Caminhoneiro autônomo precisa de CNH C ou E, toxicológico e registro gratuito na ANTT
A inscrição no cadastro nacional de transportadores sai de graça pela internet, e a prova que substitui três anos de experiência custa até R$ 76,65.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) limita a R$ 76,65 a prova de quem começa como caminhoneiro autônomo, até julho de 2027. Além dela, quem quer cobrar frete precisa de CNH C ou E e de exame toxicológico em dia, refeito a cada dois anos e meio.
O caminho tem três frentes: a carteira certa no Detran, o exame em laboratório credenciado e o registro no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC). Sem esse registro, o motorista não pode fazer transporte rodoviário remunerado de cargas, segundo a ANTT.
- CarteiraCategoria C para caminhão; categoria E para carreta e outras combinações com reboque
- Exame toxicológicoNa mudança de categoria, na renovação e a cada 2 anos e 6 meses até os 69 anos
- RegistroRNTRC, na categoria Transportador Autônomo de Cargas (TAC)
- Curso ou experiênciaAprovação na prova eletrônica da ANTT ou pelo menos 3 anos na atividade
- VeículoAté 3 caminhões na categoria aluguel, próprios, em sociedade, emprestados ou arrendados
- SegurosRCTR-C, RC-DC e RC-V, obrigatórios para o registro
- Preço da provaAté R$ 76,65, de 1º de julho de 2026 a 1º de julho de 2027
R$ 76,65
é o máximo que as entidades credenciadas podem cobrar pela prova eletrônica da ANTT
Fonte: ANTT, Comunicado Relevante nº 1/2026
CNH C ou E: qual carteira o caminhoneiro precisa
A categoria C da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é a exigida para caminhão de carga com peso bruto acima de 3.500 kg. A categoria E vale para carretas e combinações com reboque. Em Minas Gerais, segundo o governo do estado, a C exige pelo menos um ano de CNH B.
A categoria E pede 21 anos completos e pelo menos um ano na C ou na D, a carteira de ônibus. Nas duas mudanças, o candidato não pode ter mais de uma infração gravíssima nos últimos 12 meses nem bloqueio no prontuário, a ficha do motorista no Detran.
| Categoria | O que dirige | Idade mínima | Tempo de habilitação |
|---|---|---|---|
| C | Caminhão com mais de 3.500 kg | 18 anos, regra geral da CNH | 1 ano na B |
| D | Ônibus e micro-ônibus | 21 anos | 2 anos na B ou 1 ano na C |
| E | Carreta e veículo com reboque | 21 anos | 1 ano na C ou na D |
Fonte: Governo de Minas Gerais, setembro de 2026
Na prática, quem tirou a CNH B aos 18 anos pode pedir a C a partir dos 19. A carreta, que puxa semirreboque e exige mais manobra, fica para depois dos 21.
Em Minas Gerais, o processo começa com o formulário eletrônico e a taxa do Detran. Depois vêm os exames toxicológico e médico e as aulas práticas num Centro de Formação de Condutores (CFC), a autoescola credenciada. A prova de direção fecha o caminho.
O exame psicológico só é cobrado de quem vai exercer atividade remunerada com o veículo, caso de quem pretende viver de frete. Em Minas Gerais, os valores fixos são estes:
| Item | Valor em Minas Gerais |
|---|---|
| Taxa de mudança de categoria | R$ 115,80 |
| Licença de Aprendizagem (LADV) | R$ 86,85 |
| Prova de direção | R$ 115,80 |
| Exame médico | R$ 232,23 |
| Exame psicológico | R$ 232,23 |
Fonte: Governo de Minas Gerais, setembro de 2026
Por exemplo, um motorista de Uberlândia com CNH B há mais de um ano paga R$ 782,91 nesses cinco itens. Ficam de fora as aulas no CFC e o exame toxicológico, que têm preço livre.
Cada Detran tem a própria tabela, então o valor muda de estado para estado; as regras gerais da carteira estão no guia de como tirar a CNH em 2026.
Exame toxicológico: prazo, validade e multa
O exame toxicológico de larga janela é obrigatório para tirar, renovar ou mudar para as categorias C, D e E da CNH, segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Feito com amostra de cabelo ou pelos, ele mostra o consumo de substâncias psicoativas em pelo menos 90 dias anteriores à coleta.
A regra está no artigo 148-A do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), incluído pela Lei 13.103/2015. Quem tem menos de 70 anos repete o teste a cada 2 anos e 6 meses, contados da obtenção ou da renovação da carteira.
A exigência já não é exclusiva de caminhoneiros e motoristas de ônibus. A Lei 15.153/2025 passou a pedir resultado negativo no exame toxicológico também na primeira habilitação nas categorias A e B, de moto e carro.
O preço não é tabelado. O próprio CTB proíbe órgãos públicos de fixar o valor, e os laboratórios praticam livre concorrência, segundo a Senatran. A lista de laboratórios credenciados fica no site da secretaria, e cada laboratório informa os postos de coleta da sua rede.
O prazo pesa no bolso. Passar mais de 30 dias do vencimento sem o exame periódico é infração gravíssima, pelo artigo 165-D do CTB. A punição é de 7 pontos na CNH e multa de R$ 1.467,35, segundo o Departamento Estadual de Trânsito do Espírito Santo (Detran-ES).
A multa é lançada automaticamente a partir do 30º dia, sem necessidade de o motorista ser parado numa blitz, informa o Detran-ES. Quem soma pontos pode acompanhar a situação no guia de pontos na CNH e suspensão.
Registro na ANTT, passo a passo
O registro no RNTRC é obrigatório para quem faz transporte rodoviário de cargas mediante pagamento, pela Lei 11.442/2007, e pode ser pedido de graça no RNTRC Digital, segundo a ANTT. O autônomo se inscreve como pessoa física, com CPF ativo e documento oficial de identidade.
A exigência de formação tem duas portas. Quem já tem pelo menos três anos de experiência na atividade cumpre o requisito. Quem está começando precisa passar na prova eletrônica da ANTT, única forma de aprovação no curso específico desde 1º de setembro de 2022.
- Crie ou atualize sua conta gov.br até o nível prata ou ouro. O selo recomendado pela ANTT é a validação facial no aplicativo Meu gov.br, que compara o rosto com a foto da CNH.
- Faça a inscrição gratuita no sistema Prova Eletrônica da ANTT, no menu “Candidato”, opção “Efetuar inscrição”. O código de acesso chega no e-mail informado.
- Agende a prova com uma das entidades credenciadas pela ANTT, que podem cobrar no máximo R$ 76,65. O certificado de aprovação também chega por e-mail.
- Tenha o caminhão registrado na categoria aluguel, como proprietário, coproprietário, comodatário (por empréstimo) ou arrendatário. O autônomo pode ter até três veículos.
- Contrate os três seguros obrigatórios: o RCTR-C, de responsabilidade civil pela carga; o RC-DC, para desaparecimento de carga; e o RC-V, de responsabilidade civil do veículo.
- Peça a inscrição no RNTRC Digital ou num ponto de atendimento credenciado. O caminhoneiro autônomo não precisa comprar certificado digital, segundo a ANTT.
Para estudar, o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) oferece curso preparatório gratuito a distância e também agenda a prova, segundo a lista de credenciadas da ANTT. O atendimento é pelo 0800 728 2891.
O cadastro aprovado pode aparecer em três situações. “Ativo” é o transportador apto ao frete; “pendente” é quem ainda não vinculou nenhum caminhão; e “suspenso” indica inconsistência nos dados, explica a ANTT. Só o registro ativo permite trabalhar.
Quando o motorista inclui o veículo, o cadastro pendente passa automaticamente para ativo. Sem caminhão vinculado, o registro fica pendente sem prazo, segundo a agência.
Há ainda dois formatos para quem quer crescer. A Empresa de Transporte Rodoviário de Cargas (ETC) precisa de CNPJ, capacidade financeira e pelo menos um caminhão na categoria aluguel. O responsável técnico deve ter três anos de atividade ou aprovação na prova. A cooperativa (CTC) exige ainda registro na Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) ou na entidade estadual.
Com o registro em mãos, o caminhoneiro autônomo pode abrir um MEI próprio da profissão, criado pela Lei Complementar 188/2021, com teto de faturamento de R$ 251.600 por ano. O microempreendedor individual comum tem limite de R$ 81 mil em 2026, menos de um terço disso.
Por exemplo, quem fatura R$ 18 mil por mês com fretes, ou R$ 216 mil no ano, cabe no MEI caminhoneiro, mas passaria do teto do MEI comum. A condição é estar inscrito como transportador autônomo no RNTRC; por isso, o registro na ANTT vem antes do CNPJ.
A contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) também é diferente. Com o salário mínimo de R$ 1.621 em 2026, o MEI caminhoneiro paga 12%, ou R$ 194,52 por mês. No MEI comum, a alíquota é de 5% (R$ 81,05). O passo a passo para formalizar a empresa está no guia de como abrir um MEI.
Na estrada, a rotina tem limites fixados em lei. O artigo 67-C do Código de Trânsito Brasileiro, com a redação da Lei 13.103/2015, proíbe o motorista profissional de caminhão de dirigir mais de 5 horas e meia sem parar.
No transporte de carga, a lei exige 30 minutos de pausa a cada 6 horas ao volante e 11 horas de descanso a cada 24 horas.
Desrespeitar esses tempos é infração média, com multa de R$ 130,16 e retenção do caminhão até o motorista cumprir o descanso, pelo artigo 230 do CTB. Se a infração se repetir em 12 meses, passa a ser grave.
O tacógrafo, aparelho que grava tempo de direção e velocidade, registra esses tempos. Foi ele que mostrou à Polícia Rodoviária Federal (PRF) 23 horas seguidas ao volante na BR-101, em Santa Catarina, num caso de outubro.
Em rodovia de pista dupla sem placa indicando outro limite, o CTB fixa 90 km/h para caminhões. Denúncias de direção perigosa nas rodovias federais vão para o telefone 191 da PRF, com quilômetro, sentido e placa do veículo.
A inscrição na prova eletrônica e o pedido no RNTRC Digital são feitos pela internet, sem depender do horário dos postos. Isso vale também para a segunda-feira, 2 de novembro, feriado nacional de Finados.
O teto de R$ 76,65 para a prova vale até 1º de julho de 2027. Ele foi fixado no Comunicado Relevante nº 1/2026 da ANTT, publicado no Diário Oficial da União em 30 de junho de 2026.
Como citar: Ouviram (31 out. 2026). «Caminhoneiro autônomo precisa de CNH C ou E, toxicológico e registro gratuito na ANTT». ouviram.com.br/servicos/como-ser-caminhoneiro-autonomo-cnh-toxicologico-rntrc-antt
Os dados, tabelas e gráficos próprios do Ouviram podem ser reutilizados sob a licença CC BY 4.0, com crédito ao Ouviram. Textos e fotos não estão incluídos.
Perguntas frequentes
O exame toxicológico pode ser feito com unha?
Só na falta de cabelo e pelos. Nesse caso, o motorista leva ao posto de coleta um laudo de dermatologista que comprove alopecia universal ou doença semelhante, segundo a Senatran.
Remédio controlado dá positivo no exame toxicológico?
Pode dar. Se o uso for por prescrição médica, o motorista apresenta o laudo no posto de coleta e mantém o direito de tirar, renovar ou mudar para as categorias C, D e E, segundo a Senatran.
Dá para contestar o resultado do exame toxicológico?
Sim. O motorista tem direito a contraprova e a recurso administrativo, pedidos direto ao laboratório. A contraprova usa a mesma amostra já coletada, e não um material novo.
Por quanto tempo vale o resultado do exame toxicológico?
O resultado vale por 90 dias a partir da coleta e pode ser usado para outros fins dentro desse prazo, segundo a Senatran.
O registro no RNTRC precisa ser renovado?
Não há renovação periódica: o registro tem validade indeterminada, pela Resolução ANTT 5.982/2022. A agência pode convocar uma revalidação ordinária dos cadastros, como a da Portaria Suroc 220/2022, e quem não atualiza dados e frota pode ter o registro suspenso.
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1. A cada quanto tempo motoristas C, D e E com menos de 70 anos refazem o toxicológico?
O exame periódico é refeito a cada 2 anos e 6 meses, contados da obtenção ou da renovação da CNH, segundo a Senatran.
2. Quantos caminhões um transportador autônomo pode ter no RNTRC?
A Resolução ANTT 5.982/2022 permite ao autônomo até 3 veículos de carga na categoria aluguel.
3. Qual é o teto anual de faturamento do MEI caminhoneiro?
A Lei Complementar 188/2021 fixou o teto em R$ 251.600 por ano para o transportador autônomo de cargas.
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