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Ministro da Defesa em 2026: José Múcio Monteiro está no cargo desde janeiro de 2023

Ex-presidente do TCU e deputado federal por cinco mandatos, o engenheiro pernambucano de 78 anos referendou decretos em 21 de outubro, mostra o Diário Oficial.

Fachada do bloco Q da Esplanada dos Ministérios, com o nome do Ministério da Defesa na parede, em Brasília
Fachada do bloco Q da Esplanada dos Ministérios, sede do Ministério da Defesa, em Brasília, em imagem de 2020.Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons · CC BY 2.0

José Múcio Monteiro Filho é o ministro da Defesa desde 1º de janeiro de 2023, segundo decreto publicado no Diário Oficial da União. Em outubro de 2026, ele continua no cargo: assinou portaria da pasta em 14 de outubro e referendou decretos do presidente em 21 de outubro.

A nomeação saiu numa edição especial do Diário Oficial no primeiro dia do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A posse no ministério foi no dia seguinte, 2 de janeiro de 2023, em Brasília. Desde então, a pasta não trocou de titular.

O Ministério da Defesa comanda a Marinha, o Exército e a Aeronáutica, que são subordinados ao ministro pela Lei Complementar 97/1999. Na prática, passa por ele do alistamento militar dos jovens de 18 anos ao apoio das tropas à Justiça Eleitoral, quando ela pede reforço na votação.

  • MinistroJosé Múcio Monteiro Filho
  • No cargo desde1º de janeiro de 2023
  • AntecessorGeneral Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, de abril a dezembro de 2022
  • Onde ficaEsplanada dos Ministérios, Bloco Q, em Brasília
  • Base legalLei Complementar 97/1999 e Decreto 11.337/2023
  • Áreas de atuação27, segundo o decreto

Do interior de Pernambuco ao TCU

José Múcio Monteiro Filho é um engenheiro civil pernambucano, formado em 1971, segundo a biografia da Câmara dos Deputados. Foi deputado federal por cinco mandatos e ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) de 2009 a 2020. Nasceu no Recife em 25 de setembro de 1948 e tem 78 anos.

A vida pública começou no interior de Pernambuco. Ele foi vice-prefeito de Rio Formoso de 1976 a 1982 e prefeito de 1982 a 1983, segundo a Câmara e o currículo oficial do ministro. De 1983 a 1986, foi secretário estadual de Transportes, Comunicações e Energia.

Em 1991, assumiu o primeiro de cinco mandatos seguidos de deputado federal. Passou por três partidos na Câmara, PFL, PSDB e PTB, e presidiu nacionalmente o PFL de 1992 a 1993. De 1997 a 1998, licenciou-se para ser secretário de Planejamento, Urbanismo e Meio Ambiente do Recife.

No segundo governo Lula, foi líder do governo na Câmara de março a novembro de 2007. Em 23 de novembro daquele ano, licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, a pasta que cuida da relação com o Congresso.

Em 28 de setembro de 2009, renunciou ao mandato de deputado para ocupar uma vaga de ministro do TCU, o órgão que fiscaliza as contas do governo federal. Ficou no tribunal até 2020 e o presidiu de 2019 a 2020, segundo o currículo oficial do ministro.

No discurso de posse, em 2 de janeiro de 2023, o ministro lembrou a tradição de paz do Brasil. “Nosso País possui tradições pacíficas”, disse. Ele também apontou a prioridade da gestão: “Lidarei, prioritariamente, com programas e projetos estratégicos conduzidos por essa Pasta e pelas três Forças.”

A trajetória de José Múcio no serviço público
  • 1976 a 1983Vice-prefeito e depois prefeito de Rio Formoso (PE)
  • 1983 a 1986Secretário de Transportes, Comunicações e Energia de Pernambuco
  • 1991Toma posse no primeiro de cinco mandatos de deputado federal
  • Março a novembro de 2007Líder do governo na Câmara dos Deputados
  • Novembro de 2007Assume a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência
  • Setembro de 2009Renuncia ao mandato para ser ministro do TCU
  • 2019 a 2020Preside o Tribunal de Contas da União
  • 1º de janeiro de 2023Nomeado ministro da Defesa

Marinha, Exército e Aeronáutica sob a pasta

O Ministério da Defesa coordena a defesa do país e dirige a Marinha, o Exército e a Aeronáutica, segundo a página oficial da pasta. São 27 áreas de atuação, fixadas no Decreto 11.337/2023, alterado pelo Decreto 12.726/2025. A lista vai da política de defesa nacional ao serviço militar e à defesa cibernética.

A base de tudo é a Lei Complementar 97/1999. Ela define as Forças Armadas como instituições nacionais permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do presidente da República. O artigo 3º subordina as três Forças ao ministro da Defesa, e o artigo 9º lhe dá a direção superior delas.

Quem decide usar as tropas é o presidente, pelo artigo 15 da mesma lei. O ministro faz a ponte: ativa os comandos operacionais e assessora o presidente nos assuntos militares. No emprego de meios militares, o presidente ouve também o Conselho Militar de Defesa, formado pelos três comandantes e pelo chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

A pasta tem duas grandes áreas, o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e a Secretaria-Geral. Também respondem a ela a Escola Superior de Guerra, criada em 1949, e o Hospital das Forças Armadas, em Brasília. O Ordinariado Militar, que cuida da assistência religiosa católica nos quartéis, também faz parte da estrutura.

  • Política de defesaPolítica e Estratégia Nacional de Defesa e o Livro Branco de Defesa Nacional
  • Forças ArmadasDoutrina, preparo, emprego conjunto, operações militares e efetivos
  • PessoasServiço militar, remuneração e proteção social dos militares e pensionistas, saúde e assistência
  • IndústriaCompras, desenvolvimento e controle de exportação de produtos de defesa
  • Céu e marPolítica marítima, segurança da navegação aérea e salvaguarda da vida humana no mar
  • AmazôniaOperação do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam)
  • EleiçõesAtuação das Forças Armadas na garantia da votação e da apuração, quando couber

O item das eleições ganha peso nesta semana. Os pedidos de tropas partem dos tribunais regionais eleitorais e passam pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); depois, cabe à Defesa planejar e executar a operação. No 1º turno, em 4 de outubro, 136 municípios de 12 estados tiveram apoio de forças federais, segundo o TSE.

O serviço militar é outra frente que chega às famílias. Todo rapaz se alista no ano em que faz 18 anos, e desde 2025 as moças podem se alistar como voluntárias. O alistamento de 2025 teve 1.063.044 inscritos, entre eles 33.721 mulheres, segundo o Ministério da Defesa. O passo a passo está no guia do alistamento militar online.

33.721

mulheres se alistaram como voluntárias em 2025, no primeiro ano do serviço militar feminino no Brasil

Fonte: Ministério da Defesa, 2025

Link para este dado

A abertura para as mulheres foi anunciada pelo próprio ministro em 2024, na cerimônia dos 25 anos da pasta. No mesmo discurso, ele apresentou a criação de uma carreira civil de Defesa, com concurso para servidores do ministério. Anunciou ainda a transferência do Programa Calha Norte para o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

“Contar com a força da mulher no serviço militar será um ganho para as Forças Armadas e para a sociedade brasileira.”

José Múcio Monteiro Filho, ministro da Defesa, na cerimônia dos 25 anos do ministério, em 2024

Para quem quer seguir carreira, as próprias Forças abrem seleções todos os anos, como as escolas de sargentos e de cadetes. As datas e os requisitos estão no guia de concursos do Exército.

Os projetos estratégicos da Defesa aparecem na lista de discursos do ministro publicada pela pasta. Estão lá o lançamento do submarino Tonelero, em 27 de março de 2024, e o batismo da fragata Tamandaré, em 9 de agosto de 2024, ambos da Marinha. Em 2023, houve o batimento de quilha do navio polar, o início da montagem do casco.

Na Aeronáutica, o destaque de outubro foi o voo do primeiro Gripen feito no Brasil, em 6 de outubro, na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto (SP). É o primeiro de 15 caças previstos para montagem no país, que seguem para a Força Aérea Brasileira depois dos testes.

A cooperação com países vizinhos também passa pela pasta. O Decreto 13.132, de 6 de outubro de 2026, assinado pelo presidente e pelo ministro, autorizou 350 militares argentinos a participar do exercício Arandu com o Exército Brasileiro. O treinamento foi de 10 a 17 de outubro, em Rosário do Sul, no Rio Grande do Sul.

Durante a campanha eleitoral, parte do site do ministério fica fora do ar. A página com a biografia do ministro e os discursos aparece como conteúdo restrito, regra que vale para os sites do governo federal no período eleitoral. A agenda pública e a página «Quem é quem», com telefones e e-mails, continuam abertas.

Quinze ministros em 27 anos

Desde a criação da pasta, em junho de 1999, 15 pessoas chefiaram o Ministério da Defesa, segundo a lista de ministros anteriores publicada pela própria pasta. José Múcio é o 15º da lista. Desde janeiro de 2023, ele é o único titular; antes dele, o cargo foi do general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira.

Antes de 1999, não havia um ministério único para as três Forças. O país tinha os ministérios da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, além do Estado-Maior das Forças Armadas. A Lei Complementar 97, de 9 de junho de 1999, criou a Defesa e transformou as antigas pastas militares em comandos subordinados a ela.

MinistroPeríodoPresidente
Élcio Álvaresjunho de 1999 a janeiro de 2000Fernando Henrique Cardoso
Geraldo Quintãojaneiro de 2000 a dezembro de 2002Fernando Henrique Cardoso
José Viegas Filhojaneiro de 2003 a novembro de 2004Luiz Inácio Lula da Silva
José Alencarnovembro de 2004 a março de 2006Luiz Inácio Lula da Silva
Waldir Piresmarço de 2006 a julho de 2007Luiz Inácio Lula da Silva
Nelson Jobimjulho de 2007 a agosto de 2011Lula e Dilma Rousseff
Celso Amorimagosto de 2011 a dezembro de 2014Dilma Rousseff
Jaques Wagnerjaneiro a outubro de 2015Dilma Rousseff
Aldo Rebelooutubro de 2015 a maio de 2016Dilma Rousseff
Raul Jungmannmaio de 2016 a fevereiro de 2018Michel Temer
Joaquim Silva e Lunafevereiro a dezembro de 2018Michel Temer
Fernando Azevedo e Silvajaneiro de 2019 a março de 2021Jair Bolsonaro
Walter Braga Nettomarço de 2021 a março de 2022Jair Bolsonaro
Paulo Sérgio Nogueira de Oliveiraabril a dezembro de 2022Jair Bolsonaro
José Múcio Monteiro Filhodesde janeiro de 2023Luiz Inácio Lula da Silva

Fonte: Ministério da Defesa, lista de ministros anteriores, março de 2025.

Link para este dado

A lista mistura civis e militares. Até 2017, todos os titulares foram civis, entre eles um vice-presidente da República, José Alencar, que acumulou os dois cargos. O primeiro militar no posto foi o general Joaquim Silva e Luna, em 2018, e outros três generais vieram depois dele.

Pela Constituição, o cargo é privativo de brasileiro nato, regra incluída pela Emenda Constitucional 23, de 1999, no mesmo ano da criação do ministério. A exigência coloca o ministro da Defesa no grupo de cargos como presidente da República, ministro do Supremo Tribunal Federal e oficial das Forças Armadas. A composição completa do primeiro escalão está na lista de ministros do governo Lula.


A Defesa recebe pedidos de informação pelo Serviço de Informações ao Cidadão, na Esplanada dos Ministérios, Bloco Q, térreo, sala 42, em Brasília. O atendimento é das 9h às 12h e das 14h às 17h, pelo telefone (61) 2023-9330 ou pelo e-mail [email protected].

Como citar: Ouviram (23 out. 2026). «Ministro da Defesa em 2026: José Múcio Monteiro está no cargo desde janeiro de 2023». ouviram.com.br/politica/ministro-defesa-quem-e-2026

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Ministro da Defesa precisa ser militar?

Não. O ministro da Defesa pode ser civil ou militar, e José Múcio é civil. A Constituição exige só que seja brasileiro nato, maior de 21 anos e no exercício dos direitos políticos.

Quem escolhe os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica?

Pelos artigos 4º e 5º da Lei Complementar 97/1999, cada comandante é indicado pelo ministro da Defesa e nomeado pelo presidente da República. O cargo é privativo de oficial-general do último posto da própria Força.

O que é o Livro Branco de Defesa Nacional?

É o documento público que reúne dados estratégicos, orçamentários e materiais das Forças Armadas. Pela Lei Complementar 97/1999, o governo envia ao Congresso, a cada quatro anos, o Livro Branco, a Política de Defesa Nacional e a Estratégia Nacional de Defesa.

Qual é o telefone do gabinete do ministro da Defesa?

O gabinete do ministro atende pelos números (61) 3312-8525 e (61) 3312-8520, e o e-mail é [email protected], segundo a página «Quem é quem» do ministério.

Onde fica o Ministério da Defesa?

A sede fica na Esplanada dos Ministérios, Bloco Q, em Brasília, CEP 70049-900. O expediente vai de segunda a sexta, das 9h às 18h, segundo o ministério.

#MinistérioDaDefesa#JoséMúcio#ForçasArmadas#TCU#DiárioOficial

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