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Por que tantos fundadores de startups se mudam para Florianópolis
A tecnologia já responde por 25% do PIB de Florianópolis, e a cidade junta ISS no piso legal, universidades públicas e o maior encontro de startups do país.

Florianópolis passou de 421.240 moradores no Censo 2010 para 537.211 no Censo 2022, segundo o IBGE. Parte desse crescimento veio de quem cria empresas de tecnologia. O setor fatura mais de R$ 12 bilhões e responde por 25% do PIB da cidade, segundo a Rede de Inovação Florianópolis.
Os fundadores chegam por um conjunto de razões que poucas capitais reúnem: imposto municipal no piso legal, universidades públicas, centros de inovação, aeroporto internacional e qualidade de vida. Quem trabalha com clientes de outras cidades troca o deslocamento diário por bairros onde se trabalha perto do mar.
A conta fecha melhor para quem vende software para todo o país e para fora. Quem pretende captar com fundos estrangeiros costuma manter a equipe na Ilha e abrir empresa nos Estados Unidos, estrutura que boa parte desses fundos pede para investir.
ISS no piso, universidades e o maior evento do setor
Florianópolis cobra 2% de ISS das empresas de tecnologia desde o início dos anos 2000, a menor alíquota permitida pela lei federal. A vantagem tem prazo: pela reforma tributária, o ISS começa a cair em 2029 e deixa de existir em 2033, quando dá lugar ao IBS, cobrado no local do cliente.
A alíquota pesa mais para quem já saiu do Simples Nacional. Dentro dele, o ISS vem embutido na guia única. A empresa de software paga a partir de 6% do faturamento quando a folha chega a 28% da receita, o chamado fator R. Abaixo disso, a alíquota inicial sobe para 15,5%, pela Lei Complementar 123/2006.
A mão de obra sai de instituições públicas. A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) formam engenheiros e programadores na própria Ilha, e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), administradores e designers.
Os centros de inovação da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) ficam no Centro e na SC-401, a chamada Rota da Inovação. O Sapiens Parque, parque de inovação, ocupa uma área na Cachoeira do Bom Jesus, no Norte da Ilha.
Todo mês de agosto, a cidade recebe o Startup Summit, do Sebrae com a ACATE, no CentroSul. A edição de 2026, de 26 a 28 de agosto, teve 283 palestrantes em 17 trilhas e mais de 11 mil participantes, segundo o balanço do Sebrae.
No mesmo evento sai o resultado do Prêmio Sebrae Startups. A edição de 2026 recebeu mais de 2,6 mil inscrições, e a vencedora leva R$ 250 mil, segundo o Sebrae.
O Aeroporto Hercílio Luz teve 5,1 milhões de passageiros em 2025. Cerca de 1,2 milhão viajaram em voos internacionais, 32% a mais que em 2024, o terceiro maior movimento do país, atrás só de Guarulhos e do Galeão.
A cidade tem o maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal entre as capitais, 0,847, no Atlas feito com dados do Censo 2010. Santa Catarina teve 5,2 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado.
Dinheiro público para tirar a ideia do papel
Santa Catarina tem programa próprio para quem começa: o Acelera Startup SC, da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc) com o Sebrae. O programa dá até R$ 80 mil por startup, com contrapartida de 5%, segundo os editais da Fapesc. Em 2026, 20 startups catarinenses dividiram R$ 1,59 milhão.
O Programa Centelha, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com a Finep, chega ao estado pela Fapesc e financia ideias que viram empresa. No plano nacional, o InovAtiva, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços com o Sebrae, acelera startups de graça e sem pedir participação societária.
Para pesquisadores, o Catalisa ICT, do Sebrae, apoia quem quer levar resultados de laboratório ao mercado. A Finep mantém o Finep Startup, de investimento em empresas inovadoras, e o BNDES tem linhas próprias para negócios de tecnologia.
O Marco Legal das Startups, a Lei Complementar 182/2021, considera startup a empresa com até 10 anos de CNPJ e receita bruta de até R$ 16 milhões no ano anterior. O investidor-anjo não vira sócio nem responde por dívidas da empresa.
Pelo Inova Simples, criado pela Lei Complementar 167/2019, a empresa inovadora abre o CNPJ por um rito simplificado. O passo a passo do registro mais simples está no guia como abrir empresa MEI.
O que pesa contra e por onde começar
A Ilha cobra um preço. Morar perto da praia custa caro, e o trânsito nas pontes que ligam a Ilha ao continente trava nos horários de pico. No verão, a população dos balneários do Norte e do Sul cresce e sobrecarrega o abastecimento de água, segundo a prefeitura, que traçou um plano contra a falta de água até 2050.
O mercado local também é menor. Boa parte dos clientes corporativos e dos fundos de investimento está em São Paulo, a pouco mais de uma hora de voo. Quem se muda costuma vender para todo o país e para fora, com a equipe na Ilha.
Para o dia a dia, quem trabalha perto da UFSC ou na SC-401 costuma morar na Trindade, no Córrego Grande, na Santa Mônica ou no João Paulo. Quem prefere o mar escolhe Lagoa da Conceição, Campeche ou Rio Tavares. Bairros, contas e o primeiro mês estão no guia morar em Florianópolis.
Coworkings e centros de inovação para quem chega sem contatos estão no guia Florianópolis para nômades digitais.
A abertura de empresa em Florianópolis é feita pela internet, no portal da Redesim integrado à Junta Comercial. Quem já tem CNPJ em outra cidade transfere a sede com uma alteração na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (Jucesc) e uma nova inscrição municipal.
Perguntas frequentes
Por que Florianópolis é chamada de Ilha do Silício?
O apelido vem do peso da tecnologia na economia da cidade. O setor fatura mais de R$ 12 bilhões e responde por 25% do PIB, segundo a Rede de Inovação Florianópolis, com centros de inovação no Centro, na SC-401 e no Norte da Ilha.
Quanto uma empresa de tecnologia paga de ISS em Florianópolis?
Paga 2% sobre o valor do serviço, a menor alíquota permitida pela lei federal, aplicada ao setor desde o início dos anos 2000. Pela reforma tributária, o ISS começa a ser reduzido em 2029 e deixa de existir em 2033, quando o IBS assume.
Quais programas de apoio a startups existem em Santa Catarina?
O Acelera Startup SC, da Fapesc com o Sebrae, dá até R$ 80 mil por startup. O Programa Centelha financia ideias que viram empresa, e o InovAtiva acelera startups de graça, sem pedir participação societária.
Quando é o Startup Summit em Florianópolis?
O evento acontece todo mês de agosto, no CentroSul. A edição de 2026 foi de 26 a 28 de agosto, com 283 palestrantes em 17 trilhas e mais de 11 mil participantes, segundo o balanço do Sebrae.
Vale a pena morar em Florianópolis para empreender?
Vale para quem vende para todo o país ou para fora e quer qualidade de vida. A cidade tem o maior IDHM entre as capitais e aeroporto com voos internacionais; os pontos fracos são a moradia cara perto da praia e o trânsito nas pontes.
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1. Qual é a alíquota de ISS das empresas de tecnologia em Florianópolis?
A cidade aplica 2%, a menor alíquota que a lei federal permite, desde o início dos anos 2000.
2. Até quanto o Acelera Startup SC dá por startup?
Os editais da Fapesc preveem até R$ 80 mil por startup, com contrapartida de 5%; R$ 250 mil é o prêmio da vencedora do Prêmio Sebrae Startups.
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