Segurança pública

Maioridade penal: Senado vai aguardar a Câmara, onde a PEC ainda espera o parecer do relator

Davi Alcolumbre disse na quarta (4) que Hugo Motta se comprometeu a levar o tema a votação ainda em novembro, e Eduardo Braga propôs 1º de dezembro como prazo

Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão, em Brasília
Deputados circulam pelo plenário da Câmara dos Deputados durante sessão em Brasília, em imagem de 2015.Foto: PMDB Nacional / Wikimedia Commons · CC BY 2.0

O Senado vai esperar a Câmara dos Deputados votar a redução da maioridade penal antes de analisar as duas propostas que tem sobre o tema. O anúncio foi feito pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), na sessão de quarta-feira (4), segundo o Senado.

Na Câmara, o texto ainda não chegou ao plenário. A PEC 32/2015 aguarda o parecer do relator, deputado Mendonça Filho (PL-PE), na comissão especial criada para analisá-la. Na mesma quarta, a comissão aprovou 11 audiências públicas e um seminário regional em São Paulo, segundo o registro de tramitação da Câmara.

Na prática, nada muda por enquanto para as famílias: a idade penal continua em 18 anos, como fixa o artigo 228 da Constituição. Qualquer mudança depende de emenda constitucional aprovada em dois turnos nas duas Casas, com três quintos dos votos, o que equivale a 308 deputados e 49 senadores.

“Na condição de presidente do Senado, preciso compreender que a ponderação foi razoável”, disse Alcolumbre aos senadores. Segundo ele, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), lembrou que os deputados discutem o tema desde agosto e se comprometeu a pôr o texto em votação ainda em novembro.

As duas propostas do Senado nasceram na terça-feira (3), durante a votação da PEC da Segurança Pública. Emendas sobre a idade penal foram separadas do texto principal e viraram propostas autônomas.

A PEC 20/2026, do senador Camilo Santana (PT-CE), baixa a idade para 16 anos só nos crimes hediondos. A PEC 19/2026, do senador Rogerio Marinho (PL-RN), fixa 16 anos como regra geral e 14 anos para crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e organização criminosa.

Parte dos senadores esperava um calendário especial, com votação direta no plenário, e senadores da oposição defenderam votar as propostas sem esperar os deputados.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM), autor do pedido de calendário especial, disse que não se opunha à decisão e propôs um limite. Se a Câmara não votar até 1º de dezembro, o Senado analisaria as suas PECs com urgência, com base em requerimento assinado por mais de 50 senadores.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) propôs outro caminho, sem mexer na Constituição: cobrar da Câmara a votação do PL 1.473/2025, do senador Fabiano Contarato (PT-ES), aprovado pelo Senado em 2025.

O projeto não reduz a idade penal. Ele muda o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Pelo texto, a internação máxima de adolescentes infratores passa de três para cinco anos e pode chegar a dez nos atos com violência ou grave ameaça, segundo o Senado.

O texto da Câmara é mais amplo. Apresentada em 2015 pelo então deputado Gonzaga Patriota, a PEC 32/2015 fixa a maioridade civil e penal aos 16 anos. Ela tramita com outras propostas, explicadas no guia sobre a maioridade penal. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a admissibilidade em 10 de junho, por 44 votos a 18, segundo a Câmara.

A comissão especial foi criada em 6 de julho e instalada em 12 de agosto, sob a presidência do deputado Aluisio Mendes (Republicanos-MA). O prazo para emendas terminou em 28 de outubro.

Na terça-feira (3), o deputado Capitão Alden (PL-BA) apresentou ainda um requerimento para que a comissão proponha um plebiscito nacional sobre a redução da idade penal, que ainda não foi votado.

As audiências aprovadas na quarta vão ouvir o Ministério Público e associações de vítimas e debater o sistema de medidas socioeducativas, entre outros temas. Até a manhã desta quinta-feira (5), a agenda da comissão não trazia datas para esses encontros, segundo a Câmara.


Depois de votado na comissão especial, o parecer segue para o plenário da Câmara. Se a PEC for aprovada pelos deputados, vai ao Senado, e a promulgação depende de as duas Casas aprovarem o mesmo texto.

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