Daniel Sikkema recebe prisão perpétua nos EUA por mandar matar galerista no Rio
A sentença saiu em Nova York na quarta-feira (4); no Brasil, o cubano apontado como executor continua preso e será julgado por um júri em fevereiro.

A Justiça dos EUA condenou Daniel Sikkema à prisão perpétua na quarta-feira (4) pela morte do marido, informou a Procuradoria de Manhattan. O galerista Brent Sikkema foi morto em janeiro de 2024, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio.
O réu, de 56 anos, é cidadão americano e cubano. Um júri federal de Nova York o condenou em maio, depois de duas semanas de julgamento, por homicídio por encomenda, conspiração para esse crime e conspiração para matar uma pessoa em outro país. O juiz Edgardo Ramos fixou ainda cinco anos de liberdade supervisionada.
“A prisão perpétua de hoje responsabiliza Daniel Sikkema por um plano frio e calculado de homicídio por encomenda que resultou no assassinato de seu marido, Brent Sikkema”, disse o procurador federal Jamie McDonald, em comunicado.
O caso interessa também à Justiça brasileira, porque o crime aconteceu aqui e ainda há um processo aberto no Rio. Uma pena como a americana não existiria nesse processo: a Constituição proíbe penas de caráter perpétuo, e o Código Penal limita a 40 anos o tempo de cumprimento da prisão.
Segundo a Procuradoria dos EUA, o crime foi planejado em meio a um divórcio litigioso. Logo depois da morte, Sikkema enviou US$ 5 mil ao cubano Alejandro Triana Prevez, apontado como executor. A denúncia do Ministério Público do Rio cita a suposta promessa de US$ 200 mil a Prevez, em meio a disputas patrimoniais depois da separação.
Brent Sikkema tinha 75 anos e fundou em 1991 a galeria nova-iorquina hoje chamada Sikkema Malloy Jenkins. O espaço expôs artistas como a americana Kara Walker e o brasileiro Vik Muniz.
A defesa de Daniel Sikkema disse em maio, depois do veredito, que pretendia recorrer da condenação. O réu também responde a processo no Rio, onde a Justiça o levou a júri popular como suposto mandante. Essa parte foi separada do restante do caso porque ele recorreu da decisão.
Prevez foi preso em 18 de janeiro de 2024 e responde por homicídio qualificado e furto qualificado. Ele ainda não foi julgado. A juíza Tula Correa de Mello, da 3ª Vara Criminal da Capital, manteve a prisão preventiva e marcou o júri para quinta-feira, 25 de fevereiro de 2027, às 13h.
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