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Cap table e term sheet: o que são e o que o investidor analisa antes do aporte
O cap table mostra quanto cada sócio tem da startup, e o term sheet resume as condições do aporte antes de o investidor checar a empresa por dentro.

Antes de pôr dinheiro numa startup, o investidor quer saber duas coisas: quem é dono de quanto e em que condições vai entrar. A primeira resposta está no cap table. A segunda, no term sheet.
Depois de acertar o term sheet, vem a due diligence, a checagem da empresa por dentro. Só então as partes assinam os contratos definitivos e o dinheiro entra.
O que é o cap table
O cap table, abreviação de capitalization table, é a tabela de participação da empresa. Lista cada sócio e investidor, a quantidade de quotas ou ações e o percentual de cada um. Também entra o que ainda pode virar participação.
Isso inclui as opções prometidas a funcionários no vesting e os títulos conversíveis, como o mútuo conversível. A versão que soma tudo isso é chamada de totalmente diluída.
Um exemplo mostra a conta. Dois fundadores têm 50% cada. Um investidor aporta R$ 2 milhões com valuation pre-money, o valor antes do aporte, de R$ 8 milhões. O post-money passa a R$ 10 milhões, e o investidor fica com 20%.
Se o investidor pedir uma reserva de opções de 10% criada antes do aporte, a diluição recai só sobre os fundadores. Cada um fica com 35%, a reserva com 10% e o investidor com 20%.
| Sócio | Antes | Depois do aporte |
|---|---|---|
| Fundador A | 50% | 35% |
| Fundador B | 50% | 35% |
| Reserva de opções | 0% | 10% |
| Investidor | 0% | 20% |
O que vai no term sheet
O term sheet é um resumo de poucas páginas com as condições do negócio. Traz o valor do aporte, o valuation, o tipo de quota ou ação, os direitos do investidor e as obrigações dos fundadores.
Em geral, não obriga ninguém a investir. Costumam valer de imediato só as cláusulas de sigilo, de exclusividade nas negociações por um prazo e de divisão de custos. O restante vira os contratos definitivos: o de investimento e o acordo de sócios.
A preferência de liquidação é uma das cláusulas centrais. Na forma de 1x sem participação, o investidor de R$ 2 milhões recebe primeiro esse valor se a empresa for vendida por R$ 6 milhões. Numa venda por R$ 50 milhões, prefere os seus 20%, ou R$ 10 milhões.
O tag along garante ao investidor vender junto, nas mesmas condições, se os fundadores venderem o controle. O drag along obriga os minoritários a vender quando a maioria aceita uma oferta. A cláusula antidiluição protege o investidor se uma rodada futura sair a preço menor.
O direito de preferência garante aos sócios acompanhar novos aumentos de capital na proporção que já têm. Na sociedade anônima, está na Lei 6.404/1976; na limitada, no Código Civil. Muitos term sheets também pedem um assento no conselho e o vesting dos fundadores.
Due diligence
Na due diligence, o investidor e os advogados dele conferem se a empresa é o que diz ser. A lista começa pelo contrato social, pelas atas e pelo cap table, que precisam bater com o registro na Junta Comercial.
Depois vêm os contratos de trabalho e de prestadores, as certidões de impostos e os processos judiciais. A propriedade intelectual pesa muito: a marca precisa estar registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), e o código, pertencer à empresa.
Pela Lei 9.609/1998, o software criado por empregado ou prestador contratado para isso pertence a quem contrata, salvo acordo em contrário. O código escrito por sócios ou antes da abertura da empresa precisa de cessão em contrato. A proteção de dados pessoais, pela Lei 13.709/2018, também entra na lista.
Quem já tem os documentos organizados ganha tempo na rodada. O investidor-anjo, que entra antes, costuma fazer uma checagem mais curta, pelo contrato de investimento-anjo previsto no Marco Legal das Startups.
Antes de assinar o term sheet, vale simular o cap table das próximas duas rodadas, para saber quanto os fundadores ainda terão depois de cada diluição.
Como citar: Ouviram (31 out. 2026). «Cap table e term sheet: o que são e o que o investidor analisa antes do aporte». ouviram.com.br/startups/cap-table-e-term-sheet-o-que-sao-clausulas-due-diligence
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
O que é cap table?
É a tabela que mostra quanto cada sócio e investidor tem da empresa, em quotas ou ações e em percentual. Também lista as opções prometidas a funcionários e os títulos, como o mútuo conversível, que ainda podem virar participação.
O term sheet é um contrato que obriga a fazer o investimento?
Em geral, não. O term sheet resume as condições do negócio e serve de base para os contratos definitivos. Costumam valer de imediato só as cláusulas de sigilo, de exclusividade nas negociações e de custos.
Qual é a diferença entre pre-money e post-money?
Pre-money é o valor da empresa antes do aporte. Post-money é o valor depois, somado o dinheiro novo. Um aporte de R$ 2 milhões com pre-money de R$ 8 milhões dá post-money de R$ 10 milhões e 20% ao investidor.
O que é preferência de liquidação?
É a cláusula que dá ao investidor o direito de receber primeiro o valor aportado se a empresa for vendida ou fechada. Na forma mais comum, de 1x sem participação, ele escolhe entre o valor investido e o percentual que tem.
Sociedade limitada pode receber investimento com quotas preferenciais?
Pode. Desde a Instrução Normativa 81/2020 do Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração, as juntas comerciais aceitam quotas preferenciais na sociedade limitada, com direitos definidos no contrato social.
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1. Um investidor aporta R$ 2 milhões com valuation pre-money de R$ 8 milhões. Quanto ele passa a ter?
O post-money é de R$ 10 milhões, e R$ 2 milhões correspondem a 20% desse valor.
2. Quais cláusulas do term sheet costumam obrigar as partes de imediato?
O restante do term sheet costuma ser só uma intenção até a assinatura dos contratos definitivos.
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