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Deportados dos EUA: o que acontece na chegada a Confins e quem ajuda no recomeço

O programa federal Aqui é Brasil oferece comida, saúde e transporte até a cidade de destino e já recebeu 39 voos em 2026, segundo o MDHC.

Saguão do terminal do aeroporto de Confins (MG), com jardim interno
Saguão com jardim interno do Terminal 1 do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG), em imagem de 2014.Foto: Eugenio Hansen, OFS / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

O voo de deportados dos EUA que pousou em Confins (MG) na madrugada deste sábado (31) trouxe 85 brasileiros, segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). Quem desembarca recebe comida, atendimento de saúde e ajuda para chegar à cidade de destino.

A aeronave, numa operação de deportação feita pelo governo dos Estados Unidos, tocou a pista por volta da 1h50. Eram 69 homens e 16 mulheres, com idade média de 34 anos. No grupo havia quatro crianças e adolescentes de até 14 anos e uma pessoa idosa, informou o ministério.

Foi o quarto voo do tipo em outubro. Nos três voos do mês com perfil divulgado, 278 dos 312 passageiros eram homens, quase nove em cada dez, segundo o MDHC. A maior parte tinha de 30 a 39 anos.

Somados, os voos dos dias 9, 16, 23 e 31 trouxeram 385 pessoas ao Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, porta de entrada dos voos de deportação vindos dos Estados Unidos. Desde o começo de 2026, o programa federal Aqui é Brasil recebeu 39 voos, segundo o MDHC.

5,9 mil

brasileiros repatriados, no mínimo, foram acolhidos pelo programa Aqui é Brasil desde 2025, a maioria vinda dos EUA

Fonte: MDHC, outubro de 2026

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O número importa para quem tem parente nos Estados Unidos: mesmo quem mora no Pará, em Santa Catarina ou em Goiás desembarca em Minas Gerais. A partir de Confins, o programa organiza a viagem até o estado de destino, de avião ou de ônibus. Quando a pessoa não tem para onde ir, pode receber abrigo temporário.

O voo de 9 de outubro foi o maior do mês (brasileiros deportados por voo)
9 de outubro144
16 de outubro83
23 de outubro73
31 de outubro85

Fonte: MDHC, 31 de outubro de 2026

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  • Onde chegamAeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG)
  • Quem faz o vooGoverno dos Estados Unidos
  • Quem acolhePrograma Aqui é Brasil, coordenado pelo MDHC
  • O que é oferecidoComida, kit de higiene, saúde, apoio psicológico e viagem até a cidade de destino
  • Informação à famíliaWhatsApp (61) 99168-9789 ou [email protected]
  • Centro no aeroportoCREDH-RM, 1º piso do Terminal 1, telefone (61) 99202-1424

Do desembarque ao hotel

A chegada segue um roteiro fixo, descrito pelo MDHC na página do programa. Os primeiros procedimentos acontecem no próprio terminal, com a participação da Polícia Federal.

Quem tem mandado de prisão em aberto no Brasil pode ser detido ali. Em 22 de abril, três passageiros foram detidos pela Polícia Federal na chegada. Em 6 de maio, outros três eram procurados, segundo o ministério.

Os demais passam por triagem e por uma conversa com equipes de saúde e de apoio psicossocial. No voo de 9 de outubro, 25 pessoas foram atendidas pelos profissionais de saúde, e nenhuma precisou ir para o hospital, informou o MDHC. A rede de atendimento inclui o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC/UFMG).

Ninguém é obrigado a seguir com o grupo. No voo de 9 de outubro, 14 pessoas foram embora por conta própria ainda no aeroporto; no de 16 de outubro, 12. Quem fica segue para um hotel parceiro, onde recebe alimentação, kit de higiene, apoio psicológico e ajuda para viajar até a cidade de destino.

O assistente de operação do programa, Bryan Sempértegui Rodas, disse que a agilidade e o cuidado foram essenciais no atendimento deste sábado. “Nosso compromisso é assegurar que o retorno ao Brasil seja acompanhado de assistência, respeito à dignidade humana e atenção às necessidades de cada pessoa”, afirmou.

“Em cada operação de acolhimento do programa Aqui é Brasil, temos afirmado que ninguém deve recomeçar sozinho”

Macaé Evaristo, então ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, em Confins, em 9 de março de 2026

O programa foi criado pela Portaria Conjunta Interministerial nº 2, de 4 de agosto de 2025. Ele reúne os ministérios das Relações Exteriores, da Saúde, do Desenvolvimento e Assistência Social e da Justiça. Também participam a Polícia Federal, a Defensoria Pública da União (DPU), governos estaduais e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência da ONU.

Como o acolhimento em Confins chegou ao formato atual
  • Fevereiro de 2025MDHC passa a coordenar a recepção dos voos de brasileiros deportados dos Estados Unidos
  • 4 de agosto de 2025Portaria Conjunta Interministerial nº 2 cria oficialmente o programa Aqui é Brasil
  • Fevereiro de 2026MDHC e OIM lançam painel público com dados dos voos e do perfil dos repatriados
  • 9 de março de 2026Centro de referência para repatriados e migrantes abre no Terminal 1 de Confins
  • 9 de outubro de 2026Voo com 144 pessoas é o maior do mês
  • 31 de outubro de 2026Voo da madrugada traz 85 brasileiros, e o ano soma 39 voos

Documentos e benefícios na cidade de destino

O acolhimento não termina no hotel. Desde 9 de março, o Centro de Referência em Direitos Humanos para Pessoas Repatriadas e Migrantes (CREDH-RM) funciona no 1º piso do Terminal 1 de Confins, acima do check-in 1. A equipe orienta sobre documentos e encaminha cada pessoa para assistência social, saúde, educação, trabalho e renda, segundo o MDHC.

A secretária nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Élida Lauris, explicou a função do espaço na inauguração. “O CREDH-RM foi criado para garantir que o momento do retorno e a experiência da pessoa migrante não sejam marcados pelo abandono”, disse.

Quase todo serviço público pede documento brasileiro com foto e CPF em dia. Na cidade de destino, esta ordem ajuda a destravar o resto:

  1. Tirar a nova carteira de identidade, a CIN, cuja primeira via é gratuita e pede a certidão de nascimento ou de casamento e o CPF.
  2. Conferir se o CPF está regular: a correção é gratuita nos canais da Receita Federal e custa R$ 7 nos Correios, no Banco do Brasil e na Caixa.
  3. Fazer ou atualizar o Cadastro Único (CadÚnico) no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do município, porta de entrada para os benefícios do governo, como o Bolsa Família.
  4. Procurar o posto do Sistema Nacional de Emprego (Sine) ou o aplicativo Carteira de Trabalho Digital, onde aparecem as vagas de emprego do Sine.
  5. Ir à unidade básica de saúde do bairro com o CPF ou o Cartão SUS para continuar qualquer tratamento iniciado nos Estados Unidos.

Famílias com crianças têm uma etapa a mais. A vaga na escola pública é direito garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e a secretaria de educação indica como aproveitar os estudos feitos fora do país.

Filho nascido nos Estados Unidos pode ser registrado no consulado brasileiro antes da viagem, segundo o Itamaraty. Depois, o registro é transcrito no cartório do 1º Ofício da cidade onde a família for morar.

Há ainda uma pendência que pega muita gente de surpresa: o título de eleitor. Quem estava fora do país nas eleições de 2026 tem um prazo para justificar a ausência depois que volta. Sem o título de eleitor em dia, não é possível tirar passaporte nem tomar posse em concurso.

Quanto tempo dura o veto para voltar aos EUA

A deportação tem um efeito que dura anos. A seção 212(a)(9) da lei de imigração dos Estados Unidos torna inadmissível, por um período, quem foi removido do país ou viveu lá sem autorização. O prazo depende de como a pessoa saiu e de quanto tempo ficou irregular.

Situação, pela lei americanaPrazo sem poder voltar
Removido na chegada, na fronteira ou no aeroporto5 anos
Removido depois de viver no país10 anos
Segunda remoção ou mais20 anos
Condenado por crime grave, o chamado aggravated felonysem prazo
Saiu por conta própria após mais de 180 dias e menos de 1 ano irregular3 anos
Ficou 1 ano ou mais irregular, qualquer que tenha sido a saída10 anos

Fonte: lei de imigração dos Estados Unidos, seção 212(a)(9) (8 U.S.C. 1182), outubro de 2026.

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Existe um caminho para pedir a volta antes do fim do prazo. O Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) recebe o formulário I-212, um pedido de permissão para tentar de novo a entrada, de quem está impedido por remoção.

A aprovação não é automática, e o pedido de visto passa depois pela análise normal do consulado americano, como explica o guia do visto americano para brasileiros.

A regra é mais dura para quem já foi removido, ou ficou mais de um ano irregular, e volta a entrar ou tenta entrar sem autorização. Nesse caso, a lei não fixa prazo final para o impedimento, e a pessoa só pode pedir permissão depois de 10 anos fora dos Estados Unidos.


Para quem tem um parente preso pela imigração americana, o primeiro contato é o consulado brasileiro mais perto do centro de detenção.

Pelas regras do Itamaraty, o consulado pode acompanhar o caso, cuidar para que o detido tenha tratamento digno e atendimento médico, avisar a família e falar com o advogado, quando pedido. Não pode, porém, contratar nem pagar advogado, interferir na decisão das autoridades americanas ou acelerar o processo.

O sistema de busca de presos do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) ajuda a localizar o parente. Ele pede o número de registro do imigrante, chamado A-number, e o país de nascimento. Os consulados mantêm um celular de plantão para emergências.

O MDHC faz um alerta às famílias: o programa não tem voluntários nem representantes autorizados a recolher dados fora dos canais oficiais. Nome completo, documentos, fotos, cidade de origem e informações sobre a detenção não devem ser passados a quem se apresenta como intermediário.

Informações oficiais sobre a chegada dos voos e sobre como encontrar o parente depois do retorno saem pelo WhatsApp (61) 99168-9789 e pelo e-mail [email protected]. O centro de referência de Confins atende pelo telefone (61) 99202-1424 e pelo e-mail [email protected].

Como citar: Ouviram (31 out. 2026). «Deportados dos EUA: o que acontece na chegada a Confins e quem ajuda no recomeço». ouviram.com.br/brasil/deportados-dos-eua-confins-acolhimento-documentos-volta-aos-eua

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Quem estava nos EUA no dia da eleição precisa justificar o voto?

Precisa, se não votou. Pelas regras do TSE, quem estava no exterior no dia da eleição tem 30 dias, contados da volta ao Brasil, para justificar pelo e-Título ou em cartório eleitoral, com um documento que prove a ausência, como o comprovante do voo.

Deportado pode tirar passaporte brasileiro de novo?

Pode. A Polícia Federal emite o passaporte a quem apresenta os documentos exigidos e está em dia com a Justiça Eleitoral e, no caso dos homens de 19 a 45 anos, com o serviço militar. A deportação por outro país não aparece entre as exigências da Polícia Federal.

Quem paga o voo de deportação dos Estados Unidos?

A operação de deportação, com o voo, é feita pelo governo dos Estados Unidos, segundo o MDHC. No Brasil, o acolhimento e a viagem até a cidade de destino ficam a cargo do programa federal Aqui é Brasil.

Filho de brasileiro nascido nos Estados Unidos é brasileiro?

É brasileiro nato, pelo artigo 12 da Constituição, se for registrado em consulado brasileiro ou se vier morar no Brasil e optar pela nacionalidade depois dos 18 anos. A certidão americana, apostilada e traduzida, pode ser transcrita no 1º Ofício de Registro Civil da cidade, pela Resolução 155/2012 do CNJ.

Ser deportado dos EUA gera antecedente criminal no Brasil?

A deportação é uma medida do governo americano e não aparece, por si só, na ficha de antecedentes da Polícia Federal. Quem tem mandado de prisão em aberto no Brasil, porém, pode ser detido no desembarque, como ocorreu com três passageiros de um voo de abril de 2026, segundo o MDHC.

#Imigração#AquiÉBrasil#Confins#EstadosUnidos#MDHC

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  1. 1. Em que aeroporto chegam os voos com brasileiros deportados dos EUA em 2026?

  2. 2. Quantos brasileiros chegaram no voo de deportados de 31 de outubro de 2026?

  3. 3. Por quantos anos fica impedido de voltar aos EUA quem é removido na chegada?

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