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Voltar de Portugal para o Brasil: passagem paga pela OIM traz proibição de 3 anos

A agência da ONU para migrações registrou 534 inscrições de brasileiros em oito meses de 2026, acima das 527 dos 12 meses de 2025.

Avião na pista em Lisboa, com a ponte Vasco da Gama e o rio Tejo ao fundo, em dia de sol
Avião na pista do aeroporto de Lisboa, com a ponte Vasco da Gama ao fundo, em imagem de 2016.Foto: Gustavo H. Braga / Flickr · CC BY-SA 2.0

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) paga a volta de Portugal ao Brasil a quem não tem dinheiro, com 3 anos de proibição. A agência da ONU cobre a passagem sem custo, mas a pessoa fica impedida de entrar em Portugal e no restante da União Europeia nesse período.

A procura cresceu. De janeiro a agosto de 2026, a OIM em Portugal registrou 534 inscrições de brasileiros no programa, mais do que nos 12 meses de 2025, quando foram 527.

534

inscrições de brasileiros em oito meses superaram as 527 registradas em todo o ano de 2025 no programa da OIM

Fonte: OIM Portugal, boletins de janeiro a agosto de 2026

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A decisão pesa mais que o preço do bilhete. Quem compra a própria passagem não entra nessa proibição, e isso muda os planos de quem pensa em voltar à Europa no futuro. A mudança, os filhos nascidos em Portugal, a aposentadoria e o Imposto de Renda têm regras próprias, com prazos que começam a contar antes do embarque.

  • Quem pode pedirBrasileiro sem meios para voltar, com ou sem autorização de residência em Portugal
  • Quem fica de foraQuem já usou o programa, quem tem problema na Justiça portuguesa que impeça a saída, cidadãos da União Europeia e familiares diretos deles
  • O que a OIM pagaPassagem aérea e 70 euros (R$ 423,65) para a viagem
  • Ajuda para recomeçarAté 2.000 euros (cerca de R$ 12,1 mil), limitada e pedida antes do embarque
  • Contrapartida3 anos sem entrar em Portugal, na União Europeia e no espaço Schengen
  • Validade do projetoAté dezembro de 2026
  • Custo para vocêNenhum

Os valores em reais usam a cotação de venda do euro em 30 de outubro de 2026, de R$ 6,0522, segundo o Banco Central.

A procura aparece nos boletins mensais do programa de Apoio ao Retorno Voluntário e à Reintegração (ARVoRe). De janeiro a agosto de 2026, eles somam 534 inscrições e 246 retornos de brasileiros. Em todo o ano de 2025, foram 527 inscrições e 289 retornos. Em 2024, 432 e 149.

Pedidos de volta em 8 meses de 2026 já superam 2024 e 2025 (inscrições de brasileiros)
2024432
2025527
2026, até agosto534

Fonte: OIM Portugal, boletins anuais de 2024 e 2025 e mensais de janeiro a agosto de 2026

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O ritmo subiu 52%. A média passou de 43,9 inscrições por mês em 2025 para 66,8 em 2026, pelos boletins da OIM. Os brasileiros são a maior parte do programa: foram 534 das 677 inscrições de todas as nacionalidades neste ano, ou 78,9%.

Inscrição, porém, não é viagem. Os 246 retornos de 2026 equivalem a 46% das inscrições do período, e a conta é só uma aproximação, porque o embarque pode acontecer meses depois do pedido. Abril concentrou o maior número de inscrições e de viagens.

Mês de 2026Inscrições de brasileirosRetornos de brasileiros
Janeiro7728
Fevereiro6434
Março6738
Abril8743
Maio4022
Junho5517
Julho8028
Agosto6436

Fonte: OIM Portugal, boletins mensais, janeiro a agosto de 2026.

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Passagem da OIM ou volta por conta própria

O programa ARVoRe paga a passagem aérea pela rota mais direta e econômica a quem não tem meios de voltar. Soma 70 euros entregues no dia da partida, segundo a OIM. A edição atual do projeto vai até dezembro de 2026. A proibição de entrada de 3 anos atinge só quem sai pelo programa.

Quem tem autorização de residência entrega o título no posto de fronteira, no embarque. A proibição se apoia na Lei 23/2007, de Portugal, e cobre também a União Europeia e o espaço Schengen. Quem tem nacionalidade portuguesa não entra no programa, porque cidadãos europeus e seus familiares diretos são excluídos. A cidadania portuguesa segue regras próprias.

Existe saída antes do fim do prazo. A pessoa pede admissão na representação portuguesa da região onde mora, e o governo de Portugal informa quanto deve ser devolvido, com juros legais. Depois do reembolso, a proibição deve cair em até 30 dias, segundo a OIM.

A ajuda de reintegração, de até 2.000 euros, merece cautela. A OIM informa que ela é limitada, depende de análise e da verba disponível e precisa ser pedida antes da viagem.

Em 2025, os brasileiros somaram 205 reintegrações. Em 2026, os boletins mostram 91 reintegrações de todas as nacionalidades de janeiro a abril e 13 de maio a agosto. Por isso, vale fazer as contas da volta sem esse dinheiro.

Quem volta por conta própria e pensa em retornar precisa olhar a validade do título. A Lei 23/2007 permite cancelar a autorização temporária depois de seis meses seguidos fora do país ou de oito meses intercalados no período de validade. Na autorização permanente, os limites são 24 meses seguidos ou 30 meses intercalados em três anos.

O consulado brasileiro só paga passagem em caso excepcional. A repatriação com dinheiro público exige prova de desvalimento, ou seja, de que a pessoa e a família não podem pagar. A comprovação é uma declaração da Defensoria Pública da União (DPU), segundo o Itamaraty.

O pedido só é avaliado depois de esgotadas as outras formas de conseguir o bilhete. A ajuda cobre apenas o primeiro ponto de entrada no Brasil e não vale para quem já foi repatriado nem para quem também tem nacionalidade portuguesa.

Passaporte vencido não impede a volta. Quem não consegue tirar um novo pode pedir a Autorização de Retorno ao Brasil (ARB), gratuita e válida para uma única viagem. A Polícia Federal recolhe o documento na chegada, segundo o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa.

O pedido passa pelo sistema e-Consular, com 15 dias de antecedência. A pessoa comprova identidade e nacionalidade brasileiras, e a concessão fica a critério do consulado. Menores só recebem o documento com autorização dos pais ou responsáveis.

Mudança, filhos e diplomas

A Receita Federal isenta de tributos os móveis, os bens domésticos e as ferramentas de trabalho do brasileiro que morou mais de um ano fora. A carga precisa chegar entre 3 meses antes e 6 meses depois do desembarque do viajante, segundo o guia oficial atualizado em janeiro de 2026.

  • IsentosMóveis e bens domésticos, novos ou usados; bens de uso pessoal e usados; livros; ferramentas e instrumentos da profissão, com prova da atividade
  • Demais bensImposto de importação de 50% sobre o valor total
  • Janela da cargaDe 3 meses antes a 6 meses depois da sua chegada
  • AtrasoPerda das isenções e multa de 20% sobre o imposto de importação devido, salvo motivo alheio à vontade do viajante
  • DeclaraçãoDeclaração Simplificada de Importação (DSI), registrada no Siscomex, sistema de comércio exterior

Viagens ao Brasil durante esse período não tiram o direito, desde que somem até 45 dias por ano. O que passar disso não conta para o ano no exterior, e a pessoa precisa ficar mais tempo fora para compensar, segundo a Receita.

Tudo começa com a transportadora. Exija o conhecimento de carga, o documento de transporte, no seu nome e com a quantidade de volumes. Numere as caixas e faça uma lista com o conteúdo de cada uma e o valor aproximado. Bens novos pedem nota de compra ou uma justificativa para a falta dela.

Peça ao consulado o atestado de residência antes de embarcar. Consulados do Itamaraty orientam brasileiros a obter esse certificado para enquadrar a bagagem como mudança. Também valem provas do tempo fora, como contrato de trabalho ou de aluguel, comprovante de frequência à universidade e passaporte.

Na mala do avião, valem a cota de US$ 1.000 para compras e a isenção dos itens pessoais usados, segundo a Receita.

Com filhos nascidos em Portugal, o passo que vem antes é outro. O registro no consulado do Brasil garante à criança a nacionalidade brasileira. O serviço é gratuito e não tem limite de idade nem multa, segundo o Consulado-Geral do Brasil em Faro, em orientação atualizada em novembro de 2025. Sem esse registro, a criança não recebe passaporte brasileiro.

O serviço é presencial, com agendamento pela internet, e não aceita correio nem procuração. Acima de 12 anos, são necessárias duas testemunhas. Por isso, o registro deve vir antes da compra da passagem da família.

Ao chegar, falta o traslado, que copia a certidão consular para o registro civil brasileiro. Ele é feito no Cartório de 1º Ofício da cidade onde a família vai morar ou no do Distrito Federal, pela Resolução 155/2012 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Por exemplo, uma família que sai do Porto para Goiânia leva a certidão ao 1º Ofício de Goiânia, sem tradução nem apostila, segundo o Itamaraty.

Se você tem filho na escola, leve o histórico apostilado. A apostila é um selo internacional que dá validade ao documento no Brasil. Papéis de escola pública portuguesa vão direto à Procuradoria-Geral da República. Os de escola privada precisam antes de autenticação da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), segundo a Embaixada do Brasil em Lisboa.

A equivalência é pedida na própria escola ou na secretaria estadual de educação. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) autoriza a escola a reclassificar o aluno transferido do exterior, com base nas normas curriculares gerais. Isso significa colocá-lo na série adequada, sem exigir que ele repita o caminho já feito.

Como o calendário escolar muda de estado para estado, confirme a data da matrícula com a secretaria da sua cidade.

Fora de Lisboa, a apostila sai nas procuradorias do Porto, de Coimbra, de Évora, de Guimarães, dos Açores e da Madeira, segundo o Ministério Público de Portugal. Em Lisboa, o atendimento presencial exige marcação pela aplicação e-APP.

Diploma de faculdade portuguesa precisa de revalidação para valer no Brasil, e o pedido corre na Plataforma Carolina Bori, do Ministério da Educação (MEC).

A Resolução 2/2024 do Conselho Nacional de Educação fixa prazo de até 180 dias, com possível extensão de 90. A tramitação simplificada, para bolsistas de agência brasileira e cursos listados em acordos internacionais, leva até 90 dias. Medicina depende de aprovação no exame Revalida.

INSS, Imposto de Renda e título de eleitor

O tempo de contribuição à Segurança Social de Portugal pode ser somado ao do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para pedir aposentadoria. A regra está no acordo entre os dois países, em vigor desde 25 de março de 1995, segundo o INSS. Cada país paga a parte proporcional ao tempo contribuído nele.

No Brasil, o caso é tratado pela Agência da Previdência Social de Atendimento Acordos Internacionais de São Paulo, na Rua Santa Cruz, 747, na Vila Mariana, telefone (11) 3503-3617. Em Portugal, o responsável é o Centro Nacional de Pensões, em Lisboa.

Quem mora em outro estado pode dar entrada na agência do INSS que preferir, e ela encaminha o processo, segundo o instituto. O Meu INSS faz o agendamento. Guarde desde já os recibos de salário e o extrato de contribuições de Portugal.

Para o Imposto de Renda, a chave é a data da chegada. O brasileiro que volta com “ânimo definitivo”, a intenção de ficar, é residente a partir do dia em que chega. Não precisa esperar 184 dias, segundo as Perguntas e Respostas do IRPF 2026, da Receita Federal.

As economias feitas lá fora, enquanto a pessoa não era residente, não pagam Imposto de Renda ao entrar no Brasil. Elas precisam constar na ficha Bens e Direitos, segundo a Receita. Quem passou a ser residente e continuava nessa condição em 31 de dezembro deve declarar. Na prática, quem chega em 2026 entrega a declaração em 2027.

Do lado português, quem não tem Cartão de Cidadão e deixa o país tem 60 dias para comunicar a saída. A Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), de Portugal, trata o caso como mudança de residente para não residente.

O pedido sai pelo e-balcão do Portal das Finanças ou com hora marcada, pelo telefone +351 217 206 707, em dias úteis, das 9h às 19h.

Se você mantém vínculo com o fisco português, como um imóvel, a regra vai além. Morador de país fora da União Europeia, como o Brasil, deve nomear representante fiscal ou aderir às notificações eletrônicas em 15 dias depois de informar o endereço no exterior.

Quem mantém atividade por conta própria em Portugal precisa do representante. A falta de representante, quando obrigatório, rende multa de 75 a 7.500 euros, segundo a AT.

De volta ao Brasil, o título de eleitor entra na lista. O cadastro da Justiça Eleitoral reabre em 3 de novembro de 2026, terça-feira, para transferir e regularizar títulos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A data vem um dia depois do feriado nacional de Finados.

Quem vota pela zona do exterior, a ZZ, pede a transferência pelo Autoatendimento Eleitoral, como explica o guia do título de eleitor.

Quem tem título no Brasil e estava fora no dia da eleição pode justificar a ausência em até 30 dias depois de voltar, segundo o TSE. Veja os prazos que se cruzam:

  • 15 dias antes da viagemPedir a ARB, se não der para tirar um novo passaporte
  • Antes de embarcarRegistrar filhos no consulado, apostilar documentos e pedir o atestado de residência
  • Até 3 meses antes da chegadaA mudança já pode estar no Brasil
  • Dia da chegadaVocê passa a ser residente para o Imposto de Renda
  • 30 dias depois da voltaFim do prazo para justificar a ausência na eleição
  • 60 dias depois da mudançaComunicar às Finanças de Portugal
  • 6 meses depois da chegadaÚltimo dia para a carga entrar com as isenções

Quem chega sem renda pode procurar um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) para entrar no Cadastro Único, a porta dos programas federais. O Itamaraty lançou em novembro de 2025 a segunda edição do Guia do Retorno, com orientações sobre saúde, emprego, empreendedorismo, benefícios e regularização fiscal.

O mercado de trabalho ajuda quem chega agora. A desocupação ficou em 5,2% no trimestre até setembro de 2026, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a menor para um terceiro trimestre na série iniciada em 2012. Um ano antes, a taxa era de 5,6%.

Como calculamos. Somamos as inscrições e os retornos de brasileiros nos oito boletins mensais da OIM em Portugal, de janeiro a agosto de 2026. O total foi comparado com os boletins anuais de 2024 e 2025. As médias dividem cada total pelo número de meses. O boletim de setembro ainda não havia sido publicado em 1º de novembro.


Quem ainda está em Portugal e precisa de ajuda para voltar fala com a OIM pelo WhatsApp +351 915 030 860 ou pelo e-mail [email protected]. O escritório de Lisboa, na Rua das Pedras Negras, 16, só atende com hora marcada.

Como citar: Ouviram (1 nov. 2026). «Voltar de Portugal para o Brasil: passagem paga pela OIM traz proibição de 3 anos». ouviram.com.br/mundo/voltar-de-portugal-para-o-brasil-passagem-oim-mudanca-documentos

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Preciso de passaporte válido para voltar pela OIM?

Na entrevista, a OIM aceita passaporte válido ou vencido, junto com documento de parentesco e título de residência, se houver. Quem não tem documento nenhum deve falar antes com a equipe.

Moro nos Açores ou na Madeira, de onde sai o voo da OIM?

A partida é do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, segundo a OIM. Quem mora nas ilhas viaja primeiro para Lisboa, onde um funcionário acompanha a pessoa até o voo.

A OIM leva cachorro ou gato no voo de volta?

O transporte de animais de estimação fica com o dono, que paga os custos e cuida dos documentos. A OIM informa que não organiza nem se responsabiliza por esse transporte.

Posso desistir depois de me inscrever na OIM?

Sim, a participação é voluntária e pode ser cancelada a qualquer momento. Se a desistência vier depois da compra do bilhete, o processo não pode ser reaberto e a OIM não compra outra passagem.

Quanto dinheiro vivo posso levar de Portugal para o Brasil?

Quem entra com mais de US$ 10.000, ou o equivalente em outra moeda, precisa declarar na Declaração Eletrônica de Bens de Viajante (e-DBV) e apresentar o valor à fiscalização na chegada, segundo a Receita Federal.

Quanto custa apostilar um documento em Portugal?

São 10,20 euros por apostila, segundo o Ministério Público de Portugal, cerca de R$ 62 pela cotação de 30 de outubro de 2026. Quem comprovar insuficiência econômica pode ter gratuidade.

#Imigração#Portugal#OIM#ReceitaFederal#Itamaraty

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  1. 1. Por quanto tempo quem volta pelo programa da OIM fica proibido de entrar em Portugal?

  2. 2. Quanto tempo fora do Brasil dá direito à mudança sem imposto?

  3. 3. Até quanto tempo depois da chegada a mudança pode entrar no Brasil?

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