Ministério da FazendaExplicador

Ministro da Fazenda em 2026: Dario Durigan comanda a pasta desde 20 de março

Formado em Direito pela USP, ele foi secretário-executivo do ministério e presidiu o conselho de administração do Banco do Brasil antes de assumir o cargo.

Fachada de mármore de prédio do Ministério da Fazenda, com placa da Receita Federal, em Brasília
Pedestres passam diante de prédio do Ministério da Fazenda que abriga órgãos regionais, em Brasília, em imagem de 2017.Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons · CC BY 2.0

Dario Durigan é o ministro da Fazenda desde 20 de março de 2026, segundo o Ministério da Fazenda. Ele assumiu no lugar de Fernando Haddad, que deixou o governo para disputar a eleição, e é quem responde hoje pelos impostos federais, pela Receita Federal e pelo Tesouro Nacional.

O cargo pesa no dia a dia de qualquer brasileiro. É da Fazenda que saem as propostas de mudança no Imposto de Renda, as regras de renegociação de dívidas e a administração da dívida pública federal. O ministro também preside o Conselho Monetário Nacional (CMN), que fixa a meta de inflação do país.

  • SedeEsplanada dos Ministérios, Bloco P, Brasília
  • Órgãos ligadosReceita Federal, Tesouro Nacional e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional
  • Titulares desde 199018, contando Fazenda e Economia

A troca no comando seguiu um caminho comum em ano de eleição. Pela lei, ministros que querem disputar cargos precisam deixar o governo meses antes da votação.

Em março e abril de 2026, várias pastas passaram para as mãos de quem já tocava o dia a dia, como mostra a lista de ministros do governo. Na Fazenda, o escolhido foi o número dois do ministério.

Quem é Dario Durigan

A biografia oficial publicada pelo Ministério da Fazenda descreve uma carreira dividida entre o setor público e a iniciativa privada. Durigan é bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UnB).

No governo federal, atuou na Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República, a área que analisa a legalidade de leis e decretos antes da assinatura do presidente. Também foi membro fundador do Núcleo de Arbitragem da Advocacia-Geral da União (AGU), que atua nas disputas da União resolvidas por arbitragem, fora dos tribunais.

Na Prefeitura de São Paulo, segundo o ministério, coordenou projetos de finanças públicas e de novas regras para setores regulados. Fora do governo, ocupou cargos de liderança no WhatsApp.

Antes de virar ministro, Durigan era o secretário-executivo da Fazenda. É o segundo posto da hierarquia: quem ocupa a função coordena as secretarias e substitui o ministro nas ausências. Também presidiu o Conselho de Administração do Banco do Brasil, o colegiado que acompanha a gestão do banco público.

O gabinete do ministro tem como chefe Fabio Henrique Bittes Terra, segundo a página oficial da pasta. A agenda diária de Durigan, com reuniões e audiências, é publicada no sistema e-Agendas, da Controladoria-Geral da União.

O que faz o Ministério da Fazenda

O ministério se define, em sua página institucional, como o órgão “responsável pela formulação e execução da política econômica”. Na prática, cuida de três frentes: o dinheiro que entra nos cofres federais, o que sai deles e as regras do sistema financeiro.

A lista de competências está na Lei 14.600, de 2023, que organizou os ministérios do atual governo. Em linguagem simples, cabe à Fazenda:

  • ImpostosPolítica, fiscalização e arrecadação de tributos federais e aduaneiros, pela Receita Federal
  • Contas públicasAdministração financeira e contabilidade do governo federal, pelo Tesouro Nacional
  • DívidaAdministração das dívidas públicas interna e externa
  • Sistema financeiroMoeda, crédito, bancos, poupança, seguros e previdência privada aberta
  • PreçosAcompanhamento de preços e de tarifas públicas e administradas
  • Comércio exteriorFiscalização e controle das operações com outros países
  • Organismos internacionaisNegociações com governos e com instituições multilaterais
  • AutorizaçõesSorteios promocionais, consórcios, vendas antecipadas e loterias

O último item explica por que a Fazenda aparece em temas que parecem distantes da economia. É o ministério que autoriza as promoções com sorteio de prêmios das lojas e regula as loterias, incluídas as apostas esportivas on-line.

A Receita Federal cuida do Imposto de Renda e da alfândega. O Tesouro Nacional administra o caixa da União e vende os títulos do Tesouro Direto.

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) cobra as dívidas com a União e oferece os acordos de renegociação. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) julga os recursos de quem contesta uma cobrança de imposto.

Uma tarefa que muita gente atribui à Fazenda não é dela: a taxa básica de juros. A Selic é decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que volta a se reunir em 3 e 4 de novembro.

A taxa está em 13,75% ao ano, segundo o Banco Central, e o caminho dos juros está explicado no guia sobre Selic, Copom e inflação.

O elo entre os dois está no Conselho Monetário Nacional. Pela Lei 9.069, de 1995, com a redação de 2023, o CMN é presidido pelo ministro da Fazenda.

O conselho reúne também o ministro do Planejamento e Orçamento e o presidente do Banco Central. É esse conselho que fixa a meta de inflação, hoje de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

O Orçamento federal, por sua vez, é preparado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, que voltou a existir em 2023. A Fazenda participa das contas. A cada dois meses, as duas pastas publicam o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, que diz se o governo precisa bloquear gastos para cumprir a meta fiscal.

A pasta também coordena, com a Receita Federal, a implantação da reforma tributária da Emenda Constitucional 132, de 2023.

A mudança vai trocar PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois tributos sobre o consumo: a CBS, federal, e o IBS, de estados e municípios. Em 2026, os dois aparecem em fase de teste, com alíquotas de 0,9% e 0,1%, pelo que prevê a Constituição, e a transição vai até 2033.

Para o cidadão, a Fazenda também é porta de serviços. Pelos sites da Receita Federal e da PGFN, ligados ao ministério, é possível consultar o CPF, declarar o Imposto de Renda e negociar dívidas com a União. Quem é microempreendedor individual (MEI) emite no portal do Simples Nacional, da Receita, a guia mensal de impostos.

Na prática, a pasta chega a cada bolso de um jeito. Se você ganha até R$ 5.000 por mês, não tem Imposto de Renda descontado na fonte desde janeiro de 2026, pela Lei 15.270 e pelas tabelas da Receita Federal.

Se é MEI, paga de R$ 82,05 a R$ 87,05 por mês em 2026, conforme a atividade, segundo a Receita; o MEI caminhoneiro paga mais.

O passo a passo para abrir um CNPJ de MEI começa no Portal do Empreendedor, de graça.

Se você tem dívida com a União, como imposto atrasado inscrito na dívida ativa, é a PGFN que propõe os descontos e os parcelamentos. E se você compra um título do Tesouro Direto, empresta dinheiro ao governo federal por meio do Tesouro Nacional, que também faz parte da estrutura da Fazenda.

Ministros da Fazenda e da Economia desde 1990

Desde a posse de Fernando Collor, em março de 1990, o Brasil teve 18 titulares no comando da economia. É o que mostram o histórico do Conselho Monetário Nacional, mantido pelo Banco Central, e os registros do Ministério da Fazenda. O nome da pasta mudou duas vezes nesse período.

Em 1990, uma medida provisória juntou Fazenda e Planejamento no Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, confirmado pela Lei 8.028.

Em outubro de 1992, outra medida provisória, convertida na Lei 8.490 em novembro, devolveu o nome de Ministério da Fazenda. De 2019 a 2022, a pasta voltou a se chamar Ministério da Economia, até ser recriada como Fazenda em janeiro de 2023, mudança confirmada pela Lei 14.600.

Como o ministério mudou de nome desde 1990
  • 15/3/1990Medida provisória junta Fazenda e Planejamento no Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento
  • 12/4/1990Lei 8.028 confirma a fusão das pastas
  • 16/10/1992Medida provisória devolve o nome de Ministério da Fazenda, confirmado pela Lei 8.490
  • 1/7/1994O real passa a ser a moeda do país
  • 1/1/2019Medida provisória cria o Ministério da Economia, que absorve a Fazenda
  • 1/1/2023Medida provisória recria a Fazenda, depois confirmada pela Lei 14.600
  • 20/3/2026Dario Durigan assume o ministério
MinistroPresidentePeríodo
Zélia Cardoso de MelloFernando Collormarço de 1990 a maio de 1991
Marcílio Marques MoreiraFernando Collormaio de 1991 a outubro de 1992
Gustavo KrauseItamar Francooutubro a dezembro de 1992
Paulo Roberto HaddadItamar Francodezembro de 1992 a março de 1993
Eliseu ResendeItamar Francomarço a maio de 1993
Fernando Henrique CardosoItamar Francomaio de 1993 a março de 1994
Rubens RicuperoItamar Francomarço a setembro de 1994
Ciro GomesItamar Francosetembro a dezembro de 1994
Pedro MalanFernando Henrique Cardosojaneiro de 1995 a dezembro de 2002
Antonio PalocciLuiz Inácio Lula da Silvajaneiro de 2003 a março de 2006
Guido MantegaLula e Dilma Rousseffmarço de 2006 a dezembro de 2014
Joaquim LevyDilma Rousseffjaneiro a dezembro de 2015
Nelson BarbosaDilma Rousseffdezembro de 2015 a maio de 2016
Henrique MeirellesMichel Temermaio de 2016 a abril de 2018
Eduardo GuardiaMichel Temerabril a dezembro de 2018
Paulo Guedes (Economia)Jair Bolsonarojaneiro de 2019 a dezembro de 2022
Fernando HaddadLuiz Inácio Lula da Silvajaneiro de 2023 a março de 2026
Dario DuriganLuiz Inácio Lula da Silvadesde 20 de março de 2026

Fonte: Banco Central, histórico da composição do Conselho Monetário Nacional, e Ministério da Fazenda, outubro de 2026.

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6 ministros

passaram pela Fazenda no governo Itamar Franco, entre outubro de 1992 e dezembro de 1994

Fonte: Banco Central, histórico do CMN

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A tabela mostra dois retratos bem diferentes do país. No começo dos anos 1990, com a inflação fora de controle, a troca era constante. Só no governo Itamar Franco, foram seis ministros em pouco mais de dois anos, e três deles ficaram menos de três meses no cargo: Gustavo Krause, Paulo Roberto Haddad e Eliseu Resende.

O quarto da lista de Itamar mudou a história da moeda. Fernando Henrique Cardoso assumiu em maio de 1993 e comandou a preparação do Plano Real.

Quando o real começou a circular, em 1º de julho de 1994, o ministro já era Rubens Ricupero. Fernando Henrique deixou o cargo em março de 1994 e foi eleito presidente naquele ano.

Depois da estabilização, os mandatos ficaram longos. Pedro Malan atravessou os oito anos de Fernando Henrique.

Guido Mantega ficou 8 anos e 9 meses, de março de 2006 a dezembro de 2014, o período mais longo desde 1990. Ele atendeu a dois presidentes, Lula e Dilma Rousseff.

Na outra ponta da lista, Zélia Cardoso de Mello, a primeira do período, continua sendo a única mulher a comandar a pasta desde 1990.

Mantega e Malan somam quase 17 anos no comando da economia (anos no cargo)
Guido Mantega8,8
Pedro Malan8
Paulo Guedes4
Antonio Palocci3,2
Fernando Haddad3,2
Henrique Meirelles1,9

Fonte: Banco Central e Ministério da Fazenda, outubro de 2026

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Alguns nomes da lista seguiram para outros postos de destaque. Henrique Meirelles, por exemplo, presidiu o Banco Central de 2003 a 2010, antes de comandar a Fazenda, segundo o mesmo histórico do CMN. Guido Mantega, antes de chegar à Fazenda, foi ministro do Planejamento de janeiro de 2003 a novembro de 2004.

O ministro da Fazenda não tem mandato fixo. Pela Constituição, cabe ao presidente da República nomear e exonerar os ministros de Estado a qualquer momento, sem aprovação do Senado. É diferente do presidente do Banco Central, que tem mandato de quatro anos desde a lei de autonomia da instituição, de 2021.


A próxima decisão que passa pelo ministro é a reunião do Conselho Monetário Nacional, que se reúne todo mês. Em novembro, o calendário econômico tem ainda a decisão do Copom sobre a Selic, no dia 4, e a entrega do relatório bimestral de receitas e despesas do governo, preparado pela Fazenda e pelo Planejamento.

Como calculamos. A contagem de 18 titulares desde 1990 junta duas fontes. Até 2018, vale o histórico do Conselho Monetário Nacional, publicado pelo Banco Central com as datas de nomeação e exoneração; depois, a página oficial da Fazenda. Interinos que depois foram efetivados contam uma vez só, e o tempo no cargo vai da nomeação à exoneração.

Como citar: Ouviram (15 out. 2026). «Ministro da Fazenda em 2026: Dario Durigan comanda a pasta desde 20 de março». ouviram.com.br/politica/ministro-da-fazenda-quem-e-2026

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Quem escolhe o ministro da Fazenda?

O presidente da República, que nomeia e exonera os ministros de Estado sem precisar de aprovação do Congresso, pelo artigo 84 da Constituição. O escolhido precisa ser brasileiro, ter mais de 21 anos e estar no exercício dos direitos políticos, segundo o artigo 87.

Qual a diferença entre Ministério da Fazenda e Ministério da Economia?

De 2019 a 2022, a Fazenda, o Planejamento e a Indústria e Comércio formaram um só Ministério da Economia. A Lei 14.600, de 2023, extinguiu essa pasta e recriou a Fazenda, o Planejamento e Orçamento, a Gestão e Inovação e o Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O ministro da Fazenda decide a taxa Selic?

Não. Quem define a Selic é o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que volta a se reunir em 3 e 4 de novembro de 2026. O ministro participa do Conselho Monetário Nacional, que fixa a meta de inflação que o Copom persegue.

Quem era o ministro da Fazenda quando o real começou a circular?

Rubens Ricupero, que ficou no cargo de março a setembro de 1994. O real virou a moeda do país em 1º de julho de 1994, depois da preparação comandada por Fernando Henrique Cardoso, ministro de maio de 1993 a março de 1994.

Onde fica o Ministério da Fazenda?

Na Esplanada dos Ministérios, Bloco P, em Brasília. O prédio funciona das 8h às 21h, e o atendimento ao público vai das 8h às 18h, segundo o ministério.

#MinistérioDaFazenda#DarioDurigan#ConselhoMonetárioNacional#ReceitaFederal#BancoCentral

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