Comprimido controla tipo raro de câncer de pulmão por 7 anos em mais da metade dos pacientes
O lorlatinibe tem cobertura obrigatória nos planos desde 2022, mas o Ministério da Saúde decidiu em 2025 incorporar ao SUS outro remédio, o brigatinibe.

Um comprimido diário manteve 55% dos pacientes com um tipo raro de câncer de pulmão vivos e sem avanço em 7 anos, diz a Annals of Oncology. Os planos de saúde são obrigados a cobrir o remédio, o lorlatinibe, que não faz parte do SUS.
Entre os que tomaram o medicamento mais antigo, o crizotinibe, o índice foi de 3%. O estudo de fase 3, chamado Crown, acompanhou 296 pessoas com a doença avançada e sem tratamento anterior. O estudo é patrocinado pela fabricante, a Pfizer, e foi apresentado em 29 de maio no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica.
Com o crizotinibe, metade dos pacientes teve avanço da doença ou morreu em até 9,1 meses. Com o lorlatinibe, essa marca ainda não foi atingida. O remédio também reduziu em 94% o risco de avanço no cérebro, segundo o comunicado da fabricante.
Esse tipo de tumor tende a se espalhar para essa região, de acordo com a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
Os dados representam “uma mudança fundamental no que médicos e pacientes podem razoavelmente esperar do tratamento”, afirmou Tony Mok, pesquisador principal do estudo e professor da Universidade Chinesa de Hong Kong. A frase, em inglês, está no comunicado da fabricante.
O número pede leitura cuidadosa. A análise de sete anos não estava prevista no desenho original do estudo, e os dados de sobrevida total seguem em acompanhamento, informa a Pfizer.
Efeitos adversos graves, de grau 3 ou 4, atingiram 77% dos pacientes com lorlatinibe e 57% com crizotinibe. Entre os efeitos frequentes estão colesterol e triglicerídeos altos, inchaço, ganho de peso e alterações cognitivas e de humor.
O remédio é indicado para quem tem uma alteração no gene ALK. Ela aparece em 3,2% dos casos de câncer de pulmão de não pequenas células no Brasil, segundo a Conitec. O mesmo relatório afirma que só 16% dos pacientes fazem o teste.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 35.380 casos novos por ano de câncer de traqueia, brônquio e pulmão entre 2026 e 2028, e contou 31.237 mortes em 2023. As taxas mais altas estão no Sul e no Sudeste. Entre os homens, são 30,02 casos por 100 mil no Sul, contra 9,70 no Norte.
O acesso depende de onde o paciente se trata. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu o lorlatinibe na cobertura obrigatória dos planos em 30 de maio de 2022, para o primeiro tratamento da doença avançada.
No SUS, uma portaria do Ministério da Saúde de 5 de maio de 2025 incorporou outro remédio da mesma família, o brigatinibe, e deixou de fora o lorlatinibe e o alectinibe.
A Conitec, a mesma comissão que analisou a vacina Pneumo 20, considerou o brigatinibe a alternativa mais eficiente em termos econômicos. Os outros dois ultrapassavam o limite orçamentário recomendado, mesmo com a redução de preço proposta.
Na comparação com a quimioterapia, o brigatinibe ficou em R$ 117.073,70 por ano de vida ganho com qualidade, abaixo do limite de R$ 120 mil citado no relatório. A portaria prevê nova avaliação se surgirem fatos novos.
Os planos de saúde estão entre os setores do novo SAC, em vigor desde esta segunda-feira (2), com atendente humano das 8h às 20h.
Quem tem esse diagnóstico em estágio avançado pode perguntar ao oncologista sobre o teste do ALK, sem mudar o tratamento por conta própria. Se o plano negar o remédio, a reclamação pode ser feita à ANS pelo 0800 701 9656.
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