Binance reabre saques de bitcoin e ether, e FBI atribui ataque à Coreia do Norte
A empresa promete cobrir com dinheiro próprio o rombo de cerca de R$ 34 bilhões, e clientes tiraram US$ 3,64 bilhões a mais do que puseram até 12h30.

A Binance reabriu neste domingo (1º) os saques de bitcoin, ether e outras 13 moedas, segundo comunicado da empresa. Quem tem conta na corretora, que diz ter 335 milhões de usuários cadastrados, volta a poder retirar esses ativos, parados desde o ataque hacker de 29 de outubro.
O ataque levou cerca de US$ 6,3 bilhões, ou R$ 34 bilhões pela cotação do Banco Central de 30 de outubro. É mais de quatro vezes o US$ 1,5 bilhão levado da corretora Bybit em fevereiro de 2025. O FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, também atribuiu esse caso à Coreia do Norte.
A Binance informou ter reposto 95% dos ativos atingidos com fundos próprios, contra 90% no sábado (31) e 80% na sexta (30). Os 5% restantes são moedas menos negociadas, que levam mais tempo para comprar nesse volume.
“A Binance vai arcar com o impacto financeiro dos fundos roubados. Essas perdas não serão repassadas aos usuários”, afirmou a empresa no comunicado.
O FBI atribuiu o ataque no sábado (31) à Coreia do Norte e ao grupo TraderTraitor. Segundo o órgão, os autores convertem os ativos em ether e devem tentar lavá-los em plataformas de finanças descentralizadas e serviços de troca instantânea.
A Coreia do Norte nega há anos usar unidades cibernéticas ligadas ao Estado em roubos. “Não sabemos se é a Coreia do Norte”, disse o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a jornalistas no sábado à noite, na Flórida. Ele afirmou que, se for, vai conversar com o país sobre o caso.
A reabertura movimentou bilhões em poucas horas. Entre 3h e 12h30, no horário de Brasília, os clientes sacaram US$ 4,65 bilhões e depositaram US$ 1,01 bilhão, segundo a Binance. A saída líquida, de US$ 3,64 bilhões, equivale a 2,1% dos ativos sob gestão da corretora.
No Brasil, as contas de clientes tinham até 29 de outubro, dia do ataque, para migrar a duas empresas locais do grupo. Em nota publicada na sexta (30), a Binance Brasil afirmou que os ativos dos clientes seguem em carteiras frias, sem ligação direta com a internet. A empresa disse cumprir as regras de separação patrimonial do Banco Central.
Essa separação é a principal proteção do cliente brasileiro, porque o Fundo Garantidor de Créditos não cobre criptomoedas, pela Resolução BCB 520. Quem guarda bitcoin em corretora não tem o limite de R$ 250 mil por CPF que vale para poupança e CDB.
Na primeira fase saem bitcoin, ether, USDT, USDC, BNB, TRX, SOL, XRP, ZEC, DOGE, GRAM, POL, AVAX, ARB e SUI, em 15 redes. Os depósitos não foram afetados.
A Binance orienta conferir na página de saque se a moeda e a rede já estão liberadas. Se a operação não passar, a empresa pede que o cliente tente de novo depois de alguns minutos, porque o volume causa atrasos.
A próxima data é terça (3), quando a Binance prevê concluir a prova de reservas da posição de 31 de outubro. Com ela, quem tem uma das dez principais moedas poderá conferir se o saldo está coberto.
Na sexta (6), passa a valer a regra do Banco Central que proíbe bancos e instituições de pagamento de operar com prestadoras de cripto sem autorização. As exceções estão na Resolução BCB 589.
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