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Rodovias mais perigosas do RS: BR-116 e BR-386 somam um terço das mortes

Batidas de frente foram 7% dos acidentes nas BRs gaúchas desde 2024, mas mataram 355 pessoas, 347 delas em pista simples, segundo a PRF.

Rodovia de pista simples em reta entre lavouras e campos, perto de Cachoeira do Sul
Trecho de pista simples da BR-290 perto do km 277, na região de Cachoeira do Sul (RS), em imagem de 2009.Foto: Dario Alpern / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

As rodovias federais gaúchas registraram 891 mortes de janeiro de 2024 a agosto de 2026, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). A BR-116 e a BR-386 lideram, com 151 e 141 mortes, e somam um terço do total.

Quem desce a Serra por Caxias do Sul, cruza o Vale do Taquari rumo a Carazinho ou viaja até Pelotas encontra nos boletins da PRF um padrão claro. A batida de frente, típica da pista simples, é o acidente que mais mata, e muitas vezes envolve um caminhão.

Os mesmos números mostram onde está a saída. Nos trechos de pista dupla, morreram 4,1 pessoas a cada 100 acidentes, menos da metade das 8,8 registradas na pista simples. De janeiro a agosto de 2026, os acidentes caíram 7,4% em relação ao mesmo período de 2025, de 3.285 para 3.042.

As mortes, porém, subiram de 207 para 218 nesses oito meses. Em 2025 inteiro, foram 4.899 acidentes e 327 mortes nas BRs gaúchas. O estado ficou em sétimo lugar, atrás de Minas Gerais, Paraná, Bahia, Santa Catarina, Pernambuco e Rio de Janeiro.

  • Base dos dadosBoletins de acidentes da PRF, de 1º de janeiro de 2024 a 31 de agosto de 2026
  • Acidentes13.149 nas rodovias federais do estado
  • Mortes891, além de 2.920 feridos graves
  • Rodovia com mais mortesBR-116, com 151
  • Proporção mais altaBR-293, com 15,6 mortes a cada 100 acidentes
  • Cidade com mais mortesPelotas, com 34
  • EmergênciaPRF, telefone 191, 24 horas

891

pessoas morreram em acidentes nas rodovias federais gaúchas entre janeiro de 2024 e agosto de 2026

Fonte: PRF, dados abertos, outubro de 2026

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Rodovia por rodovia, trecho por trecho

A BR-116 é a rodovia federal com mais mortes no Rio Grande do Sul: 151 de janeiro de 2024 a agosto de 2026, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF). A BR-386, conhecida como Estrada da Produção, vem logo atrás, com 141, seguida da BR-290, com 112, e da BR-285, com 96.

A BR-116 também lidera em acidentes, com 3.504. Boa parte deles acontece na Região Metropolitana de Porto Alegre, entre Novo Hamburgo e Canoas, em trechos de pista dupla e trânsito intenso. Por isso a rodovia tem a menor proporção de mortes entre as grandes BRs do estado: 4,3 a cada 100 acidentes.

A BR-386 teve menos da metade dos acidentes da BR-116 e quase o mesmo número de mortes, 8,5 a cada 100 ocorrências. A estrada liga Canoas a Iraí, no norte do estado, e passa por Montenegro, pelo Vale do Taquari, por Soledade, Carazinho e Frederico Westphalen.

Em 2025, a ordem foi a mesma no topo: 63 mortes na BR-116 e 60 na BR-386, segundo a PRF. Em 2024, a BR-290 tinha liderado, com 48, uma morte a mais que a BR-116.

RodoviaAcidentesMortesMortes a cada 100 acidentesCidades com mais mortes na rodovia
BR-1163.5041514,3Pelotas (27), São Leopoldo (18), Guaíba (13)
BR-3861.6531418,5Soledade (16), Carazinho (12), Frederico Westphalen (10)
BR-2902.0141125,6Porto Alegre (16), Rosário do Sul (12), Eldorado do Sul (9)
BR-2851.193968,0São Luiz Gonzaga (14), Lagoa Vermelha (10), Entre-Ijuís (8)
BR-392969889,1Canguçu (13), Rio Grande (13), Santa Maria (8)
BR-158691558,0Cruz Alta (12), Panambi (11), Santana do Livramento (10)
BR-470883485,4Bento Gonçalves (9), Garibaldi (8), Nova Prata (8)
BR-2933014715,6Candiota (10), Pinheiro Machado (8), Capão do Leão (8)

Fonte: PRF, dados abertos, janeiro de 2024 a agosto de 2026.

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A BR-293, que corta a Campanha gaúcha, tem a proporção mais alta de mortes entre as rodovias da lista. Foram 47 mortes em 301 acidentes, quase uma a cada seis ocorrências. A maior parte ficou nos municípios de Candiota, Pinheiro Machado, Capão do Leão e Santana do Livramento.

A BR-470, que sobe da Serra gaúcha rumo a Santa Catarina, e a BR-101, no Litoral Norte, têm levantamentos próprios. Um mostra os km perigosos da BR-470; o outro, os trechos críticos da BR-101 do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul.

O trecho com mais mortes nas rodovias federais gaúchas fica na BR-116, entre os km 240 e 259, de Novo Hamburgo a Canoas. Foram 29 mortes e 813 acidentes de janeiro de 2024 a agosto de 2026, segundo a PRF. É o miolo da Região Metropolitana de Porto Alegre, com cinco municípios no caminho.

O segundo da lista tem pouco movimento e alta letalidade. Entre os km 480 e 499 da BR-116, em Pelotas e Turuçu, foram 21 mortes em 40 acidentes, mais de uma morte a cada dois registros. As batidas de frente causaram 14 delas.

Rodovia e trechoMunicípiosAcidentesMortes
BR-116, km 240 a 259Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Esteio e Canoas81329
BR-116, km 480 a 499Pelotas e Turuçu4021
BR-290, km 80 a 99Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha e Gravataí53516
BR-386, km 220 a 239Soledade, Tio Hugo e Mormaço5914
BR-386, km 340 a 359Lajeado, Estrela, Arroio do Meio e Anta Gorda27413
BR-116, km 220 a 239Dois Irmãos, Ivoti, Estância Velha, Novo Hamburgo e São Leopoldo30612
BR-386, km 300 a 319Marques de Souza e Pouso Novo7711
BR-116, km 260 a 279Canoas e Porto Alegre54011
BR-392, km 0 a 19Rio Grande, Pelotas e Capão do Leão17710
BR-293, km 120 a 139Candiota e Pinheiro Machado2210

Fonte: PRF, dados abertos, janeiro de 2024 a agosto de 2026; trechos de 20 km.

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Outros três trechos também somaram 10 mortes. Dois ficam na BR-386: entre os km 180 e 199, perto de Carazinho, e entre os km 400 e 419, em Montenegro e Triunfo. O terceiro é o início da BR-101, entre os km 0 e 19, em Torres.

Na Região Metropolitana, o que pesa é o volume: centenas de acidentes, a maioria sem morte. No interior, o padrão se inverte. Entre Soledade e Mormaço, na BR-386, houve 14 mortes em 59 acidentes. Quase todos, 57, ocorreram em pista simples, e as colisões frontais causaram 12 das mortes.

No Planalto Médio, Carazinho soma 17 mortes nas BRs desde 2024, 12 delas na BR-386 e 5 na BR-285. Só o trecho da BR-386 entre os km 180 e 199, em Carazinho e Santo Antônio do Planalto, teve 10 mortes em 24 acidentes. Em Passo Fundo, a BR-285 registrou 193 acidentes e 3 mortes.

Pelotas é a cidade gaúcha com mais mortes em rodovias federais: 34. Foram 27 na BR-116 e 7 na BR-392, que segue para Rio Grande e para o porto. Santa Maria vem em seguida, com 25, e Porto Alegre, com 19, embora a capital registre mais acidentes que as duas, 659.

Os boletins da PRF cobrem só as BRs. Estradas estaduais, como a RS-324, que passa por Passo Fundo, ficam fora desta conta.

A batida de frente na pista simples

A colisão frontal foi o acidente que mais matou nas rodovias federais do Rio Grande do Sul desde janeiro de 2024: 355 das 891 mortes até agosto de 2026, segundo a PRF. Ela respondeu por só 7,1% dos 13.149 acidentes, e quase todas as mortes, 347, aconteceram em trechos de pista simples.

A saída de pista e o atropelamento vêm em seguida, com 137 mortes cada. A colisão traseira, comum nos congestionamentos da Região Metropolitana, é muito mais frequente, com 2.063 registros, mas deixou 67 mortos.

Batidas de frente mataram mais que qualquer outro tipo de acidente (mortes nas BRs do RS)
Colisão frontal355
Saída de pista137
Atropelamento137
Colisão traseira67
Colisão transversal61
Colisão com objeto34
Tombamento27

Fonte: PRF, dados abertos, janeiro de 2024 a agosto de 2026

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Nos boletins, a causa ligada a mais mortes é transitar na contramão, com 171. Depois aparecem a ausência de reação do condutor (121), a reação tardia (91), a velocidade incompatível com a via (81) e a ultrapassagem indevida (56). Dormir ao volante foi apontado em 379 acidentes, que deixaram 38 mortos.

A diferença entre os tipos de pista ajuda a entender o quadro. Na pista simples, onde só uma faixa pintada separa os dois sentidos, a PRF registrou 7.687 acidentes e 673 mortes, três de cada quatro do período. Na pista dupla, com canteiro ou barreira no meio, foram 4.242 acidentes e 176 mortes.

O Código de Trânsito Brasileiro trata a ultrapassagem pela contramão em faixa amarela contínua como infração gravíssima. A multa é multiplicada por cinco, chega a R$ 1.467,35 e soma 7 pontos na carteira. Onde não houver placa, o limite é de 100 km/h para carros, caminhonetes e motos na pista simples e de 110 km/h na dupla. Caminhões e ônibus ficam em 90 km/h nos dois casos.

Caminhões, motos, pedestres e horários

Veículos de carga, como caminhões e carretas, estiveram em 3.043 dos 13.149 acidentes nas rodovias federais gaúchas desde janeiro de 2024, ou 23,1% do total, segundo a PRF. Esses acidentes deixaram 403 mortos, 45,2% de todas as mortes registradas no período.

45,2%

das mortes nas BRs gaúchas ocorreram em acidentes com caminhão, carreta ou semirreboque desde janeiro de 2024

Fonte: PRF, dados abertos, outubro de 2026

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O peso aparece com força nas batidas de frente. Das 355 mortes em colisões frontais, 210 ocorreram em acidentes com algum veículo de carga envolvido. A maioria dos mortos estava nos carros: entre todas as vítimas do período, 373 ocupavam automóveis e 75 viajavam em caminhões ou cavalos mecânicos.

A BR-386, rota da produção agrícola entre o norte do estado e a Região Metropolitana, lidera as mortes em acidentes com caminhão: 82. Depois vêm a BR-116 (56), a BR-290 (49) e a BR-285 (48). Há sinal de melhora. Em 2025, as mortes em acidentes com veículos de carga caíram para 141, ante 164 em 2024, uma redução de 14%.

Quem se envolve em batida com caminhão tem direitos e prazos para pedir indenização, explicados no guia sobre acidente com carreta.

Os motociclistas formam o segundo grupo mais atingido. Morreram 152 ocupantes de motos e motonetas, 17,1% do total, em acidentes que somam 4.331 registros com moto ou motoneta envolvida. Os pedestres foram 133 mortos, 14,9%, e os ciclistas, 23.

Entre todas as vítimas, 556 eram condutores e 202, passageiros. Dos 459 atropelamentos, 291 ocorreram em trechos urbanos, onde a rodovia corta bairros. A noite pesa ainda mais: 99 das 137 mortes em atropelamentos aconteceram em plena noite. A PRF apontou o pedestre andando na pista como causa de 114 acidentes, com 53 mortes.

O horário também pesa. A noite concentra quase metade das mortes nas rodovias federais do Rio Grande do Sul: 424 das 891 de janeiro de 2024 a agosto de 2026, segundo a PRF.

Em plena noite ocorreram 34,3% dos acidentes, mas 47,6% das mortes. A faixa das 18h às 20h59 foi a mais letal, com 168 mortes.

O fim de semana também pesa. De sexta a domingo, morreram 473 pessoas, 53,1% do total, e o domingo lidera, com 172 mortes. A quarta-feira é o dia mais tranquilo, com 91.

Dia da semanaAcidentesMortes
Domingo2.047172
Sábado2.132156
Sexta-feira2.113145
Segunda-feira1.813126
Terça-feira1.619101
Quinta-feira1.821100
Quarta-feira1.60491

Fonte: PRF, dados abertos, janeiro de 2024 a agosto de 2026.

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Em 2025, dezembro foi o mês mais perigoso: as BRs gaúchas tiveram 465 acidentes e 41 mortes, os maiores números do ano. Maio teve o menor número de mortes, 16. Em 2024, o pico tinha sido julho, também com 41 mortes.

O tempo ruim responde por uma parcela menor. A maior parte das mortes, 552, ocorreu com céu claro; com chuva, foram 93, e com neblina, 22.


O movimento cresce neste fim de semana, com o feriado de Finados na segunda-feira, 2 de novembro. Pelo calendário de 2026 da PRF, a próxima restrição a caminhões com excesso de peso ou de dimensões nas pistas simples das BRs vem com a Consciência Negra:

  • 19 de novembro (quinta)Das 16h às 22h
  • 20 de novembro (sexta)Das 6h às 12h
  • 22 de novembro (domingo)Das 16h às 22h

Segundo a portaria da PRF, a regra vale para veículos com mais de 2,60 metros de largura, 4,40 metros de altura, 19,80 metros de comprimento ou 58,5 toneladas. Caminhões dentro desses limites seguem liberados.

Em acidente ou emergência nas rodovias federais, o telefone da PRF é o 191, que atende 24 horas. O Samu atende pelo 192 e o Corpo de Bombeiros, pelo 193.

Como calculamos. Somamos os boletins de acidentes da PRF de 2024, 2025 e de janeiro a agosto de 2026 registrados no Rio Grande do Sul. Depois agrupamos mortes e acidentes por rodovia, município, trechos de 20 km, tipo de pista, dia e hora. A participação de caminhões e motos vem da base de pessoas envolvidas, com a contagem de acidentes em que havia ao menos um desses veículos.

Como citar: Ouviram (31 out. 2026). «Rodovias mais perigosas do RS: BR-116 e BR-386 somam um terço das mortes». ouviram.com.br/brasil/rodovias-mais-perigosas-do-rs-br-116-br-386-km-com-mais-acidentes-prf

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Quem atende acidente em rodovia estadual no RS, como a RS-324?

As estradas estaduais gaúchas são patrulhadas pelo Comando Rodoviário da Brigada Militar, que atende pelo telefone 198, segundo o governo do estado. Os boletins da PRF citados aqui valem só para as rodovias federais, as BRs.

Quem paga o conserto do carro que caiu em buraco numa BR do RS?

Nos trechos administrados pelo poder público, o pedido de indenização vai ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Nos trechos concedidos, a responsável é a concessionária. Guarde fotos do buraco, o boletim de ocorrência e orçamentos do conserto.

Qual a multa por dirigir na contramão em rodovia de mão dupla?

Transitar pela contramão em via de mão dupla, fora de uma ultrapassagem, é infração grave pelo Código de Trânsito Brasileiro: multa de R$ 195,23 e 5 pontos na carteira.

Precisa andar com farol aceso de dia nas BRs gaúchas?

Sim, nos trechos de pista simples fora das cidades, se o carro não tiver luz de rodagem diurna. Deixar de acender a luz baixa nesse caso é infração média, com multa de R$ 130,16, segundo o Código de Trânsito.

#Rodovias#RioGrandeDoSul#PRF#BR116#BR386

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