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Piso das merendeiras: quem tem direito ao valor de R$ 3.847,97 e quando começa a valer
O projeto não lista cargos, fixa a conta em 75% do mínimo dos professores e, em 20 horas semanais, daria R$ 1.923,99 por mês.

O Senado analisa um piso de R$ 3.847,97 para merendeiras e outros funcionários de escola pública, e esse valor ainda não está valendo. A obrigação de pagar só começa na data em que a lei for publicada, depois da votação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), no Plenário e da sanção presidencial.
A proposta é o Projeto de Lei 2.531/2021, aprovado em 3 de novembro pela Comissão de Educação do Senado. Ela alcança quem trabalha em funções de apoio nas redes públicas e tem formação de nível médio. Se o seu contrato tem menos de 40 horas por semana, o mínimo cai na mesma proporção.
- Valor propostoR$ 3.847,97 por mês, com o piso do magistério de 2026
- Regra de cálculo75% do piso nacional dos professores
- Jornada de referênciaAté 40 horas semanais
- EscolaridadeFormação em nível médio
- Quem aplicaUnião, estados, Distrito Federal e municípios
- InícioData de publicação da lei
- SituaçãoNa CAE, com o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) como relator
O valor equivale a 2,4 vezes o salário mínimo de 2026, de R$ 1.621. A remuneração média dessas categorias era de R$ 1.800 em 2025, segundo o parecer aprovado na Comissão de Finanças da Câmara. Na conta desse parecer, feita com o piso de 2025, a média subiria para R$ 3.650.
Quais cargos entram no piso
O texto não traz lista de cargos. O artigo 1º fala em “profissionais da educação básica pública que exercem funções de apoio administrativo, técnico ou operacional”. O que conta, portanto, é a função exercida na rede pública, da creche ao ensino médio, e não o nome do cargo na folha de pagamento.
Os documentos da tramitação mostram o alcance pretendido. O parecer da Comissão de Finanças da Câmara cita merendeiras, vigilantes, motoristas, auxiliares, secretários escolares, serviços gerais e técnicos de apoio. O relatório aprovado no Senado menciona também a limpeza e a manutenção técnica das escolas.
O maior número desses trabalhadores está nas prefeituras. O Censo Escolar de 2023 contou mais de 1,5 milhão de profissionais nos quadros técnicos e administrativos das escolas públicas, segundo o parecer da Comissão de Educação da Câmara. Quase 1,2 milhão estavam em redes municipais, e cerca de 330 mil, em redes estaduais.
Mais de 1,5 milhão
de profissionais trabalhavam nos quadros técnicos e administrativos das escolas públicas estaduais e municipais
Fonte: Censo Escolar 2023, em parecer da Câmara dos Deputados
Três grupos ficam fora da regra:
- Escolas particularesO projeto trata só da educação básica pública, e o salário nelas segue o contrato e a convenção coletiva.
- Professores e equipe pedagógicaDireção, coordenação e orientação estão na lei do piso do magistério, de R$ 5.130,63 em 2026.
- Empresas terceirizadasO projeto se dirige aos governos e não cria regra para contratos com empresas que prestam serviço às escolas.
O que o nível médio muda na cozinha da escola
O artigo 2º fixa o valor “para a formação em nível médio”. Não há valor para quem tem só o ensino fundamental, nem valor maior para quem tem curso técnico ou superior. O texto também não diz se conta o diploma da pessoa ou a exigência do cargo.
Esse ponto pesa porque o cargo de merendeira costuma aparecer com exigência menor. Dos oito editais de 2026 abaixo, seis pedem ensino fundamental, completo ou incompleto. Em cinco dos oito, o valor inicial chega a R$ 1.621, o salário mínimo do ano.
| Rede | Região | Valor inicial no edital | Escolaridade exigida |
|---|---|---|---|
| Rede estadual de Rondônia | Norte | R$ 2.142,02 e adicionais | Ensino médio |
| Couto Magalhães (TO) | Norte | R$ 1.518,00 mais complemento de R$ 103,00 | Fundamental incompleto |
| João Lisboa (MA) | Nordeste | R$ 1.621,00 | Ensino médio |
| Pesqueira (PE) | Nordeste | R$ 1.621,00 | Fundamental incompleto, com 5º ano |
| Heitoraí (GO) | Centro-Oeste | R$ 1.621,00 | Fundamental incompleto, com 5º ano |
| Taiúva (SP) | Sudeste | R$ 1.621,00 | Fundamental completo |
| Uchoa (SP) | Sudeste | R$ 1.648,48 | Fundamental |
| Marques de Souza (RS) | Sul | R$ 1.727,26 | Fundamental completo |
Fonte: editais das prefeituras e do Governo de Rondônia publicados em 2026, para 40 horas semanais. Em Rondônia, o cargo se chama agente de alimentação.
O maior valor da tabela equivale a 56% do piso proposto. Por isso, a redação sobre escolaridade é um dos pontos a acompanhar na CAE, que tem poder de mudar o texto. A Comissão de Educação da Câmara incluiu o nível médio ao explicar que era preciso “estabelecer o nível de formação requerido”.
Cursos e vagas para funcionários de escola
Quem quer se preparar já tem caminhos públicos. O MEC retomou em 2025 o Profuncionário, com previsão de 3.500 vagas em cursos técnicos a distância nas áreas de alimentação escolar, secretaria escolar, multimeios didáticos e infraestrutura escolar. As vagas passam pelas redes de ensino: em maio de 2026, o Piauí abriu 172, para quem tinha ensino médio completo.
Para terminar a escola, as opções são a Educação de Jovens e Adultos (EJA), nas redes públicas, e o Encceja. Esse exame do Inep certifica o ensino médio a partir dos 18 anos. A edição de 2026 teve inscrições de 4 a 15 de maio e prova em 23 de agosto.
As prefeituras também continuam contratando, e novas seleções aparecem na lista de concursos públicos abertos. Em Maracanaú (CE), o cadastro de reserva para merendeiras do Edital 30/2026 recebe inscrições até as 22h de 11 de novembro, pelo portal da prefeitura. A prova é em 29 de novembro, e a exigência é o ensino fundamental concluído.
Quanto dá em cada jornada
O valor cheio vale para até 40 horas. Nas demais jornadas, o artigo 2º manda pagar, no mínimo, a proporção. A conta cabe no celular: divida R$ 3.847,97 por 40 e multiplique pelas horas do seu contrato.
| Jornada semanal | Mínimo proposto por mês |
|---|---|
| 40 horas | R$ 3.847,97 |
| 36 horas | R$ 3.463,17 |
| 30 horas | R$ 2.885,98 |
| 25 horas | R$ 2.404,98 |
| 20 horas | R$ 1.923,99 |
Fonte: PL 2.531/2021 e Portaria MEC nº 82, de 29 de janeiro de 2026.
A comparação é com o vencimento, a linha de salário-base do contracheque. O projeto usa a expressão “vencimento inicial”, a mesma da lei dos professores. Nessa lei, o Supremo Tribunal Federal decidiu em 2011, na ADI 4.167, que o piso se mede pelo vencimento, e não pela remuneração total.
Por exemplo, uma auxiliar de limpeza com 40 horas, vencimento de R$ 1.800 e R$ 600 em gratificações recebe R$ 2.400. A comparação com o piso usa os R$ 1.800. O projeto não trata de gratificações, adicionais nem progressão de carreira, que seguem a lei de cada estado ou município.
O número de R$ 3.847,97 também não é fixo, porque o projeto define uma porcentagem, e não uma quantia. O valor acompanha o mínimo dos professores, que o MEC atualiza todo janeiro. A Comissão de Finanças da Câmara retirou do texto o artigo próprio de correção anual, por causa de uma regra da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025.
Fonte: cálculo sobre os pisos fixados pelo MEC, 2023 a 2026
Se a lei sair em 2027, a conta já parte do novo valor. Pela Lei 15.437/2026, o ministro da Educação tem até o último dia útil de janeiro para publicar o piso do ano.
Quando o piso começa a valer
O artigo 3º diz que a lei entra em vigor na data da publicação. O texto não traz escalonamento, período de adaptação nem pagamento retroativo. O relatório aprovado no Senado fala em absorção gradual do custo pelos governos, mas essa ideia não virou prazo em nenhum artigo.
- 13 de julho de 2021A deputada Rose Modesto apresenta o projeto na Câmara, com valor fixo de R$ 2.164,68
- 24 de abril de 2024A Comissão de Educação da Câmara troca o valor fixo por 75% do piso dos professores
- 15 de outubro de 2025A Comissão de Finanças aprova o texto e retira o reajuste anual próprio
- 9 de dezembro de 2025A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprova o projeto
- 16 de março de 2026A Câmara envia o texto ao Senado
- 3 de novembro de 2026A Comissão de Educação do Senado aprova o relatório de Marcelo Castro (MDB-PI)
- 4 de novembro de 2026A CAE recebe o projeto e define o relator
A agenda de comissões do Senado para as próximas duas semanas, consultada em 6 de novembro, não trazia data para a votação. Depois da CAE, o texto vai ao Plenário. Se os senadores aprovarem sem mudanças, ele segue para a Presidência da República, que tem 15 dias úteis para sancionar ou vetar. Se houver alteração, volta à Câmara.
Existe um atalho possível. Um requerimento de urgência assinado por líderes partidários, o RQS 231/2026, foi apresentado em 25 de março e ainda não foi votado em Plenário. Se for aprovado, o projeto pode entrar na pauta do Plenário antes do parecer da CAE.
O calendário do Congresso também conta. Pela Constituição, as sessões do ano terminam em 22 de dezembro e recomeçam em 2 de fevereiro. Se a votação ficar para 2027, o projeto continua vivo: o Regimento do Senado arquiva propostas no fim da legislatura, mas abre exceção para as que vieram da Câmara.
De onde sai o dinheiro
O custo é o ponto que os senadores deixaram para a CAE. O parecer da Comissão de Finanças da Câmara registra R$ 39,5 bilhões por ano para 1,6 milhão de profissionais, já com 13º salário e terço de férias. A estimativa foi apresentada por uma associação de funcionários da educação do Amazonas e usa o piso de 2025.
A fonte apontada é o Fundeb, o fundo da educação básica. Pela Lei 14.113/2020, ao menos 70% do dinheiro vai para a remuneração dos profissionais, e os funcionários de apoio técnico, administrativo e operacional já contam nessa parcela. O parecer compara a despesa aos R$ 339,0 bilhões previstos no fundo em 2025, o que dá 11,7%.
R$ 39,5 bilhões
é o custo anual registrado no parecer da Câmara, equivalente a 11,7% da receita prevista do Fundeb em 2025
Fonte: Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, outubro de 2025
A relatora na comissão, deputada Socorro Neri (PP-AC), escreveu que o aumento anual esperado das receitas do fundo “comportará o acréscimo introduzido por esse novo piso”. Ela calculou em 13,3% o crescimento médio anual da arrecadação de 2021 a 2025.
A exigência de fonte vem da Constituição. O artigo 167, com a Emenda 128/2022, proíbe lei federal de impor despesa de pessoal a estados e municípios sem indicar de onde sai o dinheiro.
Na reunião de 3 de novembro, o senador Esperidião Amin (PP-SC) afirmou concordar com o mérito e defendeu que a CAE avalie os custos. “Eu quero saber quanto custa”, disse. O senador Izalci Lucas (PL-DF) afirmou que a comissão vai trabalhar por uma solução: “vamos buscar outros recursos”.
“o projeto de lei é muito relevante, pois vem ao encontro dessa necessária valorização dos profissionais da educação não docentes”
O ministério também disse, segundo o mesmo parecer, que o piso nacional incentiva estados e municípios a criar planos de carreira. A Lei 14.113/2020 já obriga cada rede a implantar esses planos, com o objetivo de assegurar remuneração condigna.
O efeito para alunos e famílias
O projeto não muda o calendário escolar nem as regras da merenda. Ele trata só do salário de quem faz a escola funcionar. Para pais e alunos, a questão é a permanência das equipes. O senador Marcelo Castro escreveu no relatório que a precarização do trabalho “gera alta rotatividade nas equipes escolares”, sobretudo nos municípios de menor arrecadação.
A verba federal da merenda não paga esse salário. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) atende cerca de 40 milhões de estudantes, segundo o FNDE, e tem R$ 6,7 bilhões em 2026, segundo o MEC. Pela Resolução 6/2020 do FNDE, esse dinheiro serve exclusivamente para comprar alimentos. A folha da cozinheira sai do orçamento de cada rede.
Como conferir a situação na sua prefeitura
Até a publicação da lei, nenhuma rede é obrigada a pagar esse valor. Mesmo assim, dá para medir hoje a distância entre o seu contracheque e o piso, e chegar à discussão com os documentos em mãos. O caminho vale para prefeitura e para rede estadual.
- Separe o contracheque. Anote o vencimento, sem somar gratificações, e a carga horária semanal.
- Faça a conta da sua jornada. Use a tabela acima e calcule a diferença em reais.
- Peça a lei do plano de cargos. O setor de pessoal da Secretaria de Educação informa o número da lei, e o texto costuma estar no site da prefeitura ou da Câmara Municipal. Confira o nome do cargo, a escolaridade exigida e o vencimento inicial.
- Consulte o portal da transparência. Procure a folha de pessoal da educação e compare cargos iguais ao seu.
- Faça um pedido pela Lei de Acesso à Informação. O serviço é gratuito e dispensa justificativa. O órgão tem 20 dias para responder, com mais 10 se justificar o atraso. Se negar, você tem 10 dias para recorrer.
- Procure o conselho do Fundeb da cidade. Pela Lei 14.113/2020, cada conselho municipal tem um representante dos servidores técnico-administrativos e se reúne ao menos a cada três meses.
Há ainda uma consulta nacional. O Siope, sistema do FNDE onde estados e municípios declaram os gastos com educação, mostra sem senha a remuneração dos profissionais da educação, por município, ano e mês.
Os enganos mais comuns
Comissão aprovada não é lei. Mensagens que falam em piso “aprovado” tratam de etapas da tramitação, e o pagamento só passa a ser exigível depois da publicação no Diário Oficial da União.
O projeto também não cria cadastro, inscrição nem taxa. Depois de virar lei, o valor entra pela folha de pagamento de cada rede. Se alguém cobrar para “garantir” o piso, a cobrança não tem base no texto.
Jornada de 30 horas e recesso em julho não fazem parte da proposta. Esses pontos estavam no PL 1.540/2023, rejeitado na Câmara. O relator na Comissão de Educação, deputado Idilvan Alencar (PDT-CE), explicou que a jornada e as férias são decisões de cada rede, dentro da autonomia de estados e municípios.
A consulta pública do Senado sobre o PL 2.531/2021 somava 22.143 votos a favor e 110 contra às 15h47 de 6 de novembro. Para votar, entre no portal e-Cidadania. Para deixar sua opinião por telefone, ligue para o Alô Senado, no 0800 061 2211.
Como citar: Ouviram (6 nov. 2026). «Piso das merendeiras: quem tem direito ao valor de R$ 3.847,97 e quando começa a valer». ouviram.com.br/servicos/piso-das-merendeiras-quem-tem-direito-valor-quando-comeca
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Aposentada de escola pública recebe o piso das merendeiras?
O projeto não menciona aposentados nem pensionistas. O reflexo depende da regra de paridade de cada servidor no regime de previdência do estado ou do município.
Merendeira temporária ou contratada por processo seletivo entra no piso?
O texto não separa efetivos de temporários: ele fala em quem exerce funções de apoio na rede pública. A forma de aplicar a regra aos contratos temporários fica para a lei de cada rede.
Cuidador ou monitor de aluno entra no piso das merendeiras?
O critério do texto é a função de apoio, e ele não cita cuidadores nem monitores. Confira na lei de carreira se o cargo está no quadro de apoio ou no magistério, que tem piso próprio.
Creche conveniada com a prefeitura precisa pagar esse piso?
O projeto se dirige à educação básica pública e ao vencimento fixado por União, estados, Distrito Federal e municípios. Creches conveniadas são entidades privadas que contratam os próprios funcionários, e o texto não trata delas.
A prefeitura pode criar um piso próprio antes da lei federal?
Cada estado e cada município define por lei local os vencimentos dos seus servidores, e o projeto não impede valor maior. A proposta sai do Executivo e passa pela votação na Câmara Municipal.
O piso aumenta o adicional de insalubridade da merendeira?
O projeto trata só do vencimento inicial e não muda adicionais. O efeito segue a base de cálculo da lei local: quando o adicional é calculado sobre o vencimento, ele sobe junto.
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1. Qual percentual do piso dos professores o PL 2.531/2021 fixa para os funcionários de apoio?
O artigo 2º do texto enviado ao Senado fixa o piso em 75% do valor nacional do magistério público da educação básica.
2. Quanto daria o piso proposto em 30 horas semanais, com os valores de 2026?
O projeto manda aplicar a proporção nas demais jornadas: R$ 3.847,97 divididos por 40 e multiplicados por 30 dão R$ 2.885,98.
3. De qual fundo sairia o dinheiro do piso, segundo o parecer da Câmara?
O parecer da Comissão de Finanças da Câmara aponta o Fundeb. O Pnae só compra alimentos, pela Resolução 6/2020 do FNDE.
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