Segurança pública

Senado começa a discutir nesta terça a PEC da Segurança, que põe o Susp na Constituição

Aprovado pela Câmara em março, o texto leva a PRF a ferrovias e hidrovias e permite que as prefeituras criem polícias municipais, segundo o Senado.

Mesa diretora do Plenário do Senado Federal, com arranjos de flores e cadeiras azuis, em Brasília
Mesa diretora do Plenário do Senado Federal, em Brasília, onde os senadores discutem a PEC da Segurança, em imagem de 2024.Foto: Boaventuravinicius / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0

O Plenário do Senado começa a discutir nesta terça-feira (3), às 14h, a PEC da Segurança Pública, segundo a pauta oficial da Casa. Se aprovada, a Polícia Rodoviária Federal passa a patrulhar também ferrovias e hidrovias federais, e as cidades poderão criar polícias municipais.

A proposta de emenda à Constituição (PEC) 18/2025, enviada pela Presidência da República, é o primeiro item da sessão. Por mudar a Constituição, ela precisa do voto de pelo menos 49 dos 81 senadores em dois turnos, segundo o Senado. A pauta registra a etapa como a primeira sessão de discussão do 1º turno.

49

senadores, no mínimo, precisam votar a favor em cada um dos dois turnos para aprovar a PEC

Fonte: Senado Federal, outubro de 2026

Link para este dado

As regras pedem cinco sessões de discussão antes do 1º turno e três antes do 2º, com cinco dias úteis entre as votações. O calendário especial aprovado pelo Plenário em 14 de outubro permite encurtar esses prazos, se houver acordo entre os senadores.

O centro da proposta é levar à Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), criado por lei em 2018 para organizar o trabalho conjunto de União, estados e municípios. O texto também cria o Sistema de Políticas Penais e endurece as regras para líderes e integrantes de facções e milícias.

“Com o reconhecimento constitucional do Sistema Único de Segurança Pública, temos uma espécie de ‘SUS da Segurança Pública’”, disse o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva. A frase está na nota do ministério divulgada após a votação na Câmara, em março. Segundo ele, a mudança torna o tema “uma política de Estado e não de governo”.

Para facções, grupos paramilitares e milícias, a PEC prevê prisão obrigatória em presídio de segurança máxima, restrição à progressão de regime e a possibilidade de confisco de bens ligados ao crime, sem indenização. O rigor cresce conforme a posição do condenado na hierarquia do grupo, segundo o Senado.

O texto também garante à vítima de crime o direito a proteção, informação, assistência e participação no processo penal, com atenção especial às mulheres. Nas cidades, as polícias municipais farão policiamento ostensivo e comunitário, sob controle externo do Ministério Público.

Para criar a sua, a prefeitura terá de cumprir critérios de acreditação, uma espécie de certificação, além de capacidade financeira e formação padronizada dos agentes. A proposta proíbe guarda e polícia municipal com funções sobrepostas na mesma cidade e põe as guardas na lista constitucional de órgãos de segurança, como já entendeu o Supremo Tribunal Federal.

No dinheiro, a PEC protege de bloqueio e de remanejamento o Fundo Nacional de Segurança Pública, o Fundo Penitenciário Nacional e o fundo de aparelhamento da Polícia Federal (Funapol), salvo queda de arrecadação.

Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), retirou o trecho que mandava parte da arrecadação das apostas esportivas, as bets, para esses fundos. Ele manteve a destinação de 10% do superávit do fundo do pré-sal ao setor.

O ponto em aberto é a maioridade penal, hoje de 18 anos. A Emenda 84, do senador Rogério Marinho (PL-RN), reduz a idade para 16 anos na maior parte dos crimes e para 14 em casos como tráfico de drogas e organização criminosa, segundo o Senado.

A líder do governo, senadora Teresa Leitão (PT-PE), defendeu em 15 de outubro concluir a votação sem emendas e disse que o tema não pode ser tratado “de afogadilho”. Na Câmara, a versão final do relator, deputado Mendonça Filho (União-PE), deixou de fora o trecho sobre a redução da maioridade.

Uma PEC só é promulgada quando Câmara e Senado aprovam o mesmo texto. Se o Plenário mudar o conteúdo, a proposta volta aos deputados. O parecer sobre as cinco emendas apresentadas em Plenário ainda está pendente, segundo a pauta e a tramitação da proposta.

Da Câmara ao Plenário do Senado
  • 4 de março de 2026Câmara aprova a PEC por 487 votos a 15 no 1º turno e por 461 a 14 no 2º
  • 10 de março de 2026Proposta chega ao Senado
  • 2 de setembro de 2026CCJ aprova o texto-base do relator Rogério Carvalho
  • 14 de outubro de 2026CCJ conclui a votação, e o Plenário aprova calendário especial
  • 15 de outubro de 2026Davi Alcolumbre retira a PEC da pauta para buscar acordo sobre emendas
  • 3 de novembro de 2026Primeira sessão de discussão no Plenário, às 14h

A sessão desta terça é semipresencial. Depois da PEC, a pauta traz outros quatro itens, entre eles o projeto que cria a campanha Setembro em Flor, de conscientização sobre tumores ginecológicos.

#SegurançaPública#SenadoFederal#PECDaSegurança#PRF#Susp

Informar um erro nesta matéria · Correções publicadas

Mais sobre o assunto

Últimas de Política

Todas as matérias de Política →

O que você achou desta matéria?

O Ouviram confere cada dado em fontes oficiais e separa informação de opinião. Como trabalhamos · Achou um erro? Avise a redação

Debate : leia e comente

Comente com respeito. Leia as regras de participação: sem ofensas, sem dados pessoais de terceiros, sem links.

    Em alta agora

    1. FábricaIncêndio em galpão de fábrica de óleo em Capuava, em Mauá, mobiliza 21 viaturas dos bombeiros
    2. Calendario novembro 2026ITBI por capital em 2026: tabela de alíquotas vai de 2% em 14 capitais a 4% em Fortaleza
    3. Quinto dia útil de novembro 2026Quinto dia útil de novembro cai no sábado, dia 7, prazo do salário de outubro
    4. Calendario novembroFamílias têm até 12 de novembro para atualizar o CadÚnico e não perder o Bolsa Família