Brasileiro agora precisa morar 7 anos em Portugal para pedir a nacionalidade
A Lei Orgânica 1/2026 vale para pedidos feitos desde 19 de maio, mantém o direito de filhos e netos de portugueses e abre uma via para bisnetos.

Portugal elevou de 5 para 7 anos o tempo de residência legal exigido de brasileiros para pedir a nacionalidade, pela Lei Orgânica 1/2026. A regra vale para pedidos apresentados desde 19 de maio de 2026, informa o Ministério da Justiça português. Filhos e netos de portugueses seguem com direito sem morar lá.
A mudança alcança a maior comunidade estrangeira do país. Portugal tinha 493.622 brasileiros com residência no fim de 2025, segundo o relatório anual da AIMA, a agência portuguesa de migrações. É quase um em cada três estrangeiros que vivem lá. Um ano antes, eram 484.596.
Na prática, o plano de muita gente ganhou dois anos. Por exemplo, quem obteve o título de residência em janeiro de 2022 completaria os 5 anos em 2027. Pela regra nova, só fecha os 7 anos em 2029.
“As novas disposições aplicam-se apenas aos pedidos apresentados após a respetiva entrada em vigor”, informou o Ministério da Justiça de Portugal em nota de 19 de maio. Quem já tinha processo em andamento continua na regra antiga.
Fonte: Lei da Nacionalidade de Portugal, redação da Lei Orgânica 1/2026
Os cinco caminhos previstos na lei
Morar em Portugal é só uma das portas. A Lei da Nacionalidade, de 1981, reúne cinco situações que interessam a brasileiros, e três delas não exigem residência no país.
| Caminho | Condição principal | Precisa morar em Portugal? |
|---|---|---|
| Filho de português | Pai ou mãe português e nascimento registrado no registro civil de Portugal | Não |
| Neto de português | Avô ou avó português de origem, que não perdeu a nacionalidade | Não |
| Casado com português | Casamento há mais de 3 anos | Não |
| Bisneto de português | Bisavô ou bisavó português de origem | Sim, 5 anos |
| Residente | Residência legal no país | Sim, 7 anos |
Fonte: Lei da Nacionalidade de Portugal (Lei 37/81), redação de maio de 2026
Para o filho, basta inscrever o nascimento no registro civil português ou declarar que quer ser português. O neto declara a mesma vontade e precisa mostrar laços de ligação efetiva com Portugal. Desde maio, a lei detalha esses laços: conhecer a língua, a cultura, a história e os símbolos do país, entre outras condições.
Há um efeito em cadeia que ajuda famílias inteiras. Quando o neto obtém a nacionalidade, ela é de origem. Os filhos dele passam a ser filhos de português e entram pela primeira porta.
No casamento, a declaração é feita enquanto a união durar. Vale também a união estável de mais de três anos, depois de reconhecida por um tribunal.
O Ministério Público pode se opor se não houver ligação efetiva ao país. Essa oposição não cabe quando o casamento tem mais de seis anos ou o casal tem filhos portugueses, salvo em casos de condenação grave ou de ameaça à segurança. O prazo para o Ministério Público contestar é de dois anos a partir do registro da nacionalidade.
Quem pede por tempo de residência precisa cumprir todas as condições abaixo, pelo artigo 6.º da lei:
- Residência legal7 anos, para brasileiros.
- Língua e culturaTeste ou certificado de língua e cultura portuguesas, história e símbolos nacionais.
- Direitos e deveresConhecer os direitos e deveres fundamentais e a organização política do Estado.
- Declaração soleneAdesão aos princípios do Estado de direito democrático.
- AntecedentesNão ter condenação definitiva a mais de 3 anos de prisão efetiva por crimes como terrorismo e criminalidade violenta ou organizada.
- SustentoCapacidade de assegurar a própria subsistência.
- Custo250 euros.
Como e onde entregar o pedido
O processo corre no Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), o órgão de registros de Portugal. O roteiro é o mesmo para quem está no Brasil ou lá:
- Escolha o formulário. Cada caminho tem um requerimento próprio na página de impressos do IRN. O custo do pedido vem escrito no próprio formulário.
- Reúna as certidões. Em geral, a sua certidão de nascimento e a do parente português. Na naturalização, entram os certificados de registro criminal do país de nascimento, do país da nacionalidade e de onde você morou.
- Entregue. Quem vive no Brasil procura o posto consular português da sua região. Em Portugal, há balcões de nacionalidade em conservatórias de cidades como Lisboa, Braga, Coimbra e Faro. Também dá para enviar por correio.
- Pague. O pedido de naturalização e o de casamento custam 250 euros cada, segundo os formulários do IRN. Pelo correio, o pagamento é feito por cheque visado, cheque bancário ou cartão de crédito, e o comprovante segue junto com os papéis, em carta registrada. Pedido sem pagamento é recusado de início, e os documentos são devolvidos.
- Acompanhe. Quando o processo entra no sistema, o requerente recebe por e-mail um código para consultar o andamento no portal da Justiça de Portugal.
Um ponto pede atenção antes de enviar os papéis. A aplicação de várias normas novas depende de ajustes no Regulamento da Nacionalidade, que o Governo português tinha 90 dias para fazer, segundo o Ministério da Justiça. Confira no site do IRN quais comprovantes estão sendo aceitos para o teste de cultura e para a prova de sustento.
Se você ainda não fechou o prazo, há um direito que não depende da nacionalidade. O Tratado de Amizade entre Brasil e Portugal, de 2000, permite ao brasileiro com residência pedir o estatuto de igualdade de direitos e deveres. E virar português não custa a origem: o Brasil aceita a dupla cidadania, e o passaporte brasileiro continua valendo.
Famílias com mais de uma origem europeia podem comparar as regras. Na cidadania italiana, o direito hoje vai só até os netos, e o pedido de um adulto custa 600 euros.
Em Portugal, o atendimento presencial nos balcões do IRN é marcado pelo portal Siga ou pelo aplicativo sigaApp. O Centro Nacional de Apoio à Integração de Migrantes, com unidades em Lisboa e no Porto, também recebe pedidos de nacionalidade.
Como citar: Ouviram (8 out. 2026). «Brasileiro agora precisa morar 7 anos em Portugal para pedir a nacionalidade». ouviram.com.br/mundo/cidadania-portuguesa-para-brasileiros
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
O tempo de residência em Portugal precisa ser contínuo?
Não. A lei soma os períodos de residência legal, seguidos ou interpolados, desde que caibam num intervalo máximo de 9 anos para brasileiros, pelo artigo 15.º da Lei da Nacionalidade.
Brasileiro precisa fazer prova de português para ter a nacionalidade portuguesa?
A lei presume que cidadãos de países de língua oficial portuguesa conhecem a língua, salvo quando a falta de domínio for manifesta. O conhecimento de cultura, história e símbolos nacionais é exigência nova.
Portugal ainda dá nacionalidade a descendentes de judeus sefarditas?
Não para pedidos novos. A Lei Orgânica 1/2026 eliminou esse regime especial, informa o Ministério da Justiça de Portugal.
Filho de brasileiros nascido em Portugal é português?
Em regra, só se, no momento do nascimento, um dos pais morava legalmente em Portugal havia pelo menos 5 anos e declarar que quer a nacionalidade para o filho, pelo artigo 1.º da lei.
Dá para pedir a nacionalidade portuguesa pela internet?
O serviço online existe, mas é exclusivo para advogados e solicitadores, informa o portal da Justiça de Portugal. Sem representante, o pedido segue por correio ou é entregue num balcão.
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1. Quantos anos de residência legal em Portugal um brasileiro precisa para pedir a naturalização?
São 7 anos para cidadãos de países de língua portuguesa e da União Europeia e 10 para os demais, pelo artigo 6.º da Lei da Nacionalidade.
2. Há quanto tempo é preciso estar casado com português para pedir a nacionalidade?
O artigo 3.º da Lei da Nacionalidade pede mais de três anos de casamento, com declaração feita enquanto o casamento durar.
3. Até que geração a lei portuguesa alcança os descendentes de portugueses?
Desde maio de 2026, bisnetos podem pedir a naturalização se moram legalmente em Portugal há pelo menos 5 anos.
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