Bancos do Paraguai: BC intervém no Ueno Bank e garante até R$ 206 mil por cliente
O primeiro pagamento, de até 10 milhões de guaranis, sai até sexta-feira (6), e a cobertura inclui quem não mora no país, como brasileiros com conta por lá.

O Banco Central do Paraguai (BCP) interveio no Ueno Bank nesta terça-feira (3), com a solvência abaixo de 50% do mínimo exigido. Contas e cartões estão parados. Quem tem dinheiro no banco, inclusive brasileiros, conta com garantia de até ₲ 228,3 milhões, cerca de R$ 206,7 mil.
A diretoria do BCP decidiu por unanimidade na segunda-feira (2), com base na Lei 2.334/03. O caso também mudou o comando do BCP. Carlos Carvallo renunciou à presidência na tarde de terça, a pedido do presidente Santiago Peña, e a diretora Liana Caballero assumiu de forma interina.
O primeiro pagamento será de até ₲ 10 milhões por pessoa, cerca de R$ 9 mil. Caballero disse em entrevista coletiva que os pequenos poupadores recebem até sexta-feira (6). Quem tem conta em outro banco vem primeiro, por transferência; para os demais, o BCP avalia pagamento no caixa ou abertura rápida de conta.
O saldo restante entra nos 15 dias previstos em lei, em calendário ainda a divulgar. “Estamos trabalhando para encurtar esse prazo o máximo possível”, disse o diretor Marco Aurelio González em coletiva na manhã de terça. Dívidas com o banco são descontadas antes do pagamento, e por isso o valor recebido pode ser menor, informou o BCP.
A conta interessa a muitos brasileiros. Eles receberam 22.628 das 29.765 residências concedidas pelo Paraguai no primeiro semestre, segundo a Direção Nacional de Migrações. O Fundo de Garantia de Depósitos cobre residentes e não residentes até 75 salários mínimos paraguaios, por pessoa e por banco, não por conta, pelas regras do BCP.
No Brasil, o Fundo Garantidor de Créditos cobre até R$ 250 mil por CPF em cada instituição.
Os valores acima do limite dependem da compensação entre ativos e passivos. Cerca de 120 funcionários do BCP conciliam essas contas nas agências, informou Carvallo. Ativos e passivos devem passar depois a outras instituições em processo competitivo, explicou González. As conversões em reais usam a taxa de referência do BCP de terça, de ₲ 1.104,28 por real.
“Este é um caso particular de uma entidade, não do sistema financeiro nacional”, afirmou Peña em comunicado divulgado na terça. Em agosto, o sistema financeiro paraguaio tinha solvência de 16,9% e liquidez de 31,3%, pelos indicadores do BCP.
O Senado aprovou na mesma terça um projeto para acelerar o pagamento quando um banco sofre intervenção. O texto permite adiantar até 40 salários mínimos, cerca de ₲ 121 milhões ou R$ 110 mil, em até 24 horas. Se o cliente tiver empréstimo, só as parcelas vencidas são descontadas.
O Instituto de Previsão Social (IPS), a previdência paraguaia, tem cerca de US$ 380 milhões aplicados no Ueno, em títulos e certificados de depósito. Cerca de 32 mil aposentados recebem pelo banco e passarão a outras instituições. A gerente de Administração e Finanças do IPS, Gladys Vera, disse que aposentadorias e o 13º estão garantidos.
Peña informou em abril de 2025 ter vendido em março suas ações da Ueno Holding, empresa do grupo. Ele disse que a sociedade em que investiu não tinha relação com o banco. Carvallo presidiu o Ueno até agosto de 2023; o BCP informou em outubro que ele se declarou impedido nas decisões sobre a instituição.
O Ministério Público ordenou a prisão de oito diretores em processo por suposta lesão de confiança. Sete deles já tinham se apresentado ou sido detidos até a noite de terça, informou o órgão.
A pedido do BCP, a Justiça determinou embargo preventivo de bens de diretores e empresas acionistas, até cobrir US$ 70 milhões, mais ₲ 1,6 trilhão, cerca de R$ 1,47 bilhão.
O BCP informou que as novidades do processo, inclusive o calendário de pagamentos, saem nos seus canais oficiais. A Câmara dos Deputados do Paraguai se reúne em sessão extraordinária nesta quarta-feira (4), às 10h, mesmo horário de Brasília, para votar as medidas.
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