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Gordura visceral: como medir a cintura em casa e reduzir a barriga com apoio do SUS

Exercício regular reduz o acúmulo entre os órgãos mesmo sem perda de peso, e o Ministério da Saúde considera sucesso manter 10% a menos de peso após um ano.

Pessoa mede a cintura com fita métrica por cima da camiseta, segurando uma balança
Pessoa mede a cintura com fita métrica por cima da camiseta e segura uma balança, em imagem de 2019.Foto: Bru-nO / Pixabay · licença Pixabay

A obesidade entre adultos das capitais mais que dobrou desde 2006 e chegou a 25,7% em 2024, segundo o Vigitel, do Ministério da Saúde. Uma fita métrica dá a primeira pista de que a gordura está se acumulando dentro da barriga, onde ela mais pesa para o coração.

  • O que éGordura guardada dentro do abdome, em volta dos órgãos
  • Como medirFita métrica no ponto médio entre a última costela e o osso do quadril, ao soltar o ar
  • Risco elevadoA partir de 80 cm nas mulheres e 94 cm nos homens, nos valores da OMS
  • Risco significativamente elevadoA partir de 88 cm nas mulheres e 102 cm nos homens
  • Meta realistaPerder de 5% a 10% do peso pode melhorar pressão, glicose e gorduras do sangue
  • Exercício150 minutos por semana de atividade moderada, mais força duas vezes
  • Onde buscar ajudaUnidade Básica de Saúde (UBS), de graça

25,7%

dos adultos das capitais e do Distrito Federal tinham obesidade em 2024, mais que o dobro de 2006

Fonte: Vigitel, Ministério da Saúde, 2024

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A notícia boa vem do protocolo que orienta os médicos do Sistema Único de Saúde (SUS): a gordura da barriga responde bem ao exercício. Ela diminui mesmo quando o peso na balança fica parado.

Gordura visceral é a gordura acumulada dentro do abdome, em volta dos órgãos. Para avaliar esse acúmulo, o Ministério da Saúde usa a medida da cintura. A regra está no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Sobrepeso e Obesidade em Adultos, de 11 de novembro de 2020.

O protocolo chama a medida de “marcador de maior risco cardiometabólico”, ou seja, de mais chance de problemas no coração, na pressão e no açúcar do sangue. É uma gordura diferente da que fica logo abaixo da pele, aquela que se belisca com os dedos.

Por isso o índice de massa corporal (IMC), a conta que divide o peso pela altura ao quadrado, não basta sozinho. Duas pessoas com o mesmo IMC podem guardar a gordura em lugares diferentes.

Pelo critério da Organização Mundial da Saúde (OMS), usado pelo Vigitel, há excesso de peso com IMC a partir de 25 e obesidade a partir de 30.

As doenças ligadas ao excesso de peso também avançaram. Entre 2006 e 2024, a fatia de adultos das capitais com diagnóstico médico de diabetes passou de 5,5% para 12,9%, segundo o Vigitel. A de hipertensão foi de 22,6% para 29,7%.

Como medir a cintura em casa

Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, a cintura deve ser medida com fita métrica no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca, o osso do quadril. A leitura é feita com a pessoa soltando o ar. Se esse ponto não for encontrado, a medida é feita 2 cm acima do umbigo.

  1. Fique em pé, com a barriga sem roupa ou só com uma camiseta fina.
  2. Encontre a última costela e o osso do quadril dos dois lados do corpo.
  3. Passe a fita no ponto do meio entre os dois, reta e paralela ao chão.
  4. Solte o ar normalmente, sem encolher a barriga, e leia a medida.
  5. Se não achar os ossos, meça 2 cm acima do umbigo.

O protocolo traz pontos de corte diferentes conforme a origem étnica, com base em referências internacionais. Os valores da primeira linha coincidem com os adotados pela Organização Mundial da Saúde.

OrigemRisco elevado (mulher)Risco elevado (homem)Risco significativamente elevado (mulher)Risco significativamente elevado (homem)
Europeia (caucasiana)80 cm94 cm88 cm102 cm
Latina83 cm88 cm90 cm94 cm
Africana71,5 cm76,5 cm81,5 cm80,5 cm
Asiática80 cm85 cmsem dadosem dado

Fonte: Ministério da Saúde, Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Sobrepeso e Obesidade em Adultos, 2020.

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Como a população brasileira tem origens muito diversas, vale ler o resultado com a equipe da UBS. Pelo protocolo, a avaliação inclui também o histórico de saúde, o exame físico e exames de laboratório.

O próprio protocolo lembra que a medida é indireta e muda com a gravidez, com o acúmulo de líquido no abdome e com a barriga distendida.

O documento também pede que a medição seja feita com permissão e em lugar reservado, para evitar constrangimento. Em casa, vale medir sempre no mesmo ponto e no mesmo horário, para comparar uma medida com a outra.

A obesidade nas capitais

Nas 26 capitais e no Distrito Federal, o grupo mais afetado é o de 45 a 54 anos, com 31,7% de obesidade, segundo o Vigitel 2024, do Ministério da Saúde. As mulheres têm taxa um pouco maior que os homens: 26,7% contra 24,4%.

A obesidade mais que dobrou nas capitais em 18 anos (% de adultos com IMC 30 ou mais)
200611,8
201015,2
201418,0
201819,9
202122,5
202324,1
202425,7

Fonte: Vigitel, Ministério da Saúde, 2024 (sem dado de 2022)

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O Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos não Transmissíveis no Brasil 2021-2030 tem como meta deter a alta da obesidade. Pela meta, a taxa não deveria passar de 20,3% até 2030. O índice passou desse teto em 2020, quando chegou a 21,7%, segundo a mesma série do Vigitel.

A alta veio de todos os lados. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a obesidade foi de 4,4% em 2006 para 13,4% em 2024. Entre quem tem curso superior completo, de 8,6% para 25%.

O cardápio ajuda a explicar. Em 2024, 25,5% dos adultos das capitais disseram ter comido cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados, como refrigerante, salgadinho de pacote e biscoito recheado, no dia anterior à entrevista. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a fatia foi de 45,5%, segundo o Vigitel.

Há também uma mudança na direção certa. A parcela de adultos que fazem pelo menos 150 minutos de atividade física por semana no tempo livre subiu de 30,3% em 2009 para 42,3% em 2024. Entre as mulheres, o salto foi de 22,2% para 37,9%.

Para pais e mães, o dado dos jovens é o que mais chama atenção. Os pontos de corte da cintura valem só para adultos. Crianças e adolescentes são acompanhados pelo pediatra ou pela equipe da UBS com curvas de crescimento por idade e sexo. A OMS publicou diretrizes próprias sobre obesidade infantil e remédios.

Como reduzir a barriga com apoio do SUS

O protocolo de sobrepeso e obesidade do Ministério da Saúde combina três frentes: menos ultraprocessados, 150 minutos semanais de atividade física moderada e exercícios de força duas vezes por semana. Quando for preciso, entra também o apoio psicológico.

O dado que mais anima está no próprio documento, que afirma: “A obesidade abdominal é altamente sensível aos efeitos da atividade física regular”. Segundo o protocolo, a gordura visceral cai de forma significativa quando a pessoa cumpre a recomendação de exercício, “mesmo que nenhum peso seja perdido”.

O texto também tira a pressão de chegar ao peso ideal. O sucesso, para o SUS, é manter pelo menos 10% a menos do peso inicial depois de um ano. Perdas de 5% a 10% podem não mudar a classificação do IMC, mas podem baixar a pressão, a glicose e os triglicérides, um tipo de gordura do sangue.

Na prática, para quem pesa 90 kg, perder 5% significa chegar a 85,5 kg, e perder 10%, a 81 kg. É uma meta bem mais próxima do que a tabela de peso ideal sugere.

Na alimentação, as orientações do protocolo incluem:

  • Mais alimentos in natura e minimamente processados, como arroz, feijão, legumes, frutas, ovos e carnes
  • Menos alimentos processados e distância dos ultraprocessados
  • Água no lugar de refrigerante e suco adoçado
  • Pouco óleo, sal e açúcar no preparo
  • Preferência por comida feita em casa

Na mesa brasileira, isso cabe no feijão com arroz, no peixe do Norte, na macaxeira (como a mandioca é chamada no Norte e no Nordeste) e nas frutas da feira.

Na atividade física, a meta de 150 minutos pode ser dividida em 30 minutos por dia ou em pelo menos três dias por semana. Valem caminhada em ritmo moderado, corrida, natação ou subida de escadas. Quem está parado pode começar com 10 minutos por dia e aumentar aos poucos, diz o protocolo.

Para seguir esse plano com acompanhamento, o SUS oferece consultas na Unidade Básica de Saúde (UBS), com médico, enfermeiro e, em muitas cidades, nutricionista. O SUS também oferece aulas gratuitas no Programa Academia da Saúde. Em 2025, a atenção básica fez 9,7 milhões de atendimentos por obesidade, contra 6,2 milhões em 2022, segundo o Ministério da Saúde.

Desde 2023, os estados implantam a Linha de Cuidado do Sobrepeso e da Obesidade, que organiza o caminho do paciente da UBS ao especialista. Em abril de 2026, ao lembrar que a obesidade dobrou desde 2006, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou: “A gente percebe isso no dia a dia”.

O Programa Academia da Saúde tinha 1.779 estabelecimentos credenciados em 2025, segundo o ministério, que em abril anunciou R$ 51 milhões por ano para habilitar 582 unidades em 451 municípios. São espaços públicos com atividades físicas orientadas e gratuitas, abertos à comunidade.

“É uma alegria ver uma política pública completar 15 anos”, disse a secretária de Atenção Primária à Saúde, Ana Luiza Caldas, no seminário nacional do programa, em Brasília, em abril.

Remédio para obesidade, por enquanto, não faz parte da lista nacional do SUS. Em abril de 2020, o ministério decidiu não incorporar o orlistate e a sibutramina.

Em 15 de setembro de 2025, após parecer da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), veio a decisão de não incorporar a semaglutida para um grupo específico. Eram pacientes com obesidade graus II e III, sem diabetes, a partir de 45 anos e com doença cardiovascular.

O cenário começou a mudar em 2026. Em junho, o Grupo Hospitalar Conceição, hospital federal de Porto Alegre, iniciou um projeto-piloto com semaglutida para 250 pacientes do SUS, acompanhados por dois anos. Entram pessoas já acompanhadas pelo hospital, com obesidade grave ou com doenças associadas, diagnóstico há pelo menos 12 meses e tratamento convencional sem sucesso.

“O Brasil está sendo pioneiro na utilização desse medicamento no sistema público de saúde.”

Alexandre Padilha, ministro da Saúde, no lançamento do projeto-piloto, em junho de 2026

Em 24 de setembro de 2026, o ministério protocolou na Conitec o pedido de análise para incorporar ao SUS medicamentos à base de semaglutida ou liraglutida. Os dois princípios ativos já perderam a proteção de patente.

Segundo o ministério, os preços dessas canetas caíram 70% no Brasil em menos de um ano, com a chegada de concorrentes. Até setembro, o país tinha 25 delas registradas, 14 só em 2026.

Para quem tem obesidade grave, o SUS já oferece outra porta, a cirurgia bariátrica pelo SUS, com critérios de IMC e encaminhamento a partir da UBS.

Obesidade no SUS, marco a marco
  • 2006Vigitel começa a medir o peso dos adultos das capitais; obesidade em 11,8%
  • 24 de abril de 2020Ministério da Saúde decide não incorporar orlistate e sibutramina ao SUS
  • 11 de novembro de 2020Sai o protocolo de sobrepeso e obesidade em adultos, com a medida da cintura
  • 2021Plano de doenças crônicas fixa a meta de manter a obesidade em até 20,3% até 2030
  • 2023Estados começam a implantar a Linha de Cuidado do Sobrepeso e da Obesidade
  • 15 de setembro de 2025Semaglutida não é incorporada para obesidade graus II e III com doença cardiovascular
  • 26 de junho de 2026Piloto com semaglutida começa no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre
  • 24 de setembro de 2026Ministério pede à Conitec análise da semaglutida e da liraglutida

Pela Lei 12.401, de 2011, a Conitec tem até 180 dias a partir do protocolo, prorrogáveis por mais 90, para concluir a análise, que inclui consulta pública. Contado do protocolo das canetas, o prazo inicial vai até 23 de março de 2027. Se houver incorporação, o Decreto 7.646, de 2011, dá ao SUS mais 180 dias para começar a oferta.

Segunda-feira, 2 de novembro, é feriado nacional de Finados, e o funcionamento das UBS nesse dia depende de cada prefeitura.

Para medir a cintura com orientação e montar um plano, o caminho é a UBS mais perto de casa, com documento com foto e o cartão do SUS. Dúvidas sobre os serviços podem ser tiradas no Disque Saúde, pelo telefone 136.

Como citar: Ouviram (31 out. 2026). «Gordura visceral: como medir a cintura em casa e reduzir a barriga com apoio do SUS». ouviram.com.br/brasil/gordura-visceral-como-medir-a-cintura-e-reduzir-com-apoio-do-sus

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Quem é magro pode ter gordura visceral?

Pode. O índice de massa corporal (IMC) não mostra onde a gordura está guardada, e por isso o protocolo do Ministério da Saúde usa também a medida da cintura, que indica a gordura dentro do abdome.

Fazer abdominal todo dia tira a gordura da barriga?

O protocolo do SUS não traz abdominais isolados como estratégia. A recomendação é combinar exercícios aeróbicos, como caminhada e natação, com exercícios de força para os grandes grupos musculares, pelo menos duas vezes por semana.

Grávida pode usar a medida da cintura para saber o risco?

Não. O protocolo do Ministério da Saúde avisa que a gestação altera a medida, assim como o acúmulo de líquido no abdome e a distensão abdominal. Na gravidez, o ganho de peso é acompanhado no pré-natal.

Quantas refeições por dia o SUS recomenda para quem quer emagrecer?

O protocolo de sobrepeso e obesidade recomenda pelo menos três refeições por dia e um corte de 500 a 1.000 calorias diárias em relação ao gasto estimado, sempre com orientação da equipe de saúde.

#Saúde#MinistérioDaSaúde#SUS#Vigitel#Obesidade

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  1. 1. Segundo o Vigitel, qual era a fatia de adultos das capitais com obesidade em 2024?

  2. 2. Onde o protocolo do SUS manda passar a fita para medir a cintura?

  3. 3. Quantos minutos de atividade física moderada por semana o protocolo do SUS recomenda a adultos?

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