas por domingo, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte.
60 mil
pessoas passam em média pela Feira Hippie a cada domingo, entre artesanato, roupas e barracas de comida
Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte, outubro de 2026
A feira tem 16 setores, e três deles são só de comida. O setor X fica na Rua Espírito Santo, o Y na Avenida Álvares Cabral e o Z na Avenida Afonso Pena, perto da Carandaí, segundo a Prefeitura. Para quem quer almoçar cedo e gastar pouco no Centro, os três setores vendem comidas e bebidas com preço de barraca, sem tabela oficial.
Comida mineira e café especial na Savassi e em Funcionários
O Restaurante Dona Lucinha, aberto em 1990 na Rua Padre Odorico, 38, na Savassi, serve a cozinha dos tempos coloniais de Minas Gerais, segundo a casa. A referência é o ciclo do ouro e dos diamantes. É o endereço clássico para quem quer provar, numa mesma refeição, os pratos que a família mineira serve em dia de festa.
O cardápio nasceu de pesquisa sobre a cultura alimentar do estado, segundo a casa, que mistura técnicas portuguesas, africanas e indígenas. As carnes levam cachaça e limão, o urucum entra em abundância e o sal vai em pitadas. A fundadora, que dá nome ao restaurante, também escreveu um livro sobre a história da cozinha mineira, e a casa tem uma segunda unidade em Moema, em São Paulo.
A cozinha mineira chegou até a Marquês de Sapucaí. Em 2015, os sabores dos quintais de Minas foram tema do desfile do Salgueiro no Carnaval do Rio, lembra a casa. A matriz abre de segunda a sábado, das 11h às 22h, e aos domingos e feriados, das 11h às 17h, segundo a casa, que atende pelo (31) 2127-0788.
Na mesa mineira, alguns pratos aparecem em quase todo cardápio. O feijão tropeiro mistura feijão, farinha de mandioca, torresmo, linguiça e ovo; o tutu é o feijão engrossado com farinha; o frango com quiabo vem ensopado, com angu ao lado. Para a sobremesa, doce de leite, goiabada com queijo e doces de compota.
O queijo merece uma parada à parte. Os modos de fazer o queijo minas artesanal, de leite cru, entraram na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco em 4 de dezembro de 2024. Foi o primeiro saber ligado à comida do Brasil na lista, e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) já o reconhecia como patrimônio nacional desde 2008.
A produção tradicional se espalha por 106 municípios mineiros, em regiões como o Serro, a Serra da Canastra e a Serra do Salitre. No Mercado Central, são 49 lojas de laticínios, queijos e cachaça, o maior grupo de lojas do prédio. Dica prática: peça para provar antes de comprar e diga quantos dias o queijo vai viajar.
A Academia do Café, na Rua Grão Pará, 1024, no bairro Funcionários, funciona ao mesmo tempo como escola de café e cafeteria de café especial. Tem cursos presenciais e online e loja de grãos. É uma parada certa para quem quer provar e entender o café mineiro.
O café da xícara vem de perto. O Brasil deve colher 67,6 milhões de sacas de café em 2026, alta de 19,6% sobre 2025, segundo o terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Minas Gerais é o maior produtor do país.
67,6 milhões
de sacas de café é a colheita prevista para o Brasil em 2026, com Minas Gerais como maior produtor
Fonte: Conab, setembro de 2026
Na Savassi, o Café com Letras ocupa desde 1996 uma casa na Rua Antônio de Albuquerque, 781. A ideia de três amigos de faculdade era juntar livros, um cardápio caprichado e encontros culturais, segundo a história publicada pela casa, que mantém projetos culturais como o Savassi Festival. O salão abre de domingo a quinta, das 12h às 22h, e na sexta e no sábado, das 12h às 23h.
Botecos, Santa Tereza e onde comer por bolso
O concurso de petiscos Comida di Buteco nasceu em Belo Horizonte em 2000 e hoje acontece em cerca de 50 municípios, segundo a Prefeitura. A edição de 2026, a 26ª, reuniu 127 bares da capital, todos com petisco a preço fixo de R$ 40. As visitas do público e dos jurados aos bares foram até 10 de maio.
O concurso diz muito sobre o jeito de comer da cidade, em que o boteco é extensão da sala de casa. O presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel, disse em abril, em comunicado da Prefeitura, que o concurso ajuda a trazer turistas para a capital. Na edição anterior, foram 1,5 milhão de votos em todo o país, segundo os organizadores.
“Mais do que um concurso, o Comida di Buteco se consolida como um importante vetor de atração de visitantes e de movimentação econômica para Belo Horizonte”
Para viver a boemia mineira fora do período do concurso, o roteiro passa por Santa Tereza, na Região Leste. O bairro, de casas baixas, reúne bares e restaurantes em volta da Praça Duque de Caxias e nas ruas próximas.
Uma palavra ajuda no balcão: tira-gosto, como o mineiro chama o petisco que acompanha a cerveja e a cachaça. Os cardápios dos botecos costumam trazer torresmo, mandioca frita, linguiça e o próprio feijão tropeiro em porção.
Os horários abaixo são os publicados pelas próprias casas e pela Prefeitura em outubro de 2026. Lugares sem horário no site oficial aparecem sem o número.
| Perfil | Onde ir | Quando |
|---|---|---|
| Gastar pouco | Feira Hippie, setores X, Y e Z | domingo, das 8h às 14h |
| Gastar pouco | bares do Mercado Central | segunda a sábado, das 8h às 18h |
| Prato da capital | Café Palhares, kaol no balcão | segunda a sábado e feriados, das 8h às 17h |
| Comida mineira completa | Dona Lucinha, Savassi | segunda a sábado, das 11h às 22h; domingo, das 11h às 17h |
| Com crianças | Mercado Central, Centro | domingos e feriados, das 8h às 13h |
| À noite | Café com Letras, Savassi | sexta e sábado, até as 23h |
| Domingo à tarde | Café com Letras, Savassi | domingo, das 12h às 22h |
| Café especial | Academia do Café, Funcionários | consulte a casa: (31) 3223-8565 |
Fonte: sites oficiais das casas e Prefeitura de Belo Horizonte, outubro de 2026.
Com crianças, o Mercado Central é a escolha mais fácil no Centro: tem corredores cobertos, estacionamento no próprio prédio e 29 lojas de doces para a sobremesa. Os roteiros completos para a família estão no guia Belo Horizonte com crianças, e os passeios clássicos da cidade, no guia o que fazer em Belo Horizonte.
Para circular entre os endereços, o ônibus municipal custa R$ 6,25. Desde 14 de dezembro de 2025, não cobra passagem aos domingos e feriados, pelo programa Catraca Livre, segundo a Prefeitura. O Mercado Central, o Café Palhares e o Mercado Novo ficam a uma caminhada de distância um do outro, no Centro.
O calendário das próximas semanas favorece o roteiro. No domingo, 25 de outubro, dia do segundo turno, os ônibus circulam sem tarifa, como em todo domingo. Em 2 de novembro, segunda-feira, feriado nacional de Finados, o mercado abre das 8h às 13h e o Café Palhares, das 8h às 17h, no horário de feriado. As demais datas estão no calendário de feriados de 2026.
A administração do Mercado Central atende pelo telefone (31) 3274-9434, e o Café Palhares, pelo (31) 3201-1841.
Como citar: Ouviram (23 out. 2026). «Onde comer em Belo Horizonte, do Mercado Central de 1929 ao kaol do Café Palhares». ouviram.com.br/turismo/onde-comer-em-belo-horizonte-restaurantes-e-cafes
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Onde comer em Belo Horizonte barato?
Os bares do Mercado Central e os três setores de alimentação da Feira Hippie, aos domingos, são as saídas mais em conta no Centro. Os preços variam por barraca e por loja e não têm tabela oficial.
Qual é a comida típica de Belo Horizonte?
A cidade serve a cozinha mineira: feijão tropeiro, tutu, frango com quiabo, pão de queijo, doce de leite e queijo minas. O prato que se apresenta como típico da capital é o kaol, criado no balcão do Café Palhares.
Quais são os melhores restaurantes de Belo Horizonte?
Depende do prato. Para comida mineira tradicional, o Dona Lucinha, na Savassi, funciona desde 1990, e o Mercado Central concentra 20 bares e restaurantes no Centro.
Quais são os melhores cafés de Belo Horizonte?
Para café especial, a Academia do Café, em Funcionários, combina escola e cafeteria. O Café com Letras, na Savassi, une café, livros e programação cultural desde 1996, segundo a casa.
O Mercado Central abre no domingo?
Sim. Aos domingos e feriados, o Mercado Central abre das 8h às 13h, e de segunda a sábado, das 8h às 18h, segundo a administração.
O que é o kaol?
É o prato de cachaça, arroz, ovo e linguiça, cujas iniciais formam o nome, segundo o Café Palhares, que o criou. A casa fica na Rua dos Tupinambás, 638, no Centro.
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1. Em que ano o Mercado Central chegou ao endereço atual, na Avenida Augusto de Lima?
O mercado, aberto em 1900 no início da Avenida Afonso Pena, mudou-se em 7 de setembro de 1929, segundo a administração.
2. O que significam as letras do kaol, do Café Palhares?
O nome junta as iniciais de cachaça, arroz, ovo e linguiça, segundo o Café Palhares, fundado em 1938.
3. Em que ano a Unesco reconheceu os modos de fazer o queijo minas artesanal?
A Unesco inscreveu o saber em 4 de dezembro de 2024; o Iphan já o reconhecia como patrimônio nacional desde 2008.
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