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Pix MEI de R$ 5 mil ainda não tem inscrição, e perdão de dívidas do MEI depende do Congresso
O governo federal enviou à Câmara o projeto que cancela R$ 12,6 bilhões em débitos de 3,6 milhões de microempreendedores, com vigência prevista para 2027.

O governo federal anunciou na terça-feira (13) um apoio de até R$ 5 mil para microempreendedores individuais, o PixMEI, mas o programa ainda não tem regras nem inscrição, segundo o Ministério do Empreendedorismo. O perdão das dívidas do MEI com a União também não vale ainda: depende do Congresso.
Na prática, hoje não há nada a pedir. Site, mensagem ou perfil que prometa «liberar o Pix MEI» mediante taxa, senha ou envio de documentos não tem ligação com o programa. O que já funciona é a dispensa de nota fiscal nas vendas a pessoas físicas e a negociação de débitos na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
O pacote, chamado Prospera MEI, reúne cinco medidas em estágios diferentes. A tabela mostra de que cada uma depende para valer.
| Medida | Situação em 14 de outubro | Para quem | Valor | Quando |
|---|---|---|---|---|
| PixMEI | em regulamentação | prioridade a mulheres de menor faturamento | até R$ 5 mil, sem devolução | sem data |
| Perdão das dívidas com a União | PLP 267/2026, na Câmara | 3,6 milhões de MEIs na dívida ativa | R$ 12,6 bilhões no total | 1º de janeiro de 2027, se aprovado |
| Compra de dívidas com bancos | edital a ser lançado | 1,6 milhão de MEIs | R$ 6 bilhões em carteiras, desconto mínimo de 90% | sem data |
| Teto de faturamento maior | PLP 186/2026, na Câmara | todos os MEIs | de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028 | se aprovado |
| Sem nota fiscal para pessoa física | decreto anunciado | todos os MEIs | não se aplica | de imediato, segundo o ministério |
| Desenrola MEI, da PGFN | adesão aberta | débitos de até R$ 20 mil | até 70% de desconto | até 29 de janeiro de 2027 |
| MEI Pequeno Valor, da PGFN | adesão aberta | débitos de até R$ 8.105 | 50% de desconto | até 29 de janeiro de 2027 |
Fonte: Ministério do Empreendedorismo, PGFN e Câmara dos Deputados, outubro de 2026.
O assunto interessa a muita gente. O Brasil tem 17,56 milhões de MEIs ativos, segundo dados do Ministério do Empreendedorismo citados no projeto do perdão. Mais de 3 milhões deles têm débito na dívida ativa da União, a lista de cobranças da PGFN.
PixMEI: até R$ 5 mil, ainda sem regras
O PixMEI é um apoio direto, chamado pelo governo de capital semente, para investir na capacidade de produção do negócio. O ministério cita como exemplos a compra de equipamentos para um salão de beleza, a reforma de uma barraca de alimentos e a compra de uma moto elétrica para entregas.
O dinheiro não é empréstimo nem financiamento. É um recurso não reembolsável, ou seja, o empreendedor não precisa devolver o que receber, segundo a página de perguntas e respostas do Ministério do Empreendedorismo, publicada na terça à noite.
1 milhão
de MEIs, pela estimativa do governo, poderão receber o PixMEI em quatro anos, com até R$ 5 bilhões
Fonte: Ministério do Empreendedorismo, 13 de outubro de 2026
O programa terá assistência técnica de parceiros como o Sebrae, para ajudar o microempreendedor a montar o projeto de investimento. A prioridade será das mulheres empreendedoras de menor faturamento, informa o ministério.
Faltam, porém, as regras principais. O governo não definiu quem exatamente terá direito, qual faturamento conta, quantas vezes cada MEI pode receber, como será a seleção nem quando o dinheiro começa a ser pago. Nas palavras do ministério, o programa «está em fase de desenho».
O PixMEI também não aparece no projeto de lei complementar enviado ao Congresso, que trata só do perdão das dívidas e de compras públicas. Não há, até esta quarta-feira, ato publicado que crie o programa ou abra inscrições.
Para ter uma ideia do valor, R$ 5 mil pagam cerca de cinco anos de DAS, a guia mensal do MEI. Em 2026, a guia custa de R$ 82,05 a R$ 87,05, segundo o ministério.
Por exemplo, uma manicure em Fortaleza que quer trocar a cadeira e a estufa de esterilização caberia no tipo de investimento descrito pelo governo, se cumprir os critérios ainda não divulgados.
Enquanto as regras não saem, vale a regra geral contra golpes: programas federais não pedem pagamento antecipado para liberar benefício. Oferta por WhatsApp, SMS ou rede social com link para «cadastro no Pix MEI» não é canal do governo, porque esse cadastro não existe.
O que diz o projeto do perdão
O perdão está no Projeto de Lei Complementar 267/2026, apresentado pelo Poder Executivo à Câmara dos Deputados às 17h16 de terça-feira (13). Até esta quarta, o texto aguardava o despacho do presidente da Câmara, primeiro passo da tramitação, segundo o sistema da Casa.
Por ser lei complementar, precisa de maioria absoluta nas duas Casas: 257 votos na Câmara e 41 no Senado, como manda a Constituição. Depois, segue para sanção. Os detalhes da proposta já tinham sido apresentados na cobertura do anúncio.
O texto cancela as dívidas inscritas na dívida ativa da União até 13 de outubro de 2026, com juros, multas e encargos. Entram também débitos já parcelados ou negociados, com acordo ativo ou rompido, e os que estão em cobrança na Justiça.
O perdão alcança só a contribuição ao INSS cobrada dentro do DAS. As parcelas de ICMS e de ISS, que vão para estados e prefeituras, não fazem parte do projeto, porque não são créditos da União.
- Quem entraPessoa registrada como MEI com débito do DAS na dívida ativa da União até 13 de outubro de 2026
- O que é perdoadoA contribuição ao INSS, com juros, multas e encargo legal
- ContrapartidaPagar em dia o DAS dos seis meses seguintes à lei, sob pena de perder o perdão
- Quem tem processoPrecisa desistir da ação para a baixa da dívida, sem pagar honorários por isso
- O que não voltaValores já pagos não são restituídos nem compensados
- Vigência1º de janeiro de 2027, se aprovado
- Regras finaisAto da PGFN, depois da lei
O MEI que mudar de categoria ou sair do Simples Nacional depois da publicação da lei mantém o direito, segundo o projeto. A PGFN vai disciplinar os procedimentos, incluindo o requerimento, a verificação dos requisitos e o acompanhamento da contrapartida.
Os números da exposição de motivos, documento que acompanha o projeto, são um pouco maiores que os do anúncio. A dívida ativa dos MEIs soma R$ 12,86 bilhões, distribuídos entre cerca de 3,67 milhões de devedores, e 85,94% desse valor está nas classes de difícil recuperação.
“A remissão permite reduzir esse estoque e concentrar esforços administrativos em créditos com melhores possibilidades de recuperação.”
A renúncia de receita é o dinheiro que deixa de entrar nos cofres públicos. O governo estima que ela será de R$ 1,12 bilhão em 2027, R$ 1,01 bilhão em 2028 e R$ 909 milhões em 2029. A conta usa como referência o quanto a União costuma recuperar desse tipo de dívida.
As dívidas com bancos seguem outro caminho, o Desenrola 3.0. O governo vai lançar um edital para comprar carteiras de cerca de R$ 6 bilhões em débitos de MEIs, e os bancos terão de dar desconto mínimo de 90%. Levam prioridade as carteiras com os maiores descontos, e essa parte não depende do Congresso, segundo o ministério.
O aumento do teto de faturamento também está na Câmara, no PLP 186/2026, enviado pelo Poder Executivo em 29 de junho. O limite anual, de R$ 81 mil desde 2018, passaria a R$ 110 mil em 2027 e a R$ 140 mil em 2028. O MEI também poderia contratar até dois empregados, em vez de um.
Como consultar e negociar a dívida hoje
Uma das cinco medidas já vale. O decreto presidencial dispensa o MEI de emitir nota fiscal nas vendas e nos serviços para consumidor final pessoa física, e entra em vigor de imediato, segundo o ministério. A nota continua obrigatória quando o cliente é outra empresa ou um órgão público.
O decreto alcança também o nanoempreendedor, categoria criada pela reforma tributária para quem fatura até R$ 40 mil por ano, metade do teto atual do MEI. A partir de 2027, esse público não precisará abrir CNPJ nem emitir nota nas vendas a pessoas físicas, segundo o ministério.
Quem tem guias atrasadas não precisa esperar o Congresso para saber quanto deve. A consulta é gratuita e pode ser feita pela internet.
- Entre no PGMEI, o sistema da Receita Federal que gera a guia do MEI, e confira as guias do DAS em aberto que ainda não foram cobradas pela PGFN.
- Acesse o portal Regularize, da PGFN, com a conta gov.br, e veja os débitos já inscritos na dívida ativa da União.
- No mesmo portal, simule as parcelas do Desenrola MEI e do MEI Pequeno Valor antes de fechar qualquer acordo.
- Se fechar acordo, pague a primeira parcela no prazo para o acordo valer.
- Mantenha o DAS do mês em dia, condição que também aparece no projeto do perdão.
Os dois programas da PGFN têm regras próprias. O Desenrola MEI, aberto até 29 de janeiro de 2027, vale para débitos de até R$ 20 mil. O desconto chega a 70% em juros, multas e encargos, com entrada em até 12 parcelas e saldo em até 133 meses.
O MEI Pequeno Valor atende dívidas de até cinco salários mínimos, ou R$ 8.105, com 50% de desconto e até 60 meses para pagar.
O projeto do perdão inclui débitos com parcelamento ativo, mas não devolve o que já tiver sido pago. Quem negociar agora paga as parcelas enquanto a lei não sai, e o que restar em aberto poderá ser cancelado se o texto for aprovado como está.
Manter o DAS em dia garante a cobertura do INSS, em regra no valor de um salário mínimo, segundo o Ministério do Empreendedorismo. A proteção inclui aposentadoria por idade, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte para dependentes. Com o CNPJ regular, o microempreendedor também pode disputar compras públicas pelo programa Contrata+Brasil.
Para quem ainda trabalha por conta própria sem registro, o caminho para virar MEI está no guia como abrir um MEI. A formalização é gratuita no Portal do Empreendedor.
O PLP 267/2026 aguarda despacho na Câmara, e o PixMEI depende de regulamentação do governo federal, ainda sem data. As adesões ao Desenrola MEI e ao MEI Pequeno Valor seguem abertas até 29 de janeiro de 2027 no portal Regularize, da PGFN.
Como citar: Ouviram (14 out. 2026). «Pix MEI de R$ 5 mil ainda não tem inscrição, e perdão de dívidas do MEI depende do Congresso». ouviram.com.br/economia/pix-mei-5-mil-perdao-de-dividas-do-mei-o-que-foi-anunciado
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Como pegar o Pix MEI?
Ainda não é possível. O Ministério do Empreendedorismo informa que o PixMEI está em fase de estruturação e regulamentação, sem regras de acesso, calendário ou canal de inscrição.
Pix MEI como funciona?
Pela proposta do governo federal, é um apoio de até R$ 5 mil que não precisa ser devolvido, para comprar equipamentos ou melhorar o negócio, com orientação do Sebrae e prioridade a mulheres de menor faturamento.
O perdão das dívidas do MEI já vale?
Não. O perdão está no PLP 267/2026, que precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado. Pelo texto, só entraria em vigor em 1º de janeiro de 2027.
Preciso me cadastrar para o perdão das dívidas do MEI?
Segundo o ministério, o perdão será automático depois da lei. Quem contesta a dívida na Justiça terá de pedir a baixa e comprovar a desistência da ação, pelo texto do projeto.
Quem já pagou a dívida do MEI recebe o dinheiro de volta?
Não. O projeto não prevê restituição, compensação nem ressarcimento de valores pagos antes da entrada em vigor da lei.
O perdão inclui dívida do MEI com banco?
Não. As dívidas com bancos entram no Desenrola 3.0, em que o governo vai comprar carteiras com desconto mínimo de 90%. Num primeiro momento, o MEI não precisa fazer nada, segundo o ministério.
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