StartupsExplicador
Investidor-anjo: como funciona o contrato, o que diz a lei e quanto se paga de imposto
O investidor-anjo aplica na fase em que a startup ainda não fatura, não responde por dívidas da empresa e paga de 22,5% a 15% de Imposto de Renda.

O investidor-anjo é quem coloca dinheiro numa empresa nova na fase em que ela ainda não fatura e não consegue crédito em banco. Em troca, recebe parte dos resultados ou o direito de converter o aporte em participação mais tarde.
O contrato de investimento-anjo está na Lei Complementar 123/2006, a lei das micro e pequenas empresas. Ganhou as regras atuais com a Lei Complementar 155/2016 e com o Marco Legal das Startups, de 2021.
O aporte pode vir de pessoa física, de empresa ou de fundo de investimento. A empresa que recebe precisa ser micro ou pequena, com faturamento de até R$ 4,8 milhões por ano.
O que a lei garante ao investidor
O dinheiro entra por um contrato de participação, com prazo de até 7 anos, e não integra o capital social. Por isso, o investidor-anjo não é sócio, não vota na administração e não participa da gestão.
Se o contrato prever, ele pode participar das deliberações em caráter consultivo. Pela própria lei, pode exigir contas dos administradores, receber o balanço todo ano e examinar os livros da empresa. A palavra final continua com os sócios.
O investidor-anjo também não responde por nenhuma dívida da empresa, inclusive em recuperação judicial. A exceção, pelo Marco Legal, é a desconsideração da personalidade jurídica em caso de dolo, fraude ou simulação com envolvimento dele.
A remuneração pode durar até 7 anos, o prazo máximo do contrato, desde a mudança feita pelo Marco Legal em 2021. O contrato pode prever pagamento ao fim de cada período ou a conversão do aporte em participação societária, quando a empresa crescer.
Se os sócios venderem a empresa, o investidor-anjo tem preferência para comprá-la e o direito de vender a sua parte junto, nas mesmas condições oferecidas aos sócios.
Resgate, saída e imposto
O resgate do dinheiro só pode ser pedido depois de pelo menos 2 anos do aporte, ou do prazo maior que o contrato fixar. O valor é apurado como na saída de um sócio, pelo artigo 1.031 do Código Civil, e não pode passar do valor investido, corrigido pelo índice previsto no contrato.
O investidor também pode transferir o contrato a outra pessoa. Para isso, precisa do consentimento dos sócios, a menos que o contrato diga o contrário.
O rendimento paga Imposto de Renda retido na fonte, com as alíquotas da renda fixa, pela Instrução Normativa 1.719/2017 da Receita Federal. O prazo conta da data do aporte.
| Prazo do aporte | Imposto de Renda |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Na prática, como o resgate só vem depois de 2 anos, a maior parte dos ganhos do investidor-anjo paga 15%. Para pessoa física, a mesma tabela vale para o ganho na venda do contrato a terceiros.
O aporte do investidor-anjo não conta como receita da empresa. Assim, ela não sai do Simples Nacional nem sobe de faixa por causa do dinheiro recebido.
O contrato de investimento-anjo não é o único formato. No mútuo conversível, o investidor empresta o dinheiro, e o empréstimo vira participação numa rodada futura ou numa data combinada. Pelo Marco Legal, quem investe por mútuo conversível também não vira sócio nem responde por dívidas da empresa até a conversão.
Para quem empreende, o contrato resolve um problema comum da fase inicial: trazer dinheiro e experiência sem dividir a gestão com quem ainda não conhece o dia a dia. Muitos investidores-anjo ajudam com contatos e vendas, além do capital.
O dinheiro público sem devolução é outro caminho para a mesma fase. O Programa Centelha paga até R$ 128 mil por projeto, conforme o estado, para transformar uma ideia em empresa.
Antes de assinar, vale fixar no contrato o valor do aporte, o prazo, a forma de remuneração, a regra de conversão em participação e o que acontece se a empresa for vendida ou fechar.
Como citar: Ouviram (31 out. 2026). «Investidor-anjo: como funciona o contrato, o que diz a lei e quanto se paga de imposto». ouviram.com.br/startups/investidor-anjo-como-funciona-contrato-lei-imposto
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
O que é investidor-anjo?
É a pessoa física, empresa ou fundo que coloca dinheiro numa micro ou pequena empresa inovadora sem entrar no contrato social. O nome vem da fase em que ele aposta: quando a empresa ainda não fatura e não consegue crédito em banco.
O investidor-anjo vira sócio da empresa?
Não. Pela Lei Complementar 123/2006, o aporte não integra o capital social, e o investidor não tem direito a voto nem à gerência. Ele pode participar das deliberações só em caráter consultivo, se o contrato prever.
O investidor-anjo responde pelas dívidas da startup?
Não responde por nenhuma dívida, inclusive em recuperação judicial. A exceção é a desconsideração da personalidade jurídica em caso de dolo, fraude ou simulação com envolvimento dele, pelo Marco Legal das Startups.
Quando o investidor-anjo pode pedir o dinheiro de volta?
Depois de pelo menos 2 anos do aporte, ou do prazo maior fixado no contrato. O valor é apurado como na saída de um sócio, pelo artigo 1.031 do Código Civil, limitado ao valor investido com correção.
Quanto o investidor-anjo paga de imposto?
O rendimento paga Imposto de Renda retido na fonte de 22,5% em aportes de até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias, pela Instrução Normativa 1.719/2017.
Informar um erro nesta matéria · Correções publicadas
Mais sobre o assunto
Últimas de Startups
- LGPD para startups: as regras simplificadas da ANPD e seus limites
- Flip: por que startups brasileiras abrem holding nos Estados Unidos
- Venda da startup: quanto o fundador paga de imposto sobre o ganho
- Como contratar a primeira equipe da startup: CLT, PJ ou estágio
- Pró-labore ou dividendos: como o fundador da startup se paga em 2026
1. Por quanto tempo o investidor-anjo pode ser remunerado pelo contrato?
Desde o Marco Legal das Startups, de 2021, a Lei Complementar 123/2006 permite remunerar o investidor por até 7 anos, o prazo máximo do contrato.
2. O aporte do investidor-anjo conta como receita da empresa no Simples Nacional?
Pela lei, o aporte não é considerado receita, e a empresa não perde o enquadramento como micro ou pequena empresa.
O que você achou desta matéria?
O Ouviram confere cada dado em fontes oficiais e separa informação de opinião. Como trabalhamos · Achou um erro? Avise a redação





Comente com respeito. Leia as regras de participação: sem ofensas, sem dados pessoais de terceiros, sem links.