Comissão do Senado aprova conserto de celular fora da autorizada e peças garantidas por 5 anos
A multa prevista vai de R$ 10 mil a R$ 50 milhões, e o texto veta alertas de erro em aparelhos reparados com componentes usados ou do mercado paralelo.

Fabricantes terão de vender peças de reposição por pelo menos cinco anos, prevê projeto aprovado na quarta-feira (4) por uma comissão do Senado. O texto também garante ao consumidor o direito de consertar celulares e outros aparelhos onde quiser, sem bloqueio do fabricante.
A decisão da Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC) foi terminativa. Assim, o Projeto de Lei 805/2024 segue direto para a Câmara dos Deputados, sem votação no Plenário do Senado, a não ser que um décimo dos senadores apresente recurso em cinco dias úteis.
O prazo mínimo para as peças é a principal mudança para o bolso. Hoje, o Código de Defesa do Consumidor obriga fabricantes e importadores a oferecer peças enquanto o produto é fabricado e, depois disso, só por “período razoável de tempo”. O projeto fixa cinco anos, contados da chegada do produto ao mercado, e permite que um regulamento estenda o prazo até 20 anos, conforme o tipo de bem.
O relator, senador Dr. Hiran (PP-RR), acolheu quatro emendas da Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT). Duas delas proíbem o chamado pareamento de partes: o software do aparelho reconhece uma peça trocada fora da rede autorizada e passa a emitir alertas de erro ou a cortar funções. No parecer, a CCT cita o reconhecimento facial e a sensibilidade ao toque entre as funções afetadas.
“A questão de amarrar completamente o reparo de um celular, por exemplo, a uma oficina credenciada gera muita dificuldade para o consumidor”, disse o relator na reunião da comissão. Pelo texto, quem trocar a tela numa assistência do bairro, com peça usada ou compatível, não poderá ter o celular limitado por isso.
O projeto também impede o fabricante de recusar assistência a um aparelho já consertado em oficina independente. A exceção vale só quando esse reparo tiver comprometido, de forma comprovada e sem conserto, a qualidade ou a segurança do produto. As oficinas independentes terão acesso a ferramentas, peças, informações e manuais, sem exigência de credenciamento ou de contrato de exclusividade.
A garantia de fábrica, porém, pode ser perdida. Pelo texto, cabe ao consumidor escolher onde consertar e decidir se quer preservá-la. A empresa terá de informar, de graça e com clareza, as consequências de um reparo por terceiros, especialmente quanto à perda da garantia.
Fabricantes e importadores terão de garantir ao menos uma plataforma digital no país com busca por produto, oficinas, prazos e custos de conserto e cadastro de vendedores de aparelhos recondicionados.
Quem desrespeitar o direito ao reparo ficará sujeito a multa de R$ 10 mil a R$ 50 milhões. Se for aprovada pelos deputados e sancionada, a lei entra em vigor 180 dias depois de publicada. O projeto é do senador Ciro Nogueira (PP-PI), foi apresentado em março de 2024 e passou pela CCT em maio deste ano.
No atendimento, as novas regras do SAC já valem desde segunda-feira (2), com atendente humano das 8h às 20h. Para quem pensa em trocar de aparelho, a Black Friday deste ano cai em 27 de novembro, e a compra online tem sete dias para desistência.
Enquanto o projeto não vira lei, vale o Código de Defesa do Consumidor. Para defeito aparente em produto durável, como celular ou geladeira, o prazo para reclamar é de 90 dias, e o fornecedor tem até 30 dias para resolver. Se não resolver, o consumidor pode exigir outro produto, o dinheiro de volta corrigido ou desconto no preço, com queixa no Procon da cidade ou no site consumidor.gov.br.
Informar um erro nesta matéria · Correções publicadas
EnviarMais sobre o assunto
Últimas de Economia
- PGBL até 31 de dezembro: aporte de até 12% da renda reduz o Imposto de Renda de 2027
- Quanto rende 10 mil: um ano no CDB paga R$ 1.117, e a poupança, R$ 825
- O que fazer com o 13º: quitar o rotativo de 15,29% ao mês vem antes de investir
- Edital do IBGE tem 27.279 vagas de recenseador, e inscrições abrem nesta sexta
- CNI e CNC pedem ao STF adiar o fim da escala 6x1, previsto para 15 de dezembro
O que você achou desta matéria?
O Ouviram confere cada dado em fontes oficiais e separa informação de opinião. Como trabalhamos · Achou um erro? Avise a redação







Comente com respeito. Leia as regras de participação: sem ofensas, sem dados pessoais de terceiros, sem links.