SaúdeExplicador

Marcapasso: SUS implantou 23.954 aparelhos em 2025, e a recuperação leva cerca de um mês

Quem trabalha com esforço físico, como pedreiros e lavradores, deve esperar 90 dias para voltar ao serviço, orienta protocolo do Hospital das Clínicas da UFMG.

Estetoscópio sobre papel de eletrocardiograma, ao lado de um coração vermelho
Estetoscópio e coração vermelho sobre o traçado de um eletrocardiograma, exame que mostra o ritmo dos batimentos, em imagem de 2020.Foto: Myriams-Fotos / Pixabay · licença Pixabay

O SUS aprovou 23.954 implantes de marcapasso definitivo em 2025, 39% mais que em 2021, segundo o DATASUS, do Ministério da Saúde. Para quem recebe o aparelho, a volta às atividades habituais costuma levar cerca de 30 dias, e o trabalho pesado, 90.

Em 2021, tinham sido 17.217 implantes. Em 2026, a alta continua. De janeiro a agosto, o SUS fez 16.067 cirurgias, 1,9% a mais que no mesmo período do ano passado, em dados preliminares que ainda podem ser revistos.

23.954

implantes de marcapasso definitivo foram aprovados pelo SUS em 2025, o maior número anual entre 2021 e 2025

Fonte: DATASUS, outubro de 2026

Link para este dado

  • O que éAparelho com gerador, bateria interna e eletrodos que estimula o ritmo do coração
  • Para quemCoração lento ou com bloqueio no sistema elétrico, com indicação do cardiologista
  • Onde fazer no SUSHospital habilitado em alta complexidade cardiovascular, pela regulação
  • Plano de saúdeCobertura obrigatória nos planos com internação, pelo rol da ANS
  • Volta à rotinaCerca de 30 dias após o implante
  • Trabalho com esforçoSó depois de 90 dias
  • RevisõesEm geral, 1, 3 e 6 meses após a cirurgia; depois, a cada 6 meses

O que é o marcapasso e quem precisa dele

O marcapasso é um dispositivo eletrônico que emite uma corrente elétrica para controlar e estimular o ritmo do coração, explica a Secretaria da Saúde do Ceará. Ele tem um gerador, uma bateria interna e eletrodos, que são fios ligados ao músculo cardíaco.

O gerador fica sob a pele, em geral no peito, e os eletrodos chegam ao coração por uma veia, na técnica chamada transvenosa. Quando o batimento natural falha ou fica lento demais, o aparelho dispara um estímulo e o coração volta a bater no ritmo certo.

Há três tipos principais, segundo o protocolo do Ministério da Saúde. O de câmara única tem um eletrodo, no átrio ou no ventrículo. O de câmara dupla tem dois, um em cada cavidade, e mantém a sincronia entre elas. O multissítio, também chamado de ressincronizador, tem um terceiro eletrodo no lado esquerdo e serve a casos de insuficiência cardíaca.

No SUS, o de câmara dupla é de longe o mais usado. Só o modelo implantado pela veia somou 19.415 cirurgias em 2025, ou 81% do total, segundo o DATASUS.

Alguns aparelhos também têm frequência adaptativa. Um sensor interno percebe o movimento do corpo ou a respiração e acelera o batimento quando a pessoa caminha ou sobe uma escada. O protocolo do ministério identifica esse recurso pela letra R no código do modelo, como no DDDR.

O marcapasso é indicado sobretudo para quem tem o coração lento demais ou bloqueios no sistema elétrico cardíaco. É o que diz o Protocolo de Uso de Marca-passos Cardíacos Implantáveis e Ressincronizadores, aprovado pela Portaria 307, de 29 de março de 2016, do Ministério da Saúde. A decisão final é sempre do cardiologista.

O batimento considerado normal vai de 60 a 100 por minuto, informa a Secretaria da Saúde do Ceará. Abaixo disso, com sintomas, a pessoa deve procurar um cardiologista.

“O aparelho é indicado para pacientes com o ritmo cardíaco irregular ou lento, também conhecido como bradicardia”, disse a cardiologista Stela Maria Vitorino. Ela é responsável pelo Serviço de Marcapasso do Hospital de Messejana, em Fortaleza, e falou em entrevista divulgada pela secretaria em 2021.

Os sinais de alerta, segundo ela, são tontura, cansaço fácil, escurecimento da vista e desmaio. Muita gente convive com esses sintomas sem saber que eles podem vir do coração, disse a médica. Por isso, quem sente o pulso lento e fica tonto com frequência deve marcar consulta na Unidade Básica de Saúde (UBS).

O protocolo do ministério lista as situações mais comuns em que o aparelho é indicado:

  • Doença do nó sinusalQuando o “marcador natural” do coração falha; o implante é considerado com frequência abaixo de 40 batimentos por minuto, sobretudo ao caminhar, com tontura ou fadiga
  • Bloqueio atrioventricularO impulso elétrico não passa das cavidades de cima para as de baixo; nos graus mais avançados, o aparelho é indicado mesmo sem sintomas, porque reduz desmaios
  • Depois de um infartoQuando o bloqueio persiste passada a fase aguda
  • Síndrome do seio carotídeoDesmaios repetidos por reflexo exagerado de uma artéria do pescoço, com pausa do coração de mais de 3 segundos quando a artéria é estimulada
  • Insuficiência cardíacaEm casos selecionados, com o ressincronizador, quando o remédio já não basta

O marcapasso não é o mesmo que o cardioversor desfibrilador implantável (CDI). O CDI dá choques para interromper arritmias graves, que aceleram o coração, e tem protocolo próprio no SUS, aprovado em 2014. O marcapasso trata o problema oposto, o coração que bate devagar demais.

Cirurgia pelo SUS e pelo plano de saúde

O SUS aprovou 23.954 internações para implante de marcapasso definitivo em 2025, segundo o Sistema de Informações Hospitalares (SIH) do DATASUS. Todas as regiões tiveram alta desde 2021, e o Norte foi a que mais cresceu: 58,4%, de 728 para 1.153 cirurgias.

202117.217
202218.135
202319.577
202422.374
202523.954

Fonte: DATASUS, SIH/SUS, outubro de 2026

Link para este dado

Região20212025AltaParte do total em 2025
Norte7281.15358,4%4,8%
Nordeste3.9395.00127,0%20,9%
Sudeste7.45710.89246,1%45,5%
Sul3.8245.21436,3%21,8%
Centro-Oeste1.2691.69433,5%7,1%
Brasil17.21723.95439,1%100%

Fonte: DATASUS, SIH/SUS, internações aprovadas por ano de processamento, outubro de 2026.

Link para este dado

O SUS pagou R$ 229,1 milhões por essas internações em 2025, segundo o DATASUS. Isso dá, em média, R$ 9.565 por internação. Para o paciente, o implante feito pelo SUS é gratuito, do aparelho às consultas de revisão.

No SUS, o implante de marcapasso é feito em hospitais habilitados pelo Ministério da Saúde como Centro de Referência em Alta Complexidade Cardiovascular, conforme a Portaria 307/2016. Esses hospitais precisam ter laboratório de eletrofisiologia e um serviço para avaliar e programar o aparelho, e o paciente chega a eles pela regulação de estados e municípios.

Na prática, o caminho tem quatro etapas:

  1. Marque consulta na UBS mais perto de casa, levando documento com foto e o Cartão Nacional de Saúde (cartão do SUS), e conte os sintomas.
  2. O médico pede exames, como o eletrocardiograma, e encaminha ao cardiologista se houver sinal de problema no ritmo.
  3. Com a indicação do especialista, a secretaria de saúde coloca o pedido na regulação, que agenda a cirurgia num hospital habilitado.
  4. Depois da alta, o acompanhamento do aparelho continua no mesmo serviço, com consultas de avaliação do marcapasso, que também são cobertas pelo SUS.

Quem tem plano de saúde também tem direito à cirurgia. O implante de marcapasso de câmara única, de câmara dupla e multissítio está no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

O rol é o anexo da Resolução Normativa 465/2021. A cobertura é obrigatória nos planos com internação hospitalar e segue uma diretriz de utilização, que lista as indicações clínicas aceitas.

Os planos só ambulatoriais, sem internação, não cobrem a cirurgia. Mas a consulta de avaliação clínica e eletrônica do aparelho, feita no consultório, vale também nesses contratos, segundo o rol da ANS. A troca do gerador e a retirada do sistema seguem a mesma regra da cirurgia: só nos planos hospitalares.

Na rede pública, há hospitais ampliando o tratamento das arritmias, os distúrbios do ritmo cardíaco. Em Fortaleza, o Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, da Secretaria da Saúde do Ceará, implantou uma sala exclusiva de eletrofisiologia, informou a secretaria em nota de 22 de outubro de 2026.

Antes, os procedimentos eram feitos três vezes por semana, alternando entre o centro cirúrgico e a sala de hemodinâmica. Agora, a equipe trabalha de segunda a sexta, em dois turnos.

“Fazíamos, em média, 12 procedimentos por semana. Com a nova estrutura, nossa projeção é realizar de 20 a 25 procedimentos semanais, chegando a uma média mensal de 100”, disse o coordenador do serviço de Eletrofisiologia, Evilásio Leobino.

O hospital já era referência em estimulação cardíaca artificial. Em 2021, segundo a secretaria, o ambulatório atendia cerca de 400 pacientes por mês, e a unidade fazia em torno de 60 implantes de marcapasso mensais.

“Com alguns cuidados, é possível ter qualidade de vida e uma rotina normal”

Stela Maria Vitorino, responsável pelo Serviço de Marcapasso do Hospital de Messejana, em entrevista divulgada pela Secretaria da Saúde do Ceará em 2021

Recuperação, cuidados e troca da bateria

A recuperação do implante de marcapasso leva cerca de 30 dias para a maioria das atividades e 90 dias para esporte e trabalho pesado. É o que orienta o protocolo de dispositivos cardíacos do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG), da rede Ebserh, revisado em março de 2021.

Logo após a cirurgia, tontura e falta de ar costumam desaparecer, disse a cardiologista Stela Maria Vitorino.

  • Primeiras 24 horasRepouso deitado, sem mexer o braço do lado do implante
  • Antes da altaRaio X do tórax, eletrocardiograma e programação do aparelho
  • Até o 10º diaNão dormir sobre o lado em que está o gerador
  • Duas semanasPrazo mínimo para voltar a dirigir o próprio carro
  • Seis semanasPrazo mínimo para motorista profissional voltar ao volante
  • Depois de 30 diasCaminhada rápida, carregar algum peso e dirigir começam a ser liberados
  • Depois de 90 diasNatação, tênis, vôlei e futebol, além do trabalho com esforço físico

No primeiro mês, o braço do lado do aparelho não deve fazer movimentos fortes. Para lavar ou pentear o cabelo, o protocolo do HC-UFMG sugere usar o outro braço ou erguer o braço devagar. Caminhar está liberado, em ritmo lento, e a ferida deve ficar limpa e seca, lavada só com água e sabonete.

O mesmo protocolo pede que o paciente evite dirigir no primeiro mês. Na parte dedicada à direção, fixa o afastamento mínimo em duas semanas para quem dirige o próprio carro e em seis semanas para motoristas profissionais. Quem dá a liberação é o cardiologista.

A volta ao trabalho depende da profissão. Se a ocupação exige esforço físico, como a de pedreiro, empregada doméstica, carpinteiro ou lavrador, o retorno não deve acontecer antes de 90 dias, orienta o HC-UFMG. Em funções sem esforço, como trabalho de escritório, a data depende só do estado de saúde de cada paciente.

Se o afastamento passar de 15 dias, quem tem carteira assinada recebe os primeiros 15 dias da empresa. Depois, pode pedir ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) o auxílio por incapacidade temporária, concedido após perícia médica ou análise do atestado, conforme a Lei 8.213/1991.

O pedido é feito pelo aplicativo Meu INSS ou pelo telefone 135, e as datas de depósito estão no calendário de pagamentos do INSS. O guia de benefícios do governo mostra outros auxílios e quem tem direito.

No dia a dia, quem tem marcapasso deve andar sempre com a carteira de portador do aparelho e evitar pancadas sobre o gerador, recomenda o protocolo do HC-UFMG. A carteira ajuda na inspeção de segurança de aeroportos e bancos: mostre o documento antes de passar pelo detector de metais.

O celular pode ser usado normalmente, com três cuidados. Atenda no ouvido do lado oposto ao do gerador, não guarde o aparelho no bolso da camisa ou do casaco e não o prenda entre o ombro e a cabeça. A mesma regra vale para telefone sem fio e rádio comunicador.

O secador de cabelo deve ficar a pelo menos 15 centímetros do aparelho, segundo o HC-UFMG. Também não é recomendado debruçar o peito sobre o motor ligado de um carro.

As revisões são parte do tratamento. “É muito importante continuar o acompanhamento cardiológico com a frequência que o médico indicar. Geralmente, as avaliações são marcadas após um, três e seis meses. Depois deste período, somente de seis em seis meses”, disse Stela Maria Vitorino.

Nessas consultas, o médico confere a programação e a carga da bateria. Quando ela se aproxima do fim, o gerador é trocado numa nova cirurgia.

O SUS fez 5.484 trocas de gerador de marcapasso em 2025, ante 3.910 em 2021, alta de 40%, segundo o DATASUS. A troca do gerador e a troca dos eletrodos são procedimentos separados na tabela do SUS, e nem sempre a segunda é necessária.


O feriado de Finados cai na segunda-feira, 2 de novembro, e o horário das UBS muda de cidade para cidade, como mostra o guia do feriado de Finados. As UPAs e os prontos-socorros atendem urgências 24 horas.

Quem tem dúvida sobre o atendimento no SUS pode ligar para o Disque Saúde, no 136. Em caso de desmaio, falta de ar forte ou batimento muito lento, o Samu atende pelo 192, 24 horas por dia.

Como calculamos. Somamos as internações aprovadas no Sistema de Informações Hospitalares do DATASUS, por ano de processamento, nos sete procedimentos de implante definitivo. O marcapasso temporário ficou de fora. As altas comparam 2021 e 2025, e o valor médio divide o valor total aprovado em 2025 pelo número de internações.

Como citar: Ouviram (31 out. 2026). «Marcapasso: SUS implantou 23.954 aparelhos em 2025, e a recuperação leva cerca de um mês». ouviram.com.br/brasil/marcapasso-o-que-e-quem-precisa-cirurgia-sus-recuperacao

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Quem tem marcapasso pode usar micro-ondas?

Pode. Segundo o protocolo de implante de dispositivos cardíacos do Hospital das Clínicas da UFMG, os eletrodomésticos em geral não interferem no aparelho. O cuidado é com aparelhos em más condições de aterramento, que podem causar danos.

Quem tem marcapasso pode fazer ressonância magnética?

Só com liberação do cardiologista que acompanha o aparelho. O protocolo do Hospital das Clínicas da UFMG trata o exame como contraindicado para portadores de dispositivo cardíaco, porque o campo magnético pode deslocar, aquecer e reprogramar o sistema.

Colchão magnético faz mal para quem tem marcapasso?

Sim, é melhor evitar. O protocolo do Hospital das Clínicas da UFMG informa que colchões magnéticos e pequenos ímãs podem mudar o funcionamento do gerador, que passa a operar no chamado modo magnético.

Quem tem marcapasso pode viajar de avião?

Pode, como passageiro. O protocolo do Hospital das Clínicas da UFMG só recomenda que o portador não fique na cabine de comando, por causa dos equipamentos de rádio. Na inspeção de segurança, mostre a carteira de portador antes de passar pelo detector de metais.

Quem tem marcapasso pode andar de moto?

Não no primeiro mês. O protocolo do Hospital das Clínicas da UFMG pede que o paciente evite guiar motocicleta e viajar em estrada de terra nos 30 dias depois do implante; a liberação seguinte depende do cardiologista.

#Saúde#SUS#MinistérioDaSaúde#ANS#Marcapasso

Informar um erro nesta matéria · Correções publicadas

Mais sobre o assunto

Últimas de Brasil

Todas as matérias de Brasil →

  1. 1. Abaixo de quantos batimentos por minuto o protocolo do SUS considera o marcapasso na doença do nó sinusal?

  2. 2. Qual região fez mais implantes de marcapasso pelo SUS em 2025?

  3. 3. Quantas trocas de gerador de marcapasso o SUS fez em 2025?

O que você achou desta matéria?

O Ouviram confere cada dado em fontes oficiais e separa informação de opinião. Como trabalhamos · Achou um erro? Avise a redação

Debate : leia e comente

Comente com respeito. Leia as regras de participação: sem ofensas, sem dados pessoais de terceiros, sem links.

    Em alta agora

    1. Vacinação meningite acwyVacina meningite ACWY: quem pode tomar no SUS, até que idade e o que vale para adultos
    2. MercadoProptech: as regras para startups do mercado imobiliário em 2026
    3. Força aéreaAvião militar estrangeiro, como o C-130 Hercules, só pousa no Brasil com autorização prévia
    4. Vale-refeiçãoVale-refeição: cartão tem até novembro para funcionar em qualquer maquininha