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Morar no Panamá sendo brasileiro: Países Amigos pede emprego ou US$ 200 mil investidos

Um decreto de 31 de agosto de 2026, que incluiu o Equador na lista, manteve a fase provisória de dois anos antes da residência permanente.

Prédios do centro financeiro da Cidade do Panamá e uma marina na baía, vistos do alto em dia de sol
O centro financeiro da Cidade do Panamá reúne prédios altos à beira da baía, em foto aérea de 2016Foto: Dronepicr / Wikimedia Commons · CC BY 3.0

O Ministério de Segurança Pública do Panamá manteve o Brasil na lista de Países Amigos no decreto de 31 de agosto de 2026. O programa dá residência a quem tem contrato de trabalho no país ou investe US$ 200 mil em imóvel ou depósito bancário. Aposentados com pensão de US$ 1.000 por mês têm um visto próprio.

Pela cotação Ptax do Banco Central de 6 de novembro, de R$ 5,5013, o investimento mínimo equivale a R$ 1,1 milhão, e a pensão exigida, a R$ 5.501 por mês. Os valores em reais mudam com o câmbio, porque as regras panamenhas são fixadas em balboas, a moeda local, que vale o mesmo que o dólar americano. O dólar circula como dinheiro do dia a dia.

O país está entre os que mais crescem na região. O FMI prevê alta de 5,0% do PIB panamenho em 2026, empatado com a Venezuela no topo da América Latina, fora a Guiana. A renda por habitante, de US$ 20.877, é a terceira da região, atrás de Uruguai e Costa Rica, também sem contar a Guiana.

A comunidade brasileira ainda é pequena. O Itamaraty estimava 3.500 brasileiros vivendo no Panamá, nas contas com dados de 2022.

Para visitar, o brasileiro não precisa de visto. O acordo entre os dois países, promulgado pelo Decreto 4.092/2002, permite ficar até 90 dias por entrada com passaporte comum, renováveis até 180 dias por ano, só para turismo. Na chegada, o Serviço Nacional de Migração (SNM) pode pedir prova de dinheiro para a estadia e a passagem de volta.

Países Amigos: trabalho, imóvel ou depósito

O programa Países Amigos nasceu com o Decreto Executivo 416, de 2012, para atrair profissionais e investimento de nações com laços econômicos com o Panamá. O Brasil está na lista ao lado de Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Peru, México, Estados Unidos, Canadá, Portugal e Espanha, entre outros.

Desde o Decreto Executivo 226, de 2021, o pedido tem duas etapas. Primeiro vem uma residência provisória de dois anos, usada pelo governo para conferir o investimento ou o emprego. Depois, o estrangeiro pede a residência permanente. O decreto de agosto de 2026 manteve esse rito, os requisitos e as taxas.

O brasileiro escolhe uma das três formas de provar o vínculo econômico com o país, pelas regras de 2021:

  • TrabalhoContrato com empresa estabelecida no Panamá
  • ImóvelCompra de imóvel de US$ 200 mil ou mais em nome próprio, que pode ser financiada por banco local
  • DepósitoAplicação a prazo fixo de US$ 200 mil ou mais, por pelo menos três anos, em banco com licença geral no Panamá

A residência não basta para trabalhar. O decreto de agosto de 2026 lembra que o estrangeiro continua obrigado a pedir a autorização de trabalho ao Ministério do Trabalho e Desenvolvimento Laboral (Mitradel). A residência também não dá direito a exercer profissões reguladas por leis especiais, e médicos, advogados e engenheiros precisam conferir a regra da própria carreira antes da mudança.

Os pedidos de residência ao SNM partem da mesma base de documentos, segundo as fichas de requisitos do órgão:

  • procuração com firma reconhecida e requerimento, com o nome e a nacionalidade dos pais do solicitante
  • três fotos
  • cópia autenticada do passaporte
  • certidão de antecedentes criminais
  • certificado de saúde
  • declaração juramentada de antecedentes pessoais, em formulário do SNM

Documentos brasileiros, como a certidão de antecedentes criminais da Polícia Federal, precisam da apostila da Convenção da Haia para valer no Panamá. No Brasil, a apostila é feita em cartório.

O visto de aposentado e a conta em reais

O visto de aposentado, chamado de jubilado pensionado, é o caminho mais direto para quem vive de pensão. Ele vale para quem recebe aposentadoria ou pensão vitalícia de governo estrangeiro, de organismo internacional ou de empresa privada, segundo o artigo 200 do Decreto Executivo 320, de 2008.

  • Pensão mínimaUS$ 1.000 por mês, vitalícia
  • Com imóvel no PanamáUS$ 750 por mês, se o imóvel em nome próprio custou mais de US$ 100 mil
  • Por dependenteMais US$ 250 por mês, por pensão extra ou saldo em banco local
  • ValidadeIndeterminada, sem renovação

Fonte: Serviço Nacional de Migração, ficha de requisitos vigente em novembro de 2026

Marido e mulher podem somar as duas pensões para chegar ao mínimo. Com o dólar a R$ 5,5013, a pensão reduzida corresponde a R$ 4.126 por mês. Quem recebe o teto do INSS, de R$ 8.475,55 em 2026, pela Portaria Interministerial MPS/MF 13, passa com folga. Um casal em que cada um recebe um salário mínimo, R$ 1.621, soma R$ 3.242 e fica abaixo das duas marcas.

Quem se aposentou por fundo privado entrega mais três papéis: carta da administradora do fundo, certidão de existência da empresa que paga o benefício e comprovante de pagamento ou extrato bancário.

Os filhos dependentes recebem permissão temporária até os 25 anos, desde que estudem, e não ganham a residência permanente. A exceção é o filho com deficiência profunda comprovada.

A residência de aposentado também dá acesso aos descontos da Lei 6, de 1987, que valem para aposentados e pensionistas panamenhos e estrangeiros residentes. São 25% em restaurantes, 15% em redes de comida rápida e 50% em cinemas, teatros e espetáculos. A Autoridade de Proteção ao Consumidor e Defesa da Concorrência (Acodeco) fiscaliza e multa quem não cumpre.

Investidor, nômade digital e solvência por imóvel

Para quem tem mais capital, o Panamá reescreveu em 2026 o programa de Investidor Qualificado. O Decreto Executivo 17, de 8 de setembro, publicado na Gaceta Oficial 30613 em 16 de setembro, substituiu as regras de 2020. O pedido começa no Ministério de Comércio e Indústrias (MICI), que emite o certificado de investimento, e segue para o SNM.

  • Imóvel novo, de primeira vendaUS$ 300 mil
  • Imóvel usadoUS$ 500 mil
  • Fundos, títulos públicos e valores registradosUS$ 500 mil
  • Depósito no Banco Nacional ou na Caja de Ahorros, bancos públicosUS$ 500 mil
  • Depósito em banco privadoUS$ 750 mil
  • Prazo mínimo do investimentoCinco anos

Fonte: Decreto Executivo 17/2026 e MICI, setembro de 2026

Há ainda a residência por solvência econômica com imóvel, aberta a qualquer nacionalidade. Ela pede um imóvel de US$ 300 mil, R$ 1,65 milhão no câmbio de 6 de novembro, comprado com dinheiro vindo do exterior e livre de dívidas. O investimento sobe US$ 2.000 por dependente, valor que pode ser comprovado com saldo em banco local, e a parte do preço acima do mínimo pode ser financiada.

Esse pedido paga dois cheques: US$ 250 ao Tesouro Nacional e US$ 800 ao SNM. A primeira permissão vale por dois anos, e depois vem a permanente.

Quem trabalha pela internet para clientes ou empresas de fora tem o visto de curta estadia como trabalhador remoto. Ele dura nove meses, renováveis uma vez pelo mesmo prazo, e exige renda de fonte estrangeira de US$ 36 mil por ano. A carta do empregador precisa mostrar salário de pelo menos US$ 3.000 por mês, R$ 16.504 no câmbio de 6 de novembro.

O nômade digital paga US$ 250 ao SNM e US$ 50 pelo cartão de identificação. Ele apresenta seguro-saúde com cobertura no Panamá e assina uma declaração de que não vai aceitar trabalho de empresas ou pessoas do país. O autônomo troca a carta do empregador pela certidão da própria empresa no exterior e por uma declaração em cartório com os clientes e os valores recebidos.

Quanto custa a vida na Cidade do Panamá

A cesta básica de alimentos custou US$ 367,03 em julho de 2026 nos distritos de Panamá e San Miguelito, a capital e a cidade vizinha. O cálculo do Ministério de Economia e Finanças considera 59 alimentos para uma casa de 3,5 pessoas. Em reais, são R$ 2.019 por mês.

A cesta básica da capital panamenha subiu 2,1% em um ano (custo mensal, US$)
Jul/2025359,31
Set/2025358,64
Nov/2025358,27
Jan/2026363,52
Mar/2026365,88
Mai/2026367,00
Jul/2026367,03

Fonte: Ministério de Economia e Finanças do Panamá, relatório de julho de 2026

Link para este dado

No resto do país urbano, a mesma conta deu US$ 343,81 em julho, com 50 alimentos para casas de 3,6 pessoas. A pesquisa cobre Colón, La Chorrera, Arraiján, Penonomé, Aguadulce, Chitré, Las Tablas, Santiago, David e Changuinola.

A gasolina de 91 octanas teve preço máximo médio de US$ 4,29 o galão na Cidade do Panamá em julho, segundo o ministério, com dados da Secretaria Nacional de Energia. O galão tem 3,79 litros, e o litro sai por R$ 6,23. É menos que a média brasileira de R$ 6,48, apurada pela ANP de 25 a 31 de outubro, como mostra a tabela do preço da gasolina por estado.

Quem trabalha com contrato contribui para a Caixa de Seguro Social (CSS), que atende segurados e dependentes na rede pública de saúde.

Famílias com filhos em idade escolar precisam se programar pelo calendário panamenho. O ano letivo de 2027 começa em 1º de março, pelo decreto do Ministério da Educação (Meduca) publicado em 5 de agosto de 2026.

Imposto só sobre o que se ganha no Panamá

O Panamá cobra imposto de renda apenas sobre o que é produzido dentro do território, pelo artigo 694 do Código Fiscal. O artigo 695 manda tirar da base de cálculo os ingressos de fonte estrangeira. É o chamado princípio territorial.

Na vida do brasileiro, isso quer dizer que a aposentadoria do INSS, o salário do nômade digital pago por empresa de fora e o aluguel de um apartamento em Curitiba não entram no imposto panamenho. Já o salário de quem trabalha para empresa do Panamá paga pela tabela da Direção-Geral de Receitas (DGI).

Renda tributável anualImposto da pessoa física
Até US$ 11.0000%
De US$ 11.000 a US$ 50.00015% sobre o que passar de US$ 11.000
Acima de US$ 50.000US$ 5.850 mais 25% sobre o que passar de US$ 50.000

Fonte: DGI, Ministério de Economia e Finanças do Panamá, tabela vigente em novembro de 2026

Link para este dado

Por exemplo, um contratado de uma empresa panamenha com renda tributável de US$ 30 mil por ano paga US$ 2.850 de imposto, 9,5% da renda. O imposto sobre consumo, o ITBMS, é de 7% e sobe para 10% em hospedagem e bebidas alcoólicas e para 15% em produtos de tabaco, segundo a DGI.

Do lado brasileiro, a conta muda depois da saída definitiva. O Panamá não aparece na lista de acordos para evitar a dupla tributação da Receita Federal e está na relação de países com tributação favorecida, da Instrução Normativa 1.037/2010.

Por isso, quem mora no Panamá tem 25% de imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos do Brasil, como o aluguel de um imóvel, pelo artigo 8º da Lei 9.779/1999. Para quem mora em países fora dessa lista, a retenção sobre o aluguel é de 15%, como explica o guia da saída definitiva do Brasil.

O Panamá também não está na lista de acordos de previdência em vigor do Ministério da Previdência Social. O tempo de trabalho no Panamá não conta para a aposentadoria do INSS. Para não perder a contagem, o brasileiro que se muda pode seguir pagando o INSS como segurado facultativo.

Banco, voos e a saída do Brasil

Os bancos panamenhos seguem as regras de prevenção à lavagem de dinheiro da Superintendência de Bancos, do Acordo 10-2015. O estrangeiro se identifica com o passaporte, e o banco monta o perfil do cliente com a renda, a atividade e a origem do dinheiro. Para o depósito de Países Amigos, a conta precisa estar em banco com licença geral.

Mandar dinheiro do Brasil para conta própria no Panamá paga 3,5% de IOF, e a remessa para investir lá fora paga 1,1%, pelo Decreto 6.306/2007. A tabela completa está no guia do IOF de 2026.

A viagem é curta. A Copa Airlines, companhia panamenha, voa para a Cidade do Panamá a partir de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, Florianópolis, Manaus e Salvador. A rota de Salvador voltou em 7 de janeiro de 2026, com quatro voos por semana.

No Panamá, a Embaixada do Brasil na Cidade do Panamá faz o atendimento consular, como passaporte e procuração, só pelo sistema e-consular. Quem compara destinos encontra as regras de outros países no guia de como morar fora legalmente.

A saída do Brasil tem prazos na Receita Federal para quem se muda em 2026:

  • Antes da viagemDeixar um procurador no Brasil e avisar bancos e corretoras
  • Até o fim de fevereiro de 2027Entregar a Comunicação de Saída Definitiva do País
  • No prazo do Imposto de Renda de 2027Entregar a Declaração de Saída Definitiva do País

Os pedidos de residência são entregues ao Serviço Nacional de Migração, na Cidade do Panamá, que atende dúvidas pelo telefone (507) 504-3580.

Como citar: Ouviram (7 nov. 2026). «Morar no Panamá sendo brasileiro: Países Amigos pede emprego ou US$ 200 mil investidos». ouviram.com.br/mundo/morar-no-panama-brasileiro-vistos-custo-impostos

Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.

Perguntas frequentes

Quanto tempo leva para virar cidadão panamenho?

A Constituição do Panamá exige cinco anos seguidos de residência, ou três para quem tem cônjuge ou filho panamenho, além de espanhol e noções de história e geografia do país. O pedido inclui a renúncia à nacionalidade de origem perante o Panamá, mas, pela Emenda Constitucional 131/2023, o brasileiro só perde a nacionalidade brasileira se pedir a perda ao governo do Brasil.

Filho de brasileiro nascido no Panamá é brasileiro?

É brasileiro nato quando é registrado na Embaixada do Brasil na Cidade do Panamá ou quando vem morar no Brasil e opta pela nacionalidade, pela Constituição. A criança também é panamenha por nascimento, pelo artigo 9 da Constituição do Panamá.

Estrangeiro pode comprar terreno perto da fronteira do Panamá?

A Constituição panamenha proíbe estrangeiros e empresas com capital estrangeiro de comprar terras a menos de 10 quilômetros das fronteiras. As ilhas só podem ser vendidas para projetos declarados de desenvolvimento especial.

Quem mora no Panamá pode votar nas eleições do Brasil?

Pode, desde que transfira o título de eleitor para o exterior. Segundo o TSE, o eleitor que mora fora vota só para presidente, em seções montadas em embaixadas e consulados.

Como o aposentado do INSS comprova que está vivo morando no Panamá?

A Embaixada do Brasil na Cidade do Panamá emite o atestado de vida, pedido pelo sistema e-consular. O mesmo atendimento reconhece a firma em documentos de pensões do INSS.

#MorarFora#Panamá#PaísesAmigos#ReceitaFederal

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  1. 1. Qual é a pensão mínima para o visto de aposentado no Panamá?

  2. 2. Até que renda anual a pessoa física fica isenta de imposto de renda no Panamá?

  3. 3. Por quantos dias o brasileiro pode ficar no Panamá como turista em cada entrada?

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