El Niño bate recorde para outubro, com o Pacífico 2,47 °C mais quente que o normal
A marca supera os 2,07 °C de 1982, e o boletim federal prevê chuva acima da média no Sul e abaixo dela em grande parte do Norte até janeiro de 2027.

O El Niño bateu o recorde de outubro, com o Pacífico 2,47 °C acima do normal, informou o Inmet na terça-feira (3). Para quem mora no Sul, o sinal é de chuva acima da média até janeiro. No Norte e em parte do Nordeste, a tendência é de chuva abaixo da média e calor.
A marca anterior para o mês era de 2,07 °C, em outubro de 1982. Aquele El Niño, um dos mais fortes já registrados, se estendeu até o primeiro semestre de 1983, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Com o novo valor, o fenômeno de 2026 entra na faixa de intensidade muito forte.
O número mede a diferença entre a temperatura da superfície do mar e a média esperada para a época, na área chamada Niño 3.4. Ela é a referência mundial para classificar o fenômeno. Já a área Niño 3, mais a leste, tem grande influência sobre o clima da América do Sul, e ali o desvio médio de outubro foi de 3,56 °C.
O aquecimento continua rápido. Na última semana de outubro, o desvio semanal da Niño 3.4 chegou a 2,5 °C, outra marca histórica. Na Niño 3, foi a 3,7 °C, o maior valor da série semanal, que começa em 1981.
“É importante destacar que a comparação entre dados mensais e semanais requer cautela, pois representam períodos de referência distintos”, afirmou o meteorologista Leydson Dantas, do Inmet, ao divulgar os dados.
| Área do Pacífico | Marca de 2026 | Recorde anterior |
|---|---|---|
| Niño 3.4, média de outubro | 2,47 °C | 2,07 °C (outubro de 1982) |
| Niño 3, média semanal | 3,7 °C | 3,6 °C (dezembro de 1982) |
| Niño 1+2, média semanal | 4,6 °C | 4,6 °C (junho de 1983), igualado |
Fonte: Inmet, 3 de novembro de 2026
A área Niño 1+2 fica na costa do Peru e do Equador e tem pouca influência sobre o tempo no Brasil. O El Niño deste ano começou a se formar em junho e esquentou depressa nos meses seguintes. A Organização Meteorológica Mundial avalia que ele pode ser um dos maiores já registrados, informou o Inmet.
Entre novembro e janeiro, o Painel El Niño prevê chuva acima da média no Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste. Em grande parte do Norte e em áreas do Nordeste e do Centro-Oeste, a tendência é de chuva abaixo do normal. Os efeitos do El Niño por região dependem da intensidade e da época do ano, segundo o Inmet.
As temperaturas devem ficar acima da média em quase todo o país, sobretudo no Norte, segundo o boletim de 29 de outubro. A exceção é o Rio Grande do Sul, onde a tendência é de temperaturas abaixo do normal. A previsão de novembro por região vai na mesma direção.
O efeito já aparece no tempo desta quarta-feira (4). O Inmet mantém aviso vermelho de grande perigo para tempestades no noroeste e no norte do Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no sul do Paraná. No Nordeste, as praias seguem sem chuva, e Teresina deve chegar a 39 °C, a máxima mais alta entre as capitais da região.
O painel reúne o Inmet, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a Agência Nacional de Águas (ANA), o Cemaden, o Serviço Geológico do Brasil, a Defesa Civil nacional e o Censipam. Os boletins servem de base para a prevenção e para os avisos, cujos níveis estão explicados no guia sobre o que fazer em alerta de chuva.
O boletim federal recomenda manter em dia o cadastro de alertas da Defesa Civil, que é gratuito: basta enviar o CEP por SMS para o número 40199. Em emergência, a Defesa Civil atende pelo 199 e o Corpo de Bombeiros, pelo 193.
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