RodoviasExplicador
BR-153 tem o terceiro maior número de mortes entre as rodovias federais, segundo a PRF
Batidas de frente foram 7,2% das ocorrências de 2024 a agosto de 2026, mas responderam por 36,2% das 718 vítimas fatais, segundo a Polícia Rodoviária Federal.

A BR-153 registrou 282 mortes em 2025, o terceiro maior número entre as rodovias federais, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). Só a BR-101 e a BR-116 tiveram mais vítimas. Foram 2.789 acidentes e 751 feridos graves, quase oito ocorrências por dia.
Para quem viaja entre Goiânia e Palmas, leva carga do Tocantins ao porto ou cruza o interior paulista, os boletins da PRF mostram onde e quando o risco cresce. Goiás e Tocantins concentram seis em cada dez mortes. E a batida de frente, comum onde a pista é simples, é o tipo de acidente que mais mata.
A rodovia corta oito estados, do sudeste do Pará a Aceguá, no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai. A boa notícia vem de 2026: de janeiro a agosto, as mortes caíram 9,8% em relação ao mesmo período de 2025. E trechos do norte goiano estão em obras de duplicação.
- EstadosPará, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul
- Mortes em 2025282, 3º lugar entre as rodovias federais
- Acidentes em 20252.789, 5º lugar entre as rodovias federais
- Janeiro a agosto de 20261.847 acidentes e 165 mortes
- Estado com mais mortesGoiás, com 229 desde 2024
- Maior taxa de mortesTocantins, 14,9 a cada 100 acidentes
- EmergênciaPRF, telefone 191, 24 horas
- Base dos dadosBoletins de acidentes da PRF, de janeiro de 2024 a 31 de agosto de 2026
De janeiro de 2024 a agosto de 2026, a PRF atendeu 7.378 acidentes na BR-153. Neles, 718 pessoas morreram e 2.067 ficaram gravemente feridas. Ao todo, 20.159 pessoas estavam envolvidas nessas ocorrências, entre motoristas, passageiros e pedestres.
718
pessoas morreram em acidentes na BR-153 de janeiro de 2024 a agosto de 2026, em oito estados
Fonte: PRF, boletins de acidentes, 2026
Na comparação com as outras rodovias federais, a BR-153 só perde para a BR-101 e a BR-116, que inclui a Via Dutra entre Rio e São Paulo.
Em 2025, a BR-153 ficou em quinto lugar em número de acidentes, mas em terceiro em mortes, segundo a PRF. O terceiro lugar em mortes se repetiu em 2024 e nos oito primeiros meses de 2026, quando a rodovia foi a sexta em acidentes. Os acidentes da BR-153 tendem a ser mais graves.
Estados, cidades e km com mais mortes
Goiás é o estado com mais mortes na BR-153: foram 229 de janeiro de 2024 a agosto de 2026, segundo a Polícia Rodoviária Federal. Em seguida vêm o Tocantins, com 199, e o Paraná, com 105. O Tocantins tem a maior taxa entre os estados com mais de cem acidentes: 14,9 mortes a cada 100 ocorrências.
A taxa ajuda a comparar trechos de tamanhos e movimentos diferentes. O trecho paulista, por exemplo, teve mais acidentes que o paranaense, mas registrou 5,5 mortes a cada 100 ocorrências, a menor taxa da rodovia. No Pará, os números são pequenos, com 19 acidentes e 11 mortes, e por isso a taxa alta não permite comparação.
| Estado | Acidentes | Mortes | Feridos graves | Mortes a cada 100 acidentes |
|---|---|---|---|---|
| Goiás | 2.535 | 229 | 720 | 9,0 |
| Tocantins | 1.337 | 199 | 421 | 14,9 |
| Paraná | 1.052 | 105 | 324 | 10,0 |
| São Paulo | 1.161 | 64 | 247 | 5,5 |
| Minas Gerais | 689 | 59 | 188 | 8,6 |
| Santa Catarina | 230 | 26 | 63 | 11,3 |
| Rio Grande do Sul | 355 | 25 | 93 | 7,0 |
| Pará | 19 | 11 | 11 | 57,9 |
| Total | 7.378 | 718 | 2.067 | 9,7 |
Fonte: PRF, boletins de acidentes de janeiro de 2024 a agosto de 2026.
Em Minas Gerais, as mortes de janeiro a agosto caíram de 18, em 2025, para 9, em 2026, segundo a PRF. Em Goiás, passaram de 60 para 56, e no Paraná, de 31 para 26. São Paulo foi na direção contrária, de 15 para 17, e o Tocantins ficou quase estável, de 46 para 43.
Para quem mora no Norte e no Centro-Oeste, a BR-153 liga Goiânia, Anápolis, Gurupi, Paraíso do Tocantins, Guaraí e Araguaína. É o eixo que leva do Tocantins a Goiás, ao Triângulo Mineiro e ao interior paulista. No Sul, atravessa o interior do Paraná, o oeste de Santa Catarina e o norte gaúcho, passando por cidades como Irati, Concórdia e Erechim.
Entre os municípios, Wanderlândia, no norte do Tocantins, lidera as mortes na BR-153, segundo a PRF. Foram 26 de janeiro de 2024 a agosto de 2026, a maior parte entre o km 93 e o km 133. Porangatu, no norte de Goiás, vem em seguida, com 23, e Araguaína e Goiânia aparecem empatadas, com 21 cada.
Os números de uma cidade pequena podem mudar muito com um único acidente grave. Em Wanderlândia, 15 das 26 mortes ocorreram em 2024, e uma colisão frontal em outubro daquele ano, no km 96, deixou cinco vítimas, segundo a PRF. Em 2026, até agosto, o município registrou duas mortes na rodovia.
Fonte: PRF, boletins de acidentes, 2026
A tabela abaixo mostra em que altura da rodovia ficam os trechos de cada cidade, para quem quer se orientar pelas placas de quilometragem. A numeração recomeça em cada estado, por isso o km 100 de Goiás não é o mesmo km 100 do Tocantins.
| Cidade | Trecho aproximado | Acidentes | Mortes |
|---|---|---|---|
| Wanderlândia (TO) | km 93 a 133 | 59 | 26 |
| Porangatu (GO) | km 6 a 87 | 111 | 23 |
| Araguaína (TO) | km 134 a 167 | 290 | 21 |
| Goiânia (GO) | km 491 a 504 | 362 | 21 |
| Aparecida de Goiânia (GO) | km 504 a 516 | 351 | 20 |
| Colinas do Tocantins (TO) | km 224 a 259 | 82 | 18 |
| Rialma (GO) | km 286 a 311 | 98 | 18 |
| São José do Rio Preto (SP) | km 49 a 73 | 508 | 17 |
| Campinorte (GO) | km 143 a 179 | 71 | 16 |
| Cariri do Tocantins (TO) | km 680 a 713 | 74 | 15 |
| Mallet (PR) | km 376 a 400 | 56 | 14 |
| Prata (MG) | km 80 a 141 | 166 | 14 |
Fonte: PRF, boletins de acidentes de janeiro de 2024 a agosto de 2026. Trecho aproximado: faixa de quilômetros onde ocorreram nove em cada dez acidentes registrados no município.
São José do Rio Preto, no interior paulista, é o município com mais acidentes na BR-153, com 508 ocorrências e 17 mortes. No trecho do km 491 ao km 516, que atravessa Goiânia e Aparecida de Goiânia, foram 705 acidentes e 40 mortes. Ali, o tipo mais comum é a colisão traseira, típica do anda e para.
Anápolis, segundo município com mais acidentes, teve 370 ocorrências e 7 mortes. No outro extremo estão cidades pequenas do Tocantins e do norte goiano, como Wanderlândia, Colinas do Tocantins e Campinorte. Lá, os acidentes são menos numerosos, mas mais graves: em Wanderlândia, foram 44 mortes a cada 100 acidentes, contra 1,9 em Anápolis.
Batida de frente, contramão e noite
A colisão frontal é o tipo de acidente que mais mata na BR-153, segundo a Polícia Rodoviária Federal. Foram 531 batidas de frente de janeiro de 2024 a agosto de 2026, com 260 mortes. Elas representam 7,2% dos acidentes, mas 36,2% das vítimas fatais da rodovia no período.
O Tocantins concentra o problema. Lá, as batidas de frente mataram 94 pessoas desde 2024, mais que no Paraná (52) e em Goiás (49), segundo a PRF. Em Colinas do Tocantins, 16 das 18 mortes na rodovia vieram de colisões frontais.
Fonte: PRF, boletins de acidentes, 2026
A causa que mais mata é transitar na contramão, com 128 mortes em 287 acidentes. Somada à ultrapassagem indevida, chega a 179 vítimas, um quarto do total. Na BR-163, que corta o Centro-Oeste, as duas causas também estão entre as que mais matam.
A ausência de reação do condutor aparece logo depois, com 113 mortes, seguida pela reação tardia, com 60.
O sono merece atenção à parte. A PRF apontou o condutor dormindo como causa de 292 acidentes e 35 mortes na BR-153 desde 2024. A madrugada pesa: das 3h às 5h59, foram 586 acidentes e 89 mortes, 15,2 vítimas a cada 100 ocorrências, bem acima da média de 9,7 da rodovia.
O tipo de pista explica boa parte do risco. Os trechos de pista simples, com uma faixa para cada sentido, tiveram 60,1% dos acidentes e 76,2% das mortes da BR-153 no período, segundo a PRF. Na pista dupla, com os sentidos separados por canteiro, foram 2.670 acidentes e 153 mortes.
Quem dirige caminhão tem regra própria no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O artigo 67-C, com a redação da Lei 13.103/2015, proíbe o motorista profissional de dirigir mais de cinco horas e meia sem parar. No transporte de carga, exige 30 minutos de descanso a cada seis horas ao volante.
A hora do dia também pesa. Os acidentes em plena noite mataram quase tanto quanto os do dia na BR-153, embora sejam bem menos numerosos, segundo a Polícia Rodoviária Federal.
De janeiro de 2024 a agosto de 2026, foram 313 mortes em 2.531 acidentes noturnos, contra 315 em 4.021 de dia. À noite, morrem 12,4 pessoas a cada 100 acidentes, contra 7,8 de dia.
O sábado é o dia mais perigoso, com 146 mortes no período, seguido pelo domingo, com 112. A terça-feira tem o menor número, 68. Pelo relógio, o pior horário é o fim da tarde e o começo da noite: das 18h às 20h59, foram 1.327 acidentes e 135 mortes.
Dezembro foi o mês com mais acidentes e mais mortes na rodovia em 2025, com 268 ocorrências e 33 vítimas fatais, segundo a PRF. É o mês das férias escolares, das festas de fim de ano e das viagens longas para visitar a família no interior.
O próximo teste é o feriado de Finados, na segunda-feira, 2 de novembro, que forma um fim de semana prolongado em todo o país. Finados não está na tabela de feriados com restrição a veículos pesados da PRF em 2026.
A próxima restrição vale de 19 a 22 de novembro, no feriado da Consciência Negra, em horários definidos pela Portaria DIOP/PRF nº 26/2026. Nos trechos de pista simples, fica proibida a circulação de veículos acima das medidas da Resolução Contran nº 882/2021, como carretas com mais de 19,80 metros ou 58,5 toneladas. A regra não vale no Pará.
Quem viaja com crianças precisa seguir o artigo 64 do Código de Trânsito. Menores de 10 anos que ainda não alcançaram 1,45 metro vão no banco de trás, com o dispositivo de retenção adequado à idade, ao peso e à altura. Paradas regulares também ajudam as crianças em trechos longos, como a viagem entre Goiânia e Palmas.
Duplicação no norte de Goiás e no Tocantins
A ordem de serviço da duplicação da BR-153 no norte de Goiás foi assinada em 22 de agosto de 2025, em Rialma. A primeira etapa soma cerca de 53 quilômetros em Rialma, Uruaçu, Campinorte e Rianápolis e está a cargo da concessionária que administra a rodovia entre Anápolis (GO) e o Tocantins.
Os trechos escolhidos coincidem com pontos que aparecem nos boletins da PRF. Rialma teve 18 mortes na rodovia desde 2024, Campinorte, 16, e Uruaçu, 13, segundo a PRF. Nos três municípios, 278 dos 285 acidentes registrados desde 2024 ocorreram em pista simples, o tipo de trecho que concentra três em cada quatro mortes da BR-153.
No Tocantins, a duplicação dos perímetros urbanos de Gurupi e de Aliança do Tocantins começou em setembro de 2023, em cerimônia com o então ministro dos Transportes, Renan Filho. As obras atingem as travessias urbanas, onde o trânsito local se mistura ao de longa distância. A fiscalização dos contratos de concessão cabe à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
- Setembro de 2023Começa a duplicação dos perímetros urbanos de Gurupi e Aliança do Tocantins
- 2024BR-153 fecha o ano com 271 mortes, terceira rodovia federal com mais vítimas
- 2025Mortes sobem para 282, e a rodovia segue em terceiro lugar entre as federais
- 22 de agosto de 2025Ordem de serviço da duplicação no norte de Goiás é assinada em Rialma
- Janeiro a agosto de 2026Mortes caem para 165, 9,8% a menos que no mesmo período de 2025
- 2 de novembro de 2026Feriado de Finados, na segunda-feira, fecha o fim de semana prolongado
Os boletins da PRF são públicos e trazem cada acidente atendido nas rodovias federais, com data, hora, km, município, causa e número de vítimas. Na estrada, os pedidos de socorro vão para o telefone 191, da PRF, que atende 24 horas. Nos trechos concedidos, a concessionária atende pelo número gratuito que aparece nas placas.
Em caso de pane, o Código de Trânsito manda ligar o pisca-alerta e sinalizar o veículo com o triângulo. Ultrapassar pela contramão onde há faixa contínua amarela é infração gravíssima, com multa de R$ 1.467,35, que dobra se o motorista repetir a infração em 12 meses.
Como citar: Ouviram (30 out. 2026). «BR-153 tem o terceiro maior número de mortes entre as rodovias federais, segundo a PRF». ouviram.com.br/brasil/br-153-trechos-com-mais-acidentes-go-to-pr-sp-mg-prf
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
A BR-153 tem pedágio?
Sim, nos trechos concedidos à iniciativa privada, como o de Anápolis (GO) ao Tocantins e o paulista. As tarifas de cada praça são definidas e publicadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Quem paga o conserto do carro que caiu em buraco na BR-153?
O motorista pode pedir indenização ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), nos trechos públicos, ou à concessionária, nos concedidos. Guarde fotos do buraco e do local, o boletim de ocorrência e orçamentos do conserto.
Qual a velocidade máxima na BR-153?
Vale a da placa. Onde não há sinalização, o Código de Trânsito fixa 100 km/h para carros, caminhonetes e motos na pista simples e 110 km/h na pista dupla. Para caminhões, ônibus e demais veículos, o limite é de 90 km/h nos dois tipos de pista.
Como saber se a BR-153 está interditada agora?
A PRF informa ocorrências pelo telefone 191 e pelos perfis oficiais das superintendências estaduais. Nos trechos concedidos, a concessionária atende 24 horas pelo número gratuito das placas.
Precisa andar com farol aceso de dia na BR-153?
Sim, nos trechos de pista simples fora das cidades, se o carro não tiver luz de rodagem diurna. Deixar de acender a luz baixa nesse caso é infração média, segundo o Código de Trânsito.
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1. Que tipo de acidente mais matou na BR-153 de 2024 a agosto de 2026?
As batidas de frente causaram 260 das 718 mortes registradas pela PRF no período.
2. Em que estado a BR-153 teve mais mortes desde 2024?
Goiás somou 229 mortes de janeiro de 2024 a agosto de 2026, segundo a PRF.
3. Em que cidade gaúcha, na fronteira com o Uruguai, termina a BR-153?
O último quilômetro da rodovia nos boletins da PRF fica em Aceguá, no Rio Grande do Sul.
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