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Dólar para a viagem de fim de ano: cartão, conta global e espécie pagam o mesmo IOF de 3,5%

No ranking do Banco Central, o custo de US$ 1.000 em dinheiro vivo variou R$ 673,60 entre a instituição mais barata e a mais cara em setembro.

Notas de um dólar espalhadas, em close
Cédulas de um dólar americano espalhadas lado a lado, em imagem de 2014.Foto: geralt / Pixabay · licença Pixabay

Cartão de crédito, débito, pré-pago, conta global e dólar em espécie pagam o mesmo IOF de 3,5% em 2026, pelo Decreto 12.499/2025. O que separa a opção mais barata da mais cara é a margem cobrada sobre a cotação do Banco Central e o dia em que o câmbio é fechado.

Até maio de 2025, levar dinheiro vivo ou mandar recursos para uma conta no exterior pagava 1,1% de imposto, contra 3,38% do cartão. Essa vantagem acabou com o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras, detalhado na tabela do IOF de 2026. Hoje, a escolha depende de quanto cada instituição cobra acima da cotação oficial.

A referência é a Ptax, a taxa calculada pelo Banco Central com quatro consultas diárias ao mercado. Em 5 de novembro de 2026, a Ptax de venda fechou a R$ 5,4621 para o dólar e a R$ 6,1323 para o euro.

Nessa cotação, US$ 1.000 custam R$ 5.462,10 antes de qualquer margem. Com o IOF, o piso vai a R$ 5.653,27. Para € 1.000, o valor sem margem é de R$ 6.132,30, e o piso com imposto, de R$ 6.346,93. Nenhuma forma de pagamento sai abaixo desses valores.

Cada ponto de margem custa R$ 56 em US$ 1.000

Bancos, corretoras e casas de câmbio vendem a moeda com uma taxa acima da Ptax. Essa diferença, chamada de margem ou spread, é a parte do preço que muda de uma instituição para outra. O IOF incide sobre o valor em reais já com a margem.

Na cotação de 5 de novembro, cada ponto percentual de margem acrescenta R$ 56,53 ao custo de US$ 1.000 e R$ 63,47 ao de € 1.000. A tabela mostra o total pago com o IOF de 3,5%, em margens de zero a 6%.

Margem sobre a PtaxUS$ 1.000€ 1.000
Sem margemR$ 5.653,27R$ 6.346,93
1%R$ 5.709,81R$ 6.410,40
2%R$ 5.766,34R$ 6.473,87
3%R$ 5.822,87R$ 6.537,34
4%R$ 5.879,40R$ 6.600,81
6%R$ 5.992,47R$ 6.727,75

Fonte: Ptax de venda do Banco Central de 5 de novembro de 2026 e IOF de 3,5% do Decreto 12.499/2025; simulação sem tarifas.

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O VET mostra o preço final antes da compra

O número que resume o custo é o Valor Efetivo Total (VET), em reais por unidade de moeda. Ele soma a taxa de câmbio, o IOF e as tarifas. Em operações de até US$ 100 mil, a instituição é obrigada a informar o VET ao cliente antes de fechar o câmbio, pelo artigo 18 da Resolução BCB 277/2022.

O Banco Central publica todo mês o VET médio de cada instituição, em operações de viagem com espécie e com cartão pré-pago. Em setembro de 2026, último mês divulgado, 47 instituições venderam dólar em espécie na faixa de US$ 1.000, em 15.495 operações.

O custo de US$ 1.000 em dinheiro vivo foi de R$ 5.413,30 na mais barata e de R$ 6.086,90 na mais cara. No euro, a distância entre as pontas foi de R$ 637, entre 49 instituições.

R$ 673,60

foi a distância entre a instituição mais barata e a mais cara para vender US$ 1.000 em espécie em setembro

Fonte: Banco Central, ranking do VET, setembro de 2026

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Custo de 1.000 unidades em setembro de 2026Menor VETMedianaMaior VET
Dólar em espécie (47 instituições)R$ 5.413,30R$ 5.498,10R$ 6.086,90
Dólar no pré-pago (9 instituições)R$ 5.444,60R$ 5.504,30R$ 5.582,40
Euro em espécie (49 instituições)R$ 6.184,90R$ 6.368,50R$ 6.821,90
Euro no pré-pago (11 instituições)R$ 6.235,90R$ 6.299,50R$ 6.530,70

Fonte: Banco Central, ranking do VET de viagens internacionais, compra de moeda pelo cliente na faixa de 1.000 unidades, setembro de 2026.

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Em setembro, a Ptax média do dólar foi de R$ 5,1447, segundo o Banco Central. Com o IOF, o piso do mês ficava em R$ 5.324,76 por US$ 1.000. A instituição mediana cobrou 3,25% acima desse piso no dinheiro vivo, e a mais cara, 14,31%.

O pré-pago teve pontas mais próximas: a margem foi de 2,25% a 4,84% no dólar. Há menos instituições nesse produto, nove no dólar e onze no euro, e a diferença entre a mais barata e a mais cara ficou em R$ 137,80 por US$ 1.000.

Os valores são médias do mês e mudam com o valor da compra. Uma operação de US$ 100 ou de US$ 5.000 tem outro ranking. As instituições não são obrigadas a repetir os preços do mês anterior, mas a lista indica onde a margem costuma ser menor.

O dólar também subiu desde então. A Ptax de 5 de novembro está 6,2% acima da média de setembro, e a do euro, 3,6%. Quem comprar agora paga mais que os valores da tabela, mesmo na instituição mais barata.

A Ptax do dólar oscilou entre R$ 5,33 e R$ 5,50 desde 26 de outubro (R$ por dólar, venda)
26/105,5007
27/105,3346
28/105,342
29/105,3744
30/105,4212
3/115,4935
4/115,4778
5/115,4621

Fonte: Banco Central, Ptax de fechamento, 26 de outubro a 5 de novembro de 2026

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Em oito pregões, a cotação andou 3,1% entre o ponto mais baixo e o mais alto. A Ptax de cada dia útil sai pouco depois das 13h, e a evolução está na página da cotação do dólar hoje.

No cartão de crédito, vale o câmbio do dia de cada compra

O cartão de crédito dispensa comprar moeda antes de embarcar. Cada gasto é convertido pela taxa do dia em que foi feito, e não pela do fechamento da fatura, pelo artigo 54 da Resolução BCB 277/2022. O banco só pode converter pelo dia do pagamento se o cliente aceitar essa opção de forma expressa.

A taxa é definida pelo banco emissor, e a fatura mostra três dados de cada compra: o valor em dólar, a taxa de conversão do dia e o total em reais. A exigência está no artigo 52 da Resolução BCB 277/2022. Comparar a taxa da fatura com a Ptax do mesmo dia revela a margem cobrada.

Compras em euro, peso ou libra passam primeiro pelo dólar. A fatura mostra o equivalente em dólar na data do gasto e, depois, a conversão para reais. Por isso, numa viagem a Lisboa ou a Buenos Aires, o custo final depende das duas conversões.

Se a loja devolver uma compra, o estorno é convertido pela taxa do dia da devolução, pelo mesmo artigo 54. Com o dólar em alta entre a compra e o estorno, o cliente recebe mais reais do que pagou. Com o dólar em queda, recebe menos.

O cartão de débito internacional segue o mesmo IOF de 3,5% e tira o dinheiro direto da conta em reais, sem fatura. Saques em caixas eletrônicos no exterior, com crédito ou débito, também pagam 3,5% de IOF. A tarifa de saque, quando existe, está na tabela de tarifas de cada banco.

A principal vantagem do cartão é dispensar dinheiro vivo na carteira: em caso de perda ou roubo, o bloqueio se faz pelo aplicativo do banco. A desvantagem é não saber o preço final na hora da compra, porque a taxa do dia só aparece depois.

No pré-pago e na conta global, o câmbio fica travado na recarga

O cartão pré-pago e a conta global funcionam de outro jeito. O viajante converte os reais antes da viagem, ao carregar o saldo, e gasta lá fora o que já está em moeda estrangeira. A taxa fica fixada no dia da recarga, que é liquidada no mesmo dia, pelo artigo 38 da Resolução BCB 277/2022.

Isso protege contra uma alta do dólar durante a viagem e permite comprar aos poucos, em vários dias, para fazer um preço médio. Também é possível manter saldo em mais de uma moeda no mesmo cartão, pelo artigo 53 da resolução. Uma família que vai a Paris e a Londres, por exemplo, pode carregar euro e libra.

Os pagamentos e saques só acontecem com saldo carregado, sem limite de crédito. O IOF de 3,5% é cobrado na recarga, e não a cada compra. O que sobrar fica para a próxima viagem, ou pode ser vendido de volta à instituição pela taxa de compra, que é menor que a de venda.

As regras do serviço de pagamento internacional mudaram em 1º de outubro de 2026, com a Resolução BCB 561/2026. Desde então, o prestador desse serviço só recebe reais de conta de depósito ou de pagamento no nome do próprio cliente ou de boleto em nome dele. A exceção é o meio de pagamento limitado a R$ 1.000, sem recarga.

A mesma resolução restringe o serviço a instituições autorizadas pelo Banco Central. As que ainda não têm autorização precisam pedi-la até 31 de maio de 2027 e, enquanto esperam, só oferecem parte das operações. Quem não tem conta no Banco Central recebe os reais dos clientes numa conta exclusiva para esse serviço.

Antes de abrir uma conta global, vale conferir se a instituição aparece no cadastro de instituições autorizadas, na página do Banco Central. Na prática, recarregar pelo Pix de uma conta em seu nome é o caminho mais rápido.

Dinheiro vivo tem limite de US$ 10 mil por pessoa

O dólar em espécie também tem o preço fechado na hora da compra, com IOF de 3,5%. É a forma com a maior diferença entre instituições no ranking do Banco Central, o que torna a comparação do VET ainda mais importante. A compra deve ser feita em banco, corretora ou casa de câmbio autorizada pelo Banco Central.

Cada viajante pode sair do país com até US$ 10 mil em dinheiro, ou o equivalente em outra moeda, sem declarar, pelo artigo 14 da Lei 14.286/2021. A lei, chamada de novo marco cambial, está em vigor desde o fim de 2022. Antes dela, o limite era de R$ 10 mil.

Acima de US$ 10 mil, o viajante preenche a Declaração Eletrônica de Bens de Viajante (e-DBV), pela internet, segundo a Receita Federal. Na saída, apresenta à fiscalização o dinheiro, a declaração e o comprovante de compra da moeda em instituição autorizada, em valor igual ou maior que o declarado. Cheques de viagem não entram nessa conta.

Um exemplo mostra o peso da escolha da instituição. Uma família de quatro pessoas de Belo Horizonte que compra US$ 1.000 por pessoa, em quatro operações, pagaria R$ 21.992,40 na mediana de setembro. Na instituição mais cara do ranking, pagaria R$ 24.347,60, ou R$ 2.355,20 a mais.

Para quem viaja no fim do ano, o calendário pesa. Natal e Ano Novo caem numa sexta-feira em 2026, e as agências bancárias não atendem ao público em 31 de dezembro, como mostra o guia dos feriados de dezembro. Quem embarca na última semana do ano compra a moeda antes.

Na volta, a cota de US$ 1.000 vale por pessoa

A conta da viagem não termina no exterior. Quem volta de avião ou de navio pode trazer até US$ 1.000 em compras sem imposto, segundo a Receita Federal. Por terra, rio ou lago, a cota é de US$ 500, como nas travessias de fronteira do Rio Grande do Sul, do Paraná e de Mato Grosso do Sul.

O free shop do primeiro aeroporto de chegada tem uma cota extra de US$ 1.000, separada da bagagem. Nas lojas francas de fronteira terrestre, a cota extra é de US$ 500 a cada 30 dias.

O que passar da cota paga imposto de 50% sobre o excedente, segundo a Receita Federal. Uma pessoa que volta de Miami com US$ 1.400 em compras na mala, fora do free shop, paga imposto sobre US$ 400, o equivalente a US$ 200 em reais. A declaração do excesso é feita na e-DBV, antes de passar pela alfândega.

Há também limites por quantidade: 12 litros de bebida alcoólica, 10 maços de cigarro e 25 charutos por pessoa na bagagem. As regras de peso e tamanho das malas estão no guia de bagagem de mão e despachada.

Combinar as formas reduz o custo e o risco

Como o imposto é igual, a combinação mais eficiente usa cada forma no que ela tem de melhor. O pré-pago ou a conta global garantem o preço da maior parte do orçamento. O cartão de crédito cobre imprevistos e reservas de hotel e de carro. Uma quantia pequena em espécie resolve táxi, feira e gorjeta nos primeiros dias.

A sequência abaixo organiza a compra da moeda nas semanas antes do embarque.

  1. Some o orçamento da viagem em moeda estrangeira: hospedagem já paga fica fora, e alimentação, passeios, transporte e compras entram.
  2. Consulte o ranking do VET no site do Banco Central, na moeda e na faixa de valor da sua compra, em espécie e em pré-pago.
  3. Peça o VET por escrito à instituição antes de fechar a operação e compare com a Ptax do dia.
  4. Divida a compra em duas ou três datas, para não depender da cotação de um dia só.
  5. Carregue o pré-pago ou a conta global por Pix ou transferência de uma conta no seu nome.
  6. Leve em espécie só o necessário para os primeiros dias, abaixo de US$ 10 mil por pessoa.
  7. Na volta, confira na fatura do cartão a taxa usada em cada compra e guarde as notas para a alfândega.

O fim de ano coincide com as férias escolares de verão. Nas redes estaduais com calendário publicado, o último dia letivo de 2026 vai de 9 a 23 de dezembro, segundo as secretarias de Educação.

Criança ou adolescente que viaja ao exterior com só um dos pais precisa da autorização do outro, com firma reconhecida em cartório, pela Resolução 131/2011 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).


O ranking do VET de outubro ainda não saiu. Ele vai reunir um mês em que a Ptax do dólar passou de R$ 5,0377, em 23 de outubro, para R$ 5,5007 no pregão seguinte, em 26 de outubro. Até lá, a referência é o ranking de setembro, de consulta gratuita no site do Banco Central, sem cadastro.

Como calculamos. As margens comparam o VET médio de cada instituição em setembro de 2026, do ranking do Banco Central, com a Ptax de venda média do mês. A Ptax foi multiplicada por 1,035, o fator do IOF. A tabela de margens aplica a Ptax de 5 de novembro de 2026 e o mesmo IOF, sem tarifas.

Como citar: Ouviram (5 nov. 2026). «Dólar para a viagem de fim de ano: cartão, conta global e espécie pagam o mesmo IOF de 3,5%». ouviram.com.br/economia/dolar-para-viagem-de-fim-de-ano-cartao-conta-global-ou-especie

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

A família pode somar as cotas de isenção na volta da viagem?

A cota é individual e intransferível, segundo a Receita Federal. Os valores de pais e filhos não se somam, nem quando a família viaja junta e preenche uma só declaração.

De quanto em quanto tempo posso usar a cota de US$ 1.000?

A cota de bagagem vale uma vez a cada 30 dias, segundo a Receita Federal. Quem faz duas viagens no mesmo mês usa a isenção só na primeira chegada.

Posso vender os dólares que sobraram para um amigo?

A Lei 14.286/2021 deixa fora das regras de câmbio a compra e venda de moeda em espécie entre pessoas físicas até US$ 500, feita de forma eventual e não profissional. Acima disso, a operação passa por banco ou corretora de câmbio autorizada pelo Banco Central.

O que acontece com o dinheiro acima de US$ 10 mil que não foi declarado?

O valor que exceder US$ 10 mil é perdido em favor do Tesouro Nacional, depois do devido processo legal, pelo artigo 14 da Lei 14.286/2021. A pena é aplicada por auditor-fiscal da Receita Federal, em auto de infração.

Quantas garrafas de bebida posso trazer sem imposto?

Na bagagem, o limite é de 12 litros de bebida alcoólica por pessoa, segundo a Receita Federal. No free shop de chegada em porto ou aeroporto, o limite é de 24 unidades, com no máximo 12 de cada tipo.

#Câmbio#BancoCentral#ReceitaFederal#IOF#ViagemInternacional

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  1. 1. Qual é o IOF da compra de dólar em espécie em 2026?

  2. 2. A partir de quanto dinheiro em espécie o viajante precisa declarar à Receita Federal?

  3. 3. Qual é a cota de isenção para quem volta ao Brasil por terra?

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