STF

Fachin arquivou pedido contra Moraes e oito apurações do inquérito das fake news

Presidência do Supremo contou 104 procedimentos; na maioria dos encerrados, a PGR apontou falta de provas ou prescrição, e medidas cautelares foram revogadas.

Fachada do Supremo Tribunal Federal, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, sob céu azul
Sede do Supremo Tribunal Federal, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, em imagem de 2025.Foto: xiquinhosilva / Flickr · CC BY 4.0

O ministro Edson Fachin arquivou oito apurações ligadas ao inquérito das fake news em outubro, informou o Supremo Tribunal Federal (STF). Nenhuma tinha Alexandre de Moraes como investigado. Em outra decisão, do dia 9, Fachin encerrou um pedido de investigação contra o ministro, sem analisar as alegações.

Esse pedido foi apresentado em março por dois advogados, que solicitavam a investigação e o afastamento de Moraes, com base em reportagens sobre o caso do Banco Master. Fachin considerou que cidadãos não podem levar esse tipo de pedido diretamente ao Supremo, porque a iniciativa cabe ao Ministério Público.

A revisão começou depois da Portaria 189/2026, de 9 de setembro. Ela passou à Presidência do STF o inquérito e os procedimentos ligados a ele, que até então ficavam com Moraes. Um mês depois, a Presidência contou 104 procedimentos, entre petições e apurações preliminares.

“Sob a atual Presidência, pretende-se concluir responsavelmente essa trajetória”, afirmou Fachin em despacho de 9 de outubro. O objetivo, disse ele, é “promover o arquivamento definitivo do inquérito, garantindo-se então a ampla publicidade de todos os atos”.

Os primeiros oito casos saíram em duas levas, divulgadas pelo tribunal em 27 e 29 de outubro. Em sete deles, a decisão atendeu à Procuradoria-Geral da República (PGR). Arquivar significa encerrar a investigação sem acusação formal; prescrição é o fim do prazo que a lei dá para punir.

Quem ou o quêProcessoMotivo do arquivamento
Silas Malafaia, pastorPet 14305Provas insuficientes, segundo a PGR
Guilherme Fiuza, jornalistaPet 10801Prescrição em um crime; falta de elementos mínimos em outro
Eduardo BolsonaroInq 4995Investigação já tinha virado a Ação Penal 2782
Rui Costa Pimenta, presidente do PCOPet 10391Prescrição
Grupo no TelegramPet 11373Autores não identificados
Brasileira que mora nos Estados UnidosPet 11548Fragilidade das provas
Gilson Machado, ex-ministro do TurismoPet 13965Falta de elementos de autoria e materialidade
Alex Brasil, deputado estadualPet 14103Fatos já arquivados na Pet 10783

Fonte: STF, notas de 27 e 29 de outubro de 2026.

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As decisões tiveram efeito prático para os investigados. Fachin revogou as medidas cautelares contra Malafaia e Fiuza e a prisão preventiva decretada na Pet 11548, além de restrições migratórias. Também mandou devolver celulares e uma arma a Gilson Machado, desde que o registro esteja regular, e desbloquear as contas de Alex Brasil nas redes sociais.

O caso de Eduardo Bolsonaro é diferente. O Inquérito 4995 foi encerrado porque a apuração já havia cumprido sua função. A Primeira Turma o condenou em 16 de junho na Ação Penal 2782, e a decisão se tornou definitiva em 3 de outubro, segundo o STF.

O inquérito 4.781 foi aberto em março de 2019 pela Presidência do Supremo, para apurar notícias falsas e ameaças contra os ministros da Corte. O Plenário confirmou sua validade em 2020. O caso continua aberto, porque as decisões de outubro alcançam apenas parte dos procedimentos.

Em quatro das cinco decisões divulgadas em 29 de outubro, Fachin ressalvou que novas provas permitem reabrir o caso, como prevê o artigo 18 do Código de Processo Penal. O tribunal informou ainda a retirada do sigilo das decisões e dos autos, e o andamento de cada caso pode ser consultado pelo número do processo no site do STF.

A Presidência informou que cada procedimento pendente será analisado individualmente. Os que dependerem de novas diligências poderão seguir para a polícia e para a PGR. Cumpridas essas etapas, Fachin pretende arquivar o inquérito em definitivo e divulgar os atos.

#STF#EdsonFachin#AlexandreDeMoraes#PGR#FakeNews

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