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Morar nos Estados Unidos sendo brasileiro: os vistos que permitem a mudança e quanto custam
A Justiça americana derrubou em agosto a pausa nos vistos de imigrante para brasileiros, e o Departamento de Estado informou que cumpre a decisão.

Para morar nos Estados Unidos, o brasileiro precisa de um visto ligado a um motivo concreto: estudo, trabalho, família ou investimento. As taxas consulares vão de US$ 185 a US$ 315 por pessoa, segundo a tabela dos EUA para o Brasil. O visto de turista não permite morar nem trabalhar no país.
O caminho do green card mudou duas vezes neste ano. O Departamento de Estado suspendeu em 21 de janeiro de 2026 a emissão de vistos de imigrante para cidadãos de 75 países, entre eles o Brasil.
Uma decisão da Justiça federal americana de 21 de agosto anulou a medida, e o departamento informou em 28 de agosto que a pausa deixou de valer. Depois da decisão, o departamento disse que ajustaria a agenda de entrevistas para treinar os cônsules na nova análise sobre dependência de benefícios públicos.
A tabela abaixo resume os caminhos mais usados, com o que cada um exige, quanto custa e por quanto tempo vale.
| Caminho | Visto | O que exige | Custo oficial | Quanto tempo vale |
|---|---|---|---|---|
| Estudo | F-1 | Matrícula em escola autorizada e dinheiro para se manter | US$ 185 + US$ 350 de taxa SEVIS | Enquanto durar o curso |
| Trabalho especializado | H-1B | Oferta de empresa americana, diploma superior e sorteio anual | US$ 205 no consulado; a empresa paga US$ 215 de registro e US$ 780 do pedido, fora taxas extras | 3 anos, renovável até 6 |
| Transferência dentro da empresa | L-1 | Um ano de trabalho, nos últimos três, em empresa ligada à americana | US$ 205 no consulado | Até 7 anos (L-1A) ou 5 anos (L-1B) |
| Talento reconhecido | O-1 | Prêmios, publicações ou destaque comprovado na área | US$ 205 no consulado | Até 3 anos, com renovações |
| Noivado com americano | K-1 | Casamento em até 90 dias depois da chegada | US$ 265 no consulado | 90 dias, depois pedido de green card |
| Família | Green card | Cônjuge, filho, pai ou irmão cidadão americano, ou cônjuge e filho de residente | US$ 675 do pedido em papel (US$ 625 on-line) | Permanente |
| Emprego permanente | Green card EB-1 ou EB-2 | Diploma avançado, habilidade excepcional ou extraordinária | US$ 715 do pedido + até US$ 600 | Permanente |
| Investimento | Green card EB-5 | US$ 800 mil em área prioritária ou US$ 1,05 milhão, com dez empregos criados | US$ 3.675 do pedido + US$ 1.000 | Permanente, com dois anos condicionais |
Fonte: Departamento de Estado dos EUA, USCIS e ICE, tabelas vigentes em novembro de 2026
Os valores em reais mudam todo dia com a cotação do dólar. A taxa consular é paga antes da entrevista, vale por 365 dias e não é devolvida se o visto for negado.
Trabalho, estudo e green card: o que cada visto exige
Os vistos de trabalho temporário mais pedidos por brasileiros são o H-1B, o L-1 e o O-1. Os três dependem de um pedido aprovado pelo Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) antes da entrevista no consulado. Em novembro de 2026, a taxa consular de cada um é de US$ 205, segundo a tabela americana para o Brasil.
O H-1B é o visto de quem tem diploma superior e uma oferta de emprego numa função especializada, como engenharia, tecnologia, finanças ou saúde.
A empresa americana inscreve o candidato num sorteio anual e paga US$ 215 por registro. Se o nome for sorteado, a empresa paga US$ 780 pelo pedido em papel, além de taxas extras, como a de US$ 500 contra fraude, segundo o USCIS.
O visto vale três anos e pode ser renovado até seis. O cônjuge e os filhos menores vão juntos, com o visto de dependente H-4.
A cobrança extra de US$ 100 mil por novo pedido de H-1B, criada em setembro de 2025, está suspensa. Em 8 de junho de 2026, um tribunal federal de Massachusetts anulou a orientação que aplicava a cobrança.
O tribunal de apelação negou, em 24 de julho, o pedido do governo para suspender a decisão, e o USCIS informou que a cumpre. O Departamento de Segurança Interna disse que pretende voltar a cobrar se a decisão cair.
O L-1 serve a quem trabalha numa empresa com filial, matriz ou coligada nos Estados Unidos. A regra exige pelo menos um ano seguido de trabalho para o grupo, nos três anos anteriores, fora dos EUA. Gerentes e executivos usam o L-1A, que chega a sete anos; profissionais com conhecimento especializado usam o L-1B, de até cinco.
O O-1 é o visto de quem comprova habilidade extraordinária em ciência, artes, educação, negócios ou esporte. Contam prêmios, publicações, salário acima da média e participação em bancas e júris. O pedido em papel custa US$ 1.055 ao empregador ou agente, ou US$ 530 para pequena empresa e entidade sem fins lucrativos, segundo o USCIS.
- 21 de setembro de 2025Começa a cobrança extra de US$ 100 mil para novos pedidos de H-1B de quem está fora dos EUA
- 14 de janeiro de 2026Departamento de Estado anuncia pausa nos vistos de imigrante para 75 países, entre eles o Brasil
- 21 de janeiro de 2026A pausa entra em vigor; vistos de turismo, estudo e trabalho temporário continuam
- 8 de junho de 2026Tribunal federal de Massachusetts anula a orientação da cobrança de US$ 100 mil do H-1B
- 1º de julho de 2026Começa, em consulados selecionados, a taxa opcional de US$ 750 para antecipar a entrevista de turismo
- 24 de julho de 2026Tribunal de apelação nega suspender a decisão, e o USCIS para de exigir os US$ 100 mil
- 21 de agosto de 2026Justiça federal anula a pausa dos vistos de imigrante para os 75 países
- 28 de agosto de 2026Departamento de Estado informa que a pausa dos 75 países deixou de valer
Quem tem só o passaporte brasileiro não pode pedir o E-2, o visto de quem abre ou compra um negócio nos EUA. Ele é reservado a cidadãos de países com tratado de comércio com os americanos, e o Brasil não está na lista do Departamento de Estado.
Quem tem também a cidadania portuguesa ou a italiana pode pedir pelo outro passaporte, com taxa consular de US$ 315.
O green card é a residência permanente nos Estados Unidos, e o brasileiro chega a ela por três vias principais: família, emprego ou investimento. Segundo o USCIS, cada via começa com um pedido próprio, de US$ 625 a US$ 3.675 em novembro de 2026. Depois vem a taxa do visto de imigrante, paga ao consulado.
Pela família, o cidadão americano pode pedir o green card do cônjuge, dos filhos e, se tiver 21 anos ou mais, dos pais e dos irmãos. O residente permanente pode pedir só para o cônjuge e os filhos solteiros.
Cônjuges, filhos solteiros menores de 21 anos e pais de cidadão não entram em fila anual. Os outros parentes esperam a vez numa fila por categoria e país, publicada todo mês pelo Departamento de Estado.
Quem se casou há menos de dois anos recebe primeiro um green card condicional, de dois anos. Perto do vencimento, o casal pede ao USCIS a retirada da condição, com provas de que o casamento continua.
Pelo emprego, a maior parte dos casos exige uma empresa americana e uma certificação do Departamento do Trabalho de que não há trabalhador local para a vaga.
Há duas exceções em que o próprio profissional faz o pedido. A primeira é a habilidade extraordinária (EB-1A). A segunda é a dispensa por interesse nacional (EB-2 NIW), para quem tem mestrado ou habilidade excepcional e um projeto útil ao país.
Nos dois casos, o formulário I-140 custa US$ 715 em papel ou US$ 665 on-line, mais US$ 300 de taxa do programa de asilo para quem pede em nome próprio.
O investimento mínimo do EB-5 é de US$ 800 mil em área rural ou de alto desemprego e de US$ 1,05 milhão nas demais, segundo o USCIS. O dinheiro precisa criar dez empregos em tempo integral para trabalhadores americanos.
Os valores, em vigor desde março de 2022, serão corrigidos pela inflação para pedidos feitos a partir de 1º de janeiro de 2027. O programa dos centros regionais, que reúne vários investidores num projeto, está autorizado até 30 de setembro de 2027.
Desde 18 de setembro de 2026, o pedido de green card feito dentro dos EUA usa um formulário I-485 novo. Ele foi ajustado à regra que avalia se o candidato pode depender de benefícios públicos. A taxa é de US$ 1.440 em papel.
Depois de cinco anos com green card, ou três se casado com cidadão americano, o residente pode pedir a cidadania. O pedido custa US$ 760 em papel ou US$ 710 on-line. Desde a Emenda Constitucional 131, de 2023, o brasileiro que se naturaliza americano não perde a nacionalidade brasileira, como explica o guia de dupla cidadania.
O visto F-1 é o caminho de quem vai fazer graduação, pós-graduação, curso técnico ou de inglês nos Estados Unidos. Em novembro de 2026, o estudante paga US$ 185 de taxa consular e US$ 350 da taxa SEVIS, o cadastro de estudantes estrangeiros gerido pelo ICE, a agência de imigração e alfândega.
Antes da entrevista, a escola autorizada emite o formulário I-20, que confirma a matrícula. O consulado pede prova de que o aluno tem dinheiro para pagar o curso e se manter. O intercâmbio com bolsa ou pesquisa usa o visto J-1, com taxa SEVIS de US$ 220.
O F-1 permite trabalhar no próprio campus, em geral até 20 horas por semana durante as aulas. Depois do curso, o treinamento prático opcional autoriza até 12 meses de trabalho na área estudada, com mais 24 meses para formados em ciências, tecnologia, engenharia e matemática. Nesse período, o formado pode ser inscrito por um empregador no sorteio do H-1B.
Para quem se muda com filhos, a escola pública americana é gratuita do jardim de infância ao fim do ensino médio. A matrícula vale para toda criança que mora no distrito escolar, qualquer que seja a situação migratória da família.
O ano letivo começa entre agosto e setembro, ao contrário do calendário brasileiro, e a vaga é feita pelo endereço de casa.
Quanto custa viver nos Estados Unidos estado por estado
A renda mediana das famílias americanas foi de US$ 84.780 em 2025, segundo a Pesquisa sobre a Comunidade Americana do Census Bureau, o instituto oficial de estatística dos EUA. O valor muda muito entre os estados com mais brasileiros: passa de US$ 100 mil em Massachusetts, Nova Jersey e Connecticut e fica perto de US$ 81 mil na Flórida.
O Itamaraty estima 2,07 milhões de brasileiros vivendo nos Estados Unidos em 2025, à frente de Portugal, com 628 mil.
2,07 milhões
de brasileiros vivem nos Estados Unidos, a maior comunidade do país no exterior
Fonte: Itamaraty, estimativa de 2025
Fonte: Census Bureau, Pesquisa sobre a Comunidade Americana, outubro de 2026
A moradia é o maior gasto. O aluguel mediano, somado às contas de luz, gás e água, foi de US$ 1.487 por mês em 2024, alta de 2,7% em um ano, segundo o Census Bureau. Nas regiões metropolitanas, a renda também sobe: a mediana chega a US$ 118.759 na área de Boston e a US$ 85.175 na de Orlando.
O salário mínimo é definido por hora e varia de estado para estado. O piso federal está em US$ 7,25 desde 2009, mas a maior parte dos estados com muitos brasileiros paga mais, segundo o Departamento do Trabalho dos EUA.
| Estado | Salário mínimo por hora |
|---|---|
| Nova York (capital, Long Island e Westchester) | US$ 17,00 |
| Connecticut | US$ 16,94 |
| Califórnia | US$ 16,90 |
| Nova York (demais regiões) | US$ 16,00 |
| Nova Jersey | US$ 15,92 |
| Flórida (desde 30 de setembro de 2026) | US$ 15,00 |
| Massachusetts | US$ 15,00 |
| Texas e Geórgia (piso federal) | US$ 7,25 |
Fonte: Departamento do Trabalho dos EUA, julho de 2026, e Constituição da Flórida
Nos Estados Unidos não há sistema público e universal de saúde como o SUS.
O seguro costuma vir do empregador, e quem não tem esse benefício compra um plano no mercado oficial do governo, com desconto conforme a renda. Antes da mudança, vale pôr o seguro saúde na conta do primeiro mês, ao lado do aluguel e do depósito de garantia.
Imposto nos EUA e saída definitiva do Brasil
O estrangeiro vira residente fiscal nos Estados Unidos quando recebe o green card ou quando passa no teste de presença substancial do IRS, a Receita Federal americana. O teste exige 31 dias no país no ano e 183 dias em três anos. Contam o ano atual inteiro, um terço do anterior e um sexto do retrasado.
O residente declara a renda do mundo inteiro, inclusive aluguel, juros e dividendos que continuam vindo do Brasil. Estudantes com visto F-1 ficam fora da contagem de dias, em regra, nos cinco primeiros anos civis no país, segundo o IRS.
Em 2026, a dedução padrão é de US$ 16.100 para quem declara sozinho e de US$ 32.200 para casais que declaram juntos. Sobre o que passa disso, as alíquotas federais vão de 10% a 37%:
| Renda tributável anual (declaração individual) | Alíquota federal |
|---|---|
| Até US$ 12.400 | 10% |
| De US$ 12.400 a US$ 50.400 | 12% |
| De US$ 50.400 a US$ 105.700 | 22% |
| De US$ 105.700 a US$ 201.775 | 24% |
| De US$ 201.775 a US$ 256.225 | 32% |
| De US$ 256.225 a US$ 640.600 | 35% |
| Acima de US$ 640.600 | 37% |
Fonte: IRS, valores para o ano fiscal de 2026
Sobre o salário, o empregado também contribui com 6,2% para a previdência americana e 1,45% para o Medicare, o seguro saúde público dos idosos. Os estados cobram imposto à parte: Flórida e Texas não têm imposto de renda estadual, e Massachusetts cobra alíquota única de 5% na maior parte da renda.
O Brasil não tem acordo para evitar a dupla tributação com os Estados Unidos, segundo a lista da Receita Federal. Na previdência, porém, vale desde 1º de outubro de 2018 o acordo assinado pelos dois países, promulgado pelo Decreto 9.422/2018. Ele permite somar o tempo de contribuição ao INSS e à previdência americana para cumprir a carência de aposentadoria.
A saída definitiva encerra a residência fiscal no Brasil e evita que o brasileiro pague imposto de renda nos dois países sobre o mesmo salário. Segundo a Receita Federal, o calendário de quem se muda em 2026 tem três etapas:
- Antes do embarqueNomear um procurador no Brasil e avisar bancos e corretoras da mudança
- Até o fim de fevereiro de 2027Comunicação de Saída Definitiva do País, com a data em que deixou de ser residente
- No prazo do Imposto de Renda de 2027Declaração de Saída Definitiva do País, com a renda até a mudança e os bens nessa data
Sem a comunicação, a pessoa continua residente fiscal até completar 12 meses seguidos fora do país e declara no Brasil a renda do mundo inteiro nesse período. Sem acordo contra a dupla tributação com os EUA, esse é o erro que mais pesa no bolso, como detalha o guia de saída definitiva.
Depois da saída, o Brasil cobra só sobre a renda que continua vindo do país, retida na fonte: 15% sobre aluguel, 10% sobre dividendos e 25% sobre salários e serviços. O CPF e o passaporte seguem válidos, e o título de eleitor pode ser transferido para votar no exterior.
Quem deixa o Brasil em 2026 entrega a Declaração de Saída Definitiva do País no prazo do Imposto de Renda de 2027. A Receita Federal divulga as datas no início do ano.
Como citar: Ouviram (3 nov. 2026). «Morar nos Estados Unidos sendo brasileiro: os vistos que permitem a mudança e quanto custam». ouviram.com.br/mundo/morar-nos-estados-unidos-brasileiro-vistos-custo-impostos
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Dá para entrar com visto de turista e trocar para visto de estudante nos EUA?
O USCIS aceita o pedido de mudança de status pelo formulário I-539, com taxa de US$ 470 em papel. A pessoa precisa estar com o status em dia e não pode começar as aulas antes da aprovação.
Brasileiro precisa de visto americano só para fazer conexão nos EUA?
Precisa. Os Estados Unidos não têm área de trânsito sem visto, e o passageiro usa o visto de turista ou o de trânsito (C), com taxa de US$ 185, segundo a tabela consular para o Brasil.
Quem mora nos Estados Unidos pode votar nas eleições do Brasil?
Pode, desde que transfira o título de eleitor para o exterior. Segundo o TSE, o eleitor que mora fora vota só para presidente, em seções montadas nos consulados e embaixadas.
Filho de brasileiro nascido nos EUA é brasileiro?
É brasileiro nato, pela Constituição, quando é registrado em repartição consular brasileira ou quando vem morar no Brasil e opta pela nacionalidade. A criança também tem a cidadania americana.
O CPF continua valendo para quem mora nos Estados Unidos?
Continua. Depois da saída definitiva, o cadastro do CPF passa a ter o endereço do exterior, e o documento segue necessário para conta, investimentos e imóveis no Brasil.
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1. Quanto custa a taxa consular do visto de estudante F-1 para brasileiros?
A taxa é de US$ 185, segundo a tabela consular dos EUA para o Brasil. O estudante paga ainda US$ 350 de taxa SEVIS.
2. Quantos dias de presença ponderada tornam o estrangeiro residente fiscal nos EUA?
São 183 dias no período de três anos, contando o ano atual inteiro, 1/3 do anterior e 1/6 do retrasado, segundo o IRS.
3. Quantos brasileiros vivem nos Estados Unidos, segundo o Itamaraty?
São 2,07 milhões, pela estimativa de 2025. O total de brasileiros no exterior é de 5,3 milhões.
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