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Onde comer em Belo Horizonte, do Mercado Central de 1929 ao kaol do Café Palhares

A Feira Hippie reúne cerca de 1.800 expositores aos domingos, com três setores de comida, num dia em que o ônibus da capital mineira não cobra passagem.

Pimentas vermelhas, amarelas e verdes expostas em banca do Mercado Central de Belo Horizonte
Pimentas de vários tipos à venda numa banca do Mercado Central, no Centro de Belo Horizonte, em imagem de 2018.Foto: MTur Destinos / Flickr · domínio público

Para comer bem em Belo Horizonte, comece pelo Mercado Central, no Centro, que reúne 20 bares e restaurantes e abre todos os dias. Depois, prove o kaol no balcão do Café Palhares, almoce comida mineira na Savassi e termine com café especial em Funcionários ou num boteco de Santa Tereza.

A capital mineira tem 2.415.451 moradores, pela estimativa de 2026 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sua cozinha tem o reconhecimento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Belo Horizonte é Cidade Criativa da Gastronomia desde 2019, segundo a Prefeitura, e integra a rede internacional de cidades criativas.

Este guia reúne só endereços com site oficial no ar ou com informação publicada pela Prefeitura e pela Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur). Horários aparecem quando a própria casa os publica e mudam em feriados. Onde o site não informa preço, o guia não arrisca número.

  • Primeira paradaMercado Central, Avenida Augusto de Lima, 744, Centro
  • Horário do mercadoSegunda a sábado, das 8h às 18h; domingos e feriados, das 8h às 13h
  • Prato da capitalKaol, no Café Palhares, desde 1938
  • Comida mineira de raizDona Lucinha, na Savassi, desde 1990
  • Domingo de feiraFeira Hippie, das 8h às 14h, na Avenida Afonso Pena
  • Café especialAcademia do Café, em Funcionários
  • ÔnibusR$ 6,25; grátis aos domingos e feriados, pela Catraca Livre
Onde comer em Belo Horizonte
  1. 1Mercado Central mercadoAvenida Augusto de Lima, 744, Centroqueijos, doces, cachaças e 20 bares e restaurantes; aberto todos os dias
  2. 2Café Palhares caféRua dos Tupinambás, 638, Centrobalcão de 1938, criador do kaol; segunda a sábado, das 8h às 17h
  3. 3Mercado Novo mercadoAvenida Olegário Maciel, 742, Centrobares, cozinhas autorais e lojas de criadores locais
  4. 4Feira de Artes, Artesanato e Produtores de Variedades feiraAvenida Afonso Pena, CentroFeira Hippie, domingo das 8h às 14h, com três setores de comida
  5. 5Restaurante Dona Lucinha restauranteRua Padre Odorico, 38, Savassicozinha mineira dos tempos coloniais, desde 1990; segunda a sábado, das 11h às 22h
  6. 6Café com Letras caféRua Antônio de Albuquerque, 781, Savassicafé, livros e música desde 1996
  7. 7Academia do Café caféRua Grão Pará, 1024, Funcionáriosescola e cafeteria de café especial
  8. 8Praça Duque de Caxias vida noturnaSanta Terezacoração do bairro boêmio da Região Leste

Mapa: © colaboradores do OpenStreetMap. Toque num nome da lista para vê-lo no mapa.

Mercado Central e os sabores do Centro

O Mercado Central de Belo Horizonte, inaugurado em 1929 na Avenida Augusto de Lima, 744, no Centro, abre todos os dias, segundo a administração. O horário vai das 8h às 18h de segunda a sábado e das 8h às 13h aos domingos e feriados. É o lugar mais completo da cidade para provar e levar para casa queijo, doce e cachaça de Minas.

O tamanho impressiona. Pela lista de lojas publicada pela administração, o mercado tem 49 lojas de laticínios, queijos e cachaça, 29 de doces, 14 só de cachaças e 20 bares e restaurantes. Há ainda 47 lojas de artesanato, 36 de temperos e 24 de ervas e raízes, num mesmo galpão coberto.

Tipo de lojaQuantidade
Laticínios, queijos e cachaça49
Artesanato47
Temperos36
Doces29
Ervas e raízes24
Bares e restaurantes20
Cachaças14

Fonte: administração do Mercado Central, outubro de 2026.

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Os bares e restaurantes servem do tira-gosto de balcão ao prato feito, e cada loja tem seu próprio cardápio e preço. O estacionamento fica no próprio prédio e aceita dinheiro, cartão de débito e de crédito e Pix nos terminais de autoatendimento, segundo a administração.

Para quem tem filho na escola, o mercado também é sala de aula. O projeto Consumidor do Futuro, mantido desde 2001, recebe turmas em visitas gratuitas de 1h30, de segunda a sexta, às 9h e às 14h. O agendamento, para até duas escolas por dia, é feito pelo telefone (31) 98232-1035, segundo a administração.

A história é mais antiga que o prédio. O Mercado Municipal abriu em 1900 no início da Avenida Afonso Pena, onde hoje fica a rodoviária. Em 7 de setembro de 1929, mudou-se para o antigo campo do América Futebol Clube.

No novo endereço, as barracas de madeira ficavam a céu aberto. Em 1964, os comerciantes formaram uma cooperativa, arremataram o terreno em leilão e ergueram o galpão coberto, segundo a administração, que em 2026 comemora 97 anos no endereço.

O Café Palhares, fundado em 1938 na Rua dos Tupinambás, 638, no Centro, criou o kaol, prato de cachaça, arroz, ovo e linguiça. A casa o apresenta como o primeiro prato típico de Belo Horizonte. Funciona de segunda a sábado e nos feriados, das 8h às 17h, e não abre aos domingos.

O nome do prato junta as iniciais dos ingredientes, com a cachaça escrita com K. Nos primeiros anos, o Palhares funcionava 24 horas e virou reduto de boêmios e de torcedores, segundo a família, que está na terceira geração à frente do balcão. A cozinha fecha 30 minutos antes do horário de saída, e a casa não abre no Carnaval, no Natal e no Ano-Novo.

A poucas quadras dali, com entrada de pedestres na Avenida Olegário Maciel, 742, o Mercado Novo virou o endereço da nova cena gastronômica da cidade. O prédio, no entorno da Praça Raul Soares, reúne bares, cozinhas autorais e lojas de criadores locais nos andares de cima.

O presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel, disse em maio de 2026, em comunicado da Prefeitura, que o Mercado Novo é hoje “um dos espaços mais vibrantes de Belo Horizonte”. Lá, cada bar e cada loja define o próprio horário.

Aos domingos, a comida de rua se muda para a Avenida Afonso Pena. A Feira de Artes, Artesanato e Produtores de Variedades, a Feira Hippie, ocupa o trecho entre a Praça Sete e a Avenida Carandaí, das 8h às 14h. São cerca de 1.800 expositores e público médio de 60 mil pessoas por domingo, segundo a Prefeitura de Belo Horizonte.

60 mil

pessoas passam em média pela Feira Hippie a cada domingo, entre artesanato, roupas e barracas de comida

Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte, outubro de 2026

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A feira tem 16 setores, e três deles são só de comida. O setor X fica na Rua Espírito Santo, o Y na Avenida Álvares Cabral e o Z na Avenida Afonso Pena, perto da Carandaí, segundo a Prefeitura. Para quem quer almoçar cedo e gastar pouco no Centro, os três setores vendem comidas e bebidas com preço de barraca, sem tabela oficial.

Comida mineira e café especial na Savassi e em Funcionários

O Restaurante Dona Lucinha, aberto em 1990 na Rua Padre Odorico, 38, na Savassi, serve a cozinha dos tempos coloniais de Minas Gerais, segundo a casa. A referência é o ciclo do ouro e dos diamantes. É o endereço clássico para quem quer provar, numa mesma refeição, os pratos que a família mineira serve em dia de festa.

O cardápio nasceu de pesquisa sobre a cultura alimentar do estado, segundo a casa, que mistura técnicas portuguesas, africanas e indígenas. As carnes levam cachaça e limão, o urucum entra em abundância e o sal vai em pitadas. A fundadora, que dá nome ao restaurante, também escreveu um livro sobre a história da cozinha mineira, e a casa tem uma segunda unidade em Moema, em São Paulo.

A cozinha mineira chegou até a Marquês de Sapucaí. Em 2015, os sabores dos quintais de Minas foram tema do desfile do Salgueiro no Carnaval do Rio, lembra a casa. A matriz abre de segunda a sábado, das 11h às 22h, e aos domingos e feriados, das 11h às 17h, segundo a casa, que atende pelo (31) 2127-0788.

Na mesa mineira, alguns pratos aparecem em quase todo cardápio. O feijão tropeiro mistura feijão, farinha de mandioca, torresmo, linguiça e ovo; o tutu é o feijão engrossado com farinha; o frango com quiabo vem ensopado, com angu ao lado. Para a sobremesa, doce de leite, goiabada com queijo e doces de compota.

O queijo merece uma parada à parte. Os modos de fazer o queijo minas artesanal, de leite cru, entraram na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Unesco em 4 de dezembro de 2024. Foi o primeiro saber ligado à comida do Brasil na lista, e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) já o reconhecia como patrimônio nacional desde 2008.

A produção tradicional se espalha por 106 municípios mineiros, em regiões como o Serro, a Serra da Canastra e a Serra do Salitre. No Mercado Central, são 49 lojas de laticínios, queijos e cachaça, o maior grupo de lojas do prédio. Dica prática: peça para provar antes de comprar e diga quantos dias o queijo vai viajar.

A Academia do Café, na Rua Grão Pará, 1024, no bairro Funcionários, funciona ao mesmo tempo como escola de café e cafeteria de café especial. Tem cursos presenciais e online e loja de grãos. É uma parada certa para quem quer provar e entender o café mineiro.

O café da xícara vem de perto. O Brasil deve colher 67,6 milhões de sacas de café em 2026, alta de 19,6% sobre 2025, segundo o terceiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Minas Gerais é o maior produtor do país.

67,6 milhões

de sacas de café é a colheita prevista para o Brasil em 2026, com Minas Gerais como maior produtor

Fonte: Conab, setembro de 2026

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Na Savassi, o Café com Letras ocupa desde 1996 uma casa na Rua Antônio de Albuquerque, 781. A ideia de três amigos de faculdade era juntar livros, um cardápio caprichado e encontros culturais, segundo a história publicada pela casa, que mantém projetos culturais como o Savassi Festival. O salão abre de domingo a quinta, das 12h às 22h, e na sexta e no sábado, das 12h às 23h.

Botecos, Santa Tereza e onde comer por bolso

O concurso de petiscos Comida di Buteco nasceu em Belo Horizonte em 2000 e hoje acontece em cerca de 50 municípios, segundo a Prefeitura. A edição de 2026, a 26ª, reuniu 127 bares da capital, todos com petisco a preço fixo de R$ 40. As visitas do público e dos jurados aos bares foram até 10 de maio.

O concurso diz muito sobre o jeito de comer da cidade, em que o boteco é extensão da sala de casa. O presidente da Belotur, Eduardo Cruvinel, disse em abril, em comunicado da Prefeitura, que o concurso ajuda a trazer turistas para a capital. Na edição anterior, foram 1,5 milhão de votos em todo o país, segundo os organizadores.

“Mais do que um concurso, o Comida di Buteco se consolida como um importante vetor de atração de visitantes e de movimentação econômica para Belo Horizonte”

Eduardo Cruvinel, presidente da Belotur, em comunicado da Prefeitura, em 16 de abril de 2026

Para viver a boemia mineira fora do período do concurso, o roteiro passa por Santa Tereza, na Região Leste. O bairro, de casas baixas, reúne bares e restaurantes em volta da Praça Duque de Caxias e nas ruas próximas.

Uma palavra ajuda no balcão: tira-gosto, como o mineiro chama o petisco que acompanha a cerveja e a cachaça. Os cardápios dos botecos costumam trazer torresmo, mandioca frita, linguiça e o próprio feijão tropeiro em porção.

Os horários abaixo são os publicados pelas próprias casas e pela Prefeitura em outubro de 2026. Lugares sem horário no site oficial aparecem sem o número.

PerfilOnde irQuando
Gastar poucoFeira Hippie, setores X, Y e Zdomingo, das 8h às 14h
Gastar poucobares do Mercado Centralsegunda a sábado, das 8h às 18h
Prato da capitalCafé Palhares, kaol no balcãosegunda a sábado e feriados, das 8h às 17h
Comida mineira completaDona Lucinha, Savassisegunda a sábado, das 11h às 22h; domingo, das 11h às 17h
Com criançasMercado Central, Centrodomingos e feriados, das 8h às 13h
À noiteCafé com Letras, Savassisexta e sábado, até as 23h
Domingo à tardeCafé com Letras, Savassidomingo, das 12h às 22h
Café especialAcademia do Café, Funcionáriosconsulte a casa: (31) 3223-8565

Fonte: sites oficiais das casas e Prefeitura de Belo Horizonte, outubro de 2026.

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Com crianças, o Mercado Central é a escolha mais fácil no Centro: tem corredores cobertos, estacionamento no próprio prédio e 29 lojas de doces para a sobremesa. Os roteiros completos para a família estão no guia Belo Horizonte com crianças, e os passeios clássicos da cidade, no guia o que fazer em Belo Horizonte.


Para circular entre os endereços, o ônibus municipal custa R$ 6,25. Desde 14 de dezembro de 2025, não cobra passagem aos domingos e feriados, pelo programa Catraca Livre, segundo a Prefeitura. O Mercado Central, o Café Palhares e o Mercado Novo ficam a uma caminhada de distância um do outro, no Centro.

O calendário das próximas semanas favorece o roteiro. No domingo, 25 de outubro, dia do segundo turno, os ônibus circulam sem tarifa, como em todo domingo. Em 2 de novembro, segunda-feira, feriado nacional de Finados, o mercado abre das 8h às 13h e o Café Palhares, das 8h às 17h, no horário de feriado. As demais datas estão no calendário de feriados de 2026.

A administração do Mercado Central atende pelo telefone (31) 3274-9434, e o Café Palhares, pelo (31) 3201-1841.

Como citar: Ouviram (23 out. 2026). «Onde comer em Belo Horizonte, do Mercado Central de 1929 ao kaol do Café Palhares». ouviram.com.br/turismo/onde-comer-em-belo-horizonte-restaurantes-e-cafes

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Onde comer em Belo Horizonte barato?

Os bares do Mercado Central e os três setores de alimentação da Feira Hippie, aos domingos, são as saídas mais em conta no Centro. Os preços variam por barraca e por loja e não têm tabela oficial.

Qual é a comida típica de Belo Horizonte?

A cidade serve a cozinha mineira: feijão tropeiro, tutu, frango com quiabo, pão de queijo, doce de leite e queijo minas. O prato que se apresenta como típico da capital é o kaol, criado no balcão do Café Palhares.

Quais são os melhores restaurantes de Belo Horizonte?

Depende do prato. Para comida mineira tradicional, o Dona Lucinha, na Savassi, funciona desde 1990, e o Mercado Central concentra 20 bares e restaurantes no Centro.

Quais são os melhores cafés de Belo Horizonte?

Para café especial, a Academia do Café, em Funcionários, combina escola e cafeteria. O Café com Letras, na Savassi, une café, livros e programação cultural desde 1996, segundo a casa.

O Mercado Central abre no domingo?

Sim. Aos domingos e feriados, o Mercado Central abre das 8h às 13h, e de segunda a sábado, das 8h às 18h, segundo a administração.

O que é o kaol?

É o prato de cachaça, arroz, ovo e linguiça, cujas iniciais formam o nome, segundo o Café Palhares, que o criou. A casa fica na Rua dos Tupinambás, 638, no Centro.

#BeloHorizonte#MercadoCentral#Savassi#FeiraHippie#ComidaMineira

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  1. 1. Em que ano o Mercado Central chegou ao endereço atual, na Avenida Augusto de Lima?

  2. 2. O que significam as letras do kaol, do Café Palhares?

  3. 3. Em que ano a Unesco reconheceu os modos de fazer o queijo minas artesanal?

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