Justiça

Daniel Sikkema recebe prisão perpétua nos EUA por mandar matar galerista no Rio

A sentença saiu em Nova York na quarta-feira (4); no Brasil, o cubano apontado como executor continua preso e será julgado por um júri em fevereiro.

Fachada do tribunal federal Thurgood Marshall, em Manhattan, vista de baixo
Prédio do tribunal federal Thurgood Marshall, em Manhattan, uma das sedes da Justiça federal em Nova York, em imagem de 2023.Foto: Kidfly182 / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

A Justiça dos EUA condenou Daniel Sikkema à prisão perpétua na quarta-feira (4) pela morte do marido, informou a Procuradoria de Manhattan. O galerista Brent Sikkema foi morto em janeiro de 2024, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio.

O réu, de 56 anos, é cidadão americano e cubano. Um júri federal de Nova York o condenou em maio, depois de duas semanas de julgamento, por homicídio por encomenda, conspiração para esse crime e conspiração para matar uma pessoa em outro país. O juiz Edgardo Ramos fixou ainda cinco anos de liberdade supervisionada.

“A prisão perpétua de hoje responsabiliza Daniel Sikkema por um plano frio e calculado de homicídio por encomenda que resultou no assassinato de seu marido, Brent Sikkema”, disse o procurador federal Jamie McDonald, em comunicado.

O caso interessa também à Justiça brasileira, porque o crime aconteceu aqui e ainda há um processo aberto no Rio. Uma pena como a americana não existiria nesse processo: a Constituição proíbe penas de caráter perpétuo, e o Código Penal limita a 40 anos o tempo de cumprimento da prisão.

Segundo a Procuradoria dos EUA, o crime foi planejado em meio a um divórcio litigioso. Logo depois da morte, Sikkema enviou US$ 5 mil ao cubano Alejandro Triana Prevez, apontado como executor. A denúncia do Ministério Público do Rio cita a suposta promessa de US$ 200 mil a Prevez, em meio a disputas patrimoniais depois da separação.

Brent Sikkema tinha 75 anos e fundou em 1991 a galeria nova-iorquina hoje chamada Sikkema Malloy Jenkins. O espaço expôs artistas como a americana Kara Walker e o brasileiro Vik Muniz.

A defesa de Daniel Sikkema disse em maio, depois do veredito, que pretendia recorrer da condenação. O réu também responde a processo no Rio, onde a Justiça o levou a júri popular como suposto mandante. Essa parte foi separada do restante do caso porque ele recorreu da decisão.

Prevez foi preso em 18 de janeiro de 2024 e responde por homicídio qualificado e furto qualificado. Ele ainda não foi julgado. A juíza Tula Correa de Mello, da 3ª Vara Criminal da Capital, manteve a prisão preventiva e marcou o júri para quinta-feira, 25 de fevereiro de 2027, às 13h.

#BrentSikkema#DanielSikkema#RioDeJaneiro#NovaYork#TribunalDoJúri

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