RodoviasExplicador
BR-101 teve mais mortes que qualquer outra rodovia federal em 2025, mostram dados da PRF
Na Bahia, a estrada teve 16,7 óbitos a cada 100 acidentes desde 2024, cinco vezes a taxa de Santa Catarina, segundo a Polícia Rodoviária Federal.

A BR-101 teve 760 mortes em 2025, mais que qualquer outra rodovia federal, segundo os boletins da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Para quem pega a estrada do litoral, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, o risco muda muito de um estado para outro.
A segunda colocada foi a BR-116, com 708 mortes no ano. Em 2024, a ordem era inversa: 821 na BR-116 e 733 na BR-101. Em número de acidentes, porém, a BR-101 lidera nos três anos, com 12.782 em 2024, 13.014 em 2025 e 8.397 de janeiro a agosto de 2026.
760
mortes foram registradas na BR-101 em 2025, o maior número entre as rodovias federais do país
Fonte: PRF, dados abertos, 2025
O levantamento usa os boletins de todos os acidentes atendidos pela PRF, publicados em planilhas abertas com data, hora, km, município, causa e vítimas. De janeiro de 2024 a agosto de 2026, foram 34.193 acidentes, 1.992 mortes e 8.796 feridos graves na rodovia.
Nos oito primeiros meses de cada ano, o número ficou praticamente parado: 497 mortes em 2024, 498 em 2025 e 499 em 2026.
A BR-101 é também a rodovia federal que cruza mais estados, como mostra o levantamento das maiores rodovias do Brasil. Ela começa no Farol do Calcanhar, em Touros (RN), e termina em Rio Grande (RS), depois de uma travessia de balsa. É o que registra o Sistema Nacional de Viação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
- Traçado oficial4.577,6 km, segundo o DNIT
- Em uso3.646,2 km
- Pista dupla1.447,1 km, a maior entre as 12 rodovias federais mais longas
- Concedida1.636,7 km, com pedágio
- EstadosRN, PB, PE, AL, SE, BA, ES, RJ, SP, PR, SC e RS
- EmergênciaPRF 191 e Samu 192, 24 horas
Estado por estado, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul
A Bahia é o estado com mais mortes na BR-101: foram 418 de janeiro de 2024 a agosto de 2026, segundo a PRF.
Santa Catarina tem mais de quatro vezes os acidentes da Bahia, mas menos mortes. Lá, 442 km da rodovia são duplicados, quase todo o trecho, segundo o DNIT, e só 7 das 365 mortes ocorreram em pista simples.
Para comparar trechos tão diferentes, a medida mais útil é a letalidade, o número de mortes a cada 100 acidentes. Na Bahia, ela chega a 16,7, e em Alagoas, a 11,9. Em Santa Catarina, fica em 3,2, e em São Paulo, onde os boletins se concentram em Ubatuba, em 2,3.
| Estado | Acidentes | Mortes | Mortes a cada 100 acidentes | Município com mais mortes |
|---|---|---|---|---|
| Bahia | 2.505 | 418 | 16,7 | Teixeira de Freitas (29) |
| Santa Catarina | 11.315 | 365 | 3,2 | Itajaí (37) |
| Rio de Janeiro | 6.398 | 358 | 5,6 | Campos dos Goytacazes (56) |
| Espírito Santo | 5.081 | 311 | 6,1 | Linhares (43) |
| Pernambuco | 3.186 | 206 | 6,5 | Recife (67) |
| Alagoas | 714 | 85 | 11,9 | São Sebastião (13) |
| Sergipe | 926 | 79 | 8,5 | Estância (12) |
| Paraíba | 1.284 | 69 | 5,4 | Santa Rita (17) |
| Rio Grande do Norte | 1.778 | 62 | 3,5 | Natal (15) |
| Rio Grande do Sul | 365 | 24 | 6,6 | Torres (8) |
| São Paulo | 641 | 15 | 2,3 | Ubatuba (15) |
Fonte: PRF, boletins de acidentes de janeiro de 2024 a agosto de 2026.
O Paraná está no traçado oficial, mas a PRF não registrou nenhum acidente na BR-101 paranaense no período. Em São Paulo, 436 km do traçado coincidem com estradas estaduais, segundo o DNIT, e 640 dos 641 acidentes atendidos pela PRF foram em Ubatuba, no litoral norte.
Em 2025, o ranking por estado foi este: Bahia com 153 mortes, Santa Catarina com 147, Rio de Janeiro com 138 e Espírito Santo com 123. Os quatro somaram 561 das 760 mortes da rodovia no ano, ou 73,8%.
O trecho catarinense, o de mais acidentes, tem análise própria na reportagem sobre o Morro dos Cavalos e a BR-101 em SC. Ela traz os km críticos da Grande Florianópolis e o projeto dos túneis em Palhoça.
Na Bahia, a diferença começa pelo tipo de pista: 395 das 418 mortes na BR-101 desde janeiro de 2024 aconteceram em pista simples, segundo a PRF. No estado, 92,7% dos acidentes foram em pista simples, a de mão dupla sem canteiro central. O percurso vai da divisa com Sergipe ao extremo sul, pelo Recôncavo e pela região cacaueira.
A colisão frontal, a batida de frente entre veículos em sentidos opostos, explica boa parte dessa diferença. Foram 409 batidas desse tipo na Bahia, com 196 mortes, quase metade do total do estado. No Espírito Santo, outras 279 colisões frontais deixaram 101 mortos.
Na rodovia inteira, a colisão frontal respondeu por 4,4% dos acidentes e 21,3% das mortes. Bahia e Espírito Santo concentram 70% das mortes nesse tipo de batida. Entre as batidas de frente, as causas que mais mataram nos boletins foram transitar na contramão, com 155 mortes, e a ultrapassagem indevida, com 78.
O extremo sul baiano tem os municípios mais letais do estado. Teixeira de Freitas registrou 29 mortes em 196 acidentes, Eunápolis teve 23 e Itamaraju, 22. Em São José da Vitória, na região de Itabuna, foram 21 mortes em só 49 acidentes.
Os km com mais mortes na Bahia ficam entre o 880 e o 889, na altura de Caravelas e Teixeira de Freitas, com 14 mortes. Em seguida vem a faixa do km 540 ao 549, perto de Itabuna, com 11. No Recôncavo, a faixa do km 250 ao 259, em Santo Antônio de Jesus e Conceição do Almeida, teve 10.
No Espírito Santo, Linhares lidera com 43 mortes em 887 acidentes, seguida por Serra (36) e Cariacica (32). Na Grande Vitória, a faixa do km 290 ao 299, entre Cariacica, Viana e Vila Velha, somou 498 acidentes e 22 mortes.
Mais ao norte, o padrão se repete em escala menor. Em Alagoas, São Sebastião teve 13 mortes e Teotônio Vilela, 11. Em Sergipe, Estância somou 12, e Umbaúba e Santa Luzia do Itanhy, perto da divisa com a Bahia, 11 cada uma.
Recife, Campos e a Costa Verde no topo das cidades
Recife é o município com mais mortes na BR-101: 67 de janeiro de 2024 a agosto de 2026, em 1.342 acidentes, segundo a PRF. Na capital pernambucana, os tipos que mais mataram foram a colisão lateral no mesmo sentido (17 mortes), o tombamento (15) e o atropelamento (14).
Fonte: PRF, boletins de acidentes, janeiro de 2024 a agosto de 2026
Na Grande Recife, a faixa do km 40 ao 79, que passa por Igarassu, Abreu e Lima, Paulista, Recife e Jaboatão dos Guararapes, somou 2.178 acidentes e 111 mortes. É mais da metade das 206 mortes da rodovia em Pernambuco.
No Rio de Janeiro, Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, teve 56 mortes, e São Gonçalo, na região metropolitana, 42. No trecho que liga a região metropolitana à Costa Verde e segue para Santos, Itaguaí (33), Mangaratiba (30), Angra dos Reis (37) e Paraty (22) somam 122 mortes.
Na Paraíba, Santa Rita registrou 17 mortes e João Pessoa, 13. A faixa do km 80 ao 89, entre Bayeux e João Pessoa, teve 605 acidentes. No Rio Grande do Norte, Natal lidera com 15 mortes, seguida por Parnamirim, com 11.
No Rio Grande do Sul, onde a BR-101 corta o litoral norte, Torres teve 8 mortes, Três Cachoeiras, 6, e Osório, 5. É o trecho gaúcho que recebe o movimento de veraneio a partir de dezembro.
Motos, caminhões e a noite
Motociclistas e garupas foram 777 das 1.992 vítimas fatais da BR-101 de janeiro de 2024 a agosto de 2026, ou 39%, segundo os dados abertos da PRF. Havia pelo menos uma moto em 18.587 acidentes, mais da metade do total da rodovia.
39%
das mortes na BR-101 desde 2024 foram de pessoas que estavam numa moto, como condutor ou garupa
Fonte: PRF, dados abertos, jan/2024 a ago/2026
Santa Catarina teve o maior número de motociclistas mortos na rodovia, 159, seguida por Bahia (132), Espírito Santo (122), Rio de Janeiro (120) e Pernambuco (108). Em 2025, foram 296 mortes de ocupantes de moto, contra 264 em 2024.
Os caminhões aparecem em menos acidentes, mas nos mais graves. Havia caminhão em 6.762 acidentes, 19,8% do total, e esses acidentes deixaram 841 mortos, 42,2% de todas as mortes da rodovia.
Em 1.802 acidentes houve moto e caminhão ao mesmo tempo, com 313 mortes. Quem se envolveu num acidente desse tipo encontra os passos e os direitos no guia sobre acidente com carreta e indenização.
Os pedestres foram 419 das vítimas fatais, e os ciclistas, 107. O atropelamento de pedestre empatou com a colisão frontal como o tipo de acidente que mais matou: 424 mortes cada um. Santa Catarina (106) e Rio de Janeiro (97) concentram quase metade das mortes por atropelamento.
O Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503/1997) fixa, onde não há placa, 110 km/h para carros e motos em pista dupla e 100 km/h em pista simples. Ultrapassar pela contramão onde a faixa amarela é contínua é infração gravíssima, com multa de R$ 1.467,35 e 7 pontos na carteira.
O horário pesa tanto quanto o veículo. Metade das mortes na BR-101 desde 2024 aconteceu em plena noite: 1.001 de 1.992, segundo a PRF. O período respondeu por só 33,5% dos acidentes, sinal de que as batidas noturnas são mais graves.
A faixa das 18h às 20h59 é a de mais acidentes e mais mortes, com 6.111 ocorrências e 408 vítimas fatais. Das 21h às 23h59, foram 326 mortes. Da meia-noite às 5h59, houve 422 mortes em 3.881 acidentes: 10,9 a cada 100, quase o dobro da média da rodovia.
Sábado (353 mortes) e domingo (350) são os dias mais perigosos e somam 35,3% das vítimas fatais. A terça-feira teve o menor número, 223.
Em 2025, dezembro foi o mês com mais acidentes na rodovia, 1.286, e mais mortes, 80, segundo a PRF. É o início das férias escolares e da temporada de verão no litoral, quando o movimento cresce do Nordeste ao Sul.
A chuva aparece em 3.692 acidentes, com 254 mortes, mas a maioria das ocorrências, 20.532, foi com céu claro. A neblina é rara, só 178 acidentes, porém letal: 28 mortes, ou 15,7 a cada 100 acidentes, quase três vezes a média da rodovia.
O feriado nacional de Finados cai nesta segunda-feira, 2 de novembro, e forma um fim de semana prolongado de três dias, de sábado a segunda. O que funciona na data está no guia sobre o que abre e fecha em Finados.
Em caso de acidente na BR-101, a PRF atende pelo telefone 191 e o Samu, pelo 192, 24 horas por dia. Nos trechos com pedágio, a concessionária atende pelo número gratuito que aparece nas placas ao longo da rodovia.
Como calculamos. Somamos os boletins de acidentes da PRF na BR-101 de janeiro de 2024 a agosto de 2026. Depois agrupamos por estado, município, faixa de 10 km, tipo, causa, hora e dia. A letalidade é o número de mortes dividido pelo de acidentes, vezes 100; os veículos e as vítimas vêm do arquivo da PRF por pessoa envolvida.
Como citar: Ouviram (31 out. 2026). «BR-101 teve mais mortes que qualquer outra rodovia federal em 2025, mostram dados da PRF». ouviram.com.br/brasil/br-101-trechos-com-mais-acidentes-rn-ao-rs-km-perigosos-prf
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Qual é o trecho mais perigoso da BR-101?
Pelo número de mortes de janeiro de 2024 a agosto de 2026, a Bahia lidera, com 418, e o extremo sul baiano concentra os municípios mais letais. Pelo volume de acidentes, a Grande Florianópolis vem à frente, segundo a PRF.
Moto pode andar no corredor entre os carros na BR-101?
O Código de Trânsito não tem regra específica: o artigo 56, que proibia a moto entre veículos, foi vetado em 1997. O motociclista responde, porém, por não guardar distância lateral (artigo 192), e a PRF registra a prática como causa de acidentes.
A BR-101 passa pelo Paraná?
O traçado oficial do DNIT inclui o Paraná entre os 12 estados, mas a PRF não registrou nenhum acidente na BR-101 paranaense de janeiro de 2024 a agosto de 2026. Quem segue de Santa Catarina para São Paulo usa outras rodovias federais.
O que fazer se o carro quebrar na BR-101?
Ligue o pisca-alerta, sinalize com o triângulo atrás do veículo, como manda o Código de Trânsito, e espere fora do carro, longe da pista. Depois, chame a concessionária pelo número das placas ou a PRF pelo 191.
Como saber se a BR-101 está interditada agora?
A PRF atende pelo telefone 191, 24 horas, e informa interdições nos perfis oficiais de cada superintendência estadual. Nos trechos concedidos, a concessionária atende pelo número gratuito que aparece nas placas.
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1. Quantos estados a BR-101 atravessa no traçado oficial?
São 12 estados, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, segundo o Sistema Nacional de Viação do DNIT.
2. Que município teve mais mortes na BR-101 de 2024 a agosto de 2026?
Recife teve 67 mortes em 1.342 acidentes no período, segundo os boletins da PRF.
3. Em que período do dia morrem mais pessoas na BR-101?
Em plena noite foram 1.001 das 1.992 mortes de janeiro de 2024 a agosto de 2026, segundo a PRF.
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