Violência contra a mulher

Feminicídios caem de 37 para 27 na Grande São Paulo de janeiro a setembro

As prisões por violência doméstica nos 38 municípios ao redor da capital subiram 33,6%, para 2.385, e os homicídios foram os menores para o período desde 2001.

Fachada da Delegacia de Defesa da Mulher de Rio Claro, com os brasões da Polícia Civil de São Paulo
Fachada da Delegacia de Defesa da Mulher de Rio Claro, no interior paulista, no dia da inauguração da nova sede, em imagem de 2017.Foto: Governo do Estado de São Paulo / Flickr · CC BY 2.0

A Grande São Paulo teve 27 feminicídios de janeiro a setembro, dez a menos que em 2025, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP). A queda de 27% vale para os 38 municípios ao redor da capital, de Guarulhos a Osasco e Santo André.

No mesmo período, a polícia prendeu mais agressores. As prisões por violência doméstica na região passaram de 1.785 para 2.385, alta de 33,6%, segundo o balanço divulgado nesta segunda-feira (2). Em setembro, a Grande São Paulo teve dois feminicídios, o mesmo número do mesmo mês de 2025.

Junto com os números, a SSP descreveu a rede de proteção à mulher do estado, que reúne delegacias especializadas, canais de denúncia e acompanhamento de vítimas e agressores. O objetivo, segundo a pasta, é interromper o ciclo de violência dentro de casa e prevenir novos casos.

“Sabemos que ainda há muito a avançar no enfrentamento à violência contra a mulher”, disse a delegada Cristiane Braga, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), em nota. Segundo ela, as delegacias acolhem as vítimas, investigam as denúncias e pedem medidas protetivas à Justiça quando necessário.

Os outros crimes contra a vida também recuaram na região. Os homicídios dolosos, com intenção de matar, caíram de 373 para 291 entre janeiro e setembro, queda de 21,9%. É o menor número para o período desde 2001, segundo a SSP. Os latrocínios, roubos seguidos de morte, passaram de 29 para 8, o menor da série histórica.

“O combate aos homicídios exige um trabalho permanente de prevenção e inteligência”, disse o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. Segundo ele, o foco é identificar áreas e situações de risco e levar o policiamento até elas antes que o crime aconteça. A pasta usa para isso o programa SP Vida, que cruza dados das ocorrências para achar padrões.

Na capital, que a SSP conta à parte, o movimento foi parecido. A cidade de São Paulo teve 38 feminicídios de janeiro a setembro, contra 47 em 2025, queda de 19,1%, segundo balanço divulgado em 29 de outubro. Os agressores presos por violência doméstica passaram de 2.114 para 2.881.

Indicador (janeiro a setembro)Grande SP 2025Grande SP 2026Capital 2025Capital 2026
Feminicídios37274738
Prisões por violência doméstica1.7852.3852.1142.881
Homicídios dolosos373291376338
Latrocínios2982823

Fonte: Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, balanços de 29 de outubro e 2 de novembro de 2026.

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Desde outubro de 2024, o feminicídio é um crime próprio no Código Penal, o artigo 121-A, com pena de 20 a 40 anos de prisão, pela Lei 14.994/2024. Ele também está na lista de crimes hediondos, sem direito a fiança.

A vítima pode pedir medida protetiva de urgência na delegacia, e a segurada afastada do trabalho por violência doméstica tem direito a um benefício do INSS sem perícia.


A Grande São Paulo tem 21 Delegacias de Defesa da Mulher, cinco delas abertas 24 horas; na capital são nove, sete com plantão permanente, segundo a SSP. No estado, são 144 DDMs, 39 funcionando sem parar. Delegacias comuns também têm salas especializadas com atendimento 24 horas.

O aplicativo SP Mulher Segura permite registrar boletim de ocorrência pela internet e achar a unidade policial mais próxima. Ele também tem um botão do pânico, que avisa a polícia e um contato de emergência.

Em perigo, a vítima ou qualquer testemunha pode ligar 190. Na Polícia Militar, as vítimas de violência doméstica são atendidas pela Cabine Lilás, com policiais mulheres que orientam sobre direitos e medidas protetivas. A Central de Atendimento à Mulher, do governo federal, atende pelo 180, de graça, 24 horas por dia.

#ViolênciaContraAMulher#GrandeSãoPaulo#SSPSP#CabineLilás

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