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Naturalização brasileira é gratuita e pede 4 anos de residência na regra geral
O prazo cai para um ano para quem tem filho ou cônjuge brasileiro ou vem de país de língua portuguesa, e o pedido deve ser decidido em até 180 dias.

O Brasil concedeu 13.140 naturalizações em 2025, 181 a mais que em 2024, segundo o Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra). O pedido é gratuito, começa pela internet e está aberto a quem vive no país com autorização de residência por prazo indeterminado.
Os números são do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o único órgão que pode conceder a nacionalidade a um estrangeiro. O caminho mais usado, a naturalização ordinária, pede quatro anos de residência, prova de português e nenhuma condenação penal. Para comparar, a nacionalidade portuguesa exige do brasileiro sete anos de residência e 250 euros.
13.140
naturalizações foram concedidas pelo Brasil em 2025, ante 12.959 no ano anterior
Fonte: OBMigra, com dados do Ministério da Justiça, 2026
O relatório Dados Consolidados da Imigração no Brasil 2025, do OBMigra, registra que “os haitianos são os que mais obtêm a cidadania brasileira”. Depois vêm os venezuelanos e, mais atrás, cubanos, angolanos e russos. A maior parte dos processos tramitou em São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Quem recebe a nacionalidade passa a votar, pode tirar passaporte brasileiro e disputar eleições. No Censo 2022, o IBGE contou 216,3 mil naturalizados entre os cerca de 1 milhão de moradores nascidos em outros países, como mostra o levantamento sobre os imigrantes no Brasil.
Ordinária, extraordinária, especial e provisória
A Lei de Migração, de 2017, prevê quatro tipos de naturalização. O que muda de um para outro é o tempo de residência e a exigência do idioma.
| Tipo | Para quem | Residência exigida | Prova de português |
|---|---|---|---|
| Ordinária | Maior de 18 anos sem condenação penal | 4 anos, com reduções | Sim |
| Extraordinária | Quem vive no país há muito tempo, sem condenação penal | Mais de 15 anos seguidos | Não |
| Especial | Cônjuge, há mais de 5 anos, de servidor do Serviço Exterior Brasileiro ou de pessoa a serviço do Brasil no exterior; ou empregado de embaixada ou consulado brasileiro por mais de 10 anos | Não há prazo no Brasil | Sim |
| Provisória | Criança ou adolescente que passou a morar no país antes dos 10 anos | Fixada antes dos 10 anos de idade | Não |
Fonte: Lei 13.445 e Decreto 9.199, de 2017
Na ordinária, os quatro anos encolhem em situações definidas pela lei, pelo decreto que a regulamenta e pela Constituição:
- 1 anoQuem tem filho brasileiro ou é casado ou vive em união estável com brasileiro, sem separação.
- 1 ano seguidoQuem vem de país de língua portuguesa, como Portugal, Angola ou Moçambique. A Constituição pede ainda idoneidade moral.
- 2 anosQuem prestou ou pode prestar serviço relevante ao Brasil ou tem capacidade profissional, científica ou artística reconhecida pelo Ministério da Justiça.
Só entra na conta o período vivido com residência por prazo indeterminado, e ele precisa ser imediatamente anterior ao pedido. Viagens esporádicas ao exterior não atrapalham, desde que somem até 12 meses. Ter imóvel ou outros bens no país não basta: é preciso provar que a pessoa mora aqui.
Para refugiados, o relógio começa antes. O tempo é contado desde o pedido de refúgio, e não desde a decisão do governo, segundo o ACNUR, a agência da ONU para refugiados. Eles também ficam dispensados de trazer a certidão de antecedentes criminais do país de origem.
Oito formas de provar o português
A lei pede que o candidato saiba “comunicar-se em língua portuguesa, consideradas as condições do naturalizando”. Pelo decreto, essas condições são as que decorrem de deficiência. A comprovação é feita com um documento, entre os oito tipos aceitos pela Portaria 623, de 2020, do Ministério da Justiça.
- Certificado do Celpe-Bras, o exame de português para estrangeiros aplicado pelo Inep.
- Diploma de graduação ou de pós-graduação de instituição brasileira credenciada pelo Ministério da Educação.
- Aprovação no Exame de Ordem, da OAB.
- Conclusão de curso de português para imigrantes em instituição de ensino superior credenciada.
- Ensino fundamental ou médio concluído pelo Encceja.
- Nomeação como professor, técnico ou cientista por concurso de universidade pública.
- Histórico de ensino fundamental, médio ou supletivo cursado em escola brasileira.
- Diploma de medicina revalidado depois de aprovação no Revalida.
O Celpe-Bras tem duas edições por ano. A segunda de 2026 será aplicada no Brasil de 20 a 23 de outubro, para quem se inscreveu até 6 de agosto, e o resultado sai em 15 de dezembro.
A taxa é de até R$ 259, segundo o edital do Inep. São três horas de prova escrita e 20 minutos de conversa, e o certificado é dado a partir do nível intermediário.
Se você tem filho na escola, repare em dois pontos. O histórico de conclusão do ensino fundamental ou médio em escola brasileira serve de prova de português na vida adulta.
Já a criança que passou a morar no país antes dos 10 anos pode ter a naturalização provisória, pedida pelos pais ou responsáveis. Ela vira definitiva se o jovem confirmar a escolha até dois anos depois de completar 18.
Do formulário ao Diário Oficial
O pedido é feito pelo sistema Naturalizar-se, no portal gov.br, e passa pela Polícia Federal antes de chegar ao Ministério da Justiça. O caminho tem seis etapas.
- Confira a sua residência. O pedido é para quem tem autorização de residência por prazo indeterminado. A Carteira de Registro Nacional Migratório (CRNM) é aceita mesmo vencida.
- Reúna os documentos. São CPF, comprovantes de residência, prova de português e certidões de antecedentes criminais da Justiça Federal e da Justiça Estadual dos lugares onde você morou nos últimos quatro anos.
- Traga o atestado do país de origem. O documento de antecedentes criminais vem legalizado ou apostilado e é traduzido no Brasil por tradutor juramentado.
- Preencha o formulário. Entre com a conta gov.br, de nível bronze, prata ou ouro, escolha o tipo de naturalização e anexe os arquivos.
- Vá à Polícia Federal. Depois que a documentação for aceita, agende o atendimento na unidade que atende o seu endereço, leve os originais e faça a coleta de biometria.
- Acompanhe a análise. O Departamento de Migrações pode pedir complementos pelo sistema. A decisão sai em portaria no Diário Oficial da União.
Contas de água, luz ou telefone, contrato de aluguel, carteira de trabalho, extratos da Previdência Social e históricos escolares servem para provar a residência, segundo a lista do ministério. Quem pede a redução do prazo junta a certidão de casamento, a prova da união estável ou a certidão de nascimento do filho brasileiro.
- CustoGratuito
- PrazoAté 180 dias corridos, segundo o portal gov.br
- Recurso10 dias depois da notificação, se o pedido for negado
- Novo pedidoPermitido, quando as condições forem cumpridas
- NomeA tradução ou adaptação ao português pode ser pedida no processo
A naturalização só vale depois da publicação no Diário Oficial. Com a portaria, o novo brasileiro entrega a CRNM na Polícia Federal e pode tirar a carteira de identidade e o passaporte brasileiro.
A Constituição proíbe a lei de tratar de forma diferente natos e naturalizados, fora as exceções que ela mesma traz. Só brasileiros natos podem ser presidente e vice-presidente da República, presidentes da Câmara e do Senado, ministro do STF, diplomata, oficial das Forças Armadas e ministro da Defesa.
O voto passa a ser um dever. Quem tem de 18 a 70 anos precisa procurar a Justiça Eleitoral em até um ano para tirar o título de eleitor. O cadastro eleitoral está fechado desde maio, por causa das eleições, e reabre em 3 de novembro de 2026, segundo o TSE.
As dúvidas sobre o processo são respondidas pelo Ministério da Justiça no e-mail [email protected]. O decreto dá 60 dias para o julgamento do recurso de quem teve o pedido negado.
Como citar: Ouviram (8 out. 2026). «Naturalização brasileira é gratuita e pede 4 anos de residência na regra geral». ouviram.com.br/mundo/naturalizacao-brasileira-como-funciona
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Preciso renunciar à minha nacionalidade para virar brasileiro?
A Lei de Migração não coloca a renúncia entre as condições da naturalização. Manter ou não a nacionalidade anterior depende da lei do país de origem.
Casar com brasileiro dá cidadania automática?
Não. O casamento ou a união estável só reduz o tempo de residência exigido. O pedido continua sujeito à prova de português e à ausência de condenação penal.
Quem nasce no Brasil filho de estrangeiros precisa se naturalizar?
Não. Pela Constituição, é brasileiro nato quem nasce no território nacional, ainda que de pais estrangeiros, desde que eles não estejam a serviço do país de origem.
Brasileiro naturalizado pode ser extraditado?
Só em dois casos previstos na Constituição: crime comum praticado antes da naturalização ou envolvimento comprovado com tráfico de drogas. O brasileiro nato não pode ser extraditado.
A naturalização pode ser cancelada?
Sim, por sentença judicial, em caso de fraude no processo ou de atentado contra a ordem constitucional e o Estado Democrático, segundo a Constituição, na redação da Emenda 131, de 2023.
Português precisa se naturalizar para ter direitos de brasileiro?
Não necessariamente. O português que mora no Brasil pode pedir ao Ministério da Justiça a igualdade de direitos, prevista em tratado entre os dois países, sem deixar de ser português.
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1. Quantos anos de residência a naturalização ordinária exige na regra geral?
A Lei de Migração pede no mínimo 4 anos de residência. Os 15 anos valem para a naturalização extraordinária.
2. Quanto custa pedir a naturalização brasileira?
O serviço é gratuito, segundo o portal gov.br. R$ 259 é o teto da taxa do Celpe-Bras no Brasil, segundo o Inep.
3. Qual destes cargos é reservado a brasileiros natos?
A Constituição reserva a natos os cargos de presidente e vice, presidentes da Câmara e do Senado, ministro do STF, diplomata, oficial das Forças Armadas e ministro da Defesa.
4. Qual nacionalidade mais obteve a cidadania brasileira em 2025?
Os haitianos lideraram as naturalizações, seguidos de longe pelos venezuelanos, segundo o OBMigra.
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