Assaí vê vendas subirem 3,9% em outubro e cita proibição das bets como uma das causas
O presidente da rede de atacarejo, Belmiro Gomes, vê melhora no consumo entre clientes de baixa renda e diz que ainda é cedo para medir o efeito exato.

As vendas do Assaí nas mesmas lojas subiram 3,9% em outubro, segundo a rede de atacarejo, que cita a proibição das bets entre as causas. De julho a setembro, período quase todo anterior à medida, a alta tinha sido de 0,1%.
O indicador compara só as lojas que já funcionavam um ano antes. Os números saíram na quinta-feira (5), com o balanço do terceiro trimestre. Em entrevista coletiva, o presidente da empresa, Belmiro Gomes, disse perceber melhora no consumo de alimentos, sobretudo entre clientes de baixa renda.
“Observamos expressiva mudança na variação do tíquete médio e no fluxo de clientes”, escreveu Gomes no relatório de resultados. Tíquete médio é o valor gasto por compra. A rede também credita a alta à campanha de 52 anos, feita em outubro.
“A continuidade desse movimento nos próximos meses será importante para confirmar essa avaliação”, acrescentou o executivo. Na coletiva, ele disse que ainda é cedo para medir o efeito exato. Se a proibição for mantida, afirmou, as famílias talvez possam ter um “Natal mais gordo” do que nos últimos dois anos.
A proibição veio pela Medida Provisória 1.394/2026, de 25 de setembro, e ainda depende de votação no Congresso. Uma liminar do Tribunal Regional Federal da 3ª Região liberou três marcas de uma empresa, e a Advocacia-Geral da União informou que vai recorrer.
O lucro recorrente, que deixa de fora ganhos que não se repetem, foi de R$ 248 milhões. O lucro contábil chegou a R$ 427 milhões porque inclui R$ 179 milhões em créditos de PIS e Cofins, tributos federais sobre o faturamento.
- Lucro recorrenteR$ 248 milhões, alta de 55,2%
- Lucro contábilR$ 427 milhões, alta de 119%
- Receita brutaR$ 21,3 bilhões, alta de 2,7%
- Fluxo de clientesMais de 40 milhões por mês, alta de 2,1%
- DespesasAlta de 4,2%, contra inflação de 4,4% em 12 meses
- Dívida líquida2,15 vezes o lucro operacional anual, contra 3,03 vezes um ano antes
A empresa afirma que o consumo seguiu pressionado pelo endividamento das famílias e pelos juros altos. Por isso, parte dos clientes troca marcas por opções mais baratas. Quem precisa renegociar dívidas tem os caminhos oficiais no guia do Desenrola.
A abertura de novas lojas segue fora das prioridades, e a rede fechou setembro com 313 unidades. O crescimento vem de outras frentes. As 11 farmácias Assaí Farma, todas em São Paulo, devem chegar a 25 até o fim do ano. Os produtos de marca própria devem passar de 140 para cerca de 250 até dezembro.
Os 18 postos de combustíveis comprados em São Paulo começam a operar em agosto de 2027. Gomes também tratou do fim da escala 6x1: a rede avalia reduzir o horário de funcionamento das lojas e amplia o uso de caixas de autoatendimento.
Na B3, a ação ASAI3 subia cerca de 5% no começo da tarde desta sexta-feira (6), a R$ 8,89 às 13h. O conselho de administração aprovou a recompra de até 11 milhões de ações em até 12 meses, a partir de 6 de novembro.
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