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Minas Gerais produz 57% do minério de ferro do Brasil, e o Pará fica com quase 40%
As minas de Canaã dos Carajás e Parauapebas, no sudeste paraense, geraram R$ 2,35 bilhões em royalties da mineração em 2025, segundo a ANM.

Minas Gerais é o estado que mais produz minério de ferro no Brasil, com 57% do total nacional, segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM). Foram 255,8 milhões de toneladas de minério beneficiado em 2024, pelo Anuário Mineral Brasileiro. O Pará vem em segundo, com 178,0 milhões de toneladas.
Os dois estados somam 96,7% de todo o ferro que sai das minas do país. Para quem mora nas cidades mineradoras, a conta vira dinheiro público. A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), os royalties da mineração, somou R$ 7,91 bilhões em 2025, e 60% do valor vai para o município onde fica a mina.
- Maior produtorMinas Gerais, 255,8 milhões de toneladas em 2024
- Segundo lugarPará, 178,0 milhões de toneladas
- Produção do país448,6 milhões de toneladas de minério beneficiado
- Valor vendidoR$ 159,7 bilhões em 2024
- CFEM de 2025R$ 7,91 bilhões, todas as substâncias
- Alíquota do ferro3,5% da receita da venda
- Cidade que mais arrecadaCanaã dos Carajás (PA), R$ 1,25 bilhão em 2025
A tabela abaixo mostra os cinco estados que mais venderam minério de ferro em 2024; o total do Brasil inclui também estados com volumes menores, como São Paulo. Produção bruta é o minério tirado da mina; beneficiada é o que sobra depois de britado, moído e concentrado, pronto para a venda.
| Estado | Produção bruta (milhões de t) | Beneficiada (milhões de t) | Teor de ferro do beneficiado | Valor vendido |
|---|---|---|---|---|
| Minas Gerais | 325,8 | 255,8 | 60,1% | R$ 85,15 bilhões |
| Pará | 179,9 | 178,0 | 64,7% | R$ 72,53 bilhões |
| Mato Grosso do Sul | 15,4 | 12,7 | 65,0% | R$ 1,65 bilhão |
| Piauí | 1,3 | — | — | R$ 239,0 milhões |
| Bahia | 0,49 | 0,47 | 65,2% | R$ 135,2 milhões |
| Brasil | 523,0 | 448,6 | 62,1% | R$ 159,73 bilhões |
Fonte: ANM, Anuário Mineral Brasileiro 2025 (ano-base 2024), versão de maio de 2026.
448,6 milhões
de toneladas de minério de ferro beneficiado saíram das minas brasileiras em 2024, em 109 minas de porte pequeno a grande
Fonte: ANM, maio de 2026
Por que Minas produz mais e o Pará tem o minério mais rico
O minério de ferro do Pará sai da mina com 65,1% de ferro, e o de Minas Gerais, com 47,5%, segundo o Anuário Mineral Brasileiro 2025 da ANM, com dados de 2024. Por isso o Pará vende quase tudo o que extrai, enquanto Minas Gerais precisa moer e concentrar mais rocha para chegar ao mesmo produto.
A diferença aparece na própria tabela. No Pará, 179,9 milhões de toneladas tiradas da mina viraram 178,0 milhões prontas para a venda. Em Minas Gerais, 325,8 milhões de toneladas brutas renderam 255,8 milhões de minério beneficiado, cerca de 79% do volume inicial.
O teor mais alto também pesa no preço. Cada tonelada de minério beneficiado vendida pelo Pará valeu, em média, R$ 408 em 2024; a de Minas Gerais, R$ 327, pelos valores de venda registrados no anuário. É por isso que, com menos toneladas, o Pará chega perto de Minas no faturamento do ferro: R$ 72,5 bilhões, contra R$ 85,2 bilhões.
Em Minas Gerais, as minas de ferro se concentram no Quadrilátero Ferrífero, região que vai de Belo Horizonte a Itabira, Mariana e Congonhas e passa por cidades históricas como Ouro Preto. No Pará, a produção vem da Serra dos Carajás, no sudeste do estado, principalmente nos municípios de Parauapebas e Canaã dos Carajás.
Mato Grosso do Sul é o terceiro produtor, com 12,7 milhões de toneladas de minério beneficiado e teor de 65,0%. Piauí e Bahia aparecem com volumes bem menores, abaixo de 1,5 milhão de toneladas cada um.
Somados todos os metais, a ordem se inverte. O valor da produção mineral comercializada das principais substâncias metálicas chegou a R$ 220,5 bilhões em 2024, e o Pará ficou com 44,1%, à frente de Minas Gerais, com 43,2%, segundo a ANM. A explicação está no cobre, na bauxita e no manganês, em que o Pará lidera.
A produção de ferro está nas mãos de poucas empresas. A Vale respondeu por 73,03% do valor produzido em 2024, com minas nos dois estados; a Anglo American Minério de Ferro Brasil teve 7,07%, e a CSN Mineração, 6,60%, de acordo com o anuário.
O que é a CFEM e quais cidades mais arrecadam
A Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) é o valor que as mineradoras pagam ao poder público pelo uso dos recursos minerais, que pela Constituição pertencem à União. Para o minério de ferro, a Lei 13.540/2017 fixou a alíquota em 3,5% da receita bruta da venda.
Cada substância tem a sua alíquota. A lei também permite que a ANM reduza a do ferro para até 2%, em caráter excepcional, em jazidas de baixo teor ou baixa rentabilidade, para não inviabilizar a operação.
| Alíquota da CFEM | Substâncias |
|---|---|
| 1% | Rochas, areia, cascalho e saibro para construção civil; rochas ornamentais; águas minerais e termais |
| 1,5% | Ouro |
| 2% | Diamante e demais substâncias minerais |
| 3% | Bauxita, manganês, nióbio e sal-gema |
| 3,5% | Ferro |
Fonte: Lei 8.001/1990, com a redação da Lei 13.540/2017.
O dinheiro é dividido por regra fixa. A maior parte fica onde a mina está, e uma fatia vai para cidades vizinhas que sofrem os efeitos da atividade, como a passagem de ferrovias, estradas e minerodutos:
- Municípios produtores60%
- Estados e Distrito Federal produtores15%
- Municípios afetados, sem mina15%
- ANM7%
- Centro de Tecnologia Mineral (Cetem)1,8%
- Ciência e tecnologia1%, para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT)
- Ibama0,2%, para proteção ambiental em regiões de mineração
A arrecadação de 2025 chegou a R$ 7,91 bilhões, alta nominal de 6,3% sobre os R$ 7,44 bilhões de 2024, segundo a ANM. É o segundo maior valor da série da agência, atrás apenas de 2021, quando os royalties somaram cerca de R$ 10,3 bilhões, no pico internacional dos preços dos minérios.
O ferro continua no topo, mas perdeu espaço. Sua participação caiu de 75% da CFEM em 2024 para 69% em 2025, informou a agência em nota de janeiro de 2026. No mesmo período, o cobre subiu de 5,5% para 7,8% e o ouro, de 4,8% para 7,5%.
“A combinação de diversificação mineral, automação fiscal e integração de dados elevou a eficiência arrecadatória, especialmente em estados como o Pará.”
Dos R$ 7,91 bilhões arrecadados em 2025, R$ 7,09 bilhões foram repassados a estados, municípios e outros beneficiários: R$ 1,17 bilhão aos estados e R$ 5,92 bilhões aos municípios. Ao todo, 5.234 cidades receberam algum valor, 94% dos municípios brasileiros, segundo a ANM.
Fonte: ANM, relatório de maiores arrecadadores da CFEM, 2025
Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, foi o município com a maior arrecadação de CFEM do Brasil em 2025, com R$ 1,25 bilhão, segundo o relatório de maiores arrecadadores da ANM. A vizinha Parauapebas ficou em segundo, com R$ 1,10 bilhão, e as duas cidades somaram 29,7% de todo o royalty mineral do país.
O anuário da ANM não traz a produção mina a mina. Para saber onde ficam as maiores minas de ferro do país, a medida oficial mais próxima é a arrecadação por município. Ela aponta para a Serra dos Carajás, no Pará, e para Conceição do Mato Dentro e o Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais.
| Posição | Município | Estado | CFEM em 2025 (R$ milhões) |
|---|---|---|---|
| 1º | Canaã dos Carajás | PA | 1.248,2 |
| 2º | Parauapebas | PA | 1.102,9 |
| 3º | Conceição do Mato Dentro | MG | 424,9 |
| 4º | Marabá | PA | 358,1 |
| 5º | Congonhas | MG | 344,6 |
| 6º | Nova Lima | MG | 302,4 |
| 7º | Mariana | MG | 292,1 |
| 8º | Itabira | MG | 284,4 |
| 9º | Itabirito | MG | 265,4 |
| 10º | São Gonçalo do Rio Abaixo | MG | 245,6 |
| 11º | Ouro Preto | MG | 174,0 |
| 12º | Paracatu | MG | 164,5 |
Fonte: ANM, relatório de maiores arrecadadores da CFEM, 2025 (todas as substâncias).
Nem toda cidade da lista vive do ferro. Marabá tem a mina de cobre do Salobo, metal que paga 2% de CFEM, e Paracatu, uma grande mina de ouro, que paga 1,5%.
Minas Gerais tem mais cidades na lista, mas o Pará concentra os maiores valores. Os 12 primeiros municípios somaram R$ 5,21 bilhões em 2025, e só os três paraenses ficaram com R$ 2,71 bilhões, mais da metade.
Para as famílias dessas cidades, a CFEM pode virar escola. Segundo a ANM, o dinheiro não pode pagar dívidas, salvo com a União, nem o quadro fixo de servidores. A educação é a exceção: a prefeitura pode usá-lo para pagar professores da rede pública, sobretudo na educação básica em tempo integral.
A lei recomenda ainda aplicar pelo menos 20% em diversificação da economia, mineração sustentável e pesquisa.
O repasse é mensal. Em 15 de outubro de 2026, a ANM distribuiu mais de R$ 465 milhões referentes à arrecadação de setembro, e mais de R$ 372 milhões foram para municípios. Desde 7 de julho de 2026, a cobrança passa pela nova Plataforma de Gestão de Recursos Minerais, que já responde por 99,62% da arrecadação, de acordo com a agência.
A riqueza mineral também aparece no PIB. Parauapebas tem a segunda maior economia do Pará, com PIB de R$ 26,4 bilhões em 2023, segundo o IBGE. Canaã dos Carajás vem em terceiro, com R$ 16,6 bilhões, atrás só de Belém, como mostra o levantamento das cidades mais ricas do Brasil.
Para onde vai o minério de ferro e o que mais sai das minas
O Brasil exportou 416,3 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, no valor de US$ 29,0 bilhões, segundo o Comex Stat do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A China comprou 67,6% desse valor, US$ 19,6 bilhões, e recebeu 294,5 milhões de toneladas.
O volume cresceu, e o preço caiu. Em 2024 tinham sido 388,7 milhões de toneladas por US$ 29,9 bilhões; em 2025, o país vendeu 7,1% mais minério e recebeu 3,0% menos. Na média, a tonelada exportada passou de US$ 76,8 para US$ 69,6.
| País | Valor em 2025 (US$ bilhões) | Volume (milhões de t) | Participação no valor |
|---|---|---|---|
| China | 19,58 | 294,5 | 67,6% |
| Malásia | 1,37 | 19,7 | 4,7% |
| Japão | 0,96 | 12,6 | 3,3% |
| Omã | 0,88 | 12,7 | 3,0% |
| Barein | 0,76 | 9,4 | 2,6% |
| Países Baixos | 0,72 | 9,9 | 2,5% |
| Coreia do Sul | 0,72 | 7,8 | 2,5% |
| Índia | 0,44 | 6,4 | 1,5% |
| Total | 28,98 | 416,3 | 100% |
Fonte: MDIC, Comex Stat, posição 2601 (minérios de ferro e seus concentrados), 2025.
Pelo estado de origem, Minas Gerais respondeu por 42,2% do valor exportado em 2025 e o Pará, por 40,2%. Espírito Santo (10,2%) e Rio de Janeiro (5,3%) também aparecem, porque o MDIC registra o estado onde aconteceu a última etapa da produção, como a fabricação de pelotas de minério.
O minério de Carajás desce de trem até o Terminal de Ponta da Madeira, em São Luís (MA). Foi a instalação que mais movimentou carga no país em 2025, com 172,4 milhões de toneladas, segundo a Antaq, como mostra o ranking dos maiores portos do Brasil.
O ritmo segue em 2026. De janeiro a setembro, o país exportou 297,8 milhões de toneladas de minério de ferro, por US$ 20,1 bilhões, e a fatia da China subiu para 68,5% do valor, pelos dados do MDIC.
Em 2025, o minério de ferro foi o terceiro produto mais vendido ao exterior, com 8,3% das exportações, atrás do petróleo bruto e da soja, como detalha o guia das exportações do Brasil.
O Pará também lidera o cobre: produziu 939,6 mil toneladas de concentrado em 2024, com 277,0 mil toneladas de cobre contido, 73% do total nacional, segundo o Anuário Mineral Brasileiro 2025 da ANM. O estado responde ainda por 92,6% da bauxita beneficiada no país, a matéria-prima do alumínio.
Minas Gerais domina o ouro e o lítio. O estado produziu 29,7 toneladas de ouro em 2024, 51,4% do ouro extraído com concessão de lavra no país. Também saiu de Minas todo o concentrado de lítio registrado pela ANM, 944,1 mil toneladas, vendidas por R$ 1,11 bilhão. Na produção de nióbio, Minas divide o mercado com Goiás.
São esses metais que explicam a diversificação vista na CFEM de 2025. O cobre recolheu R$ 615,0 milhões no ano, 51% mais que em 2024, e o ouro, R$ 591,6 milhões, alta de 65%, pelo relatório de arrecadação da agência.
A mineração também é fonte de emprego qualificado. A indústria extrativa mineral tinha 226.634 vagas formais em 2025, segundo o portal lançado pela ANM em 14 de outubro de 2026. Delas, 129.423, ou 57%, estavam ligadas a minerais críticos e estratégicos, como cobre, lítio e níquel.
Parauapebas (PA) lidera esse mercado, com 8.234 empregos, seguida de Nova Lima (MG), com 8.218, e Congonhas (MG), com 7.114. A remuneração mediana de quem tem curso superior nessas atividades foi de R$ 11.856,16 em 2025; com ensino médio, de R$ 4.142,24.
“O portal permite consultar dados sobre empregos, remuneração, perfil dos trabalhadores, distribuição territorial e substâncias relacionadas a essas atividades”, afirmou a superintendente de Economia Mineral da ANM, Inara Barbosa, em nota da agência.
Qualquer pessoa pode conferir quanto a sua cidade arrecada e recebe de CFEM, sem cadastro:
- Entre no site da Agência Nacional de Mineração e abra a área da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM).
- Para o que as mineradoras pagaram, use o relatório de maiores arrecadadores e filtre por estado, município ou substância.
- Para o que a prefeitura recebeu, abra o relatório de distribuição por estados e municípios: o sistema antigo cobre os repasses até meados de 2026, e a Plataforma de Gestão de Recursos Minerais, os seguintes.
- Para saber o dia em que o dinheiro caiu na conta da prefeitura, consulte os repasses no site do Banco do Brasil.
Estados, Distrito Federal e municípios que recebem a CFEM são obrigados a publicar todo ano como aplicaram o dinheiro, pela Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/2011). O pedido de dados pode ser feito à própria prefeitura, pelo canal de acesso à informação.
Como citar: Ouviram (25 out. 2026). «Minas Gerais produz 57% do minério de ferro do Brasil, e o Pará fica com quase 40%». ouviram.com.br/economia/producao-de-minerio-de-ferro-por-estado-anm
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
Quantas minas de ferro existem no Brasil?
O Anuário Mineral Brasileiro contou 109 minas de ferro em 2024 com produção acima de 10 mil toneladas por ano: 45 grandes, 45 médias e 19 pequenas. Grande, para a ANM, é a mina que extrai mais de 1 milhão de toneladas por ano.
Quantas mineradoras pagam CFEM no Brasil?
Em 2025, 8.086 titulares de direitos minerários recolheram CFEM, contra 7.974 em 2024, segundo a ANM. Os pagamentos vieram de 13.691 processos minerários, em 2.841 municípios produtores.
Quantas mulheres trabalham na mineração no Brasil?
Nas atividades ligadas a minerais críticos e estratégicos, como cobre, lítio e níquel, as mulheres ocupavam 28.658 postos em 2025, 22% do total, segundo a ANM. Em Nova Lima (MG), elas eram 36,7% dos 8.218 trabalhadores desse segmento.
A CFEM é um imposto?
Não. A CFEM é uma compensação financeira prevista na Constituição, devida à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios pela exploração dos recursos minerais, que pertencem à União. Quem paga é a mineradora, sobre a receita da venda do minério, descontados os tributos.
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1. Qual estado produziu mais minério de ferro no Brasil em 2024?
Minas Gerais beneficiou 255,8 milhões de toneladas, contra 178,0 milhões do Pará e 12,7 milhões de Mato Grosso do Sul, segundo a ANM.
2. Qual é a alíquota da CFEM sobre o minério de ferro?
A Lei 13.540/2017 fixou 3,5% para o ferro; o ouro paga 1,5% e diamante e outras substâncias, 2%.
3. Que país comprou a maior parte do minério de ferro brasileiro em 2025?
A China ficou com US$ 19,6 bilhões dos US$ 29,0 bilhões exportados, ou 67,6%, segundo o MDIC.
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