Eleições 2026Análise
Cinco leituras do 1º turno de 2026 a partir dos números do TSE
Os arquivos do TSE mostram comparecimento estável, de 78,92%, um mapa dividido por regiões e um Congresso em que o PL elegeu as maiores bancadas.

O 1º turno das eleições de 2026, em 4 de outubro, levou Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) ao 2º turno e definiu 20 dos 27 governadores. A votação também renovou dois terços do Senado e toda a Câmara. Com 100% das seções totalizadas, os arquivos oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permitem algumas leituras sobre o comportamento do eleitor.
Esta análise se limita a esses dados e aos registros oficiais da Câmara e do Senado. Ela não usa pesquisas de opinião nem projeta o resultado de 25 de outubro. Os números completos estão no resultado do 1º turno.
A primeira leitura é a do comparecimento, que ficou estável. O eleitorado apto chegou a 158.745.502 pessoas, 2,3 milhões a mais que em 2022. Compareceram 125.275.835 eleitores, ou 78,92%. A abstenção foi de 21,08%, praticamente igual aos 20,95% do 1º turno de 2022, segundo o TSE.
Os votos em branco subiram de 1,59% para 1,84% do total, e os nulos, de 2,82% para 2,93%. Somados, brancos e nulos chegaram a 5.975.047 votos, número maior que a diferença entre os dois primeiros colocados.
O comparecimento variou entre os estados. Foi mais alto no Ceará (84,48%), em Roraima (82,88%) e no Piauí (82,85%), e mais baixo em Mato Grosso do Sul (76,13%), no Rio de Janeiro (76,68%) e em Minas Gerais (77,19%). Entre os brasileiros inscritos no exterior, só 37,31% votaram.
A segunda leitura está no mapa regional.
Somados os votos por região, Flávio Bolsonaro ficou à frente no Sul (60,08% dos votos válidos, ante 31,28% de Lula) e no Centro-Oeste (56,51% a 32,62%). Também liderou no Sudeste (51,36% a 39,68%) e no Norte (49,15% a 44,65%). Lula ficou à frente no Nordeste (63,77% a 30,85%) e entre os eleitores do exterior (47,57% a 43,49%).
Por unidade da federação, Flávio Bolsonaro teve mais votos em 15 e Lula, em 12. A menor diferença entre as regiões foi no Norte, de 4,5 pontos; a maior, no Nordeste, de 32,9 pontos.
O Sudeste, que reúne os três maiores eleitorados do país, pesou na diferença final. Só em São Paulo, Flávio Bolsonaro teve 3.416.610 votos a mais que Lula, saldo maior que a vantagem nacional de 2.224.965 votos. Na Bahia, o saldo de Lula foi de 3.222.186 votos.
A terceira leitura separa estados de vitória larga e estados apertados.
Em 12 unidades da federação, um dos dois candidatos passou de 60% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro superou essa marca em Roraima (71,06%), Rondônia (67,45%), Santa Catarina (66,65%), Mato Grosso (65,15%) e Acre (64,56%). Lula a superou no Piauí (70,99%), na Bahia (66,17%), no Maranhão (63,99%), em Pernambuco (63,45%), no Ceará (63,29%), em Sergipe (62,75%) e na Paraíba (61,31%).
Em três estados, a diferença ficou abaixo de cinco pontos. No Amapá, Lula terminou com 225 votos a mais, a menor distância do país. No Amazonas, Lula teve 3,23 pontos de vantagem. Em Minas Gerais, segundo maior eleitorado, Flávio Bolsonaro ficou 4,91 pontos à frente, com 588.612 votos a mais.
Em números absolutos, os maiores saldos de Flávio Bolsonaro vieram de São Paulo, do Paraná (1.890.748 votos) e de Santa Catarina (1.872.852). Os de Lula vieram da Bahia, de Pernambuco (1.815.928) e do Ceará (1.798.413).
O Congresso e o 2º turno
A quarta leitura vem do Congresso. Na Câmara, o PL elegeu 121 dos 513 deputados, segundo o TSE. A federação formada por PT, PCdoB e PV elegeu 88, e a federação União Progressista, de União Brasil e PP, 87. Em 2022, o PL havia eleito 99 deputados, e a federação do PT, 80, segundo a Câmara.
No Senado, das 54 cadeiras em disputa, o PL ficou com 19, o MDB com 7 e o PT com 6.
Somados os eleitos aos 27 senadores com mandato até 2031, pela filiação atual registrada nos dados abertos do Senado, o PL passa a ter 28 das 81 cadeiras. A conta pode mudar com trocas de partido e com a posse de suplentes de senadores eleitos governadores.
Os detalhes por partido estão nas matérias sobre a nova Câmara dos Deputados e os senadores eleitos. Qualquer que seja o presidente eleito, a aprovação de propostas que dependem do Congresso passará por essa composição.
A quinta leitura é a do que está em jogo no 2º turno.
A diferença entre os dois primeiros colocados foi de 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual. Os outros dez candidatos somaram 9.316.747 votos (7,81% dos válidos), com destaque para Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD), que tiveram cada um mais de 2% dos votos válidos.
Além desses eleitores, há os 5.975.047 que votaram em branco ou anularam e os 33.469.244 que não compareceram, e que podem votar normalmente em 25 de outubro. Pelo artigo 77 da Constituição, vence o candidato que obtiver a maioria dos votos válidos, sem contar brancos e nulos.
Nos estados, a eleição para governador ficou mais definida do que em 2022. Foram 20 governadores eleitos no 1º turno, ante 15 há quatro anos.
O 2º turno acontece em sete unidades da federação: Acre, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins. As disputas estão na lista dos governadores eleitos.
Os números do 1º turno mostram onde e quanto cada candidato recebeu de votos, mas não explicam as razões do voto. O presidente eleito em 25 de outubro tomará posse em 5 de janeiro de 2027.
Como calculamos. Os percentuais por região e os saldos de votos somam os resultados de cada unidade da federação nos arquivos da totalização do TSE.
Como citar: Ouviram (6 out. 2026). «Cinco leituras do 1º turno de 2026 a partir dos números do TSE». ouviram.com.br/politica/o-que-o-primeiro-turno-de-2026-mostrou
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
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