ImigraçãoExplicador
Brasil tem pouco mais de 2 milhões de imigrantes, um terço deles venezuelanos
Eles ocupam 415 mil vagas com carteira assinada, mais da metade na Região Sul, e são perto de 1% da população, ante 3,7% na média mundial.

O Brasil tem pouco mais de 2 milhões de imigrantes, de 200 nacionalidades, segundo estimativa do OBMigra para o início de 2026. Cerca de 680 mil são venezuelanos, um em cada três, pelos dados do Observatório das Migrações Internacionais, ligado ao Ministério da Justiça e à Universidade de Brasília.
A conta reúne residentes, temporários, refugiados e pessoas que esperam resposta a um pedido de refúgio, e alcança todos os estados. Equivale a perto de 1% dos moradores do país. No mundo, os migrantes eram 3,7% da população em 2024, segundo a ONU.
O Censo 2022, do IBGE, usa outra régua e chegou a um número menor: cerca de 1 milhão de moradores nascidos no exterior, 0,5% da população. Eram 592 mil em 2010, e foi a primeira alta entre dois censos desde 1960, segundo o instituto. Desse total, 793 mil eram estrangeiros e 216,3 mil haviam passado pela naturalização brasileira.
Fonte: IBGE, Censo 2022
As duas medidas não se somam nem se comparam direto. O Censo entrevista quem mora no país na data da pesquisa. A estimativa do OBMigra parte dos registros ativos na Polícia Federal e dos pedidos de refúgio ainda em análise, e é mais recente.
Além dos venezuelanos, o relatório estima cerca de 120 mil haitianos, 84 mil cubanos e 24 mil angolanos. Nos registros de residência ativos, que somavam 1,9 milhão no fim de 2025, os mais numerosos eram de venezuelanos, bolivianos, portugueses, haitianos e argentinos. Em 2010, o Censo havia encontrado 2,9 mil venezuelanos no país.
“Trabalhadores migrantes impulsionam setores produtivos estratégicos, estudantes enriquecem o ambiente educacional, famílias fortalecem comunidades e contribuem para o dinamismo demográfico e cultural do país”, diz a apresentação do relatório anual. O texto é assinado pela secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, e pelo diretor do Departamento de Migrações, Victor Semple.
Mais da metade trabalha no Sul
Parte dessa população aparece nos registros de emprego. O número de imigrantes com carteira assinada passou de 53.939 em 2010 para 414.965 em 2025, em projeção do OBMigra com dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Só de 2023 a 2025, o aumento foi de 54%.
414.965
imigrantes tinham emprego com carteira assinada no Brasil em 2025, em projeção, quase oito vezes o total de 2010
Fonte: OBMigra, com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, 2026
A Região Sul reúne 56,2% desses trabalhadores, embora tenha 22,9% do total de empregos formais do país, em dado de 2024. A explicação está na agroindústria de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, em especial nos frigoríficos. Entre os imigrantes com carteira, 43% estavam na produção industrial em 2024, ante 20,4% no conjunto dos trabalhadores.
Os venezuelanos são 48,7% do total, mais de 200 mil pessoas. As mulheres chegaram a 38,4%.
O salário médio, porém, encolheu com a mudança de perfil e ficou em R$ 4.564 em 2024, o menor valor da série iniciada em 2010. O relatório registra pessoas com diploma superior em funções de baixa qualificação.
No outro extremo estão os profissionais que chegam com vaga certa. O Ministério da Justiça concedeu 41,7 mil autorizações de residência para trabalho e investimento em 2025, 11,8% a mais que em 2024, sobretudo a chineses. Rio de Janeiro e São Paulo ficaram com 72% delas.
No mesmo ano, pessoas físicas de outros países aplicaram R$ 626,1 milhões em empresas e imóveis para obter a residência, 21,4% a mais que em 2024. É uma fatia pequena do investimento estrangeiro que entra no país.
Para as famílias, a mudança aparece na escola. As matrículas de imigrantes na educação básica passaram de 41.916 em 2010 para 224.924 em 2024, mais de cinco vezes, segundo o Censo Escolar.
Se você é pai ou mãe imigrante, a vaga na rede pública é um direito, seja qual for a situação migratória, pela Lei de Migração. O Conselho Nacional de Educação dispensa o comprovante de escolaridade anterior na matrícula.
No refúgio, 2025 teve o terceiro maior volume de pedidos da série, atrás de 2019 e 2018. Os cubanos fizeram 41.919 solicitações, 55,4% do total, e passaram os venezuelanos, com 21.233.
| Refúgio no Brasil | 2025 |
|---|---|
| Pedidos recebidos | 75.599 |
| Pedidos julgados pelo Conare | 50.568 |
| Pessoas reconhecidas como refugiadas | 9.162 |
| Total de refugiados reconhecidos até dezembro | 165.774 |
Fonte: Refúgio em Números 2026, OBMigra e Ministério da Justiça
Dos casos julgados, 32% tinham sido abertos em Roraima, 26,5% em São Paulo e 12,6% no Amapá. O Nordeste respondeu por 1,9%.
Entre os reconhecidos no ano, 89,8% eram venezuelanos. Desde junho de 2019, o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) reconhece grave e generalizada violação de direitos humanos na Venezuela. Isso permite decidir os casos em bloco.
O peso de quem chega muda de um lugar para outro. Em Roraima, porta de entrada pela fronteira norte, quase 13% dos moradores nasceram no exterior, segundo o Censo. São Paulo tem o maior número absoluto, 342,5 mil, e nos demais estados a fatia não passa de 2%.
Em outubro de 2025, um decreto federal criou a Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia. O relatório do OBMigra recomenda integrar União, estados e municípios e abrir caminho para empregos compatíveis com a formação de quem chega.
Para se regularizar, o imigrante procura a Polícia Federal, que emite a Carteira de Registro Nacional Migratório. O pedido de refúgio é gratuito: o formulário é preenchido no Sisconare, sistema do Ministério da Justiça, e o protocolo, válido por um ano, é retirado numa unidade da PF. As dúvidas são respondidas pelo e-mail [email protected].
Como citar: Ouviram (8 out. 2026). «Brasil tem pouco mais de 2 milhões de imigrantes, um terço deles venezuelanos». ouviram.com.br/mundo/imigrantes-no-brasil-numeros
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre imigrante e refugiado?
Imigrante é quem se muda para outro país por qualquer motivo, como trabalho, estudo ou família. Refugiado é quem saiu por perseguição ou por grave e generalizada violação de direitos humanos e teve essa condição reconhecida pelo Conare.
Imigrante pode usar o SUS e estudar em escola pública?
Sim. A Lei de Migração garante acesso aos serviços públicos de saúde e à educação pública, sem discriminação por nacionalidade ou condição migratória.
Estrangeiro pode votar no Brasil?
Não. A Constituição não permite o alistamento eleitoral de estrangeiros. Para votar é preciso se naturalizar; a exceção são os portugueses com igualdade de direitos políticos reconhecida.
Qual documento o imigrante recebe ao se regularizar?
A Carteira de Registro Nacional Migratório (CRNM), emitida pela Polícia Federal. Quem pede refúgio recebe um protocolo e um documento provisório enquanto espera a decisão.
Onde ficam os dados oficiais sobre migração no Brasil?
No Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), mantido pelo Ministério da Justiça com a Universidade de Brasília, que publica relatórios mensais e anuais, e nos censos do IBGE.
Quantos brasileiros vivem fora do país?
Cerca de 5 milhões, pelas estimativas do Itamaraty. É mais que o dobro do número de imigrantes que vivem no Brasil.
Informar um erro nesta matéria · Correções publicadas
Enquete do leitor
Você convive com imigrantes no dia a dia?
Enquete aberta, sem valor estatístico. Todas as enquetes
Mais sobre o assunto
Últimas de Mundo
- Margaret Hamilton, que chefiou o software das missões Apollo à Lua, morre aos 90 anos
- Orkut reabre site com carta do criador e lista de apoio, mas não promete lançar nova rede
- Naturalização brasileira é gratuita e pede 4 anos de residência na regra geral
- Brasileiro pode ter dupla cidadania sem perder a nacionalidade desde 2023
- Visto americano custa US$ 185, e a entrevista sai em até um mês em São Paulo e no Rio
1. Qual é a nacionalidade mais numerosa entre os imigrantes no Brasil?
São cerca de 680 mil venezuelanos, segundo estimativa do OBMigra para o início de 2026.
2. Que região concentra mais da metade dos imigrantes com carteira assinada?
A Região Sul reunia 56,2% dos trabalhadores imigrantes formais em 2025, segundo o OBMigra.
3. Quantos refugiados o Brasil havia reconhecido até o fim de 2025?
Foram 165.774, segundo o anuário Refúgio em Números 2026. O número 551.072 é o total de pedidos feitos de 2010 a 2025.
4. Qual estado tem a maior proporção de moradores nascidos no exterior?
Em Roraima, quase 13% dos moradores nasceram em outro país, segundo o Censo 2022 do IBGE.
O que você achou desta matéria?
O Ouviram confere cada dado em fontes oficiais e separa informação de opinião. Como trabalhamos · Achou um erro? Avise a redação







Comente com respeito. Leia as regras de participação: sem ofensas, sem dados pessoais de terceiros, sem links.