Banabuiú, no Ceará, compra água mineral sob escolta policial após ameaças a comerciantes
A entrega passa a ser diária na terça (3), segundo a Prefeitura, e o suposto mandante da extorsão está no Rio de Janeiro, informa a Segurança Pública estadual.

Banabuiú, no Ceará, compra água mineral sob escolta policial desde o fim de semana, informou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Os comerciantes da cidade, de 17.195 moradores pelo Censo 2022 do IBGE, pararam de vender garrafões por medo de ameaças de extorsão.
A partir de terça (3), a entrega passa a ser diária, com mil garrafões por dia, segundo a Prefeitura. O primeiro carregamento, de cerca de mil unidades, chegou no sábado (31), e moradores fizeram fila para comprar água.
“A SSPDS e a Cagece estão possibilitando que o comércio dos distribuidores de água mineral seja realizado de forma segura para a população”, afirmou a secretaria, em nota de domingo (1º). A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) busca os garrafões nos fornecedores e os leva até o município. A operação começou na sexta (30).
O prefeito Marcílio Coelho (PSB) disse que a companhia cede os caminhões e não vende o produto. Segundo a Prefeitura, as entregas diárias continuam até que a venda de água no município possa voltar ao normal com segurança.
As mensagens de extorsão começaram a circular em 19 de outubro, sob o título “Edital Banabuiú”, segundo a investigação. Os textos são atribuídos ao Comando Vermelho (CV) e condicionam a venda de água a uma “autorização” do grupo. Há relatos de cobrança de até R$ 750 por semana. A nota da SSPDS fala em “grupo criminoso”, sem citar nome.
No Rio, a Polícia Militar também atribuiu ao CV o ataque de domingo (1º) em Volta Redonda.
Três suspeitos foram presos em 22 de outubro, em ação conjunta das polícias Civil e Militar. Os agentes apreenderam seis celulares, um revólver calibre 38, munições, um notebook e dinheiro, segundo a secretaria. Os três são suspeitos de integrar o grupo que extorquia e ameaçava os comerciantes.
A Lei Antifacção, de março de 2026, prevê de 20 a 40 anos de reclusão para o domínio social estruturado, crime ligado à atuação de facções.
O suposto mandante das ameaças foi identificado e está no Rio de Janeiro, informou a SSPDS, que atua no caso com a Polícia Civil fluminense. O prefeito disse que ainda há mandados de prisão a cumprir e que os comerciantes não se sentem seguros para retomar as vendas, mesmo com o reforço policial.
O policiamento na cidade recebeu equipes de batalhões especializados e o apoio de uma aeronave da secretaria, segundo a nota. Informações sobre o caso podem ser passadas sem identificação pelo Disque-Denúncia 181 ou pelo WhatsApp (85) 3101-0181, com sigilo garantido, informa a SSPDS.
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