Feminicídios caem de 37 para 27 na Grande São Paulo de janeiro a setembro
As prisões por violência doméstica nos 38 municípios ao redor da capital subiram 33,6%, para 2.385, e os homicídios foram os menores para o período desde 2001.

A Grande São Paulo teve 27 feminicídios de janeiro a setembro, dez a menos que em 2025, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP). A queda de 27% vale para os 38 municípios ao redor da capital, de Guarulhos a Osasco e Santo André.
No mesmo período, a polícia prendeu mais agressores. As prisões por violência doméstica na região passaram de 1.785 para 2.385, alta de 33,6%, segundo o balanço divulgado nesta segunda-feira (2). Em setembro, a Grande São Paulo teve dois feminicídios, o mesmo número do mesmo mês de 2025.
Junto com os números, a SSP descreveu a rede de proteção à mulher do estado, que reúne delegacias especializadas, canais de denúncia e acompanhamento de vítimas e agressores. O objetivo, segundo a pasta, é interromper o ciclo de violência dentro de casa e prevenir novos casos.
“Sabemos que ainda há muito a avançar no enfrentamento à violência contra a mulher”, disse a delegada Cristiane Braga, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), em nota. Segundo ela, as delegacias acolhem as vítimas, investigam as denúncias e pedem medidas protetivas à Justiça quando necessário.
Os outros crimes contra a vida também recuaram na região. Os homicídios dolosos, com intenção de matar, caíram de 373 para 291 entre janeiro e setembro, queda de 21,9%. É o menor número para o período desde 2001, segundo a SSP. Os latrocínios, roubos seguidos de morte, passaram de 29 para 8, o menor da série histórica.
“O combate aos homicídios exige um trabalho permanente de prevenção e inteligência”, disse o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. Segundo ele, o foco é identificar áreas e situações de risco e levar o policiamento até elas antes que o crime aconteça. A pasta usa para isso o programa SP Vida, que cruza dados das ocorrências para achar padrões.
Na capital, que a SSP conta à parte, o movimento foi parecido. A cidade de São Paulo teve 38 feminicídios de janeiro a setembro, contra 47 em 2025, queda de 19,1%, segundo balanço divulgado em 29 de outubro. Os agressores presos por violência doméstica passaram de 2.114 para 2.881.
| Indicador (janeiro a setembro) | Grande SP 2025 | Grande SP 2026 | Capital 2025 | Capital 2026 |
|---|---|---|---|---|
| Feminicídios | 37 | 27 | 47 | 38 |
| Prisões por violência doméstica | 1.785 | 2.385 | 2.114 | 2.881 |
| Homicídios dolosos | 373 | 291 | 376 | 338 |
| Latrocínios | 29 | 8 | 28 | 23 |
Fonte: Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, balanços de 29 de outubro e 2 de novembro de 2026.
Desde outubro de 2024, o feminicídio é um crime próprio no Código Penal, o artigo 121-A, com pena de 20 a 40 anos de prisão, pela Lei 14.994/2024. Ele também está na lista de crimes hediondos, sem direito a fiança.
A vítima pode pedir medida protetiva de urgência na delegacia, e a segurada afastada do trabalho por violência doméstica tem direito a um benefício do INSS sem perícia.
A Grande São Paulo tem 21 Delegacias de Defesa da Mulher, cinco delas abertas 24 horas; na capital são nove, sete com plantão permanente, segundo a SSP. No estado, são 144 DDMs, 39 funcionando sem parar. Delegacias comuns também têm salas especializadas com atendimento 24 horas.
O aplicativo SP Mulher Segura permite registrar boletim de ocorrência pela internet e achar a unidade policial mais próxima. Ele também tem um botão do pânico, que avisa a polícia e um contato de emergência.
Em perigo, a vítima ou qualquer testemunha pode ligar 190. Na Polícia Militar, as vítimas de violência doméstica são atendidas pela Cabine Lilás, com policiais mulheres que orientam sobre direitos e medidas protetivas. A Central de Atendimento à Mulher, do governo federal, atende pelo 180, de graça, 24 horas por dia.
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