Ministério da FazendaExplicador
Ministro da Fazenda em 2026: Dario Durigan comanda a pasta desde 20 de março
Formado em Direito pela USP, ele foi secretário-executivo do ministério e presidiu o conselho de administração do Banco do Brasil antes de assumir o cargo.

Dario Durigan é o ministro da Fazenda desde 20 de março de 2026, segundo o Ministério da Fazenda. Ele assumiu no lugar de Fernando Haddad, que deixou o governo para disputar a eleição, e é quem responde hoje pelos impostos federais, pela Receita Federal e pelo Tesouro Nacional.
O cargo pesa no dia a dia de qualquer brasileiro. É da Fazenda que saem as propostas de mudança no Imposto de Renda, as regras de renegociação de dívidas e a administração da dívida pública federal. O ministro também preside o Conselho Monetário Nacional (CMN), que fixa a meta de inflação do país.
- SedeEsplanada dos Ministérios, Bloco P, Brasília
- Órgãos ligadosReceita Federal, Tesouro Nacional e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional
- Titulares desde 199018, contando Fazenda e Economia
A troca no comando seguiu um caminho comum em ano de eleição. Pela lei, ministros que querem disputar cargos precisam deixar o governo meses antes da votação.
Em março e abril de 2026, várias pastas passaram para as mãos de quem já tocava o dia a dia, como mostra a lista de ministros do governo. Na Fazenda, o escolhido foi o número dois do ministério.
Quem é Dario Durigan
A biografia oficial publicada pelo Ministério da Fazenda descreve uma carreira dividida entre o setor público e a iniciativa privada. Durigan é bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UnB).
No governo federal, atuou na Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República, a área que analisa a legalidade de leis e decretos antes da assinatura do presidente. Também foi membro fundador do Núcleo de Arbitragem da Advocacia-Geral da União (AGU), que atua nas disputas da União resolvidas por arbitragem, fora dos tribunais.
Na Prefeitura de São Paulo, segundo o ministério, coordenou projetos de finanças públicas e de novas regras para setores regulados. Fora do governo, ocupou cargos de liderança no WhatsApp.
Antes de virar ministro, Durigan era o secretário-executivo da Fazenda. É o segundo posto da hierarquia: quem ocupa a função coordena as secretarias e substitui o ministro nas ausências. Também presidiu o Conselho de Administração do Banco do Brasil, o colegiado que acompanha a gestão do banco público.
O gabinete do ministro tem como chefe Fabio Henrique Bittes Terra, segundo a página oficial da pasta. A agenda diária de Durigan, com reuniões e audiências, é publicada no sistema e-Agendas, da Controladoria-Geral da União.
O que faz o Ministério da Fazenda
O ministério se define, em sua página institucional, como o órgão “responsável pela formulação e execução da política econômica”. Na prática, cuida de três frentes: o dinheiro que entra nos cofres federais, o que sai deles e as regras do sistema financeiro.
A lista de competências está na Lei 14.600, de 2023, que organizou os ministérios do atual governo. Em linguagem simples, cabe à Fazenda:
- ImpostosPolítica, fiscalização e arrecadação de tributos federais e aduaneiros, pela Receita Federal
- Contas públicasAdministração financeira e contabilidade do governo federal, pelo Tesouro Nacional
- DívidaAdministração das dívidas públicas interna e externa
- Sistema financeiroMoeda, crédito, bancos, poupança, seguros e previdência privada aberta
- PreçosAcompanhamento de preços e de tarifas públicas e administradas
- Comércio exteriorFiscalização e controle das operações com outros países
- Organismos internacionaisNegociações com governos e com instituições multilaterais
- AutorizaçõesSorteios promocionais, consórcios, vendas antecipadas e loterias
O último item explica por que a Fazenda aparece em temas que parecem distantes da economia. É o ministério que autoriza as promoções com sorteio de prêmios das lojas e regula as loterias, incluídas as apostas esportivas on-line.
A Receita Federal cuida do Imposto de Renda e da alfândega. O Tesouro Nacional administra o caixa da União e vende os títulos do Tesouro Direto.
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) cobra as dívidas com a União e oferece os acordos de renegociação. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) julga os recursos de quem contesta uma cobrança de imposto.
Uma tarefa que muita gente atribui à Fazenda não é dela: a taxa básica de juros. A Selic é decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que volta a se reunir em 3 e 4 de novembro.
A taxa está em 13,75% ao ano, segundo o Banco Central, e o caminho dos juros está explicado no guia sobre Selic, Copom e inflação.
O elo entre os dois está no Conselho Monetário Nacional. Pela Lei 9.069, de 1995, com a redação de 2023, o CMN é presidido pelo ministro da Fazenda.
O conselho reúne também o ministro do Planejamento e Orçamento e o presidente do Banco Central. É esse conselho que fixa a meta de inflação, hoje de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.
O Orçamento federal, por sua vez, é preparado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, que voltou a existir em 2023. A Fazenda participa das contas. A cada dois meses, as duas pastas publicam o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias, que diz se o governo precisa bloquear gastos para cumprir a meta fiscal.
A pasta também coordena, com a Receita Federal, a implantação da reforma tributária da Emenda Constitucional 132, de 2023.
A mudança vai trocar PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois tributos sobre o consumo: a CBS, federal, e o IBS, de estados e municípios. Em 2026, os dois aparecem em fase de teste, com alíquotas de 0,9% e 0,1%, pelo que prevê a Constituição, e a transição vai até 2033.
Para o cidadão, a Fazenda também é porta de serviços. Pelos sites da Receita Federal e da PGFN, ligados ao ministério, é possível consultar o CPF, declarar o Imposto de Renda e negociar dívidas com a União. Quem é microempreendedor individual (MEI) emite no portal do Simples Nacional, da Receita, a guia mensal de impostos.
Na prática, a pasta chega a cada bolso de um jeito. Se você ganha até R$ 5.000 por mês, não tem Imposto de Renda descontado na fonte desde janeiro de 2026, pela Lei 15.270 e pelas tabelas da Receita Federal.
Se é MEI, paga de R$ 82,05 a R$ 87,05 por mês em 2026, conforme a atividade, segundo a Receita; o MEI caminhoneiro paga mais.
O passo a passo para abrir um CNPJ de MEI começa no Portal do Empreendedor, de graça.
Se você tem dívida com a União, como imposto atrasado inscrito na dívida ativa, é a PGFN que propõe os descontos e os parcelamentos. E se você compra um título do Tesouro Direto, empresta dinheiro ao governo federal por meio do Tesouro Nacional, que também faz parte da estrutura da Fazenda.
Ministros da Fazenda e da Economia desde 1990
Desde a posse de Fernando Collor, em março de 1990, o Brasil teve 18 titulares no comando da economia. É o que mostram o histórico do Conselho Monetário Nacional, mantido pelo Banco Central, e os registros do Ministério da Fazenda. O nome da pasta mudou duas vezes nesse período.
Em 1990, uma medida provisória juntou Fazenda e Planejamento no Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, confirmado pela Lei 8.028.
Em outubro de 1992, outra medida provisória, convertida na Lei 8.490 em novembro, devolveu o nome de Ministério da Fazenda. De 2019 a 2022, a pasta voltou a se chamar Ministério da Economia, até ser recriada como Fazenda em janeiro de 2023, mudança confirmada pela Lei 14.600.
- 15/3/1990Medida provisória junta Fazenda e Planejamento no Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento
- 12/4/1990Lei 8.028 confirma a fusão das pastas
- 16/10/1992Medida provisória devolve o nome de Ministério da Fazenda, confirmado pela Lei 8.490
- 1/7/1994O real passa a ser a moeda do país
- 1/1/2019Medida provisória cria o Ministério da Economia, que absorve a Fazenda
- 1/1/2023Medida provisória recria a Fazenda, depois confirmada pela Lei 14.600
- 20/3/2026Dario Durigan assume o ministério
| Ministro | Presidente | Período |
|---|---|---|
| Zélia Cardoso de Mello | Fernando Collor | março de 1990 a maio de 1991 |
| Marcílio Marques Moreira | Fernando Collor | maio de 1991 a outubro de 1992 |
| Gustavo Krause | Itamar Franco | outubro a dezembro de 1992 |
| Paulo Roberto Haddad | Itamar Franco | dezembro de 1992 a março de 1993 |
| Eliseu Resende | Itamar Franco | março a maio de 1993 |
| Fernando Henrique Cardoso | Itamar Franco | maio de 1993 a março de 1994 |
| Rubens Ricupero | Itamar Franco | março a setembro de 1994 |
| Ciro Gomes | Itamar Franco | setembro a dezembro de 1994 |
| Pedro Malan | Fernando Henrique Cardoso | janeiro de 1995 a dezembro de 2002 |
| Antonio Palocci | Luiz Inácio Lula da Silva | janeiro de 2003 a março de 2006 |
| Guido Mantega | Lula e Dilma Rousseff | março de 2006 a dezembro de 2014 |
| Joaquim Levy | Dilma Rousseff | janeiro a dezembro de 2015 |
| Nelson Barbosa | Dilma Rousseff | dezembro de 2015 a maio de 2016 |
| Henrique Meirelles | Michel Temer | maio de 2016 a abril de 2018 |
| Eduardo Guardia | Michel Temer | abril a dezembro de 2018 |
| Paulo Guedes (Economia) | Jair Bolsonaro | janeiro de 2019 a dezembro de 2022 |
| Fernando Haddad | Luiz Inácio Lula da Silva | janeiro de 2023 a março de 2026 |
| Dario Durigan | Luiz Inácio Lula da Silva | desde 20 de março de 2026 |
Fonte: Banco Central, histórico da composição do Conselho Monetário Nacional, e Ministério da Fazenda, outubro de 2026.
6 ministros
passaram pela Fazenda no governo Itamar Franco, entre outubro de 1992 e dezembro de 1994
Fonte: Banco Central, histórico do CMN
A tabela mostra dois retratos bem diferentes do país. No começo dos anos 1990, com a inflação fora de controle, a troca era constante. Só no governo Itamar Franco, foram seis ministros em pouco mais de dois anos, e três deles ficaram menos de três meses no cargo: Gustavo Krause, Paulo Roberto Haddad e Eliseu Resende.
O quarto da lista de Itamar mudou a história da moeda. Fernando Henrique Cardoso assumiu em maio de 1993 e comandou a preparação do Plano Real.
Quando o real começou a circular, em 1º de julho de 1994, o ministro já era Rubens Ricupero. Fernando Henrique deixou o cargo em março de 1994 e foi eleito presidente naquele ano.
Depois da estabilização, os mandatos ficaram longos. Pedro Malan atravessou os oito anos de Fernando Henrique.
Guido Mantega ficou 8 anos e 9 meses, de março de 2006 a dezembro de 2014, o período mais longo desde 1990. Ele atendeu a dois presidentes, Lula e Dilma Rousseff.
Na outra ponta da lista, Zélia Cardoso de Mello, a primeira do período, continua sendo a única mulher a comandar a pasta desde 1990.
Fonte: Banco Central e Ministério da Fazenda, outubro de 2026
Alguns nomes da lista seguiram para outros postos de destaque. Henrique Meirelles, por exemplo, presidiu o Banco Central de 2003 a 2010, antes de comandar a Fazenda, segundo o mesmo histórico do CMN. Guido Mantega, antes de chegar à Fazenda, foi ministro do Planejamento de janeiro de 2003 a novembro de 2004.
O ministro da Fazenda não tem mandato fixo. Pela Constituição, cabe ao presidente da República nomear e exonerar os ministros de Estado a qualquer momento, sem aprovação do Senado. É diferente do presidente do Banco Central, que tem mandato de quatro anos desde a lei de autonomia da instituição, de 2021.
A próxima decisão que passa pelo ministro é a reunião do Conselho Monetário Nacional, que se reúne todo mês. Em novembro, o calendário econômico tem ainda a decisão do Copom sobre a Selic, no dia 4, e a entrega do relatório bimestral de receitas e despesas do governo, preparado pela Fazenda e pelo Planejamento.
Como calculamos. A contagem de 18 titulares desde 1990 junta duas fontes. Até 2018, vale o histórico do Conselho Monetário Nacional, publicado pelo Banco Central com as datas de nomeação e exoneração; depois, a página oficial da Fazenda. Interinos que depois foram efetivados contam uma vez só, e o tempo no cargo vai da nomeação à exoneração.
Como citar: Ouviram (15 out. 2026). «Ministro da Fazenda em 2026: Dario Durigan comanda a pasta desde 20 de março». ouviram.com.br/politica/ministro-da-fazenda-quem-e-2026
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Quem escolhe o ministro da Fazenda?
O presidente da República, que nomeia e exonera os ministros de Estado sem precisar de aprovação do Congresso, pelo artigo 84 da Constituição. O escolhido precisa ser brasileiro, ter mais de 21 anos e estar no exercício dos direitos políticos, segundo o artigo 87.
Qual a diferença entre Ministério da Fazenda e Ministério da Economia?
De 2019 a 2022, a Fazenda, o Planejamento e a Indústria e Comércio formaram um só Ministério da Economia. A Lei 14.600, de 2023, extinguiu essa pasta e recriou a Fazenda, o Planejamento e Orçamento, a Gestão e Inovação e o Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
O ministro da Fazenda decide a taxa Selic?
Não. Quem define a Selic é o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que volta a se reunir em 3 e 4 de novembro de 2026. O ministro participa do Conselho Monetário Nacional, que fixa a meta de inflação que o Copom persegue.
Quem era o ministro da Fazenda quando o real começou a circular?
Rubens Ricupero, que ficou no cargo de março a setembro de 1994. O real virou a moeda do país em 1º de julho de 1994, depois da preparação comandada por Fernando Henrique Cardoso, ministro de maio de 1993 a março de 1994.
Onde fica o Ministério da Fazenda?
Na Esplanada dos Ministérios, Bloco P, em Brasília. O prédio funciona das 8h às 21h, e o atendimento ao público vai das 8h às 18h, segundo o ministério.
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1. Em que ano foi recriado o Ministério da Fazenda, depois de quatro anos dentro do Ministério da Economia?
A Fazenda foi recriada em 1º de janeiro de 2023, por medida provisória convertida na Lei 14.600, de 19 de junho de 2023, que extinguiu o Ministério da Economia.
2. Qual destes presidentes foi ministro da Fazenda antes de chegar à Presidência?
Fernando Henrique Cardoso foi ministro da Fazenda de maio de 1993 a março de 1994, segundo o histórico do Banco Central.
3. Quantos ministros da Fazenda o Brasil teve desde 1990?
Contando de Zélia Cardoso de Mello a Dario Durigan, são 18 titulares, segundo os registros do Banco Central e do Ministério da Fazenda.
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