Imposto de RendaGuia
Quem ganha 10 mil paga R$ 1.569,55 de Imposto de Renda por mês com carteira assinada
Com o INSS de 2026, sobram R$ 7.442,36 líquidos, e a declaração de 2027 pode devolver R$ 1.590,26 a quem tem só esse salário e usa o modelo simplificado.

Um salário de R$ 10 mil com carteira assinada tem R$ 1.569,55 de Imposto de Renda retido na fonte por mês em 2026, segundo as tabelas da Receita Federal. A conta vale para quem não tem dependentes. Somada a contribuição ao INSS, de R$ 988,09, o trabalhador recebe R$ 7.442,36 líquidos.
Na prática, 15,7% do salário bruto fica com o Imposto de Renda. A isenção para quem ganha até R$ 5 mil, criada pela Lei 15.270, de 26 de novembro de 2025, não chega a essa faixa. Acima de R$ 7.350 por mês, vale a tabela cheia, sem nenhum abatimento novo.
- Salário brutoR$ 10.000
- INSSR$ 988,09, o teto do desconto em 2026
- Base de cálculoR$ 9.011,91
- Imposto de RendaR$ 1.569,55 por mês
- Salário líquidoR$ 7.442,36
- Peso do imposto15,7% do salário bruto
- No ano, com o 13ºR$ 20.404,15 de imposto retido
R$ 1.569,55
O valor muda com filhos declarados, com o tipo de contrato e com a soma de duas rendas. Na declaração de 2027, quem teve só esse salário pode receber dinheiro de volta.
Tabela do Imposto de Renda de R$ 3 mil a R$ 100 mil por mês
A tabela mensal da Receita Federal cobra de zero a 27,5% sobre a base de cálculo. Para quem tem carteira assinada e nenhum dependente, os descontos de 2026 ficam assim, salário por salário:
| Salário bruto | INSS | Imposto de Renda | Salário líquido | Imposto sobre o bruto |
|---|---|---|---|---|
| R$ 3.000 | R$ 248,60 | R$ 0,00 | R$ 2.751,40 | 0% |
| R$ 4.000 | R$ 368,60 | R$ 0,00 | R$ 3.631,40 | 0% |
| R$ 5.000 | R$ 501,51 | R$ 0,00 | R$ 4.498,49 | 0% |
| R$ 6.000 | R$ 641,51 | R$ 385,10 | R$ 4.973,39 | 6,42% |
| R$ 7.000 | R$ 781,51 | R$ 754,74 | R$ 5.463,75 | 10,78% |
| R$ 8.000 | R$ 921,51 | R$ 1.037,85 | R$ 6.040,64 | 12,97% |
| R$ 10.000 | R$ 988,09 | R$ 1.569,55 | R$ 7.442,36 | 15,70% |
| R$ 12.000 | R$ 988,09 | R$ 2.119,55 | R$ 8.892,36 | 17,66% |
| R$ 15.000 | R$ 988,09 | R$ 2.944,55 | R$ 11.067,36 | 19,63% |
| R$ 20.000 | R$ 988,09 | R$ 4.319,55 | R$ 14.692,36 | 21,60% |
| R$ 30.000 | R$ 988,09 | R$ 7.069,55 | R$ 21.942,36 | 23,57% |
| R$ 50.000 | R$ 988,09 | R$ 12.569,55 | R$ 36.442,36 | 25,14% |
| R$ 100.000 | R$ 988,09 | R$ 26.319,55 | R$ 72.692,36 | 26,32% |
Fonte: Receita Federal, tabelas de 2026, e INSS, tabela de contribuição de 2026; sem dependentes.
Três coisas aparecem na tabela. Até R$ 5 mil, o imposto é zero desde janeiro. Entre R$ 5 mil e R$ 7.350, ele volta aos poucos. E, a partir de R$ 8.475,55, o desconto do INSS para de subir, porque esse é o teto de contribuição de 2026.
O dado que mais surpreende está na última linha. Mesmo com salário de R$ 100 mil, o imposto não chega a 27,5% do bruto: fica em 26,32%. Isso acontece porque a alíquota máxima incide sobre a base depois do INSS, e todo contribuinte da última faixa abate a mesma parcela de R$ 908,73.
Fonte: Receita Federal e INSS, tabelas de 2026, carteira assinada e sem dependentes
A conta é individual. Por exemplo, um casal em Curitiba em que cada um ganha R$ 5 mil soma R$ 10 mil brutos e não tem Imposto de Renda retido. A Receita calcula o imposto por pessoa, e não por família. Se só um dos dois recebe os R$ 10 mil, o desconto é de R$ 1.569,55.
A empresa faz a conta todo mês na folha, em cinco passos, e o trabalhador pode refazê-la com o contracheque na mão.
- Some o salário bruto do mês com horas extras, comissões e adicionais. No exemplo, R$ 10.000.
- Desconte o INSS. A tabela de 2026 cobra 7,5% até R$ 1.621,00, 9% até R$ 2.902,84, 12% até R$ 4.354,27 e 14% até R$ 8.475,55. Quem ganha acima do teto paga R$ 988,09.
- Desconte R$ 189,59 por dependente. Se o total das deduções ficar abaixo de R$ 607,20, use esse desconto simplificado no lugar delas.
- Aplique a alíquota da faixa sobre a base. Com R$ 9.011,91, a faixa é a de 27,5%: são R$ 2.478,28, menos a parcela a deduzir de R$ 908,73, ou R$ 1.569,55.
- Confira a redução da Lei 15.270/2025. Ela só existe para rendimento bruto de até R$ 7.350; com R$ 10 mil, é zero.
As faixas da tabela não mudaram em 2026. A Receita mantém a isenção da base de cálculo até R$ 2.428,80 e as alíquotas de 7,5% a 27,5%, pela Lei 15.191, de 11 de agosto de 2025.
| Base de cálculo mensal | Alíquota | Parcela a deduzir |
|---|---|---|
| Até R$ 2.428,80 | isento | – |
| De R$ 2.428,81 a R$ 2.826,65 | 7,5% | R$ 182,16 |
| De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05 | 15% | R$ 394,16 |
| De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68 | 22,5% | R$ 675,49 |
| Acima de R$ 4.664,68 | 27,5% | R$ 908,73 |
Fonte: Receita Federal, tabela de incidência mensal a partir de janeiro de 2026.
“Para rendas mensais acima de R$ 7.350, permanece a cobrança normal de acordo com a tabela progressiva vigente”, diz a Receita Federal em orientação de 11 de dezembro de 2025.
Entre R$ 5 mil e R$ 7.350, a Lei 15.270 dá um desconto parcial, aplicado depois da conta da tabela.
Na faixa de transição, a redução segue uma fórmula da lei: R$ 978,62 menos 0,133145 vezes o rendimento bruto do mês. Com R$ 6 mil de salário, por exemplo, o abatimento é de R$ 179,75. “Quanto menor a renda dentro dessa faixa, maior a redução do imposto”, explica a Receita Federal na mesma orientação de dezembro.
O detalhe completo da regra, com o 13º e os aposentados, está no guia da isenção do IR até R$ 5 mil. Para quem ganha R$ 10 mil, a lei não muda o contracheque. Já quem recebe R$ 5 mil deixou de pagar R$ 312,89 por mês.
A Receita faz um alerta para quem tem dois empregos. A retenção é calculada por fonte pagadora no mês, mas o acerto anual soma tudo. Com duas rendas de R$ 4 mil, nada é retido no mês, mas “na apuração anual será cobrada a eventual diferença de IRPF”, diz o texto oficial.
Dependentes, duas rendas e a restituição de 2027
Cada dependente tira R$ 189,59 da base de cálculo e reduz em R$ 52,14 o imposto mensal de quem ganha R$ 10 mil, pelas tabelas da Receita Federal de 2026. Com dois filhos, o desconto cai para R$ 1.465,27.
| Situação, com R$ 10 mil brutos | INSS | Imposto de Renda | Líquido |
|---|---|---|---|
| Carteira assinada, sem dependentes | R$ 988,09 | R$ 1.569,55 | R$ 7.442,36 |
| Carteira assinada, 1 dependente | R$ 988,09 | R$ 1.517,41 | R$ 7.494,50 |
| Carteira assinada, 2 dependentes | R$ 988,09 | R$ 1.465,27 | R$ 7.546,64 |
| Carteira assinada, 3 dependentes | R$ 988,09 | R$ 1.413,13 | R$ 7.598,78 |
| Autônomo no carnê-leão, INSS de 20% pelo teto | R$ 1.695,11 | R$ 1.375,11 | R$ 6.929,78 |
Fonte: Receita Federal e INSS, tabelas de 2026.
O autônomo que recebe de pessoas físicas paga o imposto pelo carnê-leão, o recolhimento mensal obrigatório, com a mesma tabela. Como contribuinte individual, ele recolhe 20% ao INSS até R$ 1.695,11, o teto de 2026 na tabela do instituto, e esse valor é abatido da base do imposto. Por isso o Imposto de Renda fica menor, mas a soma dos dois descontos é maior que a de quem tem carteira.
Com duas rendas, a surpresa costuma aparecer na declaração. Imagine quem ganha R$ 6 mil num emprego e R$ 4 mil em outro, em Belo Horizonte. A primeira empresa retém R$ 385,10 por mês, a segunda não retém nada, e o total do ano fica em R$ 4.621,20.
Na declaração, porém, a Receita soma os R$ 120 mil do ano. Pelo modelo simplificado, o imposto anual dessa pessoa é de R$ 17.244,34, e a diferença a pagar chega a R$ 12.623,14. A Receita permite antecipar essa diferença ao longo do ano, por recolhimento complementar, para não concentrar a conta numa vez só.
Quem ganhou R$ 10 mil por mês em 2026, com um só emprego e sem outras deduções, pode receber R$ 1.590,26 de restituição na declaração de 2027, pela tabela anual da Receita Federal. Basta escolher o desconto simplificado, de até R$ 17.640. A devolução acontece porque o desconto anual é maior que o INSS pago no ano.
A conta é esta. No contracheque, a empresa abateu R$ 988,09 de INSS por mês, ou R$ 11.857,08 no ano, e reteve R$ 18.834,60 de imposto nos 12 salários. Na declaração, o modelo simplificado troca todas as deduções por 20% da renda, com limite de R$ 17.640.
| Declaração de 2027, salário de R$ 10 mil | Valor |
|---|---|
| Rendimentos tributáveis no ano | R$ 120.000,00 |
| Desconto simplificado | R$ 17.640,00 |
| Base de cálculo anual | R$ 102.360,00 |
| Imposto devido (27,5% menos R$ 10.904,66) | R$ 17.244,34 |
| Imposto retido nos 12 salários | R$ 18.834,60 |
| Restituição | R$ 1.590,26 |
Fonte: Receita Federal, tabela de incidência anual do exercício de 2027; sem dependentes, férias e outras rendas.
O 13º fica fora desse acerto, porque tem tributação exclusiva na fonte. A redução anual da Lei 15.270 zera o imposto até R$ 60 mil de renda no ano e vai diminuindo até R$ 88.200. Ela também não alcança quem ganhou R$ 120 mil.
Para famílias, o modelo completo pode render mais. Ele aceita o INSS, R$ 2.275,08 por dependente no ano, despesas médicas sem limite e gastos com educação até R$ 3.561,50 por pessoa. O programa da Receita compara os dois modelos sozinho, e as regras de entrega estão no guia sobre quem deve declarar em 2027.
Imposto mínimo de quem ganha mais de R$ 50 mil por mês
A Lei 15.270/2025 criou, a partir da renda de 2026, um imposto mínimo para quem soma mais de R$ 600 mil no ano, média de R$ 50 mil por mês. A alíquota sobe de zero até 10%, fixa a partir de R$ 1,2 milhão, segundo a Receita Federal. A cobrança aparece pela primeira vez na declaração de 2027.
A diferença para a tabela comum está na soma. O imposto mínimo conta também rendimentos isentos, como lucros e dividendos, e os tributados só na fonte. Ficam fora a poupança, títulos incentivados como LCI e LCA, fundos imobiliários negociados em bolsa e heranças. A lista completa está no guia da tributação de dividendos.
Entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão, a alíquota é a renda anual dividida por R$ 60 mil, menos 10. Do valor resultante sai todo o imposto já pago no ano, inclusive a retenção de 10% sobre dividendos acima de R$ 50 mil por mês pagos pela mesma empresa.
| Situação em 2026 | Renda no ano | Imposto mínimo | Já pago ou retido | A pagar no ajuste |
|---|---|---|---|---|
| Salário de R$ 50 mil com carteira, com 13º | R$ 650 mil | R$ 5.416,67 | mais de R$ 160 mil | R$ 0 |
| R$ 100 mil por mês em dividendos de uma empresa | R$ 1,2 milhão | R$ 120.000 | R$ 120.000 | R$ 0 |
| R$ 100 mil por mês em dividendos de três empresas, R$ 33,3 mil cada | R$ 1,2 milhão | R$ 120.000 | R$ 0 | até R$ 120.000 |
Fonte: Lei 15.270/2025 e Receita Federal; valores antes do redutor.
Para o assalariado, nada muda. Quem recebe R$ 50 mil por mês com carteira já paga mais de 25% do salário em imposto. O mínimo que a lei fixa para R$ 650 mil no ano é de 0,83%.
O imposto mínimo pesa sobre quem recebe muito em rendimentos antes isentos. No segundo exemplo, a retenção mensal de 10% já cobre a conta. No terceiro, nenhuma empresa passou de R$ 50 mil no mês, e o acerto fica para a declaração.
Há ainda um redutor. Ele impede que o imposto da empresa, somado ao mínimo do sócio, passe de 34% na maioria das empresas, 40% em seguradoras e outras financeiras e 45% em bancos.
Para quem ganha R$ 10 mil, o próximo desconto relevante vem no fim do ano. A primeira parcela do 13º salário, de R$ 5 mil, chega sem descontos até 30 de novembro. A segunda, com INSS de R$ 988,09 e Imposto de Renda de R$ 1.569,55, fica em R$ 2.442,36.
A Lei 4.749, de 1965, fixa o pagamento da segunda parcela até 20 de dezembro. Como a data cai num domingo em 2026, o dinheiro deve sair até sexta-feira, 18 de dezembro.
Como calculamos. As tabelas cruzam a contribuição do INSS de 2026, da Portaria Interministerial MPS/MF 13/2026, com as tabelas mensal e anual do Imposto de Renda da Receita Federal. Também aplicam a redução da Lei 15.270/2025. Os valores consideram salário de carteira assinada, sem dependentes, salvo quando indicado, e arredondamento em centavos.
Como citar: Ouviram (2 nov. 2026). «Quem ganha 10 mil paga R$ 1.569,55 de Imposto de Renda por mês com carteira assinada». ouviram.com.br/economia/quem-ganha-10-mil-paga-quanto-de-imposto-de-renda-tabela
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
PLR paga imposto de renda?
Paga, por uma tabela própria e exclusiva. Desde maio de 2025, a participação nos lucros ou resultados é isenta até R$ 8.214,40 no ano e tem alíquotas de 7,5% a 27,5% acima disso, segundo a Receita Federal.
Previdência privada diminui o imposto de renda?
O plano PGBL pode ser deduzido até 12% da renda tributável do ano, na declaração completa, por quem também contribui para o INSS ou para regime próprio. O VGBL não dá esse abatimento.
Quem ganha 10 mil por mês é obrigado a declarar imposto de renda?
Em 2026, a Receita Federal exigiu a declaração de quem recebeu mais de R$ 35.584 em rendimentos tributáveis no ano anterior, pela Instrução Normativa 2.312. Um salário de R$ 10 mil soma R$ 120 mil no ano; as regras de 2027 saem no começo do ano.
Pensão alimentícia abate do imposto de renda?
Abate. A pensão paga por decisão judicial, acordo homologado ou escritura pública é dedutível sem limite, no desconto mensal e na declaração completa, pela Lei 9.250/1995.
A tabela do imposto de renda vai ser corrigida em 2027?
A Lei 15.270/2025 não prevê correção automática. Ela deu ao Poder Executivo um ano, a contar da publicação em novembro de 2025, para enviar ao Congresso um projeto de política de atualização dos valores.
Aposentado com mais de 65 anos paga imposto de renda?
Paga só sobre o que passar da parcela isenta. Em 2026, a Receita Federal isenta R$ 1.903,98 por mês de aposentadoria ou pensão de quem tem 65 anos ou mais, e o restante segue a tabela normal.
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1. Qual é o desconto máximo do INSS para quem tem carteira assinada em 2026?
Pela tabela do INSS de 2026, o empregado paga no máximo R$ 988,09, valor de quem ganha a partir do teto de R$ 8.475,55.
2. Até que salário bruto mensal vale a redução parcial do Imposto de Renda?
A Lei 15.270/2025 zera o imposto até R$ 5.000 e dá redução parcial até R$ 7.350, segundo a Receita Federal.
3. Qual é a alíquota máxima do imposto mínimo da alta renda?
A alíquota sobe de zero a 10% entre R$ 600 mil e R$ 1,2 milhão de renda anual e fica em 10% acima disso, pela Lei 15.270/2025.
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