Mercado Bitcoin suspende saques, depósitos e aplicativo após incidente de segurança
A corretora afirma que nenhum cliente teve prejuízo e que dados não vazaram, mas não diz quando o acesso volta nem quanto foi movimentado.

O Mercado Bitcoin suspendeu saques e depósitos nesta segunda-feira (2), após um incidente de segurança de madrugada, segundo a corretora. Quem tem conta na plataforma também está sem acesso ao aplicativo, e a empresa ainda não informou quando os serviços voltam.
“Não houve nenhum prejuízo aos clientes” e “não houve vazamento de dados”, afirmou a companhia no texto publicado às 9h56 em seu perfil oficial no X. A suspensão, segundo ela, é uma medida preventiva de proteção, e em nota a empresa disse que também suspendeu o acesso ao aplicativo.
“Nossas equipes estão mobilizadas investigando o caso, rastreando os ativos e coordenando as medidas junto às autoridades competentes”, diz o comunicado. A corretora não informou qual sistema foi atingido, quais moedas foram afetadas nem quais autoridades acionou.
A página de status da empresa mostrava, às 11h35, login, aplicativo, cadastro e Trade API como totalmente indisponíveis, com registros abertos entre 9h52 e 9h59. A Trade API é a porta usada por programas para comprar e vender de forma automática. O site aparecia como operacional.
O valor envolvido não é oficial. Uma empresa privada de segurança em blockchain, o registro público das transações com criptomoedas, estimou em mais de US$ 40 milhões o total que saiu de carteiras atribuídas à corretora. São cerca de R$ 217 milhões pela cotação do Banco Central de 30 de outubro.
A própria autora do levantamento chama a conta de preliminar, porque ainda falta confirmar se todos os endereços são do Mercado Bitcoin. Pelo mesmo levantamento, os primeiros registros suspeitos são de cerca de 23h15 de domingo (1º), e a maior concentração de transferências ocorreu entre 3h19 e 3h53 desta segunda. As saídas envolvem pelo menos dez redes.
Para o cliente, a diferença em relação a um banco é direta: criptomoedas não têm garantia do FGC, o Fundo Garantidor de Créditos, pela Resolução BCB 520, do Banco Central. A mesma norma obriga a corretora a manter as moedas e os reais dos clientes separados do patrimônio da empresa, mas não cria um fundo que pague eventuais perdas.
O caso ocorre quatro dias depois do ataque à Binance, em 29 de outubro, que levou cerca de US$ 6,3 bilhões. O Mercado Bitcoin não relacionou os dois episódios em seu comunicado.
Se você tem saldo na plataforma, guarde e-mails e comprovantes das últimas operações, que servem de prova numa reclamação. Também não passe senha nem código a quem se apresentar como suporte da corretora: os sinais de golpe costumam aparecer em momentos assim.
Sem resposta da empresa, a reclamação pode ir ao Procon e ao Banco Central. O BC recebe queixas pelo site ou pelo telefone 145, que atende de segunda a sexta, das 8h às 18h, e a instituição tem até 10 dias úteis para responder. Esta segunda é feriado de Finados, e o prazo só corre a partir de terça (3).
O Mercado Bitcoin informou que publicará as próximas atualizações em seu perfil no X.
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