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Ciência sem Fronteiras deu 101 mil bolsas e ainda não tem regras para a volta
A CAPES recebe até 18 de novembro, às 17h, pedidos de doutorado sanduíche de 4 a 9 meses, a opção federal aberta mais próxima do antigo modelo.

O Ciência sem Fronteiras concedeu 101.446 bolsas entre 2011 e 2014, a maioria para estudar fora, segundo a CAPES e o CNPq. Até 31 de outubro de 2026, nenhuma regra de uma nova edição foi publicada, e quem quer estudar fora com dinheiro público depende de outros programas federais.
Na prática, não há hoje seleção nacional aberta para a graduação sanduíche, o formato que levou quase oito em cada dez bolsistas do programa. As vagas federais abertas estão na pós-graduação, como o Programa Institucional de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
A volta do programa foi prometida na campanha. No horário eleitoral de 5 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que vai trazer de volta o Ciência sem Fronteiras. O foco anunciado é formar jovens em terras raras, tecnologia da informação e inteligência artificial.
Lula foi reeleito em 25 de outubro, segundo o TSE, e toma posse do novo mandato em 5 de janeiro de 2027.
O Ministério da Educação (MEC) ainda não divulgou, em documento oficial, quantas bolsas a nova versão terá, quanto vai custar, quem poderá concorrer nem quando abre a primeira seleção. Uma nova edição depende de regras publicadas pelo MEC e pela CAPES e de dinheiro previsto no Orçamento, cujo projeto para 2027 tramita no Congresso.
- O que foiPrograma federal de bolsas de estudo e pesquisa criado pelo Decreto 7.642/2011
- Quem pagavaCAPES, do MEC, e CNPq, do Ministério da Ciência
- Bolsas concedidas101.446, de 2011 a 2014
- Maior modalidadeGraduação sanduíche, com 78.980 bolsas
- Situação hojeSem edital nem regras publicadas para uma nova edição
- Opção aberta agoraDoutorado sanduíche da CAPES, até 18 de novembro, às 17h
- Duração do estágioDe 4 a 9 meses no exterior
101.446
bolsas foram concedidas pelo programa em quatro anos, quase oito em cada dez para alunos de graduação
Fonte: CAPES e CNPq, em dados levados ao Senado em 2017
Como o Ciência sem Fronteiras funcionou entre 2011 e 2014
O Ciência sem Fronteiras foi criado pelo Decreto 7.642, de 13 de dezembro de 2011, para formar brasileiros em universidades estrangeiras de excelência e atrair pesquisadores de fora. As bolsas eram pagas pela CAPES, ligada ao MEC, e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
O decreto previa bolsas no exterior de graduação sanduíche, educação profissional e tecnológica, doutorado sanduíche, doutorado pleno e pós-doutorado. No Brasil, havia bolsas para pesquisadores visitantes estrangeiros e para jovens talentos. Um comitê com Casa Civil, MEC, Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores, CAPES e CNPq coordenava o programa.
Fonte: CAPES e CNPq, em dados do Requerimento 285/2017 do Senado
Para a graduação, as regras publicadas no portal do programa pediam pelo menos 600 pontos na nota do Enem, em provas feitas a partir de 2009. O aluno precisava ter cursado entre 20% e 90% do currículo e comprovar proficiência no idioma exigido pelo destino. Também não podia ter recebido antes bolsa de graduação sanduíche da CAPES ou do CNPq.
A bolsa durava 12 meses e podia chegar a 18 quando incluía curso de idioma. Tinham preferência os premiados em olimpíadas científicas e os bolsistas de iniciação científica ou tecnológica do CNPq. O mesmo valia para quem tinha bolsa do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid).
O programa também alcançou estudantes de baixa renda. Segundo os dados da CAPES e do CNPq citados pelo Senado, 25% dos beneficiados vinham de famílias com renda de até três salários mínimos. Mais da metade tinha renda familiar de até seis salários mínimos.
Os efeitos foram medidos pelo próprio Senado. A Comissão de Ciência e Tecnologia da Casa escolheu o Ciência sem Fronteiras como a política pública avaliada em 2015, com o senador Omar Aziz como relator. Uma pesquisa do DataSenado, o serviço de pesquisa da Casa, ouviu 14.627 bolsistas e ex-bolsistas.
Na pesquisa, 92% disseram estar satisfeitos ou muito satisfeitos e 58% afirmaram ter adquirido fluência na língua do país onde estudaram. Entre os ex-bolsistas, 67% mantinham contatos acadêmicos no exterior. Outros 68% contaram ter dividido o que aprenderam com colegas e professores na volta.
O relatório aprovado pela comissão apontou um efeito na carreira acadêmica. Os ex-alunos de graduação sanduíche entraram na pós-graduação numa taxa cerca de três vezes maior que a de quem não participou. Eles também foram, em maior proporção, para mestrados e doutorados com notas 5, 6 e 7 na CAPES. O texto propôs transformar o programa em política de Estado.
No ano seguinte, o desenho mudou. Em 26 de julho de 2016, o MEC anunciou um novo foco para o programa: alunos de graduação deixariam de receber novas bolsas, e as de pós-graduação seriam mantidas. Em abril de 2017, a Comissão de Educação do Senado pediu ao ministério informações sobre o fim do programa.
- 13/12/2011Decreto 7.642 cria o Ciência sem Fronteiras, executado pela CAPES e pelo CNPq
- 2014Programa fecha o ciclo de 101.446 bolsas concedidas desde 2011
- 2015Senado avalia o programa e propõe transformá-lo em política de Estado
- 26/07/2016MEC anuncia que a graduação deixa de ter novas bolsas e mantém as de pós-graduação
- Abril de 2017Comissão de Educação do Senado pede ao MEC dados sobre o fim do programa
- 28/03/2025CAPES cria o CAPES-Global.edu, de redes de internacionalização das universidades
- 05/09/2026Lula diz no horário eleitoral que vai trazer o programa de volta
- 18/11/2026Fecham, às 17h, as inscrições do doutorado sanduíche da CAPES
O doutorado sanduíche da CAPES, com inscrição até 18 de novembro
O Programa Institucional de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE), da CAPES, recebe inscrições de 20 de outubro a 18 de novembro de 2026, até as 17h de Brasília, pelo Edital 22/2026. A bolsa paga de 4 a 9 meses de pesquisa numa instituição estrangeira, com viagem prevista para setembro e outubro de 2027.
É a modalidade que mais se parece com o antigo programa, mas vale só para quem já está no doutorado. A CAPES distribui uma cota de bolsa por programa de doutorado com nota 4 ou mais na última avaliação quadrienal. A escolha do candidato é feita antes, dentro da universidade.
- Quem podeDoutorandos aprovados na qualificação ou com o primeiro ano do curso concluído
- Nota do curso4 ou mais na avaliação quadrienal da CAPES
- O que a bolsa pagaMensalidade, auxílio deslocamento, auxílio instalação e seguro-saúde
- DuraçãoDe 4 a 9 meses
- Seleção internaFeita pela universidade até 16 de outubro de 2026
- InscriçãoAté 18 de novembro de 2026, às 17h, no sistema da CAPES
- ViagemSetembro e outubro de 2027
Quem foi escolhido pelo seu programa de pós-graduação precisa terminar a inscrição pessoalmente. O passo a passo do edital é este:
- Confirme com a coordenação do seu curso que o seu nome foi indicado na seleção interna.
- Tenha um identificador ORCID válido, o cadastro gratuito de pesquisadores, antes de abrir o formulário.
- Reúna o plano de pesquisa aprovado pelo orientador e pelo coorientador no exterior, o Currículo Lattes e as declarações de fluência no idioma.
- Até 18 de novembro, às 17h, preencha o formulário no sistema da CAPES e envie a declaração do coorientador com as datas do estágio.
- Acompanhe a homologação pela universidade, de 1º a 17 de dezembro, e a lista das inscrições homologadas, a partir de 22 de dezembro.
O estágio precisa caber no prazo do doutorado e deixar pelo menos seis meses de curso no Brasil depois da volta. Os programas de pós-graduação que entraram no CAPES-Global.edu não podem indicar alunos para o PDSE, segundo o edital.
Redes, acordos e intercâmbio na escola
O CAPES-Global.edu financia redes de universidades e institutos de pesquisa com até R$ 350 milhões por ano e até R$ 1,4 bilhão no total, segundo o Edital 13/2025 da CAPES. O programa foi criado pela Portaria CAPES 74, de 28 de março de 2025. Cada rede tem vigência de cinco anos.
Nesse programa, há bolsas no exterior de doutorado sanduíche, de 4 a 9 meses, e de professor visitante, de 2 a 10 meses. Há ainda capacitação de curta duração, de 15 dias a 3 meses. A seleção dos bolsistas é feita pelas universidades da rede, em editais próprios, e é ali que o aluno deve procurar.
Para quem está na graduação, o caminho federal hoje passa por acordos entre universidades. O Brafitec, programa da CAPES com a França na engenharia, escolhe até 25 novos projetos de parceria entre universidades pelo Edital 9/2026. O resultado sai até 31 de dezembro de 2026. O parceiro francês é a conferência dos diretores das escolas de engenharia (CDEFI).
Os alunos desses projetos são escolhidos pelo coordenador de cada projeto na universidade. Pelo edital, a mensalidade da graduação sanduíche na França é de 870 euros, e o aluno comprova o francês com teste de proficiência ou com cartas dos coordenadores. Nas universidades federais, quem informa os acordos ativos é a assessoria internacional de cada campus.
Para estudantes do ensino médio e suas famílias, as regras antigas do programa mostram o que pesava na seleção: nota alta no Enem e medalhas em olimpíadas científicas. Se você tem filho na escola pública, a olimpíada de matemática já rende bolsa no Brasil.
Na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), os medalhistas de escola pública que entram na iniciação científica recebem R$ 300 por mês do CNPq. A informação é do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), que organiza a prova.
Há também iniciativas estaduais de intercâmbio na escola. Em Pernambuco, o programa Ganhe o Mundo ofereceu em 2026 duas mil vagas para alunos da rede estadual passarem um semestre em escolas no exterior. Foram 1.400 vagas em inglês e 600 em espanhol, segundo a Secretaria de Educação do estado.
Para quem está no doutorado, o prazo do PDSE atravessa Finados, na segunda-feira, 2 de novembro, feriado nacional sem expediente nas universidades públicas. A inscrição é feita pela internet, no sistema da CAPES, mas quem precisa de assinatura do orientador ou da coordenação deve resolver antes.
Depois do fim das inscrições, a CAPES faz a análise técnica de 22 de fevereiro a 18 de março de 2027. A lista dos aprovados na análise documental sai a partir de 25 de março, e a relação final, depois dos recursos, a partir de 12 de abril de 2027.
Dúvidas técnicas sobre a inscrição devem chegar à CAPES até segunda-feira, 16 de novembro, dois dias úteis antes do fim do prazo, pelo e-mail do programa.
Como citar: Ouviram (31 out. 2026). «Ciência sem Fronteiras deu 101 mil bolsas e ainda não tem regras para a volta». ouviram.com.br/brasil/ciencia-sem-fronteiras-vai-voltar-o-que-se-sabe-bolsas-no-exterior-abertas
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Mestrando pode pedir bolsa de doutorado sanduíche da CAPES?
Não. O PDSE é só para alunos matriculados em doutorado acadêmico ou profissional com nota 4 ou mais na avaliação da CAPES. Quem já tem título de doutor também não pode se inscrever.
Precisa de exame de proficiência para o doutorado sanduíche?
Não necessariamente. O edital aceita declarações de fluência assinadas pelo coorientador no exterior e pelo orientador no Brasil, ou um certificado de proficiência. Para países de língua portuguesa, as declarações são dispensadas.
Quanto tempo de bolsa de doutorado a CAPES paga no total?
O limite é de 48 meses de financiamento público no doutorado, somando bolsas no Brasil, em doutorado anterior e no estágio no exterior, segundo o regulamento da CAPES.
Pode acumular a bolsa sanduíche com outra bolsa federal?
Não, se for do mesmo nível. Quem já recebe outra bolsa federal de doutorado precisa pedir a suspensão ou o cancelamento dela ao ter a bolsa no exterior aprovada, sob risco de devolver o dinheiro.
Quem faz doutorado sanduíche precisa voltar ao Brasil?
Sim. O bolsista volta ao fim da bolsa para concluir os créditos e defender a tese no Brasil, e o estágio precisa deixar pelo menos seis meses de curso por aqui.
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1. Em que ano foi criado o Ciência sem Fronteiras?
O Decreto 7.642, de 13 de dezembro de 2011, criou o programa, executado pela CAPES e pelo CNPq.
2. Qual modalidade recebeu mais bolsas do programa?
Foram 78.980 bolsas de graduação sanduíche entre 2011 e 2014, segundo a CAPES e o CNPq.
3. Qual era a nota mínima no Enem para a graduação sanduíche?
As regras exigiam ao menos 600 pontos no Enem, em provas feitas a partir de 2009.
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